terça-feira, 6 de novembro de 2012

Carboidratos

      Carboidratos são compostos químicos formados a partir de carbono, hidrogênio e oxigênio e representam a mais importante fonte de energia proveniente da alimentação. É responsável pelo fornecimento de energia para o organismo, alimentando quase que exclusivamente o cérebro, a medula, os nervos periféricos e as células vermelhas do sangue. Este nutriente responde pela liberação imediata de energia, porém, suas reservas são pequenas, o que o torna um elemento extremamente importante para o organismo. 

           Existem diversos tipos de carboidratos que variam de acordo com a estrutura química de cada molécula, bem como o número de moléculas que se combinam para formar carboidratos maiores. Nós podemos classificá-los em carboidratos simples (monossacarídeos, dissacarídeos e os oligossacarídeos) e carboidratos complexos (polissacarídeos).
             
             Os carboidratos que são representados por apenas uma molécula química são chamados de monossacarídeos e são os seguintes:

Glicose: monossacarídeo mais abundante no organismo e nos alimentos que pode também ser chamado de dextrose e açúcar do sangue.

Frutose: monossacarídeo encontrado, principalmente nas frutas, no mel e no xarope de milho. No organismo, após a absorção intestinal, a frutose pode ser convertida à glicose pelo fígado e lançada na circulação sanguínea.

Galactose: é um monossacarídeo encontrado raramente isolado nos alimentos. Após sua absorção intestinal, pode também ser convertido à glicose pelo fígado. Apresenta-se combinada com a glicose formando a lactose e, por isso, está presente principalmente nos leites e seus derivados.

           Os dissacarídeos são formados a partir da ligação entre dois monossacarídeos, e apenas três são considerados de importância fisiológica:

Maltose: união de duas glicoses encontradas nos grãos em germinação;

Sacarose: é produto da ligação entre glicose e frutose, e está presente na cana-de-açúcar (açúcar de mesa), no mel e no açúcar de beterraba.

Lactose: combinação entre glicose e galactose, é encontrada nos alimentos lácteos.


           Os oligossacarídeos são carboidratos que contêm três a dez monossacarídeos. Em sua maioria, não são absorvidos pela mucosa intestinal porque os tipos de ligações químicas que apresentam os tornam inacessíveis às enzimas digestivas. Dois oligossacarídeos de importância nutricional são rafinose e estaquiose, ambos fermentados no intestino grosso por não serem digeridos nem absorvidos. Contudo, existe um oligossacarídeo capaz de ser aproveitado pelo organismo como fonte de energia, a dextrina ou maltodextrina, pois este é um produto intermediário da quebra do amido (polissacarídeo), muito utilizada na indústria farmacêutica e alimentícia.

Maltodextrina: carboidrato abundante nos suplementos nutricionais esportivos, não só em função do seu largo uso industrial, mas também pelo fato de não apresentar um índice glicêmico elevado (o índice glicêmico é um parâmetro que indica o impacto provocado por um alimento específico na concentração de glicose sanguínea em relação à glicose pura, após as refeições), prejudicial ao desempenho do atleta durante a atividade física.

            Os polissacarídeos são cadeias maiores contendo de dez até 3.000 unidades de monossacarídeos. Os representantes são o amido, o glicogênio (forma de armazenamento de carboidratos em animais) e as fibras, dos quais o primeiro representa a forma de armazenamento de energia vegetal e o segundo, animal. As fibras são tipos de carboidratos que não fornecem energia para o organismo, mas contribuem para a melhora da função intestinal se forem insolúveis e para o controle da absorção de gorduras, glicose e produção de colesterol se forem solúveis.

            As vantagens dos carboidratos complexos é que eles possuem maior densidade nutricional, fornecem vitaminas do complexo B, que são necessárias para o metabolismo energético e fibras. Essa maior quantidade de nutrientes em relação aos carboidratos simples favorece a obtenção de uma alimentação equilibrada e, conseqüentemente, o suprimento das necessidades nutricionais do organismo. Ainda apresentam um índice glicêmico menor, liberando energia de forma mais equilibrada e constante para o organismo.

