sexta-feira, 19 de julho de 2019

Embutidos


Muitas vezes, a dieta pode pregar uma peça ao apresentar alimentos que pensamos não ser prejudiciais a nossa saúde. Esse é o caso de alguns produtos que são classificados como embutidos e que a gente nem sabe. 

Para entender melhor, os alimentos embutidos são produzidos a partir da carne de bovinos, suínos, caprinos, ovinos, equinos, de aves, peixes e frutos do mar, além das vísceras e até sangue dos animais. Esses elementos são triturados, homogeneizados e embutidos sob pressão ou acondicionados em tripas naturais ou artificiais, utilizadas para protege-los das influências externas, ao mesmo tempo que lhe dá forma e estabilidade. 

Esse tipo de alimento surgiu em um período em que havia necessidade de conservação de carnes, porém não existia a refrigeração, sendo conservados com a adição de sal. Hoje, os embutidos recebem adição de corantes, aditivos químicos (como nitratos e nitritos, para manter a cor vibrante), sal, açúcar e temperos artificiais, além de muitas vezes serem compostos por partes do animal pouco nutritivas e que seriam descartadas. 

Quais alimentos são embutidos?

A lista é um pouquinho grande e pode até surpreender:
  • Linguiça;
  • Presunto (cozido, di parma, cru);
  • Salame;
  • Salsicha;
  • Apresuntado;
  • Peito de peru;
  • Blanquet de peru;
  • Mortadela;
  • Copa;
  • Pastrami;
  • Tender;
  • Lombo;
  • Salsichão;
  • Lombo defumado;
  • Morcela;
  • Paio;
  • Alguns rosbifes industrializados;
  • Carne enlatada;
  • Nuggets;
  • Steaks;
  • Hambúrguer;
  • Iscas ou tiras de frango empanados.
Com certeza alguns desses alimentos causam espanto, como o tender, do peito de peru, do nuggets, steaks e tiras de frango empanadas. Eles são alimentos ultraprocessados, que perdem sua característica original, para chegar a forma e consistência diferentes. Porém, é importante ressaltar que eles são considerados embutidos apenas quando são industrializados. Um nuggets caseiro, por exemplo, não pode entrar nessa classificação.
No caso do peito de peru, por ser culturalmente associado às dietas, é visto por muitos como um alimento mais saudável e natural, e não é bem por aí. Afinal de contas, o produto também é processado e possui muitos aditivos químicos. Por isso, é indicada a orientação de um nutricionista para que ele avalie de que forma alguns alimentos, como o peito de peru, possa fazer parte do consumo habitual. 

Surpresas positivas

Já outros itens, que para muitas pessoas são considerados como embutidos, na verdade não entram nessa classificação, como o bacon (isso mesmo!), a carne seca e o queijo. Os dois primeiros são confundidos, pois também são carnes processadas, mas passam apenas por procedimentos semelhantes aos embutidos na parte de conservação e de aditivos químicos, tendo riscos para a saúde quando consumidos de forma exagerada. No caso do bacon, existe mais uma justificativa para que ele não seja classificado como alimento processado: é feito de partes não trituradas do porco, como barriga e lombo. 

O queijo, por ser um frio como o presunto e o peito de peru, acaba sendo considerado um alimento embutido, mas não é, pois não são feitos de carne de animais. Vale lembrar, no entanto, que alguns tipos de queijo possuem mais conservantes do que outros, e isso os torna mais perigosos para nossa saúde, mas isso não os coloca na classificação de processados. Neste caso, o mais importante é consumir aqueles que tenham baixo teor de sódio. 

Os riscos do consumo 

Os embutidos têm uma química completamente desconhecida para o nosso organismo, por isso é considerada prejudicial à saúde. Por exemplo, o conservador nitrito de sódio é uma substância perigosa que no estômago se transforma em nitrosamina, composição comprovada cientificamente ser cancerígena se consumida de forma contínua. Sem esquecer da gordura saturada e do sódio em excesso, que podem levar ao aumento das taxas de colesterol , à retenção de líquidos e ao risco de doenças cardiovasculares, como a hipertensão. 

