terça-feira, 30 de junho de 2026

Novos Medicamentos GLP-1 e a Nutrição

 

Os medicamentos GLP-1 pertencem a uma classe terapêutica inicialmente desenvolvida para o tratamento do diabetes tipo 2. Entretanto, ao longo dos últimos anos, esses fármacos passaram a ganhar destaque também no manejo da obesidade, especialmente devido ao potencial de indução de perda de peso.

De forma geral, os agonistas do receptor do GLP-1 atuam modulando mecanismos relacionados ao apetite e ao metabolismo glicêmico. Consequentemente, muitos pacientes relatam redução da fome, aumento da saciedade e menor ingestão alimentar durante o tratamento.

Apesar da popularização do termo “caneta emagrecedora”, é importante compreender que esses medicamentos não possuem indicação exclusiva para obesidade. Por exemplo, nos novos lançamentos no Brasil, a maior parte dessas medicações surgiu inicialmente para auxiliar no manejo do diabetes tipo 2.

Por isso, o olhar do nutricionista deve ir além do emagrecimento isolado. Isso quer dizer que todo o contexto clínico, que envolve desde a presença de comorbidades até os objetivos terapêuticos, precisa ser considerado.

Quais novos medicamentos GLP-1 chegaram ao mercado?

Com a expansão do mercado farmacológico e o fim da patente da semaglutida, novos produtos começaram a ser disponibilizados no Brasil, ampliando as possibilidades terapêuticas.

Entre os lançamentos recentes, destacam-se medicamentos à base de liraglutida e semaglutida, incluindo formulações nacionais.

Olire e Lirux: novas opções com liraglutida

O Olire é um medicamento baseado em liraglutida, princípio ativo considerado de geração anterior à semaglutida. Lançado pela EMS, ganhou notoriedade por ser descrito como a primeira caneta emagrecedora de produção nacional, sendo disponibilizado na dose de 6 mg/ml e indicado especificamente para obesidade.

Já o Lirux, lançado simultaneamente, também utiliza liraglutida na mesma concentração. Contudo, a principal diferença está na indicação terapêutica formal, já que o medicamento é destinado ao tratamento do diabetes tipo 2.

Para nutricionistas, essa diferenciação é particularmente relevante, pois a condição clínica do paciente influencia tanto a prescrição médica quanto às estratégias nutricionais a serem adotadas.

Poviztra e Extensior: novas apresentações da semaglutida

Outro movimento importante do mercado envolve os medicamentos à base de semaglutida.

O Poviztra, distribuído pela Novo Nordisk em parceria com a Eurofarma, foi apresentado como uma alternativa ao Wegovy, tendo como principal indicação o tratamento da obesidade. Além disso, uma atualização recente aprovada pela Anvisa ampliou a dosagem permitida, elevando o limite semanal para 7,2 mg.

Por outro lado, o Extensior, também desenvolvido a partir da semaglutida, possui doses menores e indicação voltada ao diabetes tipo 2, sendo comercializado como alternativa ao Ozempic.

Esse movimento sugere uma expansão progressiva do acesso aos medicamentos GLP-1, embora ainda existam barreiras importantes relacionadas ao custo e à acessibilidade.

Ozivy: o avanço dos produtos nacionais

Entre os lançamentos mais recentes está o Ozivy, descrito como a primeira versão nacional sintética inspirada na semaglutida, possível após o encerramento da patente do princípio ativo.

Esse medicamento foi indicado oficialmente apenas para o tratamento do daiabetes tipo 2. Assim, o uso voltado ao tratamento da obesidade ainda seria considerado off-label.

 

O que as diretrizes mais recentes dizem sobre o uso desses medicamentos?

A nova Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológio da Obesidade da ABESO (2026) reforça que o tratamento medicamentoso deve ocorrer de forma associada às intervenções no estilo de vida.

Segundo a recomendação, indivíduos com obesidade devem aderir a mudanças na alimentação e prática de exercícios físicos concomitantemente ao tratamento farmacológico, já que essa associação pode potencializar a perda de peso e melhorar marcadores cardiometabólicos.

A diretriz também enfatiza que o aconselhamento nutricional deve priorizar um padrão alimentar saudável, baseado em alimentos in natura e minimamente processados, além de redução de alimentos ultraprocessados, visando promover saúde cardiometabólica e reduzir riscos de deficiências nutricionais em longo prazo.

Em muitos casos, a redução do apetite pode diminuir significativamente a ingestão alimentar. Portanto, o planejamento nutricional precisa considerar densidade nutricional, adequação calórica, de macros e micronutrientes. Além disso, o acompanhamento nutricional requer monitoramento clínico contínuo.

Outro destaque do documento envolve a recomendação de exercício físico associado ao tratamento farmacológico. A orientação é reduzir o sedentarismo e estimular a prática regular de exercícios, respeitando condições clínicas e preferências individuais.

Qual é o papel do nutricionista diante do avanço dos medicamentos GLP-1?

À medida que os medicamentos GLP-1 se tornam mais acessíveis e presentes no consultório, o acompanhamento nutricional tende a ganhar ainda mais relevância.

Primeiramente, o nutricionista precisa compreender que o tratamento farmacológico deve caminhar junto ao hábitos alimentares, conforme reforçado pela diretriz brasileira.