Quadro 1. Principais carboidratos da dieta.
Fonte: Adaptado de Shils et al, 2003.


 De acordo com o Guia Alimentar para a População Brasileira, recomenda-se que o grupo de carboidratos totais (carboidratos complexos + carboidratos simples) deve fornecer 55% a 75% do valor energético total (VET). Desse total, 45% a 65% devem ser provenientes de carboidratos complexos e menos de 10% devem provir de carboidratos simples (considerados como o carboidrato proveniente de açúcar de mesa, refrigerantes, sucos artificiais, doces e guloseimas).

Não deixe de consumir carboidratos para emagrecer, pois ele fornece o principal combustível para o nosso organismo gerar energia. Para compensar a sua falta, o organismo irá retirar a energia de que precisa das suas reservas corporais (glicogênio do fígado e do músculo). Além disso, a retirada completa dos carboidratos da alimentação causa hipoglicemia (queda do açúcar no sangue), reduzindo as funções cerebrais e ocasionando conseqüentemente, muita dor de cabeça, sonolência, perda do poder de concentração, moleza, perda de memória e desmaios.

         Dê preferência aos carboidratos complexos e ricos em fibras, como pães, arroz, massas e cereais integrais, aveia, batata, inhame, batata-doce, mandioca, mandioquinha, cará, milho, ervilha, feijão, grão-de-bico, soja, pois eles auxiliam na redução dos níveis de glicose (açúcar) no sangue e com isso, prevenimos a obesidade, diabetes melito tipo 2, câncer de cólon, prisão de ventre; reduz o colesterol LDL (mau colesterol) e reduz a pressão arterial daqueles que sofrem com a hipertensão arterial (pressão alta). E procure consumir em menor quantidade os carboidratos simples, presentes nos doces, açúcar de mesa, mel e refrigerantes, sucos de frutas concentrados, arroz branco, bolachas, biscoitos, pois são alimentos que favorecem o aumento da glicemia (hiperglicemia) no organismo.
As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Referências Bibliográficas

Guia Alimentar para a População Brasileira, 2006. Disponível em: http://nutricao.saude.gov.br/guia_conheca.php Acessado em: 27/10/2012.

Gibney, MJ; Vorster, HH; Kok, FJ. Introdução à nutrição humana. 1 ed. Rio de Janeiro, 2005, p.63-73.

Isosaki, M; Cardoso, E. Manual de dietoterapia e avaliação nutricional. 1 ed. São Paulo: Atheneu, 2004, p. 31-36.

Mahan, LK; Stump, SE. Alimentos, nutrição e dietoterapia. 10 ed. São Paulo: Rocca, 2003. p. 30-64.

Manual de nutrição para profissionais de saúde. Disponível em: www.diabetes.org.br. Acessado em: 27/10/2012.

Oliveira, JED; Marchini, JS. Ciências Nutricionais. 3 ed. São Paulo: Sarvier, 2003, p. 71-85.

Shils, ME; Olson, JA; Shike, M; Ross, AC. Tratado de nutrição moderna na saúde e na doença. 9 ed. São Paulo: Manole, 2003. p.53-70.

The National Academy Press. Dietary Reference Intakes for Energy, Carbohydrate, Fiber, Fat, Fatty Acids, Cholesterol, Protein, and Amino Acids (Macronutrients) (2005). Disponível em: http://www.nap.edu/openbook.php?record_id=10490&page=291. Acessado em: 27/10/12.

Tirapegui,J. Nutrição, metabolismo e suplementação na atividade física. 1ed. São Paulo: Atheneu, 2005, p.29-38.

Vitolo, MR. Nutrição da gestação ao envelhecimento. 1 ed. Rio de Janeiro: Rubio, 2008, p. 401-411.
Postar um comentário