quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Nutracêuticos e Sensção de Pernas Pesadas

 

A sensação de pernas pesadas é uma condição pouco debatida em cenários de saúde. Indivíduos que apresentam este sintoma, que serve como um alerta do comprometimento da circulação sanguínea, raramente procuram ajuda até que sintomas mais graves se desenvolvam.

 Recentemente, pesquisadores italianos testaram um nutracêutico à base de plantas como uma abordagem terapêutica para a sensação de pernas pesadas. A seguir, conheça os detalhes deste quadro e os resultados deste estudo inovador.

O que é a sensação de pernas pesadas?

A sensação de pernas pesadas trata-se de um desconforto venoso leve, quando as pernas parecem cansadas, rígidas e pesadas. Embora não seja incomum experimentar essa sensação de vez em quando, esses sintomas podem ser sinais precoces de doenças vasculares periféricas, como a insuficiência venosa crônica (IVC). 

Sintomas mais graves, como dores, calor e inchaço na perna são associados a estágios avançados de IVC, e podem se manifestar com a idade. Além disso, a sensação pode ser acompanhada por telangiectasias, popularmente conhecidas como “vasinhos”, sendo vasos sanguíneos dilatados ou rompidos próximos à superfície da pele.

Quais são os tratamentos para pernas pesadas?

As abordagens terapêuticas mais comuns para pernas pesadas em estágios iniciais incluem meias de compressão, mudanças no estilo de vida e medicamentos. Contudo, a eficácia e comprovação desses tratamentos ainda não são conclusivas. 

Já para estágios avançados, são necessárias terapias intervencionistas, como escleroterapia, radiofrequência e tratamento a laser. 

Como alternativas, suplementos alimentares podem servir como uma abordagem preventiva para mitigar a progressão de sintomas mais graves. 

Entre os compostos que auxiliam a circulação venosa, os flavonoides e seus derivados têm sido estudados. A diosmina, por exemplo, é um flavonoide com efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes, que ajudam a proteger os vasos sanguíneos e as células endoteliais, resultando em benefícios para a circulação sanguínea.

A diosmina atua principalmente no aumento do tônus ​​venoso, na redução da permeabilidade capilar e na melhora da drenagem linfática, em vez de aumentar diretamente o fluxo sanguíneo.

Pesquisa investigou a eficácia da diosmina para pernas pesadas

Um recente estudo investigou a eficácia de um suplemento contendo diosmina no alívio do desconforto nas pernas, em pacientes adultos no estágio inicial de IVC e telangiectasias. 

O estudo incluiu uma consulta de triagem, uma consulta basal (D0) e três consultas de acompanhamento (após 14, 28 e 56 dias) durante um período de suplementação de 56 dias.

Na consulta basal, os pacientes foram randomizados em:

  • Grupo de tratamento ativo (n=57) – receberam 1 comprimido por dia, com 570 mg de um ingrediente patenteado à base de diosmina;
  • Grupo placebo (n=60) – receberam um comprimido diário idêntico em aparência ao comprimido ativo, contendo apenas excipientes.

O desfecho primário foi a avaliação clínica do desconforto nas pernas (pernas pesadas, cansadas e sensação de formigamento). Tal desfecho foi autoavaliado usando uma escala visual analógica (EVA) que variava de 0 (nenhum) a 10 (muito forte).

Os desfechos secundários incluíram a gravidade e a aparência (cor) das telangiectasias, a taxa de fluxo sanguíneo e um questionário de autoavaliação.

Os resultados foram positivos

No grupo que recebeu o nutracêutico, houveram diversas melhorias notáveis:

– A sensação de pernas pesadas diminuiu ao longo do tempo em 18.3%, 30% e 41.7%, após 14, 28 e 56 dias de ingestão do produto;

– O parâmetro de pernas cansadas apresentou melhora a partir do 14º dia (-17.7%), e continuou reduzindo nos dias 28 (33.9%) e 56 (45.2%);

– A gravidade das telangiectasias diminuiu de “leve a moderada” para “leve” após 56 dias de uso do produto (no grupo placebo, a gravidade das telangiectasias aumentou);

– A cor das telangiectasias relacionada ao teor de hemoglobina diminuiu em 3,9% após 56 dias;

– Os participantes relataram melhorias percebidas na aparência da pele (50.9%), redução do desconforto geral (61.4%), diminuição da sensação de pernas pesadas (71.9%), aumento da energia nas pernas (50.9%) e uma sensação geral de bem-estar (56.1%);

– 61,4% dos participantes ficaram globalmente satisfeitos com os resultados obtidos.

