domingo, 23 de agosto de 2020

Alimentação Balanceada Pode Ajudar a Combater a Gastrite

 

Quem tem gastrite sabe como comidas apimentadas, alimentos que contém cafeína, chocolates, refrigerantes e bebidas alcoólicas podem ser um grande problema. A doença é a inflamação ou infecção do revestimento do estômago. Ela pode durar por pouco tempo, se for aguda, ou pode durar meses e até mesmo anos se for crônica.

A seleção de alimentos que devem ser evitados é grande. Contudo, isso não quer dizer que quem tem a doença come mal.Os alimentos gordurosos também são vilões. Como a digestão destes alimentos é mais demorada, prejudica mais ainda o órgão inflamado.

Os alimentos gordurosos não são apenas frituras. Há muita gordura presente em bolachas recheadas ou amanteigadas, cortes de carnes com muita gordura, assim como os embutidos e até mesmo as aves. Não é porque o frango é uma carne branca que está ausente de gordura. Partes como a coxa e a asinha são exemplos a serem evitados.

Receitas antigas podem não ajudar

Quem nunca ouviu a avó ou até mesmo a mãe dizer que tomar um copo de leite frio para melhorar a queimação? Porém, não é bom tomar sozinho e muito menos gelado. O leite pode melhorar a sensação, mas o quadro pode piorar a partir do momento que ele começa a fermentar dentro do estômago.

Outro ponto é que as pessoas com problemas gástricos devem consumir os alimentos sempre em temperatura morna, nunca muito quente, nem muito gelado. O melhor jeito de tratar e prevenir a gastrite ainda é manter um peso adequado e uma vida saudável.

Alimentação x Gastrite

O consumo regular de probióticos pode ajudar no controle do H. pylori

Parcialmente verdade. Alimentos como iogurtes naturais podem ajudar o organismo contra a presença do H. pylori. Segundo um estudo publicado no American Journal Clinical of Nutrition (realizado em pacientes que obtiveram falha da terapia tripla que combina um inibidor da bomba de prótons com dois antibióticos, o que hoje é o tratamento padrão para a H.pylori.), pacientes que fizeram um tratamento prévio com iogurtes específicos puderam usar os benefícios do alimento como forma de suporte adicional aos efeitos colaterais do tratamento dessa bactéria. Mas mais estudos são necessários para comprovar os seus reais benefícios.

Vegetais são aliados na dieta de quem tem gastrite

Verdade. Outro estudo, publicado no Cancer Pevention Research, feito em camundongos e em seres humanos, comparou o consumo de vegetais para o controle da colônia de bactérias H. pylori. Como resultado, alimentos ricos em sulforafano, uma substância encontrada em brotos de alfafa e de brócolis, mostrou-se eficaz para essa redução dos sintomas e fatores de risco da gastrite. 


Peixes gordurosos devem ser evitados por quem tem a bactéria H. pylori

Mito. O consumo de peixes ricos em gorduras boas pode servir de fonte de ômega 3, um composto que, de acordo com uma pesquisa publicada no BioMed Research International, pode ajudar a controlar o avanço da H. pylori. Os cientistas explicam que o ômega 3 pode auxiliar na manutenção de níveis celulares contra uma inflamação gástrica e até contra a aparição de um câncer. Mas mais estudos ainda precisam ser feitos para comprovar todos os benefícios desse nutriente para a saúde digestiva. Vale lembrar que temos que tomar cuidado com o excesso de consumo de alimentos gordurosos, pois eles podem ficar mais tempo no estômago, e se consumidos em excesso, podem estar associados à distensão abdominal e dores.

Uma xícara de café pode ajudar a controlar a gastrite

Mito. Pelo contrário, a bebida é rica em cafeína, e um estudo publicado pela Revista de Gastroenterologia do México apontou que o consumo dessa substância, associada ao de álcool e ao tabagismo, é capaz de contribuir para o risco de infecção do H. pylori.

 

Confira dicas algumas dicas:

– Mantenha uma alimentação balanceada, com o máximo de alimentos em sua forma natural;

– Coma devagar, mastigando bem;

– Não fique muito tempo em jejum. O recomendando é fazer de cinco a seis refeições ao dia, sempre em porções reduzidas e em um intervalo de três horas;

– Evite tomar líquido junto com as refeições;

– Pratique atividades físicas, sempre com acompanhamento médico.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

 

Referências Bibliográficas:

 

Klack, K. Alimentação balanceada pode ajudar a combater a gastrite. Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. Disponível em: www.saude.sp.gov.br Acessado em 23/08/2020.

Alimentos com lactobacilos são eficientes para gastrite? O que funcional contra o mal. Nutritotal. Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em 23/08/2020.

Hool JKY. et al. Global Prevalence of Helicobacter pylori Infection: Systematic Review and Meta-Analysis. Gastroenterology, 2019.

Sho S. et al. Development of Helicobacter pylori treatment: How do we manage antimicrobial resistance? World Journal of Gastroenterology, 2019.

Sheu BS. et al. Pretreatment with Lactobacillus- and Bifidobacterium-containing yogurt can improve the efficacy of quadruple therapy in eradicating residual Helicobacter pylori infection after failed triple therapy. American Journal Clinical of Nutrition, 2006.

Akinori Y. et al. Dietary Sulforaphane-Rich Broccoli Sprouts Reduce Colonization and Attenuate Gastritis in Helicobacter pylori–Infected Mice and Humans. Cancer Pevention Research, 2009.

Jong-Min P. et al. Omega-3 Polyunsaturated Fatty Acids Intake to Regulate Helicobacter pylori-Associated Gastric Diseases as Nonantimicrobial Dietary Approach. BioMed Research International, 2015.