A OMS (Organização Mundial da Saúde) emitiu um comunicado afirmando que o consumo excessivo de embutidos aumenta o risco de desenvolvimento de alguns tipos de câncer, especialmente o câncer colorretal. O relatório concluiu que 50 g desse tipo de alimento consumido diariamente, o que equivale a 4 fatias de presunto ou 1 unidade de salsicha, aumentam em 18% a chance de desenvolver câncer. 

Outro estudo da Universidade de Glasgow, na Escócia, e publicado no European Journal of Cancer apontou que a ingestão de 9 g de alimentos embutidos por dia (1 fatia de mortadela tem 13 g) aumenta em 21% as chances das mulheres desenvolverem câncer de mama. 

Consumo consciente

Diante desse alerta da OMS, menos do que 50 g por dia seria uma quantidade que não traria riscos à saúde, porém, é válido ressaltar que este consumo deve ser evitado sempre, devido aos aditivos químicos, gordura saturada, sódio e alto teor de calorias. 

O segredo é simples: quanto menos processado melhor. Uma boa alimentação está relacionada a alimentos pouco processados, como legumes, frutas e salada fresca, consumo de gorduras saudáveis (nozes, abacate e azeite de oliva) e uma composição de dieta baseada nos macronutrientes: carboidratos, gorduras e proteínas. 

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referência Bibliográfica:

Toimil, RF; Zilli, R; Barrios, W; Meireles, JV; Anversa, J; Azevedo, L. Você sabe quais alimentos são embutidos? Hospital Sírio-Libanês. Disponível em: www.hospitalsiriolibanes.org.br Acessado em: 17/07/2019.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Azeite, Azeitonas e Folhas de Oliveira


A dieta mediterrânea é rica em polifenóis diversos, presentes em vegetais, frutas, sementes oleaginosas, vinho e azeite. Estudos mostram menor incidência de doenças cardiovasculares e de certos tipos de câncer na área do Mediterrâneo.

Azeite é o extrato oleoso de azeitonas e contém alto teor de polifenóis – são mais de 30 compostos fenólicos!  Seus principais polifenóis, hidroxitirosol e oleuropeína, dão ao azeite de oliva extravirgem o sabor característico, levemente picante.

Hidroxitirosol e oleuropeína

Hidroxitirosol é formado pela hidrólise contínua de oleuropeína durante o amadurecimento das azeitonas, e também na extração e no armazenamento do azeite. Após o consumo, a quebra da oleuropeína pela ação da microbiota intestinal (gigantesca população de bactérias presentes no cólon) rende mais hidroxitirosol. Hidroxitirosol tem recebido crescente atenção devido à sua marcante bioatividade: ativa o metabolismo (através da enzima AMPK), atua no descarte de células velhas obsoletas (autofagia), é antioxidante e anti-inflamatório, com importante papel protetor em várias doenças relacionadas com a idade.

Antienvelhecimento

O envelhecimento é um processo complexo, sendo considerado fator de risco para enfermidades como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, com forte componente oxidativo e inflamatório. Com a expectativa de vida aumentando, há grande interesse na busca de estratégias antienvelhecimento que permitam a longevidade saudável. Na Espanha, onde a dieta mediterrânea é o padrão alimentar de referência, a expectativa de vida terá a maior média mundial por volta de 2040, ultrapassando o Japão. A ingestão média de hidroxitirosol na dieta mediterrânea é estimada em 15 a 30 mg/dia. Um bom azeite extravirgem pode conter até 200 mg/kg do polifenol.

Antioxidante poderoso

O hidroxitirosol atua na prevenção de doenças metabólicas e na longevidade. Este polifenol não é tão comentado ou conhecido como o resveratrol, no entanto a sua importância para a saúde vem merecendo enorme atenção da comunidade científica. Hidroxitirosol e seu precursor oleuropeína estão entre os antioxidantes mais poderosos da natureza, e seu papel biológico tem sido amplamente pesquisado nos últimos 30 anos.

