quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Azeite



O consumo de azeite é importante, pois fornece ácidos graxos essenciais, que não são produzidos pelo organismo e são necessários para a produção de alguns hormônios e formação da membrana das células. Os óleos e azeites também favorecem a absorção das vitaminas chamadas de lipossolúveis, que são as vitaminas A, D, E e K e melhoram o sabor, aroma e textura dos alimentos.


O azeite é uma das gorduras mais saudáveis, pois apresenta um alto teor de ácidos graxos monoinsaturados e polifenóis. Em geral os ácidos graxos insaturados (poli e mono) e polifenóis estão relacionados com a prevenção de doenças cardiovasculares, mas o azeite tem a vantagem de aumentar o HDL, colesterol bom do nosso corpo.

Além disso, o azeite possui maior quantidade de ômega-3 quando comparado com o óleo de soja, por exemplo. Este é mais rico em ômega-6. Na nossa alimentação precisa haver um equilíbrio entre a ingestão dos ômegas. A dieta atual contém muito ômega-6 proveniente de produtos industrializados e fast food, dessa forma, deve-se priorizar o consumo de alimentos fonte de ômega-3 na dieta.

O consumo de uma dieta adequada; contendo pouca gordura saturada, pouco açúcar refinado e muitos vegetais frescos; associado com a ingestão de gordura monoinsaturada, pode prevenir doenças cardiovasculares e diabetes, pela diminuição do acúmulo de gordura abdominal, que é fator de risco para essas doenças.

Sabe-se que a obesidade abdominal está associada com a resistência à insulina, mas os mecanismos ainda não foram bem esclarecidos. Alguns estudos sugerem que dietas ricas em gorduras monoinsaturadas, comparadas com dietas ricas em carboidratos ou ricas em gordura saturada, modificam a distribuição de gordura corporal, favorecendo o menor acúmulo na região abdominal associada com maior sensibilidade à insulina.

Além desse fator hormonal, a presença de gordura na dieta, diminui o efeito glicêmico das refeições. Quanto maior a carga glicêmica da dieta, maior propensão a desenvolver resistência à insulina e acúmulo de gordura na região abdominal. Para isso, o melhor tipo de gordura a ser adicionado a dieta é a gordura monoinsaturada.

Na hora de comprar, dê preferência os azeites extra-virgem, que são obtidos por prensagem e não por refinamento. A acidez deve ficar entre 0% e 0,8%, mas o ideal é que seja menor que 0,5%. Este tipo de azeite é extraído após a primeira prensagem a frio, portanto é mais puro e quanto menor a acidez, maior é a pureza e a garantia dos bons componentes.

Um azeite legítimo não traz solventes ou substâncias químicas, é somente o suco da azeitona. O que muda é o sabor, a textura, a cor ou o aroma. Ou seja se tiver algum outro óleo junto (soja, girassol ou outro) já não é um azeite de oliva genuíno, e sim um óleo composto.
 

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Texto elaborado por: Patrícia Bertolucci

Nutricionista pela Universidade Federal de Goiás – UFG.

Assessoria a Clubes e Empresas ligadas ao esporte ou com interesse em qualidade de vida.

Responsável pela empresa Patrícia Bertolucci Consultoria em Nutrição.
 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Vitamina B2 (Riboflavina)



     
     A vitamina B2 recebeu este nome em 1935 quando foi sintetizada. Pertence ao grupo de pigmentos fluorescentes amarelos denominados flavina.

   É associada ao ácido fosfórico para tornar-se parte da estrutura da flavina mononucleotídeo (FMN) e flavina adenina dinucleotídeo (FAD), as quais são coenzimas das flavoproteínas que catalisam reações de óxido-redução nas células. Também está envolvida na ativação da vitamina B6 e na conservação do ácido fólico e suas coenzimas.

            Com exceção de leite e ovos que contêm grandes quantidades de riboflavina livre, a maior parte da vitamina presente nos alimentos encontra-se sob a forma de FMN e FAD ligada a proteínas. A hidrólise feita pelo suco gástrico libera a riboflavina e a absorção ocorre principalmente no jejuno. O mecanismo é pouco conhecido, mas aparentemente a absorção depende do número de transportadores no epitélio intestinal ou da variação da atividade desses transportadores, regulados pela disponibilidade corporal da vitamina. Embora pouco absorvida, a riboflavina pode ser produzida pela flora bacteriana do intestino grosso.


         Grande parte da riboflavina absorvida é fosforilada na mucosa intestinal pela flavoquinase e entra na circulação sanguínea como riboflavina fosfato. No plasma sanguíneo, liga-se de forma inespecífica a proteínas como albumina e algumas imunoglobulinas, além da ligação específica às proteínas transportadoras de riboflavina, especialmente durante a gestação. A concentração sanguínea total é de cerca de 0,03 uM, estando na forma de riboflavina livre (50%), FAD (40%) e em menor concentração como FMN (10%).

