terça-feira, 20 de outubro de 2015

Berinjela



A berinjela, cujo nome científico é Solanum melongena L., é uma planta pertencente à mesma família do tomate e da batata. É consumida em todo o mundo e contém uma variedade de compostos benéficos à saúde como os flavonoides, que são antioxidantes polifenólicos também encontrados em outras verduras e frutas, condimentos, vinhos e chás. 

Há algum tempo, este vegetal tem sido usado pela população como um tratamento alternativo para as dislipidemias. As dislipidemias, que também podem ser chamadas hiperlipidemias, nada mais são do que o aumento dos lipídios (gordura) no sangue, principalmente as gorduras conhecidas como colesterol e triglicerídeos. Em quantidades adequadas, estas gorduras cumprem com suas importantes funções no organismo, porém, quando em quantidades elevadas podem levar ao aparecimento de placas de ateroma, que obstruem os vasos sanguíneos causando doenças cardiovasculares.

No Brasil e em todo o mundo, as doenças cardiovasculares apresentam um quadro cada vez mais preocupante, pois estão entre as principais causas de morte. 



Neste sentido, apesar da contraditoriedade dos dados científicos, chá de berinjela, suco de berinjela com laranja e outras variações, bem como extratos secos do vegetal vêm sendo recomendados como tratamento para reduzir o colesterol, algo que se encontra disseminado no Brasil todo. Como terapia alternativa, se o uso da berinjela for realmente eficaz, torna-se um importante meio de combater às dislipidemias pelo baixo custo e fácil obtenção pela população. 

Sabe-se que os flavonoides, compostos presentes na berinjela, têm relação inversa com a mortalidade por doença arterial coronariana e acredita-se que isso ocorra por conta da ação dos flavonoides na inibição da oxidação do colesterol LDL (colesterol ruim) e na redução da agregação plaquetária. Outro nutriente presente na berinjela é a fibra, cerca de 2,9 g por 100 g do vegetal. As fibras também estão relacionadas com a diminuição do colesterol, pois podem se ligar aos ácidos biliares diminuindo a reabsorção do colesterol. Estes então poderiam ser os mecanismos pelos quais os compostos presentes na berinjela auxiliariam na diminuição do colesterol. 

Porém, o que os estudos apontam ainda é contraditório. Estudo realizado com pacientes hipertensos (Cruz et al., 1998) que ingeriram suco de berinjela misturado com suco de laranja demonstrou que houve redução de até 30% no colesterol total e 43% no LDL colesterol dos pacientes que ingeriram o suco (colesterol ruim). Estes pacientes foram observados por 222 dias. Também em 1998, estudo demonstrou que coelhos hipercolesterolêmicos tratados com suco de berinjela por 15 dias tiveram 19% do colesterol total diminuído quando comparados àqueles que não ingeriram a bebida (Ribeiro-Jorge et al., 1998). O suco de berinjela com laranja também foi testado em comparação aos tratamentos farmacológicos comumente utilizados para a diminuição do colesterol (lovastatina). O estudo avaliou 21 voluntários por seis semanas e concluiu que o suco de berinjela com laranja não pode ser uma alternativa ao tratamento medicamentoso nas dislipidemias (Praça et al., 2004).

Já o chá de berinjela (infusão a 25), foi testado em 38 pacientes hipercolesterolêmicos por cinco semanas e os resultados apontaram para um pequeno efeito na diminuição do colesterol total e na fração LDL-colesterol (13%) (Guimarães et al., 2000). Um estudo que testou extrato seco de berinjela em 41 indivíduos por três meses (900 mg do extrato seco por dia) observou que o uso do extrato não reduziu o colesterol dos participantes. 

Apesar da controvérsia do uso da berinjela como redutor do colesterol, este assunto ainda está sendo discutido no meio científico, pois como podemos observar nos estudos, ainda não há uma recomendação específica de quantidade a ser ingerida, forma (suco, chá ou extrato) e tempo para que seja eficaz. O que se sabe com toda a certeza é que o estilo da alimentação contribui e muito para a diminuição do colesterol elevado. 

