quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Nutrição Ayurvédica


A medicina Ayurvédica está deixando a Índia, de onde é originária há mais de 5 mil anos, para conquistar cada vez mais brasileiros. Com bases que pregam o equilíbrio e a harmonia como os caminhos para uma boa saúde física e emocional, a terapia está encontrando por aqui crescimento expressivo. Seu nome é derivado da palavra em sânscrito ayurveda, que significa conhecimento da vida (ayur = vida / veda = sabedoria).

Os benefícios da alimentação Ayurvédica são inúmeros. Para a medicina milenar Ayurveda, a alimentação quando equilibrada e em harmonia com o metabolismo individual de cada pessoa tem caráter preventivo e terapêutico. Na Ayurveda, cada pessoa apresenta um funcionamento metabólico diferente, digere e assimila os alimentos de maneira diferente. A alimentação Ayurvédica é estruturada de acordo com as funções metabólicas individuais portanto, se trabalha essencialmente com essas individualidades que são definidas com base na constituição psicofísica de cada indivíduo. De acordo com a Ayurveda, existem 5 elementos da natureza que se combinam para formar nosso organismo: éter, ar, fogo, água e terra.

A combinação destas energias sutis forma os humores biológicos, os Doshas (Prakritti) e organiza todas as funções físicas, emocionais e mentais que regem a vida. A partir do Dosha e de desequilíbrios existente a alimentação é direcionada, buscando sempre harmonizar esta combinação de energias.

A alimentação Ayurvédica cria uma consciência alimentar, levando a questionamentos pessoais sobre o que estamos consumindo, da maneira com que estamos fazendo nossas refeições e de como nosso corpo responde a diferentes alimentos e preparações. Esta consciência é criada como resultado da meditação e prática de Yoga, que favorecem o autoconhecimento.

De acordo com o Dosha e os sintomas individuais, a alimentação Ayurvédica utiliza de preparações culinárias específicas e especiarias visando uma melhor digestão e aproveitamento dos nutrientes

Na Índia por exemplo, cada pessoa ou família tem seu próprio Massala (conjunto de especiarias que usam para temperar os alimentos). Essas especiarias além de aguçar o paladar e atuar na digestão, são ricas em compostos anti-inflamatórios e antioxidantes trazendo benefícios para a saúde em geral. 



A alimentação Ayurvédica segue alguns preceitos da dieta Vegetariana Orgânica, pobre em alimentos industrializados, aditivos alimentares, açúcar refinado e produtos químicos como pesticidas. Preconiza o consumo de grãos integrais, sementes, leguminosas de fácil digestão como lentilha e grão de bico, bem como leite e derivados. É uma alimentação mais natural e com característica revigorante.

Em termos de qualidade nutricional, uma dieta com menor teor de gorduras animais apresenta caráter menos inflamatório. Juntamente com o consumo aumentado de compostos antioxidantes provenientes dos alimentos naturais, traz benefícios principalmente na prevenção de problemas de saúde relacionados com a vida moderna.

Para assegurar o equilíbrio nutricional na alimentação Ayurvédica, recomenda-se apostar em pratos coloridos e investir nos alimentos da estação. Uma refeição Ayurvédica deve conter os 6 sabores (doce, salgado, ácido, amargo, picante e adstringente) para ser completa e trazer plenitude. A atmosfera calma na qual as refeições são praticadas trazem benefícios também no aproveitamento dos nutrientes ingeridos, por serem melhor digeridos e absorvidos.

Apesar da exclusão das carnes, os leites e seus derivados fornecem o aporte proteico, complementando outras proteínas vegetais. A Vitamina B12 também é fornecida pelos lácteos, sendo apenas preocupante no seguidores de dietas veganas (sem lácteos e ovos). As demais vitaminas e minerais são contempladas de maneira satisfatória por alimentos de fonte vegetal. Quando existe cuidado e dedicação com a alimentação, o padrão alimentar Ayurvédico fornece uma dieta completa e equilibrada em termos de nutrientes.

