terça-feira, 3 de agosto de 2021

Hidratação e Imunidade

 


Imunidade é definida como a resistência a doenças, mais especificamente a doenças infecciosas. O conjunto de células, tecidos, órgãos e moléculas que são intermediários na defesa às infecções é chamado de sistema imunológico ou sistema imune.

O sistema imune atua na eliminação de agentes e moléculas estranhas, o que leva ao aparecimento de respostas específicas e seletivas, que têm a finalidade de manter o equilíbrio no organismo. Um dos mecanismos de defesa é a imunidade inata, onde temos a barreira natural, constituída pela integridade da pele, mucosas entre outras. 

Uma hidratação inadequada resseca as mucosas e as tornam vulneráveis às infecções, compromete as funções do sistema imunitário, estimula a inflamação, sobrecarrega o coração e os rins, compromete as funções cognitivas do cérebro e causa fadiga e desmaios.

A desidratação muda a fluidez do sangue, o que compromete o transporte de nutrientes e oxigênio que, por sua vez, impede o funcionamento adequado das células e atrapalha a resposta imunológica do nosso organismo. Manter a hidratação adequada do nosso corpo permite o funcionamento da imunoglobulina IgA (presente principalmente na saliva), que é um anticorpo importante para a defesa imunológica contra infecções.

A água está distribuída em dois espaços principais, dentro e fora das células, denominados intracelular e extracelular, respectivamente. No espaço intracelular está cerca de 65% do total de água corporal, restando ao espaço extracelular os demais 35%, divididos nos espaços intersticiais (entre as células).

Para a manutenção da saúde, o indivíduo deve consumir água constantemente. Uma pequena parte da água, que precisamos para suprir algumas necessidades diárias, é formada pelo nosso corpo. Porém, essa quantidade, está em torno de 250 - 350ml apenas, o que é insuficiente, tornando essencial a ingestão frequente.

A água também é encontrada em alimentos, preparações culinárias e bebidas, porém, além dessas fontes, ela deve ser consumida em sua forma pura.

As perdas diárias de água, pela urina, suor, evaporação pela pele, respiração e fezes, precisam ser repostas em volumes de 2,0 litros/dia (mulheres) e 2,5 litros/dia (homens). A hidratação é especialmente importante nos idosos, já que nesta população a sensação de sede está diminuída e eles são mais susceptíveis à desidratação. Além disso, a água, por ser o principal solvente do organismo, possibilita a ocorrência de diversas reações químicas e favorece o transporte dos nutrientes, moléculas e outras substâncias orgânicas, auxilia na regulação da temperatura corporal, além de atuar no funcionamento de vários órgãos, principalmente rins, intestino e sistema circulatório, controlar a pressão sanguínea e favorecer a eliminação de toxinas. 

Portanto, é essencial o consumo diário suficiente de água para melhorar a imunidade, para o funcionamento adequado do organismo e promoção da saúde. 

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Costa, JB. Hidratação e Imunidade. Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Disponível em: www.codeagro.agricultura.sp.gov.br Acessado em 03/08/2021.
 
 Azevedo, PS       et al.  Água, Hidratação e Saúde.  Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição. São Paulo, nov. 2016.  
 
 Teva, A. et al.Conceitos e Métodos para a Formação de Profissionais em Laboratórios de Saúde. Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Fiocruz. vol.4 p19. Rio de Janeiro, 2009.

domingo, 1 de agosto de 2021

Chá Verde: Cuidado Ao Prescrever!

 


Eu quero falar com você sobre o Chá verde e outros chás que podem causar danos ao seu paciente se não for cuidadosamente prescrito.

 

Muita atenção agora: O chá que você prescreve pode ser tóxico ao fígado.


​Sim, alguns chás, esses ‘inofensivos’ chás, podem causar hepatotoxicidade.


​Isso mesmo: HEPATOTOXICIDADE.

Eu me pergunto se todos os nutricionistas que prescrevem chás sabem disso.

​Por isso, meu papel nesse momento é informar o maior número possível de nutricionistas para que se atentem a esse detalhe que fará toda a diferença na vida de seus pacientes.

​Em suma, as pessoas acometidas de HEPATOTOXIDADE não apresentam sintomas claros. Muitos podem apresentar cansaço, olhos amarelos, alterações na pele, náuseas e vômitos sem motivo aparente, urina escura e perda da função do fígado.

​Por isso a importância de avaliar o paciente antes de prescrever chás.

