segunda-feira, 10 de março de 2014

Bulimia Nervosa (BN)

       A Bulimia Nervosa manifesta-se por meio de episódios de ingestão exagerada de alimentos, ou seja, consumo de quantidade de comida definitivamente superior àquela que a maioria das pessoas comeria em um período similar, em circunstâncias semelhantes. Em média são ingeridas 2.000 a 5.000kcal por episódio, acompanhado de sensação intensa de perda de controle, culpa e vergonha. Esses episódios de voracidade podem ser seguidos de métodos compensatórios purgativos, como vômitos autoinduzidos (80 a 85% dos casos), abuso de laxantes ou diuréticos, além de períodos de jejum prolongado e excesso de atividade física.

O início dos sintomas, na bulimia nervosa, ocorre entre os 18 e 23 anos em mulheres, mas se observa que a procura por tratamento médico demora, em média, cinco anos. Observa-se início um pouco mais tardio para homens (20 a 25 anos). Com os novos padrões de estética masculina, é possível que ocorram alterações no aparecimento do número de casos de homens com esse tipo de transtorno.

Para critério diagnóstico, tanto os episódios do comer compulsivo como os comportamentos purgativos devem ocorrer uma vez por semana, por no mínimo três meses. O medo de ficar “gordo” é uma preocupação extrema, que se torna praticamente tema único da vida do paciente; ele tem prejuízo em sua autoavaliação em consequência da forma e peso corporais. A bulimia nervosa tem subtipos para diferenciar os métodos purgativos utilizados para compensar o episódio bulímico:

Subtipos:

- Purgativos: autoindução de vômitos, uso indevido de laxantes e diuréticos.

- Sem purgação: sem práticas purgativas, porém com prática de exercícios excessivos ou jejuns.

A bulimia nervosa, diferente da anorexia, não é uma doença com características “visíveis aos olhos”; os pacientes têm invariavelmente peso normal e as alterações físicas são - pelo menos no início – sutis e observáveis apenas para os profissionais que conhecem a patologia. São três os sinais clínicos clássicos na observação do paciente com BN: a hipertrofia bilateral das glândulas salivares, particularmente das parótidas, - cuja patofisiologia é de origem desconhecida; a lesão de pele no dorso da mão, conhecida como “sinal de Russell”, causada pela introdução da mão na boca para estimular o reflexo do vômito, que pode variar de calosidade à ulceração, e o desgaste dentário provocado pelo suco gástrico dos vômitos, que leva à descalcificação dos dentes e aumenta o desenvolvimento de cáries, podendo levar até a perda de dentes. Outros sinais e sintomas clínicos encontrados são: edema generalizado, queda de cabelo, equimoses na face e pescoço, descamação da pele, alterações menstruais, hipotermia, gengivite, fraqueza muscular e cãibras, assim como arritmias e poliúria.

Alterações metabólicas e hidroeletrolíticas são as mais comuns, e as mais graves complicações encontradas. A desidratação, hipocalemia, hipomagnesemia, hipocloremia, hiponatremia, alcalose metabólica são encontradas em cerca de 25% dos pacientes.

A bulimia nervosa é, ainda, muitas vezes acompanhada de comorbidades psiquiátricas, como, depressão, doença afetiva bipolar, distimia, transtorno ansioso, transtorno obsessivo compulsivo, transtornos de personalidade, ideação suicida, que podem levar a complicações clínicas e prejuízo na vida como um todo: social, sexual, trabalhista, familiar.

Terapia Nutricional


       A American Dietetic Association estabeleceu diretrizes básicas para o tratamento nutricional dos transtornos alimentares, propondo uma fase inicial baseada em educação nutricional e uma fase seguinte baseada em aconselhamento para mudar comportamentos e atitudes alimentares.

        A interrupção do ciclo da bulimia e a normalização do padrão alimentar são o foco principal do tratamento. A orientação nutricional começa no “início do tratamento”: o paciente precisa readquirir o controle sobre o comportamento alimentar. Deve ser encorajado a aderir a uma rotina alimentar que ajude a normalizar a alimentação. O planejamento das refeições consiste em 3 refeições principais além dos lanches intermediários.

         A ingestão calórica, inicialmente, deve ser suficiente para manter o peso e prevenir a fome, já que esta aumenta a possibilidade de compulsão. É necessário aprender, quando se pode comer, quanto de comida é o suficiente e o que é comer normalmente, aspectos que parecem simples mas se tornam confusos para esses pacientes.

        O aconselhamento nutricional faz parte da terapia cognitiva-comportamental (TCC) recomendada para o tratamento de BN, que aborda o controle do peso corpóreo, balanço energético, efeitos da fome, consequências da purgação, crenças e mitos sobre dietas e peso, assim como acessa atitudes distorcidas e os sentimentos sobre o corpo e forma. O diário alimentar pode ser uma ótima ferramenta para ajudar o paciente a normalizar o consumo alimentar, pois é um meio de suporte, segurança e educação.

