quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Conheça Alimentos que Ajudam no Tratamento de Doenças: Hipo e Hipertireoidismo; Doença de Crohn e Diabetes

Doenças como hipotireoidismo ou hipertireoidismo, Crohn e diabetes costumam ser muito discutidas, afinal, são tratamentos medicamentosos, longos e que causam muito desconforto aos que os possuem.

Embora a alimentação não cure qualquer uma dessas doenças, ela pode amenizar alguns sintomas e auxiliar nos efeitos dos medicamentos tradicionais no controle das enfermidades.

 

Hipotireoidismo e hipertireoidismo

Localizada no pescoço e com um formato que lembra uma borboleta, a glândula tireoide é fundamental para liberar hormônios que garantem o funcionamento de todo o organismo. Se algo não vai bem, ou seja, se a pessoa tem hipotireoidismo (produção insuficiente de hormônios) ou hipertireoidismo (produção exagerada de hormônios), desde pele até coração podem ser afetados. Por isso, conheça dois alimentos que podem ajudar no controle da tireoide:

- Castanha-do-pará: rica em selênio e ômega-3, fornece nutrientes que servem de matéria-prima para a produção de hormônios pela tireoide. Consuma uma ou duas por dia.

- Quinoa: ótima fonte de proteína, rica em cálcio, ferro, fibras, magnésio, potássio e zinco. Ganha destaque, principalmente, por conta do selênio que auxilia a tireoide na produção de hormônios. Consuma duas colheres por semana, que podem ser adicionadas à salada, ao risoto ou, no caso da versão em flocos, a frutas e shakes.

Doença de Crohn

Trata-se de um problema de saúde no qual existe uma inflamação constante do intestino, que, além do desconforto intestinal, também acaba afetando a absorção de nutrientes. Por isso, alguns alimentos podem ajudar a reduzir a inflamação e melhorar a absorção dos nutrientes, aliviando os sintomas e evitando o surgimento de novas crises.

Enriqueça a dieta com:

  •  Arroz, purês, macarrão e batata;
  •  Carnes magras, como carne de frango;
  •  Ovo cozido;
  •  Peixes como sardinha, atum ou salmão;
  •  Legumes cozidos, como cenoura, aspargo e abóbora;
  •  Frutas cozidas e sem casca, como banana e maçã;
  •  Abacate e azeite.

Além de comer esses alimentos, pode haver risco de desnutrição, por isso, é aconselhável consultar um nutricionista para verificar a necessidade de se fazer uma suplementação de vitaminas e minerais, como cálcio, ácido fólico, vitamina B12, ferro e vitaminas A, D, E e K.

Diabetes

Quem possui diabetes, sabe que precisa tomar cuidado com a alimentação, principalmente para evitar picos de açúcar no sangue (hiperglicemia), o que pode causar complicações importantes à saúde.

O uso de medicamentos adequados e exercícios, associados a um plano alimentar equilibrado, ajudam a melhorar a qualidade de vida do paciente.

Abaixo você fica conhecendo alguns alimentos que ajudam no controle da doença:

- Canela: auxilia no controle glicêmico, responsável por regular os níveis de glicose no sangue, impedindo a rápida liberação de grandes quantidades de açúcar (hiperglicemia). Pode ser acrescentada nas refeições, mas sem exageros.

- Aveia: possui betaglucana, que forma uma espécie de gel grosso no organismo e retarda o esvaziamento do estômago, assim como a absorção de glicose pelo sangue. Isso auxilia no controle glicêmico, impedindo a rápida elevação da taxa de açúcar no sangue. A aveia também pode colaborar com a melhoria da sensibilidade à insulina.

Lembre-se que nenhum dos alimentos acima mencionados substitui a medicação receitada pelo seu médico. Além disso, a resposta aos alimentos acontece de diferentes maneiras para cada indivíduo (especialmente se compararmos o tempo de uso que é diferente de pessoa para pessoa).

 As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

 

Referências Bibliográficas:

Medeiros, C. Conheça alimentos que ajudam no tratamento de doenças. Atual Nutrição. Disponível em: www.atualnutricao.com.br Acessado em: 01/10/2026.

 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Quercetina: Um Ativo Natural Com Muitas Ações Na Saúde

 

A quercetina pode ser um nome pouco conhecido, mas está presente em muitas das frutas e verduras que você já consome. Esse composto natural de origem vegetal, conhecido como flavonoide, é abundante em alimentos como maçã, cebola, frutas vermelhas, couve, tomate, uva e chá.