Embora tenha havido uma tendência de diminuição, a alteração na sensação de formigamento não foi estatisticamente diferente em comparação ao grupo placebo. Além disso, a taxa de fluxo sanguíneo permaneceu inalterada nos grupos ativo e placebo durante todo o período.

Os achados sugerem que a diosmina pode ter efeitos benéficos na função venosa, potencialmente por meio da melhora da microcirculação, redução da pressão venosa ou efeitos anti-inflamatórios.

O que podemos concluir?

Em resumo, a pesquisa confirmou a eficácia da formulação de diosmina para melhora da sensação de pernas pesadas. Esse tratamento pode ser particularmente interessante quando os tratamentos padrões são custosos, contraindicados ou possuem efeitos colaterais indesejáveis.

Segundo os autores, são necessárias mais pesquisas, com amostras maiores e acompanhamentos prolongados, para confirmar tais achados preliminares.

 

 

 As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

 

Referências Bibliográficas:
 
Nutracêutico à base de plantas pode aliviar sensação de pernas pesadas. Nutritotal. Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em: 14/10/2026.
 
 Nobile, V., Cestone, E. & Roveda, G. A nutraceutical intervention for alleviating tired and heavy legs in healthy subjects: a randomized, double-blind, controlled study. BMC Nutr 11, 207 (2025). https://doi.org/10.1186/s40795-025-01184-1

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Presunto, Peito de Peru e Salame: Algum Deles é Mais Saudável?

Na hora de preparar um lanche, presunto, peito de peru e salame estão entre as opções mais práticas. Fáceis de combinar com o pão e prontos para o consumo, esses embutidos são comuns na alimentação do dia a dia. Mas, como são carnes processadas, consumi-las frequentemente aumenta os riscos à saúde.

 Do que eles são feitos?

Presunto, peito de peru e salame são carnes processadas porque passam por técnicas que modificam a carne fresca para aumentar sua conservação e alterar características como sabor, aroma e textura. Entre as técnicas, estão a cura, a fermentação e a defumação.

O presunto e o peito de peru costumam ser cozidos, já o salame passa por fermentação e maturação.

Na cura, é comum usar sal e substâncias como o nitrito de sódio, que ajudam a conservar o alimento. No entanto, durante o processamento, podem ocorrer reações que aumentam a formação de compostos associados ao risco de câncer.

A composição e o modo de preparo ajudam a entender as características de cada produto:

Presunto: é feito com carne suína, que recebe sal e passa por cura antes de ser cozida.


Peito de peru: é produzido com carne de peru e pode levar sal, conservantes e outros ingredientes durante o processamento. Algumas versões têm menor teor de gordura e sabor mais suave.

Salame: costuma ser feito com carne suína ou uma mistura de carnes, além de sal e temperos. A carne é moída e passa por cura e fermentação.

Riscos de consumo dos embutidos

Uma fatia de peito de peru no pão, presunto no misto-quente, salame na tábua do lanche da tarde. Parecem hábitos simples, mas, quando o consumo é frequente, pode causar danos à saúde. Entre os principais riscos associados ao consumo frequente estão:

Câncer: a OMS (Organização Mundial da Saúde) classifica as carnes processadas como cancerígenas para humanos, com evidências mais fortes para o câncer colorretal. O processamento pode levar à formação de compostos capazes de danificar as células e contribuir para o desenvolvimento da doença.

Pressão alta: o excesso de sódio presente em muitos desses produtos pode contribuir para o aumento da pressão arterial, principalmente quando o consumo é frequente.

Doenças cardiovasculares: estudos associam o consumo frequente de carnes processadas a um maior risco de doenças cardiovasculares, incluindo a doença isquêmica do coração, que ocorre quando há redução do fluxo de sangue e oxigênio para o músculo cardíaco.

Excesso de peso: algumas carnes processadas têm quantidade elevada de gordura e calorias. Quando consumidas com frequência, podem contribuir para uma alimentação mais calórica e dificultar o controle do peso.

Se você decidiu consumir presunto, peito de peru ou salame, vale conferir as informações nutricionais antes de escolher qual levar para casa. Prefira, de modo geral, produtos com menor teor de sódio e gordura saturada e uma lista de ingredientes mais simples.

A seguir, veja o que observar:

Rotulagem frontal. Verifique se o produto traz a lupa de "alto em sódio" ou "alto em gordura saturada".

