domingo, 1 de novembro de 2026

Dieta Vegana Pode Estar Associada À Redução no Risco de Cânceres

 

A dieta vegana, rica em frutas, vegetais, grãos integrais, leguminosas, castanhas e sementes, destaca-se pelo potencial na prevenção de câncer. Esses alimentos fornecem fibras, antioxidantes e compostos bioativos que reduzem o risco de cânceres como os de cólon, reto, mama, próstata e estômago.

Uma revisão sistemática de 2020 revelou que o consumo de proteínas vegetais reduz em 8% o risco de mortalidade geral e em 12% a mortalidade por doenças cardiovasculares. A cada 3% de aumento na ingestão de proteínas vegetais, há uma redução de 5% no risco de morte por todas as causas.

Já o elevado consumo de fibras está associado à redução do risco de câncer colorretal. Estudos mostram que consumir 10g adicionais de fibras diariamente pode reduzir em 10% o risco desse câncer. As fibras fermentadas pela microbiota intestinal produzem ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, com propriedades protetoras.

Fitoquímicos e a prevenção do câncer

Fitoquímicos como polifenóis, flavonoides e carotenoides, presentes em alimentos vegetais, neutralizam radicais livres, prevenindo o câncer. O estudo EPIC-Oxford demonstrou que veganos têm 19% menos risco de desenvolver câncer, enquanto o Adventist Health Study apontou menores taxas de câncer gastrointestinal entre vegetarianos restritos.

O que se fala do consumo de carnes e o câncer?

A OMS classifica carnes processadas como carcinogênicas e vermelhas como provavelmente carcinogênicas, associando seu consumo ao aumento do risco de câncer colorretal, de estômago e pâncreas. A dieta vegana elimina esses alimentos, reduzindo a exposição a compostos carcinogênicos, como as aminas heterocíclicas.

Papel da soja no câncer

A soja, amplamente consumida em dietas veganas, pode reduzir em 25% o risco de recidivas e em 15% a mortalidade no câncer de mama. Seus fitoestrogênios, como a isoflavona, são benéficos também na prevenção de cânceres de útero e próstata.

Vegetais crucíferos, como brócolis e couve-flor, também têm ação antitumoral devido aos glucosinolatos e ao sulforafano.

Uma estratégia sustentável para a saúde

Embora não seja a única solução, a dieta vegana é uma ferramenta poderosa na prevenção do câncer. Ela reduz a exposição a fatores de risco, fornece nutrientes e compostos protetores e contribui para a prevenção de doenças crônicas, promovendo uma saúde equilibrada e sustentável.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Dieta vegana pode estar associada à redução no risco de cânceres. Nutritotal. Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em: 01/11/2026.
 
Petroski, W. and D.M. Minich, Is There Such a Thing as “Anti-Nutrients”? A Narrative Review of Perceived Problematic Plant Compounds. Nutrients, v.12, n.10. 2020.

Eakin, A., G. Kelsberg, and S. Safranek, Clinical Inquiry: Does high dietary soy intake affect a woman’s risk of primary or recurrent breast cancer? J Fam Pract, v.64, n10, p. 660-2. 2015.

Rock, C.L., et al., Nutrition and physical activity guidelines for cancer survivors. CA Cancer J Clin, v. 62, n.4, p. 243-74. 2012.

OMS, IARC Monographs evaluate consumption of red meat and processed meat. 2015.

Naghshi, S., et al., Dietary intake of total, animal, and plant proteins and risk of all cause, cardiovascular, and cancer mortality: systematic review and dose, -response meta-analysis of prospective cohort studies. BMJ, 370 p. m2412. 2020.

Sabaté, J., H. Harwatt, and S. Soret, Environmental Nutrition: A New Frontier for Public Health. Am J Public Health, 2016. n.5, v.106, p. 815-21. 2016.

Bray F et al. Global cancer statistics 2022: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin. N.74, v.3 p.229-263. 2024.

Key TJ et al. Cancer incidence in vegetarians: results from the European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition (EPIC-Oxford). Am J Clin Nutr. n.89, v.5, p.1620S-1626S. 2009.

Tantamango-Bartley Y, et al. Vegetarian diets and the incidence of cancer in a low-risk population. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev 22:286–94. 2013

Davey, G.K., et al., EPIC-Oxford: lifestyle characteristics and nutrient intakes in a cohort of 33 883 meateaters and 31 546 non meat-eaters in the UK. Public Health Nutr. v.6, n.3, p. 259-69. 2003.