Chá Verde

 

O Chá Verde, por exemplo, é um desses chás que todo mundo toma, muitos adoram, mas poucos sabem como ele pode causar danos ao fígado.

​Sim, o querido Chá Verde, pode ser um agente danoso ao fígado do seu paciente, se ele não for um “bom metabolizador” das catequinas dos chás.

 

​Eu te pergunto: Você já prescreveu chá verde sem saber como anda a saúde do fígado do seu paciente?

Eu particularmente acredito que muitos nutricionistas já devam ter prescrito chá verde para seus pacientes sem terem sequer noção da sua hepatotoxicidade.

 


Então um simples chazinho tomado eventualmente pode ser prejudicial para o seu paciente?

Depende de vários fatores. Um desses fatores é a condição atual do fígado e a capacidade individual de metabolizar os componentes do chá.

Além disso, muitos estudos relataram pessoas que tiveram efeitos adversos ao consumir o Chá verde. E não foram simples sintomas.

Os casos como hepatotoxicidade e distúrbios gastrointestinais, especialmente quando consumido com o estômago vazio, foram citados por muitos pesquisadores em vários estudos.

 

Você consegue imaginar uma pessoa consumindo Chá Verde e de repente se ver com náusea ou vomitando?

 

Para muitas pessoas o chá verde é seguro e confere benefícios, mas o que é bom para uns pode não ser bom para outros. Por isso a importância do nutricionista saber lidar com a individualidade bioquímica do paciente.

No caso de gestantes, por exemplo, você sabia que fitoterápicos podem promover o aborto?

Podem ser teratogênicos e aumentar o risco de sangramento materno ou ainda causar impacto nos hormônios neonatais devido à natureza hormonal que alguns fitoterápicos possuem.

Além disso, um estudo recente mostrou que 67 fitoterápicos são contraindicados na gestação. Você sabe quais são esses fitoterápicos? Será que você não está prescrevendo algum deles?

Por isso eu defendo que todo profissional da Nutrição deve ser capaz de entender que cada pessoa é única. E cabe a esse profissional ser capaz também de avaliar o paciente, entender suas necessidades e saber conduzir as orientações nutricionais adequadas.

Seja prescrevendo um alimento, um suplemento ou um simples chá verde.

Por isso reforço, estude fitoterapia mesmo que você prescreva somente chás.

Nesse sentido, tenho certeza de que o conhecimento em fitoterapia será fundamental para você levar mais saúde e resultado ao seu paciente. Entenda que “natural” nem sempre é sinônimo de “seguro”.

 

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

 


Referências Bibliográficas:


PUJOL, AP. Chá Verde: cuidado ao prescrever! Instituto Ana Paula Pujol. Disponível em: www.institutoanapaulapujol.com.br Acessado em: 01/08/2021.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Vitaminas do Complexo B


 

O complexo B é composto por oito (8) vitaminas(B1 - tiamina, B2 - riboflavina, B3 - niacina, B5 - ácido pantotênico B6 - piridoxina, B - biotina B9 - folato e B12 -cobalamina). São vitaminas solúveis em água, o que significa que o corpo não as armazena. Por isso, devem fazer parte da alimentação diária. Estas vitaminas são importantes para garantir o funcionamento adequado das células do corpo. Eles ajudam a converter alimentos em energia, criar células sanguíneas e manter nosso copo saudável.

Cada vitamina do complexo B têm muitas funções importantes e específicas para a saúde, como:


B1 (tiamina): a tiamina só pode ser armazenada no corpo por um curto período antes da excreção, uma ingestão regular é necessária para manter os níveis sanguíneos adequados. A B1 é essencial para o metabolismo energético, é ela que ajuda converter os nutrientes em energia. Ela também ajuda a prevenir complicações no sistema nervoso, músculos, coração, estômago e intestino. 


Além disso o corpo precisa de tiamina para: Quebrar moléculas de açúcar (carboidratos) dos alimentos, criar neurotransmissores (produtos químicos cerebrais) e sintetizar hormônios
Deficiência: A deficiência de tiamina não é comum. No entanto, certos grupos de pessoas podem não receber tiamina suficiente, incluindo: 


• Dependentes de álcool
• Adultos mais velhos
• Indivíduos com HIV
• Diabéticos
• Pacientes bariátricos

Sua deficiência geralmente leva ao beribéri, uma condição que apresenta problemas nos nervos periféricos. Dessa forma, os sintomas podem surgir em todo corpo, sendo os principais: cãibras musculares, fraqueza, visão dupla, problemas mentais, incluindo confusão e perda de memória de curto prazo.