Azeitonas, azeite e vinho

O site Phenol-Explorer, um detalhado banco de dados sobre polifenóis, revela que as melhores fontes de hidroxitirosol são azeitonas pretas e verdes (60 mg/100 g em média), azeites extravirgem, virgem e até o refinado (0,7 mg/100 g em média), e vinhos tinto, rosé e branco (0,5 mg/100 ml em média). O consumo de azeitonas oferece uma ótima ingestão de polifenóis e outros antioxidantes, ajudando na prevenção de doenças degenerativas relacionadas com a idade. Azeitonas são curadas em salmoura, com alto teor de sódio e, portanto, contraindicadas em pessoas sensíveis ao mineral. Para minimizar o sabor salgado e o conteúdo de sódio, elas podem ser lavadas ou deixadas de molho em água filtrada antes do consumo.

Azeitonas gregas

Azeitonas contêm grande quantidade de ácidos graxos ômega-9, aminoácidos essenciais, minerais, vitaminas, fibras, fitoativos e três dezenas de compostos fenólicos. Além de hidroxitirosol, tirosol e oleuropeína, as azeitonas (e o azeite) fornecem antocianidinas, quercetina, luteolina, apigenina, ácidos fenólicos, lignanas, e muito mais. Enquanto pode haver dúvidas sobre a qualidade dos azeites, muitas vezes derrubados pelo Inmetro, a azeitona não tem como ser falsificada. Azeitonas gregas são as mais ricas em hidroxitirosol, mas todas fornecem os preciosos polifenóis. Três ou quatro azeitonas por dia enriquecem o prato e a saúde.

Folhas de oliveira

As folhas de oliveira contêm uma quantidade muito maior de polifenóis do que as azeitonas e o azeite extravirgem. Folhas podem ser usadas em forma de chá, pó ou extrato seco padronizado. Há forte evidência mostrando que polifenóis da oliveira atuam em fatores de risco para a síndrome metabólica, reduzindo a pressão arterial, açúcar no sangue e oxidação do colesterol LDL. Estudos comprovam que a folha de oliveira é um poderoso fitoterápico com ação medicamentosa, atuando no sistema cardiovascular, ósseo e imunológico. 



Intestino inflamado

O tratamento atual para doenças inflamatórias do intestino (colite ulcerativa, Crohn, cólon irritável) utiliza medicamentos pesados como salicilatos, corticoides e imunomoduladores, com alto custo, muitos efeitos adversos e pouco resultado. Nos últimos anos tem se investigado os efeitos benéficos dos biofenóis (polifenóis de frutas e legumes), e as propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias da fração fenólica de folhas de oliveira mostram potencial aplicação na doença inflamatória crônica do intestino.

Extrato padronizado

O extrato seco padronizado de folhas de oliveira é um suplemento com alto teor de polifenóis, principalmente oleuropeína e hidroxitirosol, responsáveis por sua ação anti-inflamatória, antioxidante e imunoestimulante. A dose pode variar de 500 a 1000 mg por dia dependendo de cada caso. Pessoas com pressão baixa não devem usar o produto, nem grávidas ou lactantes. Quem toma medicação para controle de diabetes e hipertensão deve obrigatoriamente falar com seu médico.

Texto elaborado por: Dra. Tamara Mazaracki. 

Título de Especialista em Nutrologia –  Associação Brasileira de Nutrologia;

Membro Titular da ABRAN – Associação Brasileira de Nutrologia;

Pós-graduação em Medicina Ortomolecular, Nutrição Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE – Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia;

Pós-graduação em Medicina Estética – Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino – IBRAPE.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Referências Bibliográficas:

*Pharmacology Research 2019. Hydroxytyrosol protects from aging process via AMPK & autophagy; effects on cancer, metabolic syndrome, osteoporosis, immune-mediated & neurodegenerative diseases.

*Antioxidants 2018. Biological Relevance of Extra Virgin Olive Oil Polyphenols Metabolites.


*Journal of Experimental Food Chemistry 2017. Table Olives: A Vehicle for the Delivery of Bioactive Compounds.

*Intl J Molecular Sciences 2019. Olive Tree Biophenols in Inflammatory Bowel Disease: When Bitter is Better.

*European J Nutrition 2017. Impact of phenolic-rich olive leaf extract on blood pressure, plasma lipids and inflammatory markers: a randomised controlled trial.