            O armazenamento corporal da riboflavina é restrito e ocorre principalmente no fígado, baço e músculo cardíaco. Os mecanismos homeostáticos não permitem grandes variações na concentração de riboflavina no cérebro. Quando as necessidades metabólicas são atingidas, ocorre aumento da excreção urinária da riboflavina e de seus metabólitos, até que a absorção intestinal seja saturada. A concentração de coenzimas de riboflavina nos tecidos parece estar sob controle da atividade da flavoquinase e da síntese e catabolismo de enzimas dependentes de flavina. Em estados de carência, há conservação muito eficiente e reutilização da vitamina nos tecidos.

Fontes Alimentares
 
         A riboflavina é distribuída amplamente nos alimentos, mas em pequenas quantidades. Entre os alimentos fonte podemos destacar o leite e seus derivados; as vísceras, como fígado e rins; vegetais folhosos verdes: couve, brócolis, repolho e agrião; ovos e ervilhas. 

Grupos de Risco para Deficiência de Riboflavina

      Pessoas com baixa ingestão de riboflavina constituem-se no grupo de risco para deficiência, que são os idosos, as mulheres em uso crônico de contraceptivos orais, as crianças e os adolescentes de baixo nível socioeconômicos. Os quadros de deficiência podem ocorrer em pessoas com baixa ingestão, no alcoolismo, em pacientes com doenças que cursam com estresse orgânico grave (como queimaduras e no pós-operatório de grandes cirurgias), além da má absorção intestinal. A deficiência de riboflavina tem sido também observada em pacientes com doenças crônicas debilitantes (infecção pelo HIV, tuberculose, endocardite bacteriana subaguda), diabetes, hipertireodismo e cirrose hepática. Recém-nascidos sob fototerapia prolongada para tratamento de hiperbilirrubinemia podem apresentar evidências bioquímicas de deficiência de ribiflavina, devido à fotólise dessa vitamina.

            Indivíduos que fazem uso crônico de algumas medicações podem apresentar risco de desenvolver a deficiência de riboflavina, devido às interações entre fármaco e vitamina. Medicamentos como o probenecide, a clorpromazina, as fenotiazinas, os barbitúricos, o antibiótico estreptomicina e os contraceptivos orais podem diminuir a absorção intestinal ou a reabsorção renal, por mecanismos diversos, entre eles, a competição com a riboflavina, por dificultarem a ligação da flavina com as flavoproteínas.

Recomendação

Estágio de vida
EAR (mg/dia)
RDA (mg/dia)
Recém-nascidos e crianças


0-6 meses
-
0,3 (AI)
7-12 meses
-
0,4 (AI)
1-3 anos
0,4
0,5
4-8 anos
0,5
0,6
Homens


9-13 anos
0,8
0,9
14-70 anos
1,1
1,3
˃ 70 anos
1,1
1,3
Mulheres


9-13 anos
0,8
0,9
14-18 anos
0,9
1,0
19-70 anos
0,9
1,1
˃ 70 anos
0,9
1,1
Gestação
1,2
1,4
Lactação
1,3
1,6
EAR: necessidade média estimada. / RDA: ingestão dietética recomendada. / AI: ingestão adequada.
Fonte: Cozzolino, 2005.

Deficiência

            A deficiência de vitamina B2 é relativamente comum, embora não haja uma doença específica que possa ser atribuída a ela. A deficiência é caracterizada por lesões nos cantos da boca e lábios, descamação dolorosa na língua deixando-a vermelha, seca e trófica, e dermatite seborreica, afetando partes nasolabiais com anormalidades de pele ao redor da vulva e do ânus. É preciso uma ingestão insuficiente por vários meses para que apareçam os sinais de deficiência, que se caracterizam por queilose (inflamação dos lábios), estomatite angular (rachaduras na pele do canto da boca).

          As lesões da boca podem responder tanto à riboflavina quanto à vitamina B6. Pode também haver conjuntivite com vascularização da córnea e opacidade do cristalino.

            O principal efeito da deficiência em riboflavina é no metabolismo lipídico. Uma alimentação rica em lipídios provoca redução marcante no crescimento e maior necessidade de riboflavina para restaurá-lo. A deficiência de B2, algumas vezes, pode estar associada à anemia hipocrômica microcítica, como resultado da absorção diminuída de ferro nestas condições. A depleção de B2 também diminui a oxidação de vitamina B6 alimentar para piridoxal. Na deficiência de B2 pode haver também alterações no metabolismo de triptofano.

Toxicidade

            Devido à sua baixa solubilidade e à limitada absorção do trato gastrointestinal, a B2 não tem toxicidade por via oral significativa ou mensurável. Em doses parenterais extremamente altas (300-400mg/kg de peso corporal) pode haver cristalização da riboflavina no rim devido à sua baixa solubilidade.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Dunker, KLL; Alvarenga, M; Moriel, P. Grupo do leite, queijo e iogurte. In: Philippi, ST. Pirâmide dos alimentos: fundamentos básicos da nutrição. 1. ed. Barueri, SP: Manole, 2008.

Vannucchi, H; Chiarello, PG. Vitamina B2 (Riboflavina). In: Cozzolino, SMF. Biodisponibilidade de nutrientes. 1. ed. Barueri, SP: Manole, 2005.

Vannucchi, H; Cunha, SFC. Vitaminas do Complexo B. São Paulo: ILSI Brasil-Internacional Life Sciences Institute do Brasil, 2009.