quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Dia Mundial do Diabetes

      O primeiro caso de diabetes foi constatado no Egito em 1.500 a.C., como uma doença desconhecida. A palavra diabetes em grego quer dizer sifão (tubo para aspirar água), este nome foi dado devido a sintomatologia da doença que provoca sede intensa e grande quantidade de urina. A terminologia mellitus, em latim, significa mel, logo a patologia passa a ser chamada de urina doce.

     O diabetes melito (DM) é um conjunto de doenças metabólicas caracterizada por hiperglicemia (concentrações elevadas de glicose no sangue) e associadas às complicações, disfunções e insuficiência de vários órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, cérebro, coração e vasos sanguíneos. A hiperglicemia é resultado de defeitos na ação e/ou secreção de insulina.

       No ano de 2003, estimava-se que havia, aproximadamente, 150 milhões de diabéticos no mundo, sendo previsto que em 2025, este número seja de 366milhões de diabéticos no mundo. No Brasil, estima-se que 11% da população, quase 5 milhões e meio  de pessoas sejam diabéticas.

       A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Associação Americana de Diabetes (ADA) classificam o diabetes em quatro grupos: diabetes melito tipo 1, diabetes melito tipo 2, outros tipos específicos de diabetes e diabetes melito gestacional.

 
Diabetes Melito Tipo 1

 
    O diabetes melito tipo 1, também conhecido como diabetes insulinodependente, é caracterizado pela destruição das células beta pancreáticas pelo próprio organismo, através da produção de auto-anticorpos. Atinge cerca de 5 a 10% da população, podendo ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em crianças e adolescentes. Pode estar associado a outras doenças auto-imunes como a tireoidite de Hashimoto (doença auto-imune, cuja característica é a inflamação da tireóide, causada por um erro do sistema imunológico), doença de Addison (insuficiência adrenal primária que ocorre quando o córtex da glândula adrenal deixa de produzir os hormônios cortisol e aldosterona) e a miastenia gravis (É uma doença crônica caracterizada por fraqueza muscular e fadiga rápida quando o músculo é exigido). Deve-se estabelecer um plano alimentar baseado na ingestão habitual de alimentos, integrando-se a terapia com insulina com a alimentação usual e padrão de exercício físico. Os indivíduos precisam monitorar os níveis de glicemia e ajustar as doses de insulina à quantidade de alimentos ingerida. Recomenda-se aos indivíduos que utilizam insulina fazer suas refeições diárias em horários definidos, mantendo consistência e sincronia com o tempo de ação da insulina.

 
Diabetes Melito Tipo 2

 
      O diabetes melito tipo 2, conhecido como não insulinodependente, corresponde a 90% dos casos de diabetes. Ocorre geralmente em pessoas com excesso de peso e obesas com mais de 40 anos de idade embora na atualidade se vê com maior freqüência em jovens, em virtude de maus hábitos alimentares, sedentarismo e stress da vida urbana. Caracteriza-se pela resistência à ação da insulina (significa uma diminuição na capacidade da insulina em estimular a utilização de glicose, seja com deficiência no receptor de insulina ou com defeito em algum mecanismo pós-receptor pelos principais tecidos como fígado, músculo e tecido adiposo) e redução da secreção de insulina levando a deficiência desta. Alguns objetivos do tratamento deste tipo de diabetes são: atingir e manter normais a glicemia, os lipídeos séricos e a pressão arterial; dietas com baixas calorias e a perda de peso normalmente melhoram o controle metabólico a longo prazo; fracionamento da dieta; prática de exercícios físico regulares e o aprendizado sobre novas atitudes e comportamentos podem auxiliar nas mudanças do estilo de vida e conseqüente controle metabólico.



Outros tipos específicos de diabetes

 
      Este tipo de diabetes resulta de síndromes genéticas específicas, cirurgia, drogas, desnutrição, infecções e outras doenças. Como exemplo, podemos citar pessoas que apresentam defeitos genéticos na função das células beta; anormalidades na ação da insulina ou da conexão receptor e hormônio; doenças endócrinas ou pancreáticas; outras síndromes genéticas (síndromes de Turner, Prader-Willi e Down).

 
Diabetes Melito Gestacional

 
       O diabetes melito gestacional (DMG) é definido pela diminuição da tolerância à glicose, que se inicia ou é reconhecida pela primeira vez na gestação, podendo ou não persistir após o parto. O DMG resulta da incapacidade de as mulheres aumentarem a secreção de insulina, na maioria das vezes determinada por um defeito funcional, não imunológico nas células pancreáticas, que prejudica a capacidade de compensar a resistência insulínica da gravidez. Alguns prováveis mecanismos para esta descompensação são a resistência insulínica associada à idade, à obesidade, ao sedentarismo, ao estilo de vida, história familiar e o defeito nos receptores de glicose nos adipócitos. Dentre os fatores de risco que podem ocasionar o diabetes melito gestacional, encontramos os descritos abaixo:

 
 


Diagnóstico de diabetes

          Os sinais e os sintomas do diabetes dependem principalmente da hiperglicemia. Diante dos elevados níveis de glicose no sangue, parte deste açúcar é eliminada na urina (glicosúria), carregando consigo água em excesso (diurese osmótica). A eliminação de líquidos é compensada pelo aumento da ingestão de água (polidipsia), mediada por mecanismos que controlam a sede. A dificuldade em captar e armazenar nutrientes em tecidos e órgãos e a perda destes pela urina causam redução do peso corporal, fraqueza e fome excessiva (polifagia). A visão turva pode ser sinal da hiperglicemia. Muitos desses sintomas não são percebidos pelo doente e a doença costuma ter progressão lenta, sendo assim assintomática por vários anos, até que seja identificada clinicamente.
 

