Os medicamentos GLP-1
pertencem a uma classe terapêutica inicialmente desenvolvida para o
tratamento do diabetes tipo 2. Entretanto, ao longo dos últimos anos,
esses fármacos passaram a ganhar destaque também no manejo da obesidade,
especialmente devido ao potencial de indução de perda de peso.
De forma geral, os agonistas do receptor
do GLP-1 atuam modulando mecanismos relacionados ao apetite e ao
metabolismo glicêmico. Consequentemente, muitos pacientes relatam
redução da fome, aumento da saciedade e menor ingestão alimentar durante
o tratamento.
Apesar da popularização do termo “caneta emagrecedora”,
é importante compreender que esses medicamentos não possuem indicação
exclusiva para obesidade. Por exemplo, nos novos lançamentos no Brasil, a
maior parte dessas medicações surgiu inicialmente para auxiliar no
manejo do diabetes tipo 2.
Por isso, o olhar do nutricionista deve ir
além do emagrecimento isolado. Isso quer dizer que todo o contexto
clínico, que envolve desde a presença de comorbidades até os objetivos
terapêuticos, precisa ser considerado.
Quais novos medicamentos GLP-1 chegaram ao mercado?
Com a expansão do mercado farmacológico e o fim da patente da semaglutida, novos produtos começaram a ser disponibilizados no Brasil, ampliando as possibilidades terapêuticas.
Entre os lançamentos recentes, destacam-se medicamentos à base de liraglutida e semaglutida, incluindo formulações nacionais.
O Olire é um medicamento baseado
em liraglutida, princípio ativo considerado de geração anterior à
semaglutida. Lançado pela EMS, ganhou notoriedade por ser descrito como a
primeira caneta emagrecedora de produção nacional, sendo disponibilizado na dose de 6 mg/ml e indicado especificamente para obesidade.
Já o Lirux, lançado
simultaneamente, também utiliza liraglutida na mesma concentração.
Contudo, a principal diferença está na indicação terapêutica formal, já
que o medicamento é destinado ao tratamento do diabetes tipo 2.
Para nutricionistas, essa diferenciação é
particularmente relevante, pois a condição clínica do paciente
influencia tanto a prescrição médica quanto às estratégias nutricionais a
serem adotadas.
Poviztra e Extensior: novas apresentações da semaglutida
Outro movimento importante do mercado envolve os medicamentos à base de semaglutida.
O Poviztra, distribuído pela Novo
Nordisk em parceria com a Eurofarma, foi apresentado como uma
alternativa ao Wegovy, tendo como principal indicação o tratamento da obesidade. Além disso, uma atualização recente aprovada pela Anvisa ampliou a dosagem permitida, elevando o limite semanal para 7,2 mg.
Por outro lado, o Extensior, também
desenvolvido a partir da semaglutida, possui doses menores e indicação
voltada ao diabetes tipo 2, sendo comercializado como alternativa ao
Ozempic.
Esse movimento sugere uma expansão progressiva do acesso aos medicamentos GLP-1, embora ainda existam barreiras importantes relacionadas ao custo e à acessibilidade.
Ozivy: o avanço dos produtos nacionais
Entre os lançamentos mais recentes está o Ozivy,
descrito como a primeira versão nacional sintética inspirada na
semaglutida, possível após o encerramento da patente do princípio ativo.
Esse medicamento foi indicado oficialmente apenas para o tratamento do daiabetes tipo 2. Assim, o uso voltado ao tratamento da obesidade ainda seria considerado off-label.
O que as diretrizes mais recentes dizem sobre o uso desses medicamentos?
A nova Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológio da Obesidade da ABESO (2026) reforça que o tratamento medicamentoso deve ocorrer de forma associada às intervenções no estilo de vida.
Segundo a recomendação, indivíduos com
obesidade devem aderir a mudanças na alimentação e prática de exercícios
físicos concomitantemente ao tratamento farmacológico, já que essa
associação pode potencializar a perda de peso e melhorar marcadores
cardiometabólicos.
A diretriz também enfatiza que o
aconselhamento nutricional deve priorizar um padrão alimentar saudável,
baseado em alimentos in natura e minimamente processados, além de
redução de alimentos ultraprocessados, visando promover saúde
cardiometabólica e reduzir riscos de deficiências nutricionais em longo
prazo.
Em muitos casos, a redução do apetite pode
diminuir significativamente a ingestão alimentar. Portanto, o
planejamento nutricional precisa considerar densidade nutricional,
adequação calórica, de macros e micronutrientes. Além disso, o
acompanhamento nutricional requer monitoramento clínico contínuo.
Outro destaque do documento envolve a
recomendação de exercício físico associado ao tratamento farmacológico. A
orientação é reduzir o sedentarismo e estimular a prática regular de
exercícios, respeitando condições clínicas e preferências individuais.
Qual é o papel do nutricionista diante do avanço dos medicamentos GLP-1?
À medida que os medicamentos GLP-1 se tornam mais acessíveis e presentes no consultório, o acompanhamento nutricional tende a ganhar ainda mais relevância.
Primeiramente, o nutricionista precisa
compreender que o tratamento farmacológico deve caminhar junto ao
hábitos alimentares, conforme reforçado pela diretriz brasileira.
Além disso, é importante monitorar
possíveis reduções excessivas da ingestão alimentar. Embora a diminuição
do apetite seja esperada, uma alimentação muito limitada pode favorecer
inadequações nutricionais ao longo do tempo.
Outro aspecto relevante envolve o manejo
dos sintomas gastrointestinais. Náusea, vômitos e constipação podem
interferir diretamente na adesão alimentar e no conforto do paciente,
exigindo ajustes individualizados ao plano alimentar.
Da mesma forma, a manutenção da massa
muscular merece atenção. Em pacientes com emagrecimento acelerado,
estratégias nutricionais voltadas à adequação proteica e associação com
exercício físico podem contribuir para melhores desfechos clínicos.
Além disso, o nutricionista exerce papel
importante no alinhamento de expectativas. Muitos pacientes chegam ao
consultório influenciados por promessas de resultados rápidos divulgadas
nas redes sociais. Nesse contexto, oferecer educação nutricional
baseada em evidências ajuda a fortalecer decisões mais seguras e
sustentáveis.
As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento
presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas,
psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente,
para seu conhecimento.
Referências
Bibliográficas:
Novos medicamentos GLP-1: o que nutricionistas precisam saber. Dietbox.
Disponível em: www.blog.dietbox.com.br Acessado em: 30/06/2026. GERCHMAN , Fernando; SANDE-LEE, Simone Van de ; MANCINI, Marcio C. ; et al. DIRETRIZ BRASILEIRA DE TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA OBESIDADE : ABESO. 5. ed. São Paulo, SP: Scientific, 2026.
ARD, Jamy; FITCH, Angela; FRUH, Sharon; et
al. Weight Loss and Maintenance Related to the Mechanism of Action of
Glucagon-Like Peptide 1 Receptor Agonists. Advances in Therapy, v. 38, n. 6, p. 2821–2839, 2021.