quarta-feira, 10 de julho de 2019

Corante é Perigoso?


A aceitação do produto alimentício pelo consumidor está diretamente relacionada à sua cor, esta característica sensorial, embora subjetiva, é fundamental na indução da sensação global resultante de outras características como o aroma, a textura e o sabor dos alimentos.

Nossos órgãos sensoriais obtêm cerca de 87% de nossas percepções pela visão, 9% pela audição e o restante (4%) por meio do olfato, do paladar e do tato. Daí a importância da aparência do alimento, a qual pode exercer efeito estimulante ou inibidor de apetite. Além de necessária para sobrevivência, a alimentação também é fonte de prazer e satisfação. Por essa razão, o setor alimentício preocupa-se tanto com alimentos que agradem não somente o paladar, mas também os olhos do consumidor, vide o uso de cores, embalagens e imagens.

As cores são adicionadas aos alimentos na forma de corantes, principalmente, para restituir a aparência original (afetada durante as etapas de processamento, de estocagem, de embalagem ou de distribuição), para tornar o alimento visualmente mais atraente, conferir cor aos desprovidos de cor e para reforçar as cores presentes nos alimentos.

Corantes são aditivos alimentares definidos como toda substância que confere, intensifica ou restaura a cor de um alimento. Segundo o Item 1.2 da Portaria SVS/MS 540/97 (BRASIL, 2002) aditivo é qualquer ingrediente adicionado intencionalmente aos alimentos com o objetivo de modificar suas características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais (durante sua fabricação, processamento, preparação, tratamento, embalagem, acondicionamento, armazenagem, transporte ou manipulação) sem o propósito de nutrir. Quando agregado pode resultar que o próprio aditivo ou seus derivados convertam-se em componentes de tal alimento. Essa definição não inclui os contaminantes ou substâncias nutritivas que sejam incorporadas ao alimento para manter ou melhorar suas propriedades nutricionais. 



Duas classes bem distintas de corantes estão disponíveis para uso em alimentos: os sintéticos e os naturais. Apesar dos corantes sintéticos apresentarem menores custos de produção e maior estabilidade, o número de aditivos sintéticos permitidos nos países desenvolvidos está diminuindo, a cada ano, em favor dos pigmentos naturais. São inegáveis as vantagens da aplicação dos corantes artificiais em alimentos já que a maioria apresenta alta estabilidade (luz, oxigênio, calor e pH), uniformidade na cor conferida, alto poder tintorial, isenção de contaminação microbiológica e custo de produção relativamente baixo. Apesar dessas vantagens sua substituição por corantes naturais (que compreendem desde partes comestíveis e sucos de vegetais, animais e insetos até substâncias naturais extraídas e purificadas) tem sido incentivada e realizada.

Comercialmente os tipos de corantes mais largamente empregados pelas indústrias alimentícias têm sido os extratos de urucum, carmim de cochonilha, curcumina, antocianinas e as betalaínas. O número de corantes artificiais, comprovadamente inócuos à saúde, é pequeno e pode ser reduzido de acordo com os resultados de toxicidade que novas pesquisas possam revelar. 



Assim, muitos estudos sobre fontes, extração e estabilidade de corantes naturais têm sido efetuados com o intuito de permitir sua utilização em detrimento dos artificiais.

A substituição enfrenta dificuldades em virtude de questões relacionadas com a estabilidade, principalmente, nas condições de processamento e armazenamento dos alimentos. Impulsionados por consumidores cada vez mais exigentes, os pontos críticos da sua produção têm sido intensamente analisados e diversas propostas para solucioná-los indicam futuro promissor para o emprego dessa matéria-prima. A notoriedade que os corantes naturais vêm assumindo deve-se não só à tendência mundial de consumo de produtos naturais, mas também às propriedades funcionais atribuídas a alguns desses pigmentos. O apelo mercadológico estimula cada vez mais o desenvolvimento de novos estudos com o intuito de superar as limitações tecnológicas existentes, Fiquem atentos: os alimentos coloridos com corantes artificiais devem apresentar no rótulo a indicação “colorido artificialmente”!

