quinta-feira, 17 de abril de 2014

Delícia de chocolate!!!

     O chocolate é amplamente consumido no Brasil. Atualmente o país é o 4° maior consumidor e o 2° em produção de cacau. Afinal, o chocolate, além de agradável ao paladar, é uma excelente opção de presente, difícil de alguém não gostar de receber essa delícia.

        O chocolate sempre foi considerado o inimigo número um das dietas e da vida saudável. Mas provou-se que os seus benefícios superam eventuais prejuízos. A sua capacidade de estimular a produção de serotonina vem sendo valorizada.

         A serotonina é uma substância do cérebro que melhora o humor, ajuda a combater a depressão, a ansiedade e estimula os centros de prazer e bem-estar. Além disso, o chocolate contém substâncias estimulantes como a cafeína, a teobromina e a tiramina, que agilizam o raciocínio.

          A principal matéria-prima do chocolate, o cacau, era considerada pelos povos Incas e Maias como alimento dos deuses. O cacau é uma fonte com alto poder antioxidante, inclusive sua atividade é maior que as encontradas nos chás e no vinho tinto, devido a sua composição rica em flavonoides como o resveratrol. Os benefícios advindos do consumo de chocolates se devem às substâncias presentes no cacau, chocolate ao leite, branco ou derivados possuem poucas ou nenhuma destas propriedades.

         Os principais compostos fenólicos presentes no cacau pertencem à classe dos flavonóis, como: catequina, epicatequina e procianidinas. Outros compostos também são encontrados no cacau, incluindo ácidos hidroxibenzoicos (gálico, seríngico, protocatequínico, vanilínico), ácidos hidroxicinâmicos e análogos (cafeico, ferúlico, cumárico, clovamida), flavonas (luteína e apigenina) e flavononas (naringerina).

          Uma vez ingerido, o cacau auxilia na redução de placas de gordura, beneficiando assim, o funcionamento do coração e, consequentemente, reduzindo o risco de doenças cardiovasculares. Além da proteção cardiovascular, existem diversas outras propriedades biológicas associadas ao resveratrol, magnésio e antioxidantes presentes na semente do cacau, tais como atividade anticarcinogênica, anti-inflamatória e antioxidante.

          O cacau também contém alto teor de magnésio, mineral que auxilia no funcionamento do coração, cérebro e sistema digestivo.

           Apesar de ser rico em compostos benéficos e apresentar teores reduzido de açúcares, o chocolate amargo é um alimento gorduroso e calórico e, por isso, quando ingerido em demasia, pode acarretar malefícios a saúde, inclusive aumentando as placas de gordura.

            A Organização Mundial de Saúde não recomenda o consumo de nenhum tipo de doce, mas, para quem não resiste a um chocolate, o ideal é não ultrapassar os 50g diárias, já que além de alguns benefícios, o chocolate com menor quantidade de cacau apresenta efeitos nocivos, como obesidade e aumento da glicemia, devido ao alto teor de açúcar e gordura.


Tipos de Chocolate

Amargo: constituído de cacau, baixo teor de açúcar e sem adição de leite. O sabor amargo deve-se  a uma maior quantidade de massa de cacau, compondo aproximadamente entre 70% à 85% do produto;

Ao leite: tira-se uma parte da massa de cacau e adiciona-se leite em pó, açúcar. Contém menor teor de cacau, elevada quantidade de açúcar e um valor calórico muito maior que o chocolate amargo;

Branco: contém leite, açúcar, manteiga de cacau e lecitina, as sementes de cacau não fazem parte da constituição desse produto. Seu teor de gordura e valor calórico é mais elevado em comparação com os demais. Não apresenta nenhuma quantidade de antioxidantes por não apresentar semente de cacau em sua composição, alguns nem o consideram como “chocolate de verdade”;

Chocolate em pó: é o chocolate mais usado em receitas. Sua composição leva amêndoa de cacau, sem a manteiga. Pode ser amargo (recebe o nome de cacau em pó), meio amargo e doce;

Chocolate diet: sua composição é similar ao do chocolate ao leite, porém ao invés de açúcar, leva adoçante. Fique atento quanto a sua ingestão, pois devido à falta de açúcar, esse produto recebe uma quantidade maior de gordura para que ele fique semelhante ao chocolate tradicional. Indicado para diabéticos, muitas pessoas acabam consumindo acreditando que a ausência do açúcar faz com que ele tenha menos calorias. Devido a maior dose de gordura, o teor calórico é igual ou às vezes até maior do que o do chocolate ao leite tradicional;

Alfarroba: considerada uma alternativa para celíacos ou intolerantes à lactose. Para seu preparo é utilizado uma vagem torrada que é moída e resulta em uma farinha que é utilizada para substituir o cacau. É pouco calórico, rico em fibras e não contém cafeína. O sabor é semelhante ao do chocolate amargo;




À Base de soja: 100% vegetal, sem glúten ou lactose, feito com extrato de soja.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Barankevicz, GB. Hoje é dia do chcolate. Disponível em: www.alimentofuncional.com.br Acessado em: 10/04/2014.