Com relação às restrições alimentares que envolvem uma dieta Ayurvédica, Anna explica esta relação com alimentos de característica Tamásica ou seja, que levam a apatia, inércia, confusão, ignorância e erro. São alimentos Tamásicos a carne, os ovos, a cebola, o alho, os cogumelos e fungos e as comidas fermentadas. Os alimentos com padrão Rajásicos podem levar a desejos, paixões, dores e inquietudes e também não são recomendados. Perfazem os que contenham cafeína (café, chocolate, chá) e excesso de temperos. Estas restrições não levam a prejuízos nutricionais e a combinação de fontes vegetais de proteínas suprem as necessidades proteicas para a população em geral.

Com relação ao processo curativo no Ayurveda, o mesmo é dado através da rotina diária que inclui rituais para uma vida plena e saudável. São eles: meditação, exercícios e alimentação para harmonizar os humores biológicos (Doshas). Essa rotina diária é chamada de Dinacharya e através dela nos harmonizamos com nossa natureza e aquietamos nosso corpo e mente. O processo curativo também envolve fitoterapia, alimentação, massagem, yoga e meditação. A cura engloba os campos físico, mental e emocional de maneira integrada e exige paciência e dedicação.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referência Bibliográfica:

Forceline, A. Os benefícios da nutrição ayurvédica. ProDiet Nutrição Clínica. Disponível em: www.prodiet.com.br Acessado em: 29/10/2019.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

CHIA


A chia é uma semente da planta sálvia hispânica L. e nativa do México e Guatemala. Vem sendo muita consumida por quem busca uma alimentação natural e saudável, pois é uma semente rica em ômega-3, especialmente o ácido linolênico (ALA), o mesmo encontrado na semente de linhaça. É uma boa fonte de proteínas e de fibras. Além disso, contém fósforo, manganês, cálcio, potássio e sódio. E antioxidantes como o ácido cafeico.

O ômega-3 tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. O seu consumo é necessário para o equilíbrio com o ômega-6 que consumimos, pois atualmente a dieta é composta por muitos alimentos fonte de ômega-6 em detrimento dos ricos em ômega-3. Dessa forma, nosso organismo entre em um estado pró inflamatório, o que seria uma das causas de doenças como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.

As proteínas da chia são de boa digestibilidade e de alto valor biológico, pois possui aminoácidos essenciais capazes de formar proteínas completas em nosso organismo. Seu consumo pode ser importante para vegetarianos e por ser um alimento proteico que não necessita de refrigeração, pode ser usado para complementar os lanches intermediários.

A chia é uma boa fonte de proteínas, possui tanto fibras solúveis como insolúveis. As fibras solúveis aumentam de volume e formam um gel em contato com os líquidos em nosso estômago, dessa forma proporcionam maior sensação de saciedade. Além disso, também faz com que o açúcar dos alimentos seja absorvido mais lentamente melhorando o controle glicêmico e evitando picos de insulina, prejudiciais para pessoas diabéticas e que desejam perder peso. No intestino as fibras aumentam o bolo fecal e diminuem o tempo com que as fezes ficam em contato com a mucosa, assim as toxinas são eliminadas mais rapidamente. A chia contém 4,3 g de fibras, o equivalente a 17% das necessidades diárias, em 1 colher (sopa).

A semente de chia pode ser consumida crua junto com o cereal matinal, no iogurte, nas saladas ou em bebidas; triturada em preparações como pães e biscoitos ou pode ser deixada de molho (1 colher em um copo de água por alguns minutos) para formar uma textura gelatinosa e ser usada no preparo de mingau, sopas, batida em sucos ou em receitas de bolo, por exemplo.

Valor Nutricional


100 g
Porção 1 colher (15g)
Calorias
386 kcal
58 kcal
Proteínas
20g
3g
Carboidratos
7g
1,1g
Gorduras
31g
4,7g

Texto elaborado pela nutricionista: Patrícia Bertolucci

Nutricionista pela Universidade Federal de Goiás – UFG.

Assessoria a Clubes e Empresas ligadas ao esporte ou com interesse em qualidade de vida.