São recomendados para a diminuição do colesterol: consumo de alimentos com fibras, diminuição da ingestão de gorduras e a prática de atividade física regular.
Neste sentido, a berinjela pode e deve ser incluída em nossa alimentação, pois é um alimento que contém fibras, antioxidantes e é pobre em gorduras. Mas atenção, prefira as preparações refogadas, patês ou em sucos, nunca em frituras. 
As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Schwarz, K. Berinjela e o Colesterol. Grupo de Estudos em Alimentos Funcionais - GEAF/USP. Disponível em: www.grupoalimentosfuncionais.blogspot.com.br  Acessado em: 16/10/2015.

Referências Bibliográficas Complementares:

Cruz J, Cruz HMM, Barbosa-Filho JM 1998. Tratamento das hiperlipidemias. In: Jenner Cruz, Rui Toledo Barros, Helga Maria Mazzarolo Cruz (Org.). Atualidades em Nefrologia 5. Ed. Sarvier. São Paulo v. 5, p. 460-467. 

Guimaraes PR, Galvão AMP, Batista CM, Azevedo GS, Oliveira RD, Lamounier RP, Freire N, Barros AMD, Sakurai E, Oliveira JP, Vieira EC, Alvarez-Leite JI 2000. Eggplant (Solanum melongena) infusion has a modest and transitory effect on hypercholesterolemic subjects. Bras J Med Biol Res 33: 1027-1036. 

Ribeiro-Jorge PAR, Neyra LC, Osaki RM, Almeida E, Bragagnolo N 1998. Efeito da berinjela sobre os lípides plasmáticos, a peroxidação lipídica e a reversão da disfunção endotelial na hipercolesterolemia experimental. Arq Bras Cardiol 70: 87-91. 

Praça JM, Thomaz A, Caramelli B 2004. Eggplant (Solanum melongena) extract does not alter serum lipid levels. Arq Bras Cardiol 82: 269-76. 

Silva, GEC, Takahashi MH, Eik-Filho W, Albino CC, Tasim GE, Serri LAF, Assef AH, Cortez DAG, Bazotte RB 2004. Ausência de efeito hipolipemiante da Solanum melongena L. (Berinjela) em pacientes hiperlipidêmicos. Arq Bras Endocrinol Metabol 48:368-373.


domingo, 18 de outubro de 2015

Retenção Hídrica e Drenagem Natural com Alimentos Diuréticos



A queixa de estar inchada ou retendo líquido afeta principalmente o sexo feminino e é comum na consulta médica. Algumas parecem sofrer mais do que outras, e isto pode estar ligado principalmente a fatores genéticos, uso de anticoncepcionais e abuso de alimentos ricos em sal. O inchaço persistente tem como consequência o aumento de peso.  Em alguns casos esta retenção pode representar um aumento de até 5 quilos!

Porque inchamos?

A retenção hídrica depende de vários fatores, dentre eles as alterações hormonais do ciclo menstrual, o uso de alguns medicamentos (pílula, cortisona, anti-inflamatórios, antidepressivos), o consumo de alimentos ricos em sódio, ingestão reduzida de água e de alimentos ricos em água.

Vilões ricos em sódio

Cerveja, refrigerante, salgadinhos e comidinhas de lanchonete, conservas, azeitonas, aliche, bacon, presunto, salsichas, batata frita, pipoca, molho de soja, enlatados, mostarda, sopas prontas, ketchup.

Chopinho

A cerveja tem ação diurética inicialmente porque ela é basicamente feita de água. No entanto, ela também contém muito sódio, o inimigo número um de quem tem tendência a reter líquidos, e no dia seguinte bingo! O inchaço aparece. Além do sódio e da grande quantidade de líquido ingerida (quem toma só 1 ou 2 chopes no barzinho levanta o braço!), a cerveja contém glúten - e glúten inflama o intestino, o que se traduz em barriga inchada! Vinho e destilados têm uma ação menor no inchaço. Outro agravante é que nunca só se bebe o álcool dá um vazio no estômago, e aí a ingestão de salgadinhos e petiscos ricos em sódio é inevitável. Ninguém saboreia uma salada junto com o chopinho, não é mesmo?



Sódio disfarçado

Certos compostos de sódio são encontrados em produtos diversos: 

- benzoato de sódio (conservante) em margarinas, molhos, gelatinas, refrigerantes, sucos de frutas, embutidos.