Salgado, JM. Pharmacia de Alimentos. 1. ed. São Paulo: Madras, 2004; p.110-115.


Steinberg FM, Bearden MM, Keen CL. Cocoa and chocolate flavonoids: Implications for cardiovascular health. J Am Diet Assoc. 2003;103(2):215-23.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Alimento Seguro

“Não estou me sentindo bem. Deve ter sido alguma coisa que eu comi.” Se você ouvir essa frase de alguém que se queixa de indisposição seguida de vômitos,  dores abdominais e diarreia, é muito provável que essa pessoa tenha contraído uma doença transmitida por alimento (DTA). Os sintomas podem aparecer algumas horas ou até mesmo alguns dias depois que a pessoa ingeriu um alimento contaminado, dependendo do tipo de contaminação.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, morrem a cada ano 1,8 milhões de pessoas em decorrência de enfermidades diarreicas, que em sua maioria são causadas pela ingestão de água ou alimentos contaminados por microrganismos perigosos ou substâncias químicas tóxicas. Além disso, outras milhares de pessoas sofrem todos os anos consequências graves por conta da ingestão de alimentos com algum tipo de contaminação. Assim, alimento seguro é todo aquele que não causa nenhum dano à saúde quando ingerido. No Brasil as informações sobre doenças alimentares são incompletas por que não são notificadas à vigilância sanitária e epidemiológica do município.

Consumir um alimento contaminado pode causar, além de enfermidades diarreicas, dores de cabeça, náuseas, vômitos, febre, mal-estar, entre outros. Sabe-se que a maioria das doenças de origem alimentar podem ser evitadas a partir da manipulação adequada dos alimentos, já que o ser humano é o seu principal veículo de contaminação. Dessa forma, a qualificação do pessoal que atua em toda a cadeia alimentar é essencial para a prevenção das doenças transmitidas por alimentos.

A contaminação dos alimentos pode ser classificada em três tipos: contaminação biológica, contaminação química e contaminação física.

Contaminação Biológica: Ocorre quando microrganismos indesejáveis, como bactérias, fungos, vírus ou parasitas (como vermes), estão presentes no alimento. Os microrganismos, também conhecidos como micróbios ou germes, não são visíveis a olho nu, são amplamente distribuídos e representam os principais contaminantes biológicos dos alimentos. Para sobreviver e se multiplicar, eles precisam de:

- calor – os microrganismos prejudiciais à saúde preferem temperaturas próximas à do nosso corpo;

- água e umidade – a maioria dos alimentos apresenta quantidade de água e umidade suficiente para a multiplicação dos microrganismos, sendo portanto, perecíveis;

- nutrientes – assim como os alimentos são fonte de nutrientes para nosso desenvolvimento, eles também têm essa função para os microrganismos.

Os locais onde os microrganismos se encontram mais facilmente são:

• o solo;
• a água;
• os animais domésticos, marinhos, o gado (bovino, suíno etc.), as aves etc.;
• os insetos e as pragas domésticas (baratas, moscas, ratos, camundongos etc.);
• as pessoas (nas mãos, unhas, no cabelo, na garganta, nos ferimentos, nas roupas etc.);
• o lixo e a sujeira em geral.

Existem três grandes grupos de microrganismos:

• Os bons, que são utilizados inclusive para produção de alimentos, como queijos, iogurtes e algumas bebidas;

• Os maus ou deteriorantes, que estragam os alimentos, deixando-os com odor e aparência desagradável. Os microrganismos desse tipo normalmente não são responsáveis por transmitir doenças, pois dificilmente as pessoas consomem um alimento que tem aparência de estragado;

• Os perigosos, que não alteram o sabor nem a aparência dos alimentos e, quando ingeridos, podem ocasionar sérias doenças.



Contaminação Química: Os alimentos podem ser contaminados por produtos químicos, quando estes são usados indevidamente em alguma das etapas da cadeia produtiva. É o caso dos agrotóxicos e fertilizantes utilizados no cultivo de frutas, verduras, legumes e cereais. Eles podem causar intoxicações sérias nos trabalhadores do campo e também nos consumidores. Resíduos de agrotóxicos podem permanecer nos alimentos mesmo depois de lavados e preparados e provocar inúmeras doenças que muitas vezes demoram para se manifestar.

            Outro tipo de contaminação química ocorre pelo uso de medicamentos para tratar ou prevenir doenças em animais que fornecem carne, leite e ovos. Esses medicamentos estão sendo estudados pelas ciências médicas, pois os resíduos dessas substâncias encontrados nas carnes consumidas pelos seres humanos têm sido relacionados a vários problemas de saúde. É por isso que os cuidados com os alimentos devem começar desde a sua origem, ou seja, na fazenda onde os animais são criados.