Tabela nutricional. Compare os valores por 100 g, principalmente de sódio e gordura saturada. Essa é a melhor forma de comparar produtos com porções diferentes

Sódio e gordura saturada. Entre produtos da mesma categoria, dê preferência aos que apresentam menores quantidades desses nutrientes por 100 g.

Percentual de carne. Quanto menor o percentual de carne, maior tende a ser a participação de água e outros ingredientes na formulação.

Data de validade e conservação. Confira o prazo de validade e as orientações de armazenamento, principalmente depois de abrir a embalagem. O armazenamento inadequado pode aumentar o risco de contaminação por bactérias.


 

 


A análise dos rótulos mostra que o salame se destaca pelos maiores teores de sódio e gordura saturada. Já presunto e peito de peru apresentam valores mais baixos, mas não de forma uniforme. Dentro de uma mesma categoria, há produtos com composições bastante diferentes.

O peito de peru, dependendo da marca, tem menos gordura que outros embutidos. Durante muito tempo, as pessoas consumiram o produto achando que não traria problemas ao organismo, o que na verdade é um erro. O peito de peru também tem alto teor de sódio e pode ser até mais calórico que outros embutidos.

Qual a quantidade limite de consumo?

A OMS não define uma quantidade de carnes processadas considerada segura. A avaliação feita pela Iarc (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer) estimou que o consumo diário de 50 g está associado a um aumento de 18% no risco de câncer colorretal. A recomendação é evitar o consumo frequente desses alimentos.

Como substituir os embutidos nos lanches

Uma forma de reduzir o consumo de embutidos é alterná-los com outras fontes de proteína, como ovos, frango, peixes, queijos e pastas de leguminosas. Também vale evitar combinar, no mesmo sanduíche, vários ingredientes ricos em sódio, como embutidos, queijos salgados e molhos industrializados.

Verduras e legumes, como tomate, folhas, cenoura, pepino e abacate, ajudam a variar o recheio. Ervas, azeite e hortelã podem dar sabor no lugar de molhos prontos, que podem concentrar sódio, açúcar e gordura. A ideia é variar as opções e deixar os embutidos para ocasiões pontuais.

 

 As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

 

Referências Bibliográficas:
 
Moraes, EA; Martins, ECS; Bouts, D. Presunto, peito de peru e salame: algum deles é mais saudável? . Viva Bem: Universo Online - UOL. Disponível em: www.uol.com.br/vivabem.com.br Acessado em: 12/10/2026.

domingo, 11 de outubro de 2026

Ao se Alimentar, Coma sua Comida, Não suas Preocupações!

 

Não é novidade para ninguém que, muitas vezes, nossas escolhas alimentares são influenciadas pelas nossas emoções, especialmente quando nos sentimos frustrados.

Quando isso acontece, é comum recorrermos à comida (normalmente alimentos bastante calóricos), em busca de algum conforto - e, normalmente, cometemos dois erros ao mesmo tempo: exageramos nas calorias e comemos rápido demais, muitas vezes sem nem sequer apreciar o alimento.

Ainda que seja comum, essa prática de "disfarçar" as preocupações com comida não deve se tornar um hábito! Com alguma dedicação e autoconhecimento, é possível aprender a se alimentar respeitando o seu corpo e sua saúde, sem transformar os alimentos em válvulas de escape para problemas que eles não podem resolver para você.

Procure não deixar que as preocupações se sentem à sua mesa. Aprenda a reconhecer suas emoções, a diferenciar a "fome emocional" da fome física, e busque formas alternativas - que não envolvam a comida - para cuidar das suas preocupações, com a atenção e cuidado que merecem.

Ao se alimentar, foque no momento presente, observando os sinais do corpo. Coma devagar, saboreando cada mordida, com atenção aos sabores, aromas, cores e texturas. Permita-se desfrutar dessa experiência sensorial e nutrir-se verdadeiramente, respeitando os sinais da saciedade.

Lembre-se que a boa nutrição é o combustível para que você tenha um corpo e uma mente que trabalham a seu favor, inclusive para ajudar você a superar momentos emocionais não agradáveis.

Conte comigo para ajudar nessa jornada, identificando padrões alimentares negativos e elaborando um plano alimentar personalizado, de acordo com suas necessidades, preferência e objetivos.

Tenha em mente que alimentar-se de forma consciente e equilibrada é um dos muitos atos de autocuidado que você merece ter, tanto com sua saúde física quanto emocional!

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 As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.