Responsável pela empresa Patrícia Bertolucci Consultoria em Nutrição.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Tireoide x Emagrecimento


A tireoide é uma glândula que regula a função de órgãos importantes como o coração, o cérebro, o fígado e os rins. Ela produz os hormônios T3 (tri-iodotironina) e T4 (tiroxina). Dessa forma, garante o equilíbrio do organismo. A glândula possui forma de borboleta (com dois lobos) e se localiza na parte anterior do pescoço, logo abaixo do Pomo de Adão.

Ela atua diretamente no crescimento e desenvolvimento de crianças e de adolescentes, na regulação dos ciclos menstruais, na fertilidade, no peso, na memória, na concentração, no humor e no controle emocional. 

Quando a tireoide não funciona corretamente, pode liberar hormônios em quantidade insuficiente (hipotireoidismo) ou em excesso (hipertiroidismo). Nos dois casos, o volume da glândula aumenta, o que é conhecido como bócio. Esses problemas podem ocorrer em qualquer etapa da vida e são de simples de se diagnosticar.

Relação entre Problemas na Tireoide e Emagrecimento

A queda na produção dos hormônios tireoidianos, chamada de hipotireoidismo, inclui entre os sintomas o ganho de peso, mesmo com a diminuição do apetite. O fato de a pessoa engordar pode estar relacionado também com acúmulo de líquidos no seu corpo, pois, com o hipotireoidismo, todo metabolismo está mais lento, incluindo as funções renais responsáveis por drenar os líquidos do nosso organismo.

Realmente pode haver um ganho de peso nesse paciente, na proporção entre 500 g e 3 kg. Mas, atenção, ninguém engorda 10 kg por causa apenas de uma disfunção na tireoide. O ganho de peso nesses casos pode estar relacionado ao fato de a pessoa se alimentar erroneamente, mantendo uma dieta rica em carboidratos e fast food. É mais fácil culpar a tireoide do que enxergar os erros alimentares.

Apesar de poder ocorrer um emagrecimento em pacientes com hipertireoidismo, isso não significa que a perda de peso seja saudável, pois nesses casos há também um maior consumo de massa muscular e massa óssea, além da massa gordurosa, que leva a pessoa a relatar fraqueza, indisposição, perda do condicionamento físico e até fraturas.

Em resumo, uma doença de hiperfunção da tireoide (hipertireoidismo) pode realmente emagrecer, porém à custa de uma série de outras comorbidades, que não faz valer a pena a perda de peso.

A partir do momento que uma doença da tireoide for identificada, o médico endocrinologista atua prescrevendo medicações para voltar a regular a função da glândula. Caso o paciente faça uso correto da medicação e seus exames de sangue mostrem valores normais de hormônios tireoidianos, sua doença está compensada e, portanto, a tireoide não afetaria em nada no ganho ou na perda de peso. Pacientes com hipo ou hipertireoidismo precisam seguir uma dieta saudável e balanceada, evitando o excesso de carboidratos, principalmente os doces e os produtos industrializados, consumindo pouca quantidade de gordura e aumentando a ingestão de fibras e sais minerais.

Nesse caso, vale o acompanhamento nutricional para que o tratamento da doença seja associado a hábitos alimentares saudáveis. O nutricionista calculará o quanto seu corpo precisa receber de energia, e irá propor uma distribuição dessa energia entre nutrientes importantes e boas escolhas alimentares.

Sal Iodado e Tireoide

É verdade que a tireoide utiliza o iodo para produzir seus hormônios. E, segundo a legislação brasileira, o sal de cozinha é enriquecido industrialmente com iodo, tornando o Brasil um país com excesso desse elemento na alimentação.

Por esse motivo, dificilmente um indivíduo terá doença tireoidiana por falta de iodo, principalmente se ele viver em região urbana e consumir produtos industrializados. Logo, pessoas com função tireoidiana normal não necessitam da suplementação com nenhum alimento rico em iodo, desde que façam consumo de sal iodado.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:


Tireoide. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM. Disponível em: www.tireoide.org.br Acessado em: 24/10/2019.

Junior, ACS. 5 mitos sobre emagrecimento e tireoide revelados. Nutritotal. Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em: 24/10/2019.