quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Dia Mundial do Diabetes Mellitus

      O diabetes surge quando a produção de insulina do corpo falha ou não atua como deveria, o que eleva a taxa de glicose no sangue. O pâncreas produz insulina no corpo, e é ela que transporta a glicose, fonte de energia, para as células. Quando o pâncreas não produz a insulina ou está debilitado e produz pouco, há um aumento da glicose. Daí o diabetes.

       Em 1985, estimava-se haver 30 milhões de adultos com diabetes mellitus no mundo; esse número cresceu para 135 milhões em 1995, atingindo 173 milhões em 2002, com projeção de chegar a 300 milhões em 2030.

     O número de indivíduos diabéticos está aumentando em virtude do crescimento e do envelhecimento populacional, da maior urbanização, da crescente prevalência de obesidade e sedentarismo, bem como da maior sobrevida de pacientes com diabetes mellitus.

          Como saber se você tem diabetes? Os sintomas mais frequentes são cansaço, perda de peso, muita sede, vontade constante de urinar e visão turva. Quando a doença não é bem cuidada, a pessoa tem problemas nos pés, na visão (há caso de cegueira), no coração, nas artérias e nas veias.

Diabetes Tipo 1: Geralmente diagnosticado na infância ou na adolescência. É preciso cuidar da alimentação e usar insulina, já que o corpo não produz nada ou produz muito pouca insulina.

Diabetes Tipo 2: Costuma surgir depois dos 40 anos, em indivíduos sedentários e normalmente bem acima do peso, o que faz com que o corpo não utilize a insulina de forma adequada. Então, deve-se perder peso e usar medicação adaptada a cada caso.

          A evolução para o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) ocorre ao longo de um período de tempo variável, passando por estágios intermediários que recebem a denominação de glicemia de jejum alterada e tolerância à glicose diminuída. Tais estágios seriam decorrentes de uma combinação de resistência à ação da insulina e disfunção da célula beta. No diabetes mellitus tipo 1 (DM1), o início geralmente é abrupto, com sintomas indicando de maneira contundente a presença da enfermidade.

            Atualmente são três os critérios aceitos para o diagnóstico de diabetes mellitus com utilização da glicemia:

● Sintomas de poliúria (urinar muito), polidipsia (aumento da ingestão de água), perda de peso acrescidos de glicemia casual > 200mg/dl. Compreende-se por glicemia casual aquela realizada a qualquer hora do dia, independentemente do horário das refeições;

● Glicemia de jejum ≥ 126mg/dl. Em caso de pequenas elevações da glicemia, o diagnóstico deve ser confirmado pela repetição do teste em outro dia.

● Glicemia de 2 horas pós-sobrecarga de 75g de glicose > 200mg/dl.

          O teste de tolerância à glicose deve ser efetuado com os cuidados preconizados pela OMS, com coleta para diferenciação de glicemia de jejum e 120 minutos após a ingestão de glicose.

Quadro 1. Valores de glicose plasmática (mg/dl) para diagnóstico de diabetes mellitus e seus estágios pré-clínicos.

Categoria
Jejum*
2 horas após 75g de glicose
Casual**
Glicemia normal
< 100
< 140

Tolerância à glicose diminuída
> 100 a < 126
≥ 140 a < 200

Diabetes mellitus
≥ 126
≥ 200
≥ 200 (com sintomas clássicos)***
* O jejum é definido como a falta de ingestão calórica por no mínimo 8 horas;
** Glicemia plasmática casual é aquela realizada a qualquer hora do dia, sem se observar o intervalo desde a última refeição;
*** Os sintomas clássicos de diabetes mellitus incluem poliúria, polidipsia e perda não explicada de peso.
Nota: O diagnóstico de diabetes mellitus deve ser sempre confirmado pela repetição do teste em outro dia, a menos que haja hiperglicemia inequívoca com descompensação metabólica aguda ou sintomas óbvios de diabetes mellitus.
Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes.

Terapia Nutricional

     A terapia nutricional em diabetes tem como alvo o bom estado nutricional, saúde fisiológica e qualidade de vida do indivíduo, bem como prevenir e tratar complicações a curto e a longo prazo e comorbidades associadas.

       Embora o aparecimento do diabetes mellitus tipo 1 não seja evitável, o diabetes mellitus tipo 2 pode ser retardado ou prevenido, por meio de modificações de estilo de vida e atividade física.

        Os macronutrientes carboidratos, proteínas e lipídios estão distribuídos nos alimentos e devem ser ingeridos diariamente para assegurar uma alimentação saudável.

        De todos os nutrientes, o que mais eleva a sua glicemia é o carboidrato. Os carboidratos fornecem a maior parte da energia necessária para manutenção das atividades das pessoas. A ingestão diária recomendada de carboidratos é de 45% a 60% do valor calórico total. Eles são encontrados nos amidos e açúcares e, com exceção da lactose do leite e do glicogênio do tecido animal, são de origem vegetal.

O açúcar pode ser adicionado ou estar presente naturalmente nos alimentos. Diferentemente dos demais macronutrientes (proteínas e lipídios), os carboidratos (glicídios) transformam-se em glicose mais rapidamente.

Os carboidratos são classificados em simples e complexos. Glicose, frutose, sacarose e lactose são os carboidratos simples mais encontrados nos alimentos, estando o amido entre os complexos.