 

Propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias

Pesquisadores continuam estudando a quercetina por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, e evidências recentes mostram que ela pode contribuir para a saúde cardiovascular, a função imunológica e um envelhecimento saudável.

 

Ajudante metabólico

Estudos atuais também relacionam a quercetina a níveis mais saudáveis de pressão arterial, ativação da circulação sanguínea e melhor funcionamento metabólico. Cientistas estão investigando seu potencial papel no suporte à saúde cerebral, na redução da inflamação crônica e na melhora da sensibilidade à insulina em mulheres com Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) – este é o novo nome dado à antiga Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

 

Suplemento X alimento

Embora os suplementos possam fornecer doses mais elevadas e sejam necessários em certos casos, muitos dos benefícios da quercetina podem ser obtidos por meio do consumo de uma grande variedade de alimentos vegetais coloridos. Em vez de depender da suplementação, pense na quercetina como parte de uma alimentação rica em nutrientes e baseada em alimentos frescos.

 

Saúde no prato

Cada porção de frutas e vegetais coloridos fornece uma combinação complexa de flavonoides, antioxidantes e outros compostos vegetais benéficos, que atuam em conjunto para proteger e favorecer o funcionamento das células. Priorizar a boa alimentação oferece ao organismo um espectro muito mais amplo de nutrientes do que qualquer composto isolado seria capaz de fornecer.

 

Texto elaborado por: Dra. Tamara Mazaracki. 

 

Título de Especialista em Nutrologia –  Associação Brasileira de Nutrologia;

 

Membro Titular da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia;

 

Pós-graduação em Medicina Ortomolecular, Nutrição Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia;

 

Pós-graduação em Medicina Estética – Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino – IBRAPE.

 

  As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

 

Referências Bibliográficas:

*Frontiers in Endocrinology 2026. Quercetin in metabolic diseases: mechanisms, therapeutics, & multidimensional frontiers.

*Molecules 2026. Quercetin as a Multifunctional Flavonol: Molecular Insights & Therapeutic Applications

domingo, 27 de setembro de 2026

Alimentação e Distúrbios Ginecológicos: Recomendações Atuais

Milhares de mulheres ao redor do mundo são acometidas por algum tipo de distúrbio ginecológico, o que impacta diretamente a sua qualidade de vida.

Esses distúrbios podem ser classificados como benignos, é o caso do mioma uterino, da endometriose e da síndrome dos ovários policísticos (SOP), ou como disfunções malignas, como os tumores do sistema reprodutor, que causam alterações no fluxo da menstruação, dor pélvica, anovulação crônica, hiperandrogenismo e infertilidade, com aumento do risco de mortalidade.

Apesar de essas comorbidades terem etiologias diferentes, compartilham de uma característica em comum, carecem de um tratamento médico eficaz com a preservação do sistema reprodutor funcional.

Sendo assim, algumas medidas são essenciais para a prevenção e tratamento desses distúrbios, destacando o papel fundamental da boa alimentação e hábitos de vida saudáveis.

E para compreender melhor a função da dieta e da nutrição nos distúrbios ginecológicos, uma revisão recente trás orientações atuais baseadas em estudos científicos, de como a alimentação contribuiu com o tratamento e prevenção dessas disfunções.

O papel da dieta na saúde

Sabemos que uma boa alimentação tem papel fundamental na manutenção dos processos fisiológicos, logo que, uma alimentação deficiente em nutrientes podem trazer inúmeras alterações ao organismo.

Nesse sentido, estudos mostram que alguns nutrientes, como as vitaminas D, A, E, o selênio, zinco, e o ômega 3, além de serem excelentes no processo anti-inflamatório, tem funções bem definidas no processo antioxidante, contribuindo com prevenção de diversas doenças.

Sendo assim, uma dieta rica nesses nutrientes seria interessante no tratamento de múltiplas comorbidades.

A nutrição nos distúrbios ginecológicos

E falando do papel da nutrição e da dieta na saúde, trazemos algumas orientações que auxiliam no processo terapêutico e profilático dos principais distúrbios ginecológicos.

A dieta e a nutrição no Mioma Uterino

Os miomas uterinos, ou também conhecidos como leiomiomas uterinos, são um tipo de nódulo benigno que pode atingir de 70-80% das mulheres em idade reprodutiva, causando inúmera alteração no ciclo menstrual.

Apesar de ser recorrente, pouco se sabe na literatura a sua causa, no entanto, alguns pesquisadores relatam que alguns fatores genéticos, idade, etnia e estilo de vida, têm forte ligação com o seu surgimento.