         Se há excesso de peso, uma perda razoável só será conseguida após a estabilização do comportamento alimentar. A interrupção da purgação pode levar a aumento de peso atribuído parcialmente à reidratação. As flutuações de peso devem ser discutidas com o paciente, e é possível utilizar a composição corpórea como forma de controle. Por outro lado, a retirada dos laxantes às vezes leva à constipação e, assim, deve haver orientação alimentar para promover a função intestinal normal.

        À medida que o paciente estabiliza o consumo alimentar e o peso, a frequência do acompanhamento vai sendo reduzida. Podem ocorrer recaídas, o que não significa retrocesso, mas um estágio no processo de recuperação, com o paciente devendo ser orientado a retornar à sua rotina alimentar.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Referências Bibliográficas:

Alvarenga, M. S. Bulimia Nervosa: Avaliação do padrão e comportamento alimentares. [Tese de Doutorado] Universidade de São Paulo – USP, 2001.

Alvarenga, MS; Scagliusi, FB. Tratamento nutricional da bulimia nervosa. Rev Nutr. 2010; v.23, n.5: p. 907-918.

Alvarenga, MS; Scagliusi, FB; Philippi, ST. Nutrição e transtornos alimentares: Avaliação e tratamento. 1 ed. São Paulo: Manole, 2011.


Claudino, AM; Zanella, MT. Guias de medicina ambulatorial e hospitalar UNIFESP/ Escola Paulista de Medicina - Transtornos Alimentares e Obesidade. 1 ed. Baureri: Manole. 2005. p.39-48.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Linhaça

A linhaça (Linum Usitatissimum L.) é de origem asiática, mas é cultivada em várias partes do mundo. Existe a semente de linhaça marrom e a dourada, as quais possuem teores semelhantes de nutrientes.
A semente de linhaça contém de 35-45% de óleo, o qual possui de 9-10% de ácidos graxos saturados (palmítico e esteárico), cerca de 20% de ácidos graxos monoinsaturados (principalmente o w-6), e mais de 70% de ácido graxo alfa-linolênico (w-3). O teor de proteína da linhaça varia entre 20-30% e são dotadas de alta digestibilidade (89,6%) e valor biológico (77,4%). O teor de fibra dietética atinge 28% em peso de semente inteira, sendo composta por fibras solúveis e insolúveis.
 
Os nutrientes que mais chamam a atenção na linhaça são as fibras, o ácido graxo ômega 3 e as lignanas. Desta forma, este alimento possui diversos benefícios para a saúde como a redução do LDL-colesterol, atividade antioxidante, redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes, osteoporose e sintomas da menopausa, além de desempenharem um papel significativo na proteção contra câncer de mama, de próstata, de cólon e de outros tipos de câncer. Além disso, a linhaça possui efeito antiinflamatório e auxilia no funcionamento do intestino.
 
Recomenda-se uma ingestão de 30g por dia de linhaça ou 1 colher de sopa. A linhaça pode ser utilizada com uma grande variedade de alimentos. O farelo de linhaça pode ser consumido misturado a frutas ou sucos de fruta, iogurtes, vitaminas e outros alimentos. O óleo de linhaça pode ser consumido como tempero de salada ou junto com o prato quente, e a semente pode ser incorporada a diversas receitas como de pães, bolos e molhos para salada.
 
Sendo assim, a linhaça associada a uma dieta saudável pode trazer inúmeros benefícios para a saúde. No entanto, é importante procurar um nutricionista para avaliar a sua utilização.

 Texto elaborado por: June Carnier
Pós-doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Nutrição da Universidade Federal de São Paulo. 
Doutora em Ciências pelo Programa de Pós-graduação em Nutrição da Universidade Federal de São Paulo (04/2012).
Mestre em Ciências pelo Programa de Pós-graduação em Nutrição da Universidade Federal de São Paulo (2008).
Graduada em Nutrição pelo Centro Universitário São Camilo (2006). 
Experiência na área de obesidade, transtornos alimentares e equipe interdisciplinar.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.
Referências bibliográficas

-Herchi W, Arráez-Román D, Trabelsi H, Bouali I, Boukhchina S, Kallel H, Segura-Carretero A, Fernández-Gutierrez A. Phenolic compounds in flaxseed: a review of their properties and analytical methods. An overview of the last decade. J Oleo Sci. 2014, 8;63(1):7-14.
 
-Martinchik AN, Baturin AK, Zubtsov VV, Molofeev VIu. Nutritional value and functional properties of flaxseed. Vopr Pitan. 2012;81(3):4-10.

- Kris-Etherton PM1, Hecker KD, Bonanome A, Coval SM, Binkoski AE, Hilpert KF, Griel AE, Etherton TD. Bioactive compounds in foods: their role in the prevention of cardiovascular disease and cancer. Am J Med. 2002, 30;113 Suppl 9B:71S-88S.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Refrigerantes

    Atualmente tem-se observado no Brasil e no mundo alto consumo de refrigerantes, principalmente entre crianças e adolescentes. A predileção por esse tipo de bebida pode ter sérias consequências sobre a saúde da pessoa, tais como obesidade, a cárie dentária e a deficiência de certos minerais como cálcio e ferro.
    