- bicarbonato de sódio e fosfato de sódio no fermento em pó. 

- glutamato monossódico (realçador de sabor) presente em sopas industrializadas, biscoitos, molhos, massa de tomate.   

- alginato de sódio (espessante) em sorvetes e achocolatados.

Magnésio e potássio

Frutas, legumes e verduras são naturalmente ricos em água, o que facilita o trabalho dos rins, que eliminam com mais eficiência o líquido retido. Outro detalhe importante é que hortaliças, frutas e ervas são ricas em magnésio e potássio, sais minerais com ação diurética que ajudam a neutralizar a retenção causada pelo sódio. Chás, água de coco e sucos mesclando frutas e verduras – estas são as bebidas que não podem faltar para quem quer se livrar do inchaço.  

Sal integral

Diminua o sal da alimentação porque ele promove maior retenção de líquido. Prefira o sal marinho ou sal rosa do Himalaia (eles contêm até 84 minerais) em vez do sal refinado (só cloreto de sódio). Uma boa dica é comprar sal grosso (aquele usado nos churrascos) e moer no liquidificador junto com alguma erva desidratada como salsa, alecrim, tomilho ou orégano.

Cardápio drenante

Hortaliças com ação diurética - as mais eficientes são aipo, couve, salsa, chuchu, agrião, pepino, repolho, tomate, berinjela, cenoura, folhas de beterraba, aspargos, alcachofra, alface, broto de feijão.

Frutas drenantes - melancia, melão, abacaxi, pera, morango, maçã, maracujá. 

Bebidas top - no quesito drenagem estas são imbatíveis: água de coco, sumo de limão (altamente benéfico para o sistema renal), chás (salsa, hortelã, cidreira, cavalinha, cabelo de milho, erva-doce, abacateiro, quebra-pedra).

Especiarias 

Para reduzir o sal e conservar o sabor dos pratos, tempere seus pratos com ervas frescas ou secas, tais como manjericão, orégano, alecrim, salsa, louro, alho, cebola, cebolinha, alho-poró, coentro, noz-moscada, açafrão, pimentas vermelhas e do reino, canela, gengibre, e o que mais a sua imaginação permitir. Fuja dos alimentos industrializados, sempre ricos em sódio.

Drenagem natural

Quanto mais natural a dieta (com menos alimentos processados) e quanto maior o consumo de frutas e hortaliças, melhor será a capacidade de drenagem do corpo. Abuse de líquidos ao longo do dia, alternando entre água com limão, água de coco e chás diversos. Além disso, procure comer sempre uma generosa porção de salada crua e legumes pouco cozidos. Sopa de legumes também é bem-vinda.

Duas receitas deliciosas e superdiuréticas
 
- 1 copo de água de coco, 1 fatia de abacaxi, ½ xícara de salsa picada, bater no liquidificador e tomar imediatamente.

- 1 copo de suco de melancia, 1 ramo de aipo (talo e folhas), bater no liquidificador e tomar imediatamente.

Texto elaborado por: Dra. Tamara Mazaracki. 

Título de Especialista em Nutrologia –  Associação Brasileira de Nutrologia;

Membro Titular da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia 

Pós-graduação em Medicina Ortomolecular, Nutrição Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia;

Pós-graduação em Medicina Estética – Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino – IBRAPE.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Câncer de Mama



    O câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo e o tumor que mais acomete as mulheres. Se diagnosticado e tratado precocemente, o prognóstico em geral é bom. Existem os riscos não modificáveis – relacionados à idade, genética, história familiar, raça etc. Os modificáveis, que são aqueles que podem ser diminuídos conforme o estilo de vida e as decisões da própria pessoa, como ser mãe antes dos 30, amamentar, evitar o uso de álcool, praticar atividade física, manter um peso saudável. Além disso, ingerir alimentos de boa qualidade tem papel fundamental na prevenção do tumor. Tente, aos poucos, incluí-lo em sua dieta. Pode fazer diferença no futuro.

          Comer bem e “em cores” é fundamental para o organismo ficar bem equilibrado, assim como para o corpo que precisa recuperar seu ponto de equilíbrio. Bom, isso vale tanto para o organismo saudável quanto para aquele que passa por um período de tratamento e recupera-se de alguma doença.