  

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Intestino e Cérebro

 

Esquecer algumas coisas com o passar dos anos é frequentemente visto como algo natural do envelhecimento cerebral. Mas será que o declínio da memória se inicia realmente nos neurônios? Novas pesquisas sugerem que em vez de começar no cérebro, o declínio cognitivo relacionado à idade pode, na verdade, ter início no intestino.

 

Os seis sentidos

Além dos cinco sentidos conhecidos coletivamente como exterocepção — visão, audição, paladar, olfato e tato — nosso organismo possui um sistema que permite ao cérebro perceber o que acontece dentro do corpo. Seria uma espécie de sexto sentido chamado de interocepção, a maneira como o cérebro percebe, de forma subconsciente, o estado dos órgãos periféricos para regular os processos fisiológicos, e que ajuda a regular funções essenciais do organismo. Uma das principais vias dessa comunicação é o nervo vago, que conecta o cérebro a órgãos como o coração, pulmões, fígado e intestino.

 

Envelhecimento, inflamação e memória

Um estudo recente publicado na revista Nature mostrou que alterações na microbiota intestinal podem prejudicar essa comunicação entre o intestino e o cérebro, contribuindo para alterações e declínio na memória. Com o envelhecimento, determinadas bactérias intestinais podem produzir substâncias que favorecem a inflamação. Esses sinais inflamatórios podem interferir no funcionamento do nervo vago, prejudicando a troca de informações entre o intestino e o cérebro, afetando o desempenho da memória.

 

Microbiota e nervo vago

Em estudos com animais, os pesquisadores observaram que essa falha na comunicação estava associada a uma pior função cognitiva. Por outro lado, quando intervieram na microbiota intestinal ou estimularam o nervo vago, houve melhora da memória. Esses resultados levantam uma possibilidade interessante: parte do que chamamos de envelhecimento cerebral pode ser influenciada pelo que acontece no intestino.

 

Saúde do cérebro começa no intestino

Embora as pesquisas ainda estejam em fase inicial e os resultados venham principalmente de estudos com animais, essa descoberta amplia nossa compreensão sobre a saúde do cérebro. Cuidar da microbiota intestinal e preservar a comunicação entre o intestino e o cérebro podem se tornar estratégias importantes para ajudar a manter a memória e a saúde cognitiva ao longo da vida.

 

Texto elaborado por: Dra. Tamara Mazaracki. 

Título de Especialista em Nutrologia –  Associação Brasileira de Nutrologia;

Membro Titular da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia;

Pós-graduação em Medicina Ortomolecular, Nutrição Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia;

Pós-graduação em Medicina Estética – Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino – IBRAPE.

 

 As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


 

Referência Bibliográfica:

*Nature 2026. Intestinal interoceptive dysfunction drives age-associated cognitive decline.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Calorias "Líquidas": Elas Também Podem Atrapalhar Seu Emagrecimento!

Informalmente, o termo "calorias líquidas" é usado para nos referirmos às calorias que são consumidas em bebidas, em oposição às calorias que vêm dos alimentos sólidos.

Muitas pessoas não percebem, mas algumas bebidas podem atrapalhar seu processo de emagrecimento, incluindo aquelas que, à primeira vista, são consideradas saudáveis. É preciso usar o bom senso: mesmo alimentos (ou bebidas) saudáveis devem ser consumidos com moderação!

Por exemplo, sucos naturais, ainda que saudáveis, contêm frutose, que é um tipo de açúcar. Já os sucos industrializados costumam ter alto teor de açúcares adicionados, o que faz com que sejam ainda mais calóricos. 🧃

Outras bebidas saudáveis, por exemplo, por conterem cálcio, fibras, vitaminas, entre outros nutrientes, podem também ser muito calóricas. É o caso de vitaminas, iogurtes, shakes, leite em pó e achocolatados, que podem conter alto teor de açúcar ou até de gorduras. Eles devem, também ser consumidos com moderação, portanto. 🥛

E, claro, você com certeza sabe também que bebidas "não-saudáveis", como refrigerantes adoçados e bebidas alcoólicas também contêm muitas calorias e aditivos que podem prejudicar sua saúde. 🥤🍺

Se seu foco é emagrecer, uma boa dica é optar pela água, pois ela não contém calorias. Chás sem açúcar e água saborizada com fatias de frutas são alternativas refrescantes e saudáveis, também com baixas calorias. 💧🍋

E, se você gosta de frutas, prefira consumi-las inteiras, em vez de sucos, para que mantenham o alto teor de fibras, que aumentam a sensação de saciedade. 🍎

Lembre-se de que o acompanhamento nutricional pode ajudar você a encontrar o equilíbrio certo para sua dieta e levar você a fazer escolhas inteligentes, alinhadas aos seus objetivos e necessidades! Conte comigo! 👍

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  As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.