    É a segunda bebida mais consumida no mundo, depois da água. O refrigerante nada mais é que uma combinação de substâncias químicas (conservantes, acidulantes, antioxidantes, corantes, estabilizantes, umectantes, aromatizantes, dentre outras substâncias não saudáveis quando ingeridas em excesso), que não possuem nenhum valor nutricional.

Estatísticas apontam que cada brasileiro consome em média 35 litros dessa bebida ao ano. Nos EUA, o consumo aumentou mais de 450% nos últimos 50 anos. Segundo o guia alimentar para a população brasileira, a redução do consumo de refrigerante deve ser de pelo menos um terço da ingestão atual em prol de uma alimentação saudável.

A bebida que, em sua composição, contiver ou for adicionada de cafeína (trimetilxantina), natural ou sintética, não deve ter o limite de cafeína superior a 20 mg/100 ml do produto a ser consumido.

A cafeína é uma substância estimulante do sistema nervoso central, que quando ingerida em excesso pode causar certa dependência. A grande preocupação é saber de fato quanto dessa substância está sendo utilizada no refrigerante. Uma criança de 27kg, que beba uma lata de refrigerante de 350ml contendo 50mg de cafeína, estará ingerindo o mesmo que um homem de 80kg ao consumir quatro copos de café. Geralmente uma criança muito agitada ou com problemas para dormir poderá estar sob o efeito do consumo exagerado de refrigerantes. Nos adultos, o excesso de cafeína pode aumentar a pressão arterial e tornar irregulares os batimentos cardíacos.

No refrigerante também temos uma elevada quantidade de fósforo. O problema disso é que para que o nosso organismo processe esse composto ele necessita de cálcio. Dessa forma, há a redução da quantidade desse mineral no nosso corpo, levando a desmineralização óssea e o aumento do risco de osteoporose.

O refrigerante também está associado ao aumento do risco de câncer de esôfago, ao causar o inchaço do estômago e consequentemente induzir o refluxo gástrico. Recentemente um estudo sueco demonstrou que homens que consomem o equivalente a uma lata de refrigerante (por volta de 300 mL) por dia estão 40% mais predispostos a desenvolver câncer de próstata.

Os refrigerantes diet possuem a isenção de açucares (glicose, frutose, sacarose, etc), sendo assim sua formulação apresenta algumas modificações especiais. A versão light significa a redução mínima de 25% de algum nutriente comparado ao produto convencional (redução de gordura ou calorias ou açúcar, etc) que no caso da bebida em questão são reduzidos os açúcares e usados adoçantes artificiais como substitutos.

O refrigerante “zero” é um termo mais recente e significa a isenção de algum nutriente e calorias. É uma versão modificada do produto convencional sem indicação especifica para alguma dieta ou determinada patologia.

Atualmente podemos encontrar todas essas versões de refrigerantes, no entanto ressalto que todas elas NÃO possuem NUTRIENTES e são todas prejudiciais a saúde. Os refrigerantes “Zero” e Light, como já foi explicado, possuem substâncias que imitam o açúcar (adoçantes artificiais). Tais substâncias fazem com que o nosso corpo entenda que a glicose está sendo absorvida quando isso na verdade não acontece. Desta forma nosso organismo faz com que o consumo de açúcar seja compensado em seguida, isto é favorece o apetite por alimentos ricos em açucares, uma vez que a necessidade precisa ser suprida rapidamente.

Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Medicina da Columbia o consumo de uma lata de refrigerante diet todos os dias aumenta em 43% a chance do desenvolvimento de problemas de saúde como, por exemplo, o risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral.

Os refrigerantes se consumidos com moderação, não são nocivos. O importante é não exagerar na quantidade para não tirar a fome e substituir os nutrientes importantes da dieta.
 
Refrigerante Caseiro

- 4 cenouras médias;
- 1 copo de suco puro de limão;
- 2 xícaras (chá) de açúcar;
- ½ casca de uma laranja (bem lavada);
- 3 litros de água com gás;
- Bata todos os ingredientes e parte da água no liquidificador. Depois disso acrescentar o restante da água;
- Pode ser servido integral ou coado.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Bachiega, P. Refrigerante: do agradável sabor à desagradável consequência. Disponível em: www.alimentofuncional.com.br Acessado em: 20/02/2014.

Fisberg, M; Amâncio, OMS; Lottenberg, AMP. O uso de refrigerantes e a saúde humana. Rev. Pediatria Moderna, 2002; v.8, n.6: p. 261-271.


Salgado, JM. O consumo excessivo de refrigerantes e a nossa saúde. Pharmacia de Alimentos. 1 ed. São Paulo: Madras, 2004; p. 148-151.