quarta-feira, 4 de novembro de 2026

5 Dicas Sobre Nutrição Esportiva

 

A nutrição esportiva é a área que aplica a base de conhecimentos em nutrição, fisiologia e bioquímica no esporte e atividade física. Dentre seus principais benefícios estão a promoção da saúde, melhora do desempenho e otimização da recuperação pós-exercício.

Por isso, quem deseja aliar treino e alimentação deve procurar uma nutricionista especializada em esporte. Esse profissional vai conseguir prescrever a melhor dieta se acordo com o exercício praticado.

Segue abaixo uma lista com 5 dicas sobre nutrição esportiva:

1. Hidrate-se. A água responde por mais ou menos 70% da nossa composição corporal. Todas as reações químicas que ocorrem em nosso organismo possuem intervenção líquida, e os músculos não são exceção. Para se ter uma ideia, uma leve desidratação já implica em uma queda no desempenho esportivo. Além disso, um músculo desidratado tende a sofrer lesões. Por isso, beba sempre pequenos goles durante os treinos, mesmo que não tenha sede. Um treino longo de corrida, por exemplo, pode exigir isotônicos e outros tipos de bebida com a finalidade de repor os eletrólitos.

2. Qualidade dos alimentos é essencial. De nada adianta investir parte do seu orçamento em suplementos, vitaminas e produtos que visam à potencialização de resultados: primeiro, você precisa pensar na qualidade nutricional do que você consome no dia a dia.

3. Planeje suas refeições. É a melhor maneira de garantir que você está comendo como deveria em cada momento. Se deixar sua escolha para o momento em que está sentindo fome, é mais provável que você opte por aquilo que você mais quer no momento, e não pelo que é melhor. Planeje-se: compre e prepare suas refeições antes, já sabendo o que vai comer ao longo do dia. 

4. Inclua fontes proteicas no cardápio. Elas são essenciais para reparar e regenerar tecidos musculares que foram danificados no treino. Por isso, é importante incluir uma fonte de proteína de qualidade, animal ou vegetal, em cada uma das suas principais refeições. Para quem não é fã de proteína animal por algum motivo, experimente adicionar ao cardápio lentilha, grão-de-bico, feijão preto e spirulina.

5. Não despreze a gordura. Faz parte da crença comum a gordura como vilã da saúde e do peso ideal. No entanto, a falta de gordura na dieta pode ser tão prejudicial quanto o seu excesso. Por exemplo, é importante o consumo de ômega-3, uma gordura benéfica que não é produzida pelo nosso corpo. Entre suas inúmeras funções está manter a saúde do coração. Suas principais fontes são peixes e oleaginosas como chia e nozes. Também tem sido observado que uma dieta muito pobre em gorduras saturadas pode levar a uma queda nos níveis de testosterona. Portanto, não se atente apenas na quantidade mas, sim, na qualidade.

 As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

 

Referências Bibliográficas:

Medeiros, C. 5 dicas sobre Nutrição Esportiva. Atual Nutrição. Disponível em: www.atualnutricao.com.br Acessado em: 04/11/2026.


domingo, 1 de novembro de 2026

Dieta Vegana Pode Estar Associada À Redução no Risco de Cânceres

 

A dieta vegana, rica em frutas, vegetais, grãos integrais, leguminosas, castanhas e sementes, destaca-se pelo potencial na prevenção de câncer. Esses alimentos fornecem fibras, antioxidantes e compostos bioativos que reduzem o risco de cânceres como os de cólon, reto, mama, próstata e estômago.

Uma revisão sistemática de 2020 revelou que o consumo de proteínas vegetais reduz em 8% o risco de mortalidade geral e em 12% a mortalidade por doenças cardiovasculares. A cada 3% de aumento na ingestão de proteínas vegetais, há uma redução de 5% no risco de morte por todas as causas.

Já o elevado consumo de fibras está associado à redução do risco de câncer colorretal. Estudos mostram que consumir 10g adicionais de fibras diariamente pode reduzir em 10% o risco desse câncer. As fibras fermentadas pela microbiota intestinal produzem ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, com propriedades protetoras.

Fitoquímicos e a prevenção do câncer

Fitoquímicos como polifenóis, flavonoides e carotenoides, presentes em alimentos vegetais, neutralizam radicais livres, prevenindo o câncer. O estudo EPIC-Oxford demonstrou que veganos têm 19% menos risco de desenvolver câncer, enquanto o Adventist Health Study apontou menores taxas de câncer gastrointestinal entre vegetarianos restritos.

O que se fala do consumo de carnes e o câncer?

A OMS classifica carnes processadas como carcinogênicas e vermelhas como provavelmente carcinogênicas, associando seu consumo ao aumento do risco de câncer colorretal, de estômago e pâncreas. A dieta vegana elimina esses alimentos, reduzindo a exposição a compostos carcinogênicos, como as aminas heterocíclicas.

Papel da soja no câncer

A soja, amplamente consumida em dietas veganas, pode reduzir em 25% o risco de recidivas e em 15% a mortalidade no câncer de mama. Seus fitoestrogênios, como a isoflavona, são benéficos também na prevenção de cânceres de útero e próstata.