Conheça os principais corantes naturais empregados em alimentos:

Urucum: contém pigmento carotenoide amarelo alaranjado obtido da semente do urucuzeiro (Bixa orellana, L.), planta originária das Américas Central e do Sul; antocianinas representam, juntamente com os carotenoides, a maior classe de substâncias coloridas do reino vegetal e encontram-se amplamente distribuídas em flores, frutos e demais plantas superiores, sendo consumidas pelo homem desde tempos remotos;

Carmin: o termo é usado, mundialmente, para descrever complexos formados a partir do alumínio e o ácido carmínico, esse ácido é extraído a partir de fêmeas dessecadas de insetos da espécie Dactylopius coccus; curcumina é o principal corante presente nos rizomas da cúrcuma (Curcuma longa). Além de ser utilizada como corante e condimento apresenta substâncias antioxidantes e antimicrobianas, que lhe conferem a possibilidade de emprego nas áreas de cosméticos, têxtil, medicinal e de alimentos e betalaínas, que como os flavonóides, são pigmentos encontrados exclusivamente em plantas e apresentam comportamento e aparência semelhante às antocianinas.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

BRASIL. ANVISA. Portaria no 540/97, de 27 de outubro de 1997.

CORANTES ALIMENTÍCIOS. Boletim do Centro Pesquisa Processamento de Alimentos: Ceppa, v. 20, n. 2, jun. 2012.
Murilha, BL. Alimento colorido não é sinônimo de perigo! Grupo de Estudos em Alimentos Funcionais – GEAF, ESALQ/USP. Disponível em: www.alimentosfuncionais.blogspot.com.br Acessado em: 09/07/2019.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Alimentação no Inverno x Nutrição


No inverno ou nos dias mais frios, nosso organismo está sujeito a grandes alterações fisiológicas. O corpo humano “sente” uma maior necessidade de energia para executar o trabalho do dia a dia e ainda precisa manter sua temperatura normal. 

A consequência direta é que sentimos mais fome, pois nessa época do ano o metabolismo corporal fica mais acelerado, pois necessita produzir maior quantidade de calor, a fim de manter a temperatura do corpo. Associados a este fator existem outros dois fatores que contribuem significativamente para o aumento do peso, que são: o aspecto psicológico do indivíduo e a falta de exercício físico regular.

Em relação ao aspecto psicológico ficou constatado que no inverno algumas pessoas têm tendência a se sentirem deprimidas, em função da diminuição na produção de serotonina, o neurotransmissor que promove a sensação de bem-estar. Consequentemente, se entregam aos prazeres alimentares, próprios da estação consumidos de modo exagerado, fazendo com que se engorde além da média.

Associado aos hábitos alimentares incorretos, outro fator auxilia o sobrepeso nessa época do ano, que é a desmotivação para a realização de exercícios regulares. A maioria das pessoas desconhece que a melhor época para se emagrecer é no inverno, pois, como o organismo está mais acelerado, queima-se mais energia. Logo, se a pessoa souber escolher os alimentos adequados a sua alimentação e aliar a isso, à prática de atividade física, certamente estará promovendo uma redução alimentar para não ter problemas com a balança.

O ideal seria evitar o consumo de alimentos calóricos em excessos, como: chocolates, cremes, sopas cremosas, fondues, quiches, tortas, doces, bebidas alcoólicas e evitar o sedentarismo.

O importante é fazer lanches intermediários para evitar o excesso de fome antes das refeições principais. Preparações quentes como caldos e sopas de legumes, chás, frutas assadas e legumes cozidos podem ser consumidos, pois aliviam a fome e aquecem o corpo. Além disso, é fundamental conciliar uma alimentação equilibrada com a prática de exercícios físicos.

Outra dica importante é realizar três refeições principais (café da manhã, almoço e jantar), dois lanches intermediários e um lanche (Ceia) antes de dormir. O ideal é não pular refeições.
 
Um dos piores hábitos alimentares é se alimentar em frente à TV, pois perdemos a noção da quantidade que estamos comendo e acabamos ingerindo muito mais alimentos do que deveríamos. 