Os carboidratos simples são formados por açúcares simples ou por um par deles; sua estrutura química faz com que possam ser facilmente digeridos e mais rapidamente absorvidos. Como exemplo temos açúcar de mesa, mel, açúcar do leite e das frutas, garapa, rapadura, balas, muitos chicletes, doces em geral, refrigerantes, entre outros.

Já os carboidratos complexos são formados por cadeias mais complexas de açúcares, podendo sua digestão e absorção ser mais prolongada.

Alguns alimentos que contêm carboidratos complexos:

● Cereais e derivados, como arroz, trigo, centeio, cevada, milho, aveia, farinhas (de trigo, de mandioca, de milho), massas, pães, biscoitos, tapioca, cuscuz, macarrão, polenta, pipoca;

● Tubérculos: batata-doce, batata, inhame, cará, mandioca, mandioquinha;

● Leguminosas: feijões, ervilha, lentilha, grão-de-bico e soja.

Muitos alimentos contêm carboidratos e gordura, incluindo-se aí os doces, como bolos, tortas, sorvetes e biscoitos. Algumas combinações de alimentos compreendem os três nutrientes - carboidrato, proteína e gordura -, como pizzas, ensopados e sopas. Esta característica é importante na consideração do valor calórico da preparação e também no impacto que o alimento pode ter na glicemia.  
     
Alguns alimentos ainda têm o poder de ajudar a equilibrar a absorção dos carboidratos, que no corpo se transformam imediatamente em açúcar. Comendo fibras e fazendo uma refeição balanceada, você consegue driblar o excesso de glicose, ou faz com que ela demore mais tempo para ser absorvida no sangue, e ainda melhora sua qualidade de vida.

Embora as fibras sejam também classificadas como carboidratos, pertencem ao grupo dos oligossacarídeos, sendo eliminadas nas fezes pelo organismo. Justamente por essa razão são importantes para a manutenção das funções gastrointestinais e a consequente prevenção de doenças relacionadas.

Devem constar do planejamento das refeições, sendo facilmente encontradas em alimentos de origem vegetal, como hortaliças, frutas e cereais integrais.

As fibras são classificadas em solúveis e insolúveis, tendo as primeiras importante função no controle glicêmico (especialmente as pectinas e as beta glucanas), e as insolúveis, na fisiologia intestinal. A recomendação da ingestão de fibras é de 20-35g ao dia, valores iguais ao da população em geral. É importante lembrar que os estudos demonstram que o consumo rotineiro de fibras da população brasileira não atinge esta meta, estando as pessoas com diabetes incluídas neste perfil. Portanto, o incentivo ao consumo diário de fontes alimentares de fibras é prioritário para todos.
 
Dicas Para Controlar os Níveis de Glicemia:

Não consumir mel, açúcar simples e doces preparados com açúcar. Substituí-los por adoçantes artificiais e doces dietéticos, com moderação;

● Controlar o consumo de massas, pães e cereais, evitando 02 carboidratos na mesma refeição, como: arroz e macarrão, arroz e batata, macarrão e pão;

● Incluir as fibras na alimentação, através do consumo de verduras, legumes, frutas e cereais matinais sem açúcar. As frutas poderão ser consumidas até 4 unidades por dia;

● Evitar o consumo de sucos de frutas concentrado e refrigerantes. Substituí-los por refrigerantes diet/light, sucos naturais diluídos e sucos artificiais sem açúcar lembrando sempre de controlar as quantidades. Em vez de tomar um suco de laranja, que concentra muito açúcar da fruta e faz sua glicemia subir rapidamente, prefira comer uma laranja, tem menos açúcar (afinal, o suco leva umas três laranjas de uma vez), e suas fibras fazem com que o organismo demora mais para absorver a glicose;

Evitar o consumo de biscoitos amanteigados, recheados, waffles, polvilho, croissant, chocolate, balas e sorvete;

● Evitar o consumo de bebidas alcoólicas. Devemos lembrar que a ingestão de álcool em portadores de diabetes deverá ser criteriosamente avaliada pelo profissional de saúde e particularmente, alertar sobre os riscos de hipoglicemia;

● No preparo dos alimentos, utilizar óleos vegetais como: soja, milho, girassol, canola e oliva. Evitar bacon, banha , gordura de coco e azeite de dendê;

● Para temperar os alimentos utilize: sal, alho, cebola, salsinha, vinagre, limão e ervas aromáticas;

● Fracionar a dieta em 5 a 6 refeições diárias, ou seja pouca quantidade e volume reduzido, evitando assim quedas bruscas ou aumento da glicemia;

● Evitar o consumo de gorduras de origem animal e frituras em geral. Procure manter os níveis de colesterol e triglicérides normais, pois o risco de doença cardiovascular no diabético é maior.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Comida que cuida 2 – O prazer na mesa e na vida de quem tem diabetes. Sanofi Aventis.

Costa, RP. Recomendações Nutricionais para Diabetes Mellitus. Disponível em: www.omint.com.br Acessado em: 29/10/2014.

Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2013-2014. Sociedade Brasileira de Diabetes, 2014.

Manual de Nutrição: Profissional da Saúde. Departamento de Nutrição e Metabologia da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2009.
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