Alimentos Fontes: arroz integral, carne de porco, aves, soja, nozes, feijão seco, ervilhas e produtos fortificados ou enriquecidos.

B2 (riboflavina): A riboflavina é usada na prevenção de várias doenças, como enxaqueca, anemia, câncer, hiperglicemia, hipertensão, diabetes mellitus e estresse oxidativo. Ela também é essencial para: produção de energia, ajuda a quebrar gorduras e auxilia na conversão de triptofano em niacina (vitamina b-3)

Deficiência: Existem dois tipos 


• A deficiência primária ocorre quando a dieta é pobre em B2
• A deficiência secundária ocorre quando o intestino não consegue absorver a vitamina adequadamente ou o corpo não consegue usá-la ou porque ela está sendo excretada muito rapidamente

A deficiência seja primária ou secundária, tem efeito na absorção de ferro, no metabolismo do triptofano, disfunção mitocondrial, cerebral, trato gastrointestinal e doenças de pele. 


Sintomas de deficiência: rachaduras nos cantos da boca, lábios rachados, pele seca, inflamação do revestimento da boca, úlceras na boca, lábios vermelhos, dor de garganta, olhos podem ser sensíveis à luz forte coçar, lacrimejar ou ficar vermelhos.
Alimentos Fontes: carnes e cogumelos.

B3 (niacina): A vitamina B3 ou niacina é importante para reduzir os níveis elevados de colesterol, diminui os sintomas da artrite, previne o risco de doenças cardíacas e contribui para a saúde mental. Além disso a niacina desempenha papel na sinalização celular, metabolismo, produção e reparo de DNA.

Deficiência: A falta grave de niacina se apresenta em humanos como a doença pelagra, que se caracteriza pelos "3 Ds" (dermatite, demência, diarreia), em casos muito graves pode levar a morte.

Sintomas de deficiências leves: aparência áspera da pele, língua vermelha brilhante, fadiga ou apatia, vômito, prisão de ventre e diarreia, problemas circulatórios, depressão, dor de cabeça, perda de memória.

Alimentos fontes: nozes, frango e lentilhas

B5 (ácido pantotênico): O ácido pantotênico, também chamado de pantotenato, é essencial para o metabolismo de carboidratos, proteínas e ácidos graxos. Essa vitamina também está envolvida na síntese de colesterol, lipídios, neurotransmissores, hormônios esteróides e hemoglobina. 


Deficiência: A deficiência é rara. No entanto, pode aparecer em pessoas com desnutrição grave. Nesses casos, eles geralmente são deficientes em outros nutrientes também.

Os sintomas de deficiência incluem: dormência e queimação nas mãos e pés, dor de cabeça, irritabilidade, inquietação e sono ruim, falta de apetite

Pessoas com uma mutação genética específica chamada mutação neurodegenerativa 2 associada à pantotenato quinase apresentam alto risco de deficiência.

Alimentos fontes: cereais integrais, legumes, ovos, carne, frango, atum, geleia real, abacate, bife de fígado, cogumelos shitake, sementes de girassol 



B6 (piridoxina): A vitamina B6, é o nome genérico de seis compostos (piridoxina, piridoxal, piridoxamina, piridoxal 5-fosfato e piridoxamina 5-fosfato). As formas coenzimáticas ativas da vitamina B6 que são a piridoxal 5-fosfato e piridoxamina 5-fosfato, estão envolvidas em várias reações bioquímicas, incluindo o metabolismo de aminoácidos e glicogênio, síntese de ácidos nucleicos, neurotransmissores serotonina, dopamina, norepinefrina e ácido gama-aminobutírico( GABA ), gliconeogênese e glicogenólise, função imunológica (por exemplo, promove a produção de linfócitos e interleucina-2) e formação de hemoglobina.

Deficiência: A deficiência isolada é incomum. O status inadequado de B6 geralmente tem relação com baixas concentrações de outras vitaminas do complexo B, como vitamina B12 e ácido fólico. A carência de vitamina B6 está associada a anemia microcítica, anormalidades eletroencefalográficas, dermatite com queilose (escamação nos lábios e rachaduras nos cantos da boca) e glossite (língua inchada), depressão e função imunológica enfraquecida. Indivíduos com concentrações limítrofes de vitamina B6 ou deficiência leve podem não ter sinais ou sintomas por meses ou até anos. Em bebês, a deficiência causa irritabilidade, problemas auditivos e ataques convulsivos.