Além disso, é importante monitorar possíveis reduções excessivas da ingestão alimentar. Embora a diminuição do apetite seja esperada, uma alimentação muito limitada pode favorecer inadequações nutricionais ao longo do tempo.

Outro aspecto relevante envolve o manejo dos sintomas gastrointestinais. Náusea, vômitos e constipação podem interferir diretamente na adesão alimentar e no conforto do paciente, exigindo ajustes individualizados ao plano alimentar.

Da mesma forma, a manutenção da massa muscular merece atenção. Em pacientes com emagrecimento acelerado, estratégias nutricionais voltadas à adequação proteica e associação com exercício físico podem contribuir para melhores desfechos clínicos.

Além disso, o nutricionista exerce papel importante no alinhamento de expectativas. Muitos pacientes chegam ao consultório influenciados por promessas de resultados rápidos divulgadas nas redes sociais. Nesse contexto, oferecer educação nutricional baseada em evidências ajuda a fortalecer decisões mais seguras e sustentáveis.

 

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:
 
Novos medicamentos GLP-1: o que nutricionistas precisam saber. Dietbox. Disponível em: www.blog.dietbox.com.br  Acessado em: 30/06/2026.

GERCHMAN , Fernando; SANDE-LEE, Simone Van de ; MANCINI, Marcio C. ; et al. DIRETRIZ BRASILEIRA DE TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE : ABESO. 5. ed. São Paulo, SP: Scientific, 2026. 

ARD, Jamy; FITCH, Angela; FRUH, Sharon; et al. Weight Loss and Maintenance Related to the Mechanism of Action of Glucagon-Like Peptide 1 Receptor Agonists. Advances in Therapy, v. 38, n. 6, p. 2821–2839, 2021. 


domingo, 28 de junho de 2026

Maçã do Amor Fit

 

Quando pensamos em festa junina, é difícil não lembrar da clássica maçã do amor, com aquela casquinha brilhante e crocante.

Mas... e se eu te dissesse que dá para matar a saudade desse sabor de infância com uma versão fit, sem açúcar e ainda assim deliciosa? Sim, é possível cuidar da saúde e manter os rituais afetivos que aquecem o coração.

A receita é simples: você vai precisar de maçãs pequenas e firmes, xilitol ou eritritol, corante natural vermelho (como beterraba em pó ou um toque de hibisco) e limão. Derreta o adoçante em fogo baixo com o suco de limão até formar uma calda brilhante, adicione o corante e banhe as maçãs, uma a uma. Espere esfriar... e pronto: um doce funcional que preserva a tradição!

Essa versão é livre de açúcar, tem baixo índice glicêmico, e ainda aproveita os benefícios da maçã, como fibras, antioxidantes e sensação de saciedade. Ideal para quem está em reeducação alimentar, controla a glicemia ou apenas deseja fazer escolhas mais conscientes.

Comer bem não é sobre abdicar do prazer, mas sobre encontrar formas criativas de manter o afeto à mesa. E o melhor: essa receita pode ser feita com as crianças ou compartilhada com quem você ama, resgatando memórias e cuidando do corpo.

🎉 Que tal experimentar e me contar o que achou? Vamos espalhar saúde e sabor nesse arraiá!

#MaçãDoAmorFit #FestaJuninaSaudável #ReceitasDiet #NutriçãoComAfeto #DocesFuncionais

   As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

4 Dicas Para Deixar os Doces Típicos de Festa Junina Mais Saudáveis

 

Junho é um mês em que, tradicionalmente, são comemorados em todo o Brasil os arraiais. Repletas de muita comida e dança, essas festas garantem diversão para todos os gostos e idades. E o melhor de tudo é que você pode testar receitas novas e que levem menos ingredientes industrializados, para deixar sua comemoração mais leve e saudável.

 

Menos açúcar

Muitos alimentos como curau, pé de moleque e pé de moça levam açúcar na receita. O Ministério da Saúde sugere trocar o ingrediente por outras opções. Experimente usar mel, melaço, xilitol ou rapadura para adoçar esses doces típicos de festa junina.

Mais canela

Ingrediente comum em sobremesas como o arroz doce e a canjica, a canela é uma especiaria que pode ajudar a dar mais sabor às receitas, disfarçando a falta do açúcar ou leite condensado nelas. Além disso, a canela pode ajudar no controle do diabetes, segundo um estudo publicado pelo Clinical Nutrititon. 

Troque os industrializados

De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde, é importante minimizar o máximo possível o uso de alimentos industrializados na alimentação diária. Por isso, ao preparar pratos como curau e pamonha, opte por utilizar o milho na espiga, e não o enlatado. Cozinhando em casa, você também evita o uso de conservantes e edulcorantes. E para não ficar sem doces típicos de festa junina na sua comemoração caseira.

Pratique mindful eating

Consuma as receitas juninas sem pressa, aproveitando cada mordida e, se possível, compartilhando com a sua família. Comer com atenção plena (mindful eating), segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde, é importante para diminuir a quantidade de alimentos processados à mesa e ajudar na saciedade.

  As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

 

Referências Bibliográficas:

4 dicas para deixar os doces típicos de festa junina mais saudáveis. Nutritotal. Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em: 26/06/2026.