As atividades físicas podem proporcionar uma sensação maior de prazer para quem não deixa as atividades nesse período. Para quem não consegue continuar se exercitando com a mesma intensidade do verão, a dica é continuar três vezes por semana, pelo menos quarenta minutos de duração.

As atividades aeróbicas como caminhada, corrida ou bicicleta são ótimas opções para evitar o ganho de peso comum durante esse período, já que a ingestão de alimentos calóricos são maiores.

Outro ponto é se exercitar ao ar livre. Pouco sol pode alavancar a vontade de comer carboidratos.  Quando não temos sol, como nos dias mais cinzentos do inverno, a produção de serotonina pelo cérebro também diminui. A serotonina dá uma sensação de bem-estar e evita à compulsão alimentar, muitas vezes provocada pelo desânimo. Portanto, aproveite para se exercitar. Além de fazer bem à saúde, você precisa de Vitamina D para manter os teores de cálcio em dia e evitar a osteoporose.

Hidratação. Apesar de suar menos no inverno, o organismo necessita ser hidratado antes, durante e após os exercícios;

A hidratação é de extrema importância neste período, apesar da maioria das pessoas não sentirem tanta sede como em épocas mais quentes. No inverno a diurese está aumentada, por isso o consumo de água é essencial, além de também prevenir complicações pulmonares e renais.

Use roupas que mantém o corpo aquecido, porém leves e confortáveis, para não prejudicar os movimentos.

O ideal é abusar dos alimentos ricos em carboidratos complexos como: hortaliças, frutas, frutas secas como os damascos e as ameixas, pães, cereais e grãos integrais, incluindo granola sem açúcar e aveia. Estes alimentos são ricos em fibras, que são utilizados pelo corpo, de forma mais lenta, e dão uma sensação de saciedade. Carnes, peixes e aves com molho são atraentes e podem ser feitos de maneira mais saudável, abusando de ervas e especiarias. E as frutas ficam ótimas assadas ou cozidas.

E se você estiver pensando em se livrar da salada porque está frio, esqueça. Saladas mornas onde as hortaliças são regadas com o tempero quente é uma ótima opção.

No inverno há uma maior incidência de gripes e resfriados, e para isso é importante fortalecer o sistema imunológico. Um bom método é apostar nos probióticos na forma de suplementos, nos leites fermentados e iogurtes, além de se atentar ao aporte de vitaminas e minerais, especialmente a vitamina C que maximiza a função de células imunológicas e auxilia na manutenção de mucosas, inclusive do trato respiratório. Pode acelerar o processo de recuperação de gripes e resfriados, está vitamina está presente no morango, acerola, tangerina, frutas cítricas (limão, laranja, lima), kiwi, caju, tomate e pimentão verde.

Leite de coco
  • 1 coco seco ou 300g de coco ralado congelado sem açúcar;
  • 500 ml água morna.
Bater no liquidificador e coar em coador fino ou em pano limpo.
Fondue Funcional

Ingredientes:
  • 200 ml leite de coco;
  • ½ xícara de cacau ou alfarroba em pó;
  • ½ xícara de açúcar de coco ou mascavo ou adoçante Xilitol ou Stevia;
  • ½ xícara de biomassa de banana verde.
Modo de preparo:

Aquecer o leite de coco em uma panela, acrescentar o açúcar ou o adoçante e o cacau até derreter. Adicionar a biomassa de banana verde e mexer até engrossar. Consumir com frutas frescas variadas, como: Morango, Kiwi, Uva sem semente, Banana e Manga.
Texto elaborado por: Dra. Vanessa Vichi Girotto Corrêa – CRN3. 18387

*Nutricionista Graduada pela Universidade de Sorocaba. 

*Pós Graduada na Universidade Gama Filho: Alimentos Funcionais e Nutrigenômica: Implicações Práticas na Nutrição Clínica e Esportiva.

*Presidente do COMSEA (Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Piedade-SP). 

*Atuação como Nutricionista na Santa Casa de Misericórdia de Piedade e no Lar São Vicente de Paulo de Piedade.

*Nutricionista da Equipe de Atletismo de Piedade.

*Atendimento em Consultório e Home Care.

*Colunista do Jornal Terra, da Revista Outdoor Regional e da Revista Galeria Vip.

 As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.