Bernal M. et al. Helicobacter pylori infection and its association with alcohol consumption: A case-control study. Revista de Gastroenterologia do México, 2013.

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Entendendo a Celulite e Suas Causas

 

Celulite, também chamada de lipodistrofia ou hidrolipodistrofia ginóide, é uma retração irregular da superfície cutânea, que afeta o tecido subcutâneo da pele, gerando o clássico aspecto “casca de laranja”, podendo atingir qualquer parte do corpo (porção superior das coxas- interna e externamente, porção interna dos joelhos, região abdominal, região glútea e parte superior dos braços, antero e posteriormente).

Entre as causas estão:

 

● retenção de água e gordura dentro das células adiposas (gorduras): podendo ser causado pela presença de obesidade, sedentarismo, alteração do pH celular, aumentando os adipócitos, o que ocasiona a compressão de células nervosas, promovendo dor e distensão do tecido conjuntivo e perda da elasticidade natural. Essa alteração faz com que o organismo responda formando tramas de colágeno que tentam encapsular todo o extravasamento do adipócito, o que se apresenta na forma de nódulos, conferindo um aspecto granular à pele;

 

● problema circulatório: algumas situações como o sedentarismo, fumo, obesidade, a circulação se processa mais lentamente, ocorrendo enfraquecimento dos capilares e aumentando sua permeabilidade, propiciando o extravasamento do plasma para o exterior dos vasos sanguíneos, levando ao aumento de líquido nos espaços intercelulares. O organismo reage criando uma barreira fibrosa, englobando o líquido extravasado junto com as células adiposas, desenvolvendo a celulite. Estudos demonstram que 80% das mulheres que possuem celulite tem alteração de microvasos (varizes), e que a região afetada apresenta 35% menos fluxo sanguíneo quando comparado com outras regiões onde não há celulite, confirmando o fato da microcirculação estar, sim, associada com a doença;

 

● inadequado funcionamento dos vasos linfáticos, diminuindo a eliminação de substâncias nocivas provenientes do sangue (como a ureia por exemplo) e pela retração dos tecidos que distendem essas substâncias. Essa retração dos tecidos fixa o edema produzido por esta substância tóxica, impedindo a sua difusão e dificultando a passagem da linfa e seu retorno ao sangue.

A celulite pode ser classificada em:

 

● Grau 1: fibroedema latente ou assintomático (pequenas alterações na pele) – nesta etapa inicial, existem mínimas alterações na derme e hipoderme, discreto edema e dilatação de capilares linfáticos;

 

● Grau 2: irregularidade no relevo cutâneo, visível pela sua compressão ou contração muscular, elasticidade ou palidez;

 

● Grau 3: aspecto de “casca de laranja”, nódulos na profundidade, dor à palpação, palidez, redução de elasticidade na pele – ocorre organização fibrosa do tecido conjuntivo, trocas distróficas do tecido adiposo e formação de nódulos que comprimem vasos e nervos, explicando a presença de dor à palpação;

 

● Grau 4: nódulos maiores e dolorosos, mais visíveis e palpáveis, aderidos aos planos profundos, além da aparência bastante ondulada da pele.

A celulite apresenta maior prevalência em mulheres e são mais propícias em idades mais avançadas – por alteração de composição corporal. Isso pode ser devido às mulheres apresentar duas vezes mais células adiposas, como também, apresentar desequilíbrios hormonais (estrógeno propicia aumento de fibroblastos, com aumento das células adiposas, levando à deterioração do colágeno e elastina, como também causa edemas). A genética também pode propiciar uma tendência maior em desenvolver o problema.

Hábitos inadequados no estilo de vida como:

 

● fumo: prejudica a microcirculação, diminui oxigenação tecidual e aumenta a formação de radicais livres;

 

● sedentarismo: diminuição da massa magra, aumento da massa gorda, aumento da flacidez de músculos e tendões, ocasionando diminuição dos mecanismos de bombeamento nos membros inferiores, inibindo o retorno venoso e consequentemente, aumentando as estases venosas levando ao surgimento de lesões na pele;

 

● desequilíbrios intestinais: a alteração da microbiota intestinal (disbiose) pode levar à produção de toxinas, produzidas por bactérias patológicas, que migram à corrente sanguínea e intoxicam o organismo, sobrecarregando fígado e sistema linfático, e também, diminui a capacidade absortiva do intestino para captação de nutrientes – vitaminas e minerais – fazendo com que diminua a capacidade antioxidante e de defesa do organismo, podendo propiciar o aparecimento da celulite;

 

● maus hábitos alimentares: excessos de açúcar, sal, alimentos industrializados, os quais aceleram o envelhecimento celular, induz à retenção hídrica, ao acúmulo de gorduras e hipertrofia das células adiposas (consequentemente de peso), resistência à ação da insulina, quadro inflamatório crônico. Refrigerantes e excesso de café alteram pH sanguíneo tornando-o mais ácido, diminuindo da capacidade de desintoxicação do organismo, bem como aumenta a excreção de vitaminas e minerais como: vitamina C, Complexo B, Magnésio, Cromo, eletrólitos, etc.

Texto elaborado pela nutricionista: Dra. Christiane Bergamasco

 

Formada em Nutrição, há mais de 10 anos, com cursos de pós-graduação em Nutrição Clínica , Funcional e Fisiologia do Exercício. Autora de publicações científicas em livros e revistas, atuou em hospitais de primeira linha e também como professora universitária e consultora em programas de TV e revistas.

 

 As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.