Com isso, estudos destacam que dieta rica em vegetais e frutas, principalmente as frutas cítricas, maçã, repolho, brócolis e tomate, associada a menor ingestão de cafeína e bebidas alcoólicas, tem tido forte ligação com redução da prevalência de mioma em mulheres em idade reprodutiva.

Quanto às vitaminas e ácidos graxos essenciais, pesquisas antecedentes mostram que a ingestão adequada de vitamina A pré-formada (origem animal), vitamina D e ômega-3 marinho tem correlação com menor incidência do mioma, uma vez que a ingestão deficiente desses nutrientes foi associada a uma maior incidência do tumor.

Além disso, ainda há recomendações sobre a ingestão do chá verde e sua eficácia na diminuição dos sintomas causados pelo mioma, no entanto, são necessárias mais pesquisas sobre a relação entre o chá e o distúrbio.

A dieta e a nutrição na Endometriose

Atingindo de 6 a 10% das mulheres, a endometriose é uma doença estrogênio-dependente, caraterizada pela intensa dor pélvica, sendo uma das causas de infertilidade feminina. 

Apesar do seu tratamento a base de medicamentos hormonais serem definidos e amplamente recomendado pelas sociedades médicas, a adequada alimentação tem tido forte ligação com a prevenção e controle de sintomas da doença.

Alguns estudos mostram que além da introdução de uma dieta rica em frutas e vegetais, com ingestão adequada da vitamina D, ômega-3, vitamina C e E, a diminuição do consumo de carnes vermelha tem sido associada com menor incidência da doença, logo que, atuam no processo oxidativo, comum na etiologia da endometriose.

Além disso, pesquisadores ainda destacam um importante papel do resveratrol, componente presente em plantas, nozes e vinho, do chá verde e da curcumina na proteção e melhora de sintomas, no entanto, alguns desses estudos têm dados conflitantes e demandam mais investigação.

A dieta e a nutrição na Síndrome dos Ovários Policístico (SOP)

Caraterizada pela presença de cistos na parte externa do ovário, a síndrome do ovário policístico,  ou SOP, é uma das síndrome ginecológicas mais recorrentes entre mulheres, causando além de inúmeras alterações no ciclo menstrual, um maior risco de doenças cardiovasculares, resistência à insulina, síndrome metabólica e de DHGNA.

Apesar de ter etiologia desconhecida, acredita-se que um conjunto de fatores de influência genética e ambiental tem forte ligação com o seu surgimento, com isso, além do tratamento medicamentoso, especialista recomendando a alteração do estilo de vida dessas mulheres.

Uma das alterativas amplamente recomendada é a inserção da dieta DASH e low carb,pois além de auxiliar na perda de peso, também contribui com a regulação da insulina e dos hormônios associado ao SOP.

Já quando falamos de nutrientes especifico, alguns estudos mostram que a suplementação de vitamina D, vitamina E e coenzima Q10 auxiliou na regularização do ciclo menstrual de mulheres com SOP, contribuindo também com os sintomas secundários da doença como, a resistência insulina e no controle de peso.

Além desses nutrientes, alguns pesquisadores ressaltam a importância da ingestão regular do inositol e do selênio, logo que níveis baixos dos nutrientes foram encontrados em grande parte das mulheres diagnóstico de SOP, associando os compostos com uma maior prevalência.

A nutrição nas disfunções malignas

Assim como nas comorbidades benignas, a nutrição tem seu papel essencial na prevenção de neoplasias ginecológicas.

Como discutido a cima, uma dieta rica em frutas e vegetais, a diminuição do consumo de carne vermelhas, doces, bebidas alcoólicas e o controle da obesidade são medidas associadas não só à prevenção de comorbidades ginecológicas benignas, mas também como estratégia de prevenção do câncer cervical, de ovário, uterino e até de mama.

Sendo assim, ressaltamos, que um acompanhamento regular, não só do ginecologista, mas também do profissional de nutrição participa, diretamente e indiretamente com a saúde da mulher como um todo.

 As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas: 

Alimentação e distúrbios ginecológicos: recomendações atuais. Nutritotal. Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em: 27/09/2026.
 
Afrin, S.; AlAshqar, A.; El Sabeh, M.; Miyashita-Ishiwata, M.; Reschke, L.; Brennan, J.T.; Fader, A.; Borahay, M.A. Diet and Nutrition in Gynecological Disorders: A Focus on Clinical Studies. Nutrients 2021, 13, 1747.