Pessoas com risco aumentado de deficiência incluem: 


• Doença renal
• Transplante de rim
• Doença celíaca
• Doença de Crohn
• Colite ulcerativa
• Doenças autoimunes, como artrite reumatoide
• Dependência de álcool

Alimentos fontes: grão de bico, salmão, atum, aves e batata.

B7 (biotina): A biotina ajuda o corpo a converter alimentos em energia, ela suporta uma série de enzimas envolvidas na quebra de carboidratos, gorduras e proteínas. A B7 também ajuda a manter a pele, o cabelo, unhas, os olhos, o fígado e o sistema nervoso saudáveis. Além disso é um nutriente fundamental durante a gravidez, pois é importante para o crescimento embrionário.

Deficiência: Os sinais de deficiência de biotina incluem: 


• Enfraquecimento do cabelo
• Erupção escamosa ao redor dos olhos, nariz e boca
• Unhas quebradiças
• Depressão
• Fadiga

A deficiência é rara, mas alguns grupos podem estar em maior risco:

 
• Pessoas com um distúrbio metabólico chamado deficiência de biotinidase
• Dependentes de álcool
• Mulheres grávidas ou que estão amamentando

Alimentos fontes: carnes de órgãos, como fígado, gema de ovo, nozes, amêndoas, amendoins, nozes, soja, bananas, couve-flor e cogumelos. Importante: O calor pode reduzir a eficácia da biotina, então opte por pratos crus ou minimamente processados.

B9 (folato): A forma natural da B-9 é chamada de folato. O ácido fólico, que está presente em alimentos fortificados e em suplementos, é a forma sintética da vitamina. O folato é necessário para o crescimento celular, metabolismo dos aminoácidos, formação de glóbulos vermelhos e brancos e a divisão celular adequada. A B9 também é fundamental no início da gestação para reduzir o risco de defeitos congênitos no cérebro e medula espinhal.

A recomendação é que todas as mulheres em idade reprodutiva que desejam engravidar tomem 400 mcg de ácido fólico por dia, além de uma dieta variada que contém ácido fólico.

Deficiência: A adição de ácido fólico nas farinhas de trigo e de milho tornou a deficiência de folato incomum. No entanto, os possíveis sintomas de uma deficiência incluem: fraqueza, dor de cabeça, palpitações cardíacas, irritabilidade, feridas na língua ou na boca, mudanças de pele, cabelo ou unhas

Alguns grupos podem estar em maior risco de carência:

 
• Dependentes de álcool e com doença celíaca
• Condições que interferem na absorção de nutrientes como cirurgia bariátrica ou qualquer outra doença intestinal

Fontes alimentares: vegetais de folhas verdes escuras, feijão, ervilha, nozes, laranjas, limões, bananas, melões, morangos, abacate, mamão, ovos e bife de fígado. 



B12 (cobalamina): Talvez a mais conhecida de todas as vitaminas do complexo B. É vital para a função neurológica, síntese de DNA, metabolismos de gorduras e proteínas e desenvolvimento de glóbulos vermelhos. O corpo humano produz milhões de glóbulos vermelhos a cada minuto. Essas células não podem se multiplicar adequadamente sem a B-12 podendo levar a quadros de anemia megaloblástica. Além disso O metabolismo de todas as células do corpo depende desta vitamina, pois ela desempenha papel na síntese de ácidos graxos e na produção de energia.

Deficiência: A deficiência geralmente causa uma condição chamada anemia megaloblástica. Os sintomas incluem: fadiga, perda de peso, prisão de ventre, perda de apetite, dormência e formigamento nas mãos e pés, problemas de memória e depressão

Pessoas que estão em risco maior de deficiência de B-12: 


• Pós bariátrica
• Adultos mais velhos
• Doença celíaca e doença de Crohn
• Vegetarianos e veganos
• Mulheres grávidas ou que estão amamentando

Alimentos fontes: carnes, ovos, frutos do mar e laticínios.

Essas vitaminas compartilhem algumas características, porém cada vitamina do complexo B tem sua própria função, apesar de dependerem umas das outras para uma absorção adequada e melhores benefícios à saúde. Comer uma dieta saudável e variada geralmente fornece todas estas vitaminas que o corpo precisa. 

 


 As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

 

Referência Bibliográfica:

 

Stavro, A. Vitaminas do Complexo B: você sabe quais são e por que são importantes? Nutrição em Pauta. Disponível em: www.nutricaoempauta.com.br Acessado em: 30/07/2021.