            Um prato colorido é quase sempre garantia de estarmos ingerindo, na dose certa, os nutrientes necessários ao nosso organismo. São eles as vitaminas, as proteínas, os lipídios, os carboidratos, as fibras e os sais minerais. Quanto mais colorido, mais saudável: então, lembre-se de colocar sempre no prato uma boa dose de verde – verduras e legumes crus ou cozidos (vitaminas e sais minerais); uma bela pincelada de tom solar, como o vermelho da carne ou o amarelo-ovo (representando as proteínas) e, para completar, cores claras, beges, amarelos, o branco – presentes no pão, nas massas e arroz (carboidratos) e tons suaves de roxo, verde-claro, bege-dourado, como o feijão, a lentilha, a soja (leguminosas ou grãos) e a aveia, farinhas (os cereais, sempre fundamentais).



            Para beber, suco de frutas de todos os tons (grande fonte de vitaminas). Experimente, a cada dia, variar seu prato substituindo os alimentos tente não repetir os legumes, as verduras e as frutas do dia anterior; substitua a carne vermelha por frango ou peixe; procure comer, ao máximo, os vários tipos de grãos disponíveis – lentilha, ervilha, feijão, grão-de-bico, soja, entre outros. A cada dia, novas combinações de cores e de ânimos no prato.

Peixes: Segundo estudo recente do periódico British Medical Journal (BMJ), comer duas porções de atum, salmão ou sardinha por semana pode ajudar a reduzir o risco de uma mulher desenvolver a doença. A explicação deve-se ao fato de que esses peixes contêm gordura insaturada que, ao contrário da gordura saturada, faz bem à saúde. Além disso, a sardinha é rica em vitamina D, um proto-hormônio que pode interferir no crescimento do câncer.

Brócolis, Couve e Repolho: A ingestão regular de brócolis, couve e repolho pelo menos uma vez por semana também pode diminuir o risco de ter câncer de mama. Um estudo feito com 5 mil mulheres suecas apontou que o consumo de uma ou duas porções diárias está associado a um risco 40% menor de câncer de mama. Essas hortaliças são boas fontes de nutrientes – como vitamina C, carotenoides precursores de vitamina A, fibras, cálcio, ácido fólico -, e seu poder preventivo viria da abundância de moléculas fitoquímicas capazes de eliminar substâncias tóxicas que induzem o câncer.

Frutas: Esse grupo de alimentos contribui para a prevenção na medida em que fornece menos calorias, mais fibras e auxilia na manutenção de peso saudável. A recomendação da Sociedade Americana de Câncer é consumir cinco porções de frutas por dia.

Fibras: São necessárias mais pesquisas, mas estudos sugerem que as fibras contribuem para o aumento da excreção de estrogênio, o que implica em menor risco de câncer de mama. A American Dietetic Association (ADA) estabelece como recomendação o consumo de 25 a 30g de fibras por dia, sendo 30% desse valor de fibras solúveis, encontradas principalmente na aveia e em frutas como abacate, pera e banana. A dica é inserir um produto rico em fibras, como pão integral e cereais, em todas as cinco refeições que você fizer no dia.

Gordura: Evite consumir alimentos muito gordurosos como pasteis, lanches, leite integral e doce de leite. Evidências científicas relacionam o consumo excessivo de gorduras com o aumento dos índices de câncer de mama, especialmente na pós-menopausa, quando há maior correlação entre o teor de gordura da dieta e os níveis séricos de estradiol, hormônio ligado ao crescimento de tumores.

Carne Vermelha: O alto consumo desse alimento pode contribuir para o ganho de peso e estímulo de processos inflamatórios no organismo, fatores de risco para o desenvolvimento da doença. O Instituto Americano de Pesquisas em Câncer (AICR) recomenda o consumo limitado de carnes vermelhas a 300g por semana, o que equivale a três bifes grandes. A medida é por semana.



As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Comida que cuida 1: mais cor no prato e na vida durante o tratamento do câncer. A.C.Camargo Cancer Centar. Disponível em: www.accamargo.org.br Acessado em: 10/10/2015.

Conte, J. Alimentação para prevenir o câncer de mama. Vencer o Câncer. Disponível em: www.vencerocancer.com.br Acessado em: 10/10/2015.