            Embora sejam considerados contaminantes químicos por muitos consumidores, os aditivos alimentares, como corantes e conservantes, são ingredientes intencionalmente adicionados aos alimentos para modificar suas características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais. Entretanto, se os aditivos forem utilizados em quantidades acima dos limites permitidos, podem causar efeitos adversos à saúde.

Por último, podemos citar também os produtos de limpeza. Água sanitária, sabão e desinfetantes, por exemplo, podem contaminar alimentos ao serem armazenados no mesmo local ou ainda quando não são observadas as instruções de uso nos seus rótulos.


Contaminação Física: Ocorre quando materiais estranhos como pedaços de metal, madeira, pregos, lâminas, vidros, pedras, ossos estão presentes no alimento. Esses materiais podem causar danos físicos a quem os consumir, como feridas na boca e dentes quebrados.

Assim, cabe a cada consumidor selecionar os locais onde se alimenta ou onde adquire os seus alimentos, a fim de garantir uma alimentação saudável no que se refere aos aspectos de sanidade e integridade dos alimentos. Desse modo, cada um poderá fazer a sua parte e ajudar os estabelecimentos a promoverem modificações necessárias para se adequarem perante a legislação sanitária brasileira.

Entretanto, para que o consumidor possa distinguir os estabelecimentos que se preocupam com a higiene no preparo e/ou comercialização de alimentos, produtos e/ou refeições daqueles em que essa preocupação é inexistente, é necessário que ele conheça as doenças que podem ser transmitidas por alimentos que normalmente ocorrem devido à falta de higiene durante a sua manipulação. Deve saber também, identificar procedimentos e condições ambientais inadequados na hora da compra, com vistas a avaliar se o estabelecimento disponibiliza alimentos seguros.


As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Silva, AL; Mello, OS; Mechi, J. Alimento seguro: o que significa? Grupo de Extensão em Segurança dos Alimentos – GESEA. Disponível em: www.esalq.us.br Acessado em: 06/04/2014.


Guia de Alimentos e Vigilância Sanitária. Disponível em: www.anvisa.gov.br Acessado em: 06/04/2014.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Fibromialgia e Nutrição

A alimentação adequada pode ser um remédio para quem sofre de doenças crônicas como a fibromialgia, condição caracterizada por dores musculares e articulares generalizadas e que afeta de 2% a 4% da população, especialmente mulheres. Isso ocorre porque certos nutrientes são responsáveis pela síntese dos neurotransmissores (mensageiros cerebrais) associados à sensibilidade, à dor e à sensação de bem-estar.
       Um dos itens que não podem faltar no prato de quem sofre de dor crônica é o triptofano, aminoácido responsável pela síntese de serotonina. Ele é encontrado em alimentos como carnes magras, leite desnatado e banana.

      Outro elemento importante nesse processo é o carboidrato. "É recomendável que 50% a 60% da ingestão calórica diária seja composta por carboidratos, presentes nas frutas, pães, batata e cereais, de preferência os integrais", diz. O açúcar pode até provocar uma sensação imediata de energia, mas o pico nos níveis de glicose no sangue depois leva à sensação de fadiga e moleza.

    Também é recomendada a ingestão de alimentos ricos em magnésio (como espinafre, soja, caju, aveia e tomate), ácido fólico (laranja, maçã e folhas verdes), cálcio (leite, iogurte e queijos magros) e selênio (castanhas, nozes, atum e semente de girassol).

    Alguns alimentos considerados com alto poder de alergenicidade como ovos, nozes, produtos lácteos e carne vermelha devem ser evitados pelos pacientes que sofrem de fibromialgia. Outras substâncias que merecem cuidados são aquelas com alta concentração de açúcar, como: chocolates, bebidas alcoólicas e cafeína (chá preto e chá mate). Estes alimentos podem aumentar a fadiga, dor muscular e interferir nos padrões normais do sono.

    Por conta do uso prolongado de medicamentos analgésicos, utilizados a fim de aliviar as dores, recomenda-se que estas pessoas aumentem a ingestão alimentos fonte de ácido ascórbico (vitamina C) e potássio. Também importante, são os alimentos fonte de cálcio e magnésio, já que estes atuam melhorando a contração muscular e transmissão de impulsos nervosos.

   Vale lembrar que o efeito desses nutrientes não é imediato e a alimentação é apenas um dos pilares do tratamento. No caso de quem sofre de fibromialgia, comer adequadamente ainda é útil para combater o excesso de peso pois é comum os pacientes engordarem por causa dos remédios, ou pela falta de atividade física induzida pela dor.

   A doença não tem uma causa definida. Pode ser provocada por distúrbios infecciosos, reumatológicos, neurológicos e mesmo psiquiátricos, como distúrbios de ansiedade. O tratamento é multidisciplinar e engloba medicamentos como antidepressivos e analgésicos, além de psicoterapia e atividade física.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Texto elaborado por: Camila Prospero

Nutricionista e mestre em Ciências da Saúde pela FMUSP.