Esquecer algumas coisas com o passar dos anos é frequentemente visto como algo natural do envelhecimento cerebral. Mas será que o declínio da memória se inicia realmente nos neurônios? Novas pesquisas sugerem que em vez de começar no cérebro, o declínio cognitivo relacionado à idade pode, na verdade, ter início no intestino.
Os seis sentidos
Além dos cinco sentidos conhecidos coletivamente como exterocepção — visão, audição, paladar, olfato e tato — nosso organismo possui um sistema que permite ao cérebro perceber o que acontece dentro do corpo. Seria uma espécie de sexto sentido chamado de interocepção, a maneira como o cérebro percebe, de forma subconsciente, o estado dos órgãos periféricos para regular os processos fisiológicos, e que ajuda a regular funções essenciais do organismo. Uma das principais vias dessa comunicação é o nervo vago, que conecta o cérebro a órgãos como o coração, pulmões, fígado e intestino.
Envelhecimento, inflamação e memória
Um estudo recente publicado na revista Nature mostrou que alterações na microbiota intestinal podem prejudicar essa comunicação entre o intestino e o cérebro, contribuindo para alterações e declínio na memória. Com o envelhecimento, determinadas bactérias intestinais podem produzir substâncias que favorecem a inflamação. Esses sinais inflamatórios podem interferir no funcionamento do nervo vago, prejudicando a troca de informações entre o intestino e o cérebro, afetando o desempenho da memória.
Microbiota e nervo vago
Em estudos com animais, os pesquisadores observaram que essa falha na comunicação estava associada a uma pior função cognitiva. Por outro lado, quando intervieram na microbiota intestinal ou estimularam o nervo vago, houve melhora da memória. Esses resultados levantam uma possibilidade interessante: parte do que chamamos de envelhecimento cerebral pode ser influenciada pelo que acontece no intestino.
Saúde do cérebro começa no intestino
Embora as pesquisas ainda estejam em fase inicial e os resultados venham principalmente de estudos com animais, essa descoberta amplia nossa compreensão sobre a saúde do cérebro. Cuidar da microbiota intestinal e preservar a comunicação entre o intestino e o cérebro podem se tornar estratégias importantes para ajudar a manter a memória e a saúde cognitiva ao longo da vida.
Texto elaborado por: Dra. Tamara Mazaracki.
Título de Especialista em Nutrologia – Associação Brasileira de Nutrologia;
Membro Titular da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia;
Pós-graduação em Medicina Ortomolecular, Nutrição Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia;
Pós-graduação em Medicina Estética – Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino – IBRAPE.
As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.
Referência Bibliográfica:
*Nature 2026. Intestinal interoceptive dysfunction drives age-associated cognitive decline.

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