Vegetais crucíferos, como brócolis e couve-flor, também têm ação antitumoral devido aos glucosinolatos e ao sulforafano.

Uma estratégia sustentável para a saúde

Embora não seja a única solução, a dieta vegana é uma ferramenta poderosa na prevenção do câncer. Ela reduz a exposição a fatores de risco, fornece nutrientes e compostos protetores e contribui para a prevenção de doenças crônicas, promovendo uma saúde equilibrada e sustentável.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Dieta vegana pode estar associada à redução no risco de cânceres. Nutritotal. Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em: 01/11/2026.
 
Petroski, W. and D.M. Minich, Is There Such a Thing as “Anti-Nutrients”? A Narrative Review of Perceived Problematic Plant Compounds. Nutrients, v.12, n.10. 2020.

Eakin, A., G. Kelsberg, and S. Safranek, Clinical Inquiry: Does high dietary soy intake affect a woman’s risk of primary or recurrent breast cancer? J Fam Pract, v.64, n10, p. 660-2. 2015.

Rock, C.L., et al., Nutrition and physical activity guidelines for cancer survivors. CA Cancer J Clin, v. 62, n.4, p. 243-74. 2012.

OMS, IARC Monographs evaluate consumption of red meat and processed meat. 2015.

Naghshi, S., et al., Dietary intake of total, animal, and plant proteins and risk of all cause, cardiovascular, and cancer mortality: systematic review and dose, -response meta-analysis of prospective cohort studies. BMJ, 370 p. m2412. 2020.

Sabaté, J., H. Harwatt, and S. Soret, Environmental Nutrition: A New Frontier for Public Health. Am J Public Health, 2016. n.5, v.106, p. 815-21. 2016.

Bray F et al. Global cancer statistics 2022: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin. N.74, v.3 p.229-263. 2024.

Key TJ et al. Cancer incidence in vegetarians: results from the European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC-Oxford). Am J Clin Nutr. n.89, v.5, p.1620S-1626S. 2009.

Tantamango-Bartley Y, et al. Vegetarian diets and the incidence of cancer in a low-risk population. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev 22:286–94. 2013

Davey, G.K., et al., EPIC-Oxford: lifestyle characteristics and nutrient intakes in a cohort of 33 883 meateaters and 31 546 non meat-eaters in the UK. Public Health Nutr. v.6, n.3, p. 259-69. 2003.

  

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Intestino e Cérebro

 

Esquecer algumas coisas com o passar dos anos é frequentemente visto como algo natural do envelhecimento cerebral. Mas será que o declínio da memória se inicia realmente nos neurônios? Novas pesquisas sugerem que em vez de começar no cérebro, o declínio cognitivo relacionado à idade pode, na verdade, ter início no intestino.

 

Os seis sentidos

Além dos cinco sentidos conhecidos coletivamente como exterocepção — visão, audição, paladar, olfato e tato — nosso organismo possui um sistema que permite ao cérebro perceber o que acontece dentro do corpo. Seria uma espécie de sexto sentido chamado de interocepção, a maneira como o cérebro percebe, de forma subconsciente, o estado dos órgãos periféricos para regular os processos fisiológicos, e que ajuda a regular funções essenciais do organismo. Uma das principais vias dessa comunicação é o nervo vago, que conecta o cérebro a órgãos como o coração, pulmões, fígado e intestino.

 

Envelhecimento, inflamação e memória

Um estudo recente publicado na revista Nature mostrou que alterações na microbiota intestinal podem prejudicar essa comunicação entre o intestino e o cérebro, contribuindo para alterações e declínio na memória. Com o envelhecimento, determinadas bactérias intestinais podem produzir substâncias que favorecem a inflamação. Esses sinais inflamatórios podem interferir no funcionamento do nervo vago, prejudicando a troca de informações entre o intestino e o cérebro, afetando o desempenho da memória.

 

Microbiota e nervo vago

Em estudos com animais, os pesquisadores observaram que essa falha na comunicação estava associada a uma pior função cognitiva. Por outro lado, quando intervieram na microbiota intestinal ou estimularam o nervo vago, houve melhora da memória. Esses resultados levantam uma possibilidade interessante: parte do que chamamos de envelhecimento cerebral pode ser influenciada pelo que acontece no intestino.

 

Saúde do cérebro começa no intestino

Embora as pesquisas ainda estejam em fase inicial e os resultados venham principalmente de estudos com animais, essa descoberta amplia nossa compreensão sobre a saúde do cérebro. Cuidar da microbiota intestinal e preservar a comunicação entre o intestino e o cérebro podem se tornar estratégias importantes para ajudar a manter a memória e a saúde cognitiva ao longo da vida.

 

Texto elaborado por: Dra. Tamara Mazaracki. 

Título de Especialista em Nutrologia –  Associação Brasileira de Nutrologia;

Membro Titular da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia;

Pós-graduação em Medicina Ortomolecular, Nutrição Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia;

Pós-graduação em Medicina Estética – Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino – IBRAPE.

 

 As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


 

Referência Bibliográfica:

*Nature 2026. Intestinal interoceptive dysfunction drives age-associated cognitive decline.