            A confirmação do diagnóstico clínico é feita através de alguns exames laboratoriais adicionais, como sugerido no Quadro 1.

 
Quadro 1. Critérios Diagnóstico de Diabetes Melito.


Categoria

Glicemia de jejum* (mg/dl)

Glicemia (mg/dl) 2hs após 75g de glicose oral

Glicemia casual** (mg/dl)

Normal

< 100

< 140

-

Tolerância à glicose diminuída

> 100 a < 126

≥ 140 a < 200

-

Diabetes melito

≥ 126

≥ 200

≥ 200***


* O jejum é definido como a falta de ingestão calórica por no mínimo 8 horas.

** Glicemia plasmática casual é aquela realizada a qualquer hora do dia, sem observar o intervalo desde a última refeição.

*** Os sintomas clássicos de DM incluem poliúria (urinar mais que o normal), polidipsia (beber água exageradamente) e perda de peso não explicada.
Fonte: ADA, 2005.

 
Estratégias Nutricionais

            Uma alimentação equilibrada é fundamental para o tratamento do paciente com DM e o seu principal objetivo é manter os níveis glicêmicos o mais próximo dos valores normais.

 

      
    Devemos preconizar uma alimentação saudável, fornecendo carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas, minerais, fibras e água; promover a perda de peso gradual, manutenção do peso saudável e prevenção de ganho de peso; enfatizar mudanças no estilo de vida, como redução de gorduras e ingestão energética; prática de atividade física regular e por fim, contato regular com profissionais da área de saúde que poderão auxiliá-lo no tratamento adequado.
 
      No Quadro 2, visualizamos algumas estratégias nutricionais para melhor tratamento do paciente diabético.


Quadro 2.  Estratégias Nutricionais no Tratamento do Diabetes.
 
 

ESTRATÉGIAS NUTRICIONAIS

ORIENTAÇÃO

Pirâmide Alimentar

Orienta a pessoa com DM 1 e 2 na substituição dos alimentos que compõem a pirâmide, enfatizando número e tamanho das porções dos alimentos. Considerada boa estratégia na elaboração do plano alimentar de pessoas com DM.

Contagem De Carboidratos

Orienta-se a pessoa com DM a contabilizar os carboidratos das refeições e lanches, promovendo maior flexibilidade do plano alimentar. Considerada boa estratégia nutricional para pessoas com DM.

Índice /Carga glicêmica (IG)/ (CG):


Orienta-se a substituição de alimentos de alto por baixo IG e CG ao longo do dia. Pode trazer benefício adicional quando o total de carboidratos das refeições é contabilizado. Não deve ser utilizado como estratégia primaria no plano alimentar de pessoas com DM.
Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes, 2006.



As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Referências Bibliográficas
1) American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes. Diabetes Care, 2012,v.35, supplement 1: s11-s63.
2) American Diabetes Association. Standards of Medical Care in Diabetes. Diabetes Care, 2005,v.28, supplement 1: s4-s36.
3) Dâmaso, A. Obesidade. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. p. 82-97.
4) Cotta, RMM et al. Hábitos e práticas alimentares de hipertensos e diabéticos: repensando o cuidado a partir da atenção primária. Rev. Nutr, 2009, v.22, n.6, p.823-835.
5) Cuppari, L. Nutrição Clínica no Adulto. Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar – Unifesp, 2006.
6) Diagnosis and Classification of Diabetes Mellitus. Diabetes Care, 2012, v.35, supplement.(1), p. 64-71.
7) Mahan, LK; Stump, SE. Alimentos, nutrição e dietoterapia. 10 ed. São Paulo: Rocca, 2003. p. 146-156.
8) Marcelino, DB; Carvalho, MDB. Reflexões sobre o diabetes tipo 1 e sua relação com o emocional. Psicol. Reflex. Crit, 2005, v.18, n.1, p. 72-77.
9) Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica , 2006, n.16, p. 1-56.
10) Padilha, PC. et al. Terapia nutricional no diabetes gestacional. Rev. Nutr, 2010, v.23, n.1, p.95-105.
11) Pereira, LO; Francischi, RP; De Lancha Jr., AH. Obesidade: hábitos nutricionais, sedentarismo e resistência à insulina. Arq Bras Endocrinol Metab, 2003, v.47, n.2, p.111-127.
12) Silva, RC; Kater, CE. Doença de Addison de etiologia auto-imune. Arq Bras Endocrinol Metab, 1998, v.42, n.6, p.431-443.
13) Sociedade Brasileira de Diabetes. Disponível em : www.diabetes.org.br. Acessado em 20/10/2012.
14) Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2009. Disponível em: www.diabetes.org.br. Acessado em 21/10/2012.
15) Sociedade Brasileira de Miastenia. Disponível em: www.abrami.org.br. Acessado em 20/10/2012.
16) Szeliga, DVM. et al. Tireoidite de Hashimoto na infância e na adolescência: estudo retrospectivo de 43 casos. Arq Bras Endocrinol Metab, 2002, v.46, n.2, p.150-154.

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