segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Zinco no Envelhecimento



        A população idosa é um dos grupos etários de maior risco à desnutrição e às deficiências nutricionais devido ao declínio das funções cognitivas e fisiológicas que prejudicam o consumo e o metabolismo dos nutrientes. Dessa forma, as ações de vigilância alimentar e nutricional têm sido cruciais para o monitoramento e a caracterização das práticas alimentares e de seus determinantes nessa população, com vistas à prevenção dos distúrbios nutricionais e das doenças a eles relacionadas.

         A manutenção de um estado nutricional adequado e a alimentação equilibrada estão associadas a um processo de envelhecimento saudável. O envelhecimento pode vir acompanhado de mudanças que podem alterar a ingestão de alimentos e consequentemente levar à deficiência de nutrientes e a quadros de desnutrição.

Quadro 1. Condições que afetam o estado nutricional no idoso.

Fatores socioeconômicos/psicossociais
Alterações fisiolóficas
Perda do cônjuge
Alterações no funcionamento do aparelho digestório
Depressão
Alterações na percepção sensorial
Isolamento social
Alterações na capacidade mastigatória
Capacidade de deslocamento
Alterações na composição e no fluxo salivar e na mucosa oral
Capacidade cognitiva
Alterações na estrutura e função do esôfago, estômago e intestinos
Fonte: Magnoni, D; Cukier, C. 2005

          O zinco é um micronutriente essencial para a biologia humana. Sua ampla distribuição pelos tecidos reflete sua grande atividade metabólica, estando também envolvido em funções fisiológicas específicas, tais como, função visual; crescimento e replicação celular; maturação sexual; fertilidade e reprodução; funções imunitárias; cicatrização de ferimentos; paladar e apetite.
            
           O corpo humano contém entre 1,5g a 2,0g de zinco que se encontram distribuídos em vários tecidos, incluindo pâncreas, fígado, pulmões, músculos, ossos, olhos, além das secreções da próstata e esperma. 

         O zinco pode estar presente na dieta associado a moléculas orgânicas (proteínas, fitatos e carboidratos) ou na forma de sais inorgânicos (como em suplementos ou em alimentos fortificados). A absorção de zinco ocorre principalmente no intestino delgado, embora os resultados sejam conflitantes em relação ao segmento do intestino delgado com maior capacidade de absorção desse elemento. A presença da glicose no lúmen intestinal auxilia a captação.

  Má-absorção, estresse, traumatismo, perda muscular e medicamentos podem contribuir para a inadequação de zinco no idoso. As deficiências comprometem linfócitos T e a imunidade celular. Alguns autores sugerem que a deficiência de zinco pode elevar o limiar do paladar com a idade. No entanto, ainda não está comprovado o benefício da suplementação de zinco. 

 As principais fontes de zinco são os produtos de origem animal como ostras, fígado, carne de boi, carnes escuras de aves, carne de vitela, caranguejo e ovos. Os cereais integrais têm um alto conteúdo de zinco, mas a presença de fatores antinutricionais diminui a biodisponibilidade dessas fontes, enquanto os cereais refinados apresentam teores muito baixos de zinco. A cota dietética recomendada de zinco para indivíduos acima dos 51 anos é de 11mg/dia para o sexo masculino e 8mg/dia para o sexo feminino.

Com o envelhecimento, pode ocorrer diminuição da ingestão energética por causa da diminuição da taxa de metabolismo basal, da redução do tamanho corporal e da atividade física. Em consequência, muitos idosos apresentam risco de ingestão inadequada em nutrientes essenciais.

Entre os principais problemas relacionados à deficiência de zinco em idosos, tem sido relatada a redução da imunocompetência e do sistema de defesa antioxidante. A deficiência de zinco também pode levar à anorexia, que reduz a ingestão de alimentos com repercussões na saúde do idoso, e a dificuldades na reparação de tecidos, que aumenta o tempo de convalescença em estados de doença.

Apesar de o zinco plasmático ser o indicador mais utilizado em estudos populacionais para avaliar o estado de zinco corpóreo, ele é afetado por vários fatores, como os ritmos circadianos, as refeições e o estresse. Por outro lado, a avaliação da quantidade de zinco dietético por meio de tabelas de composição de alimentos não leva em consideração a qualidade do composto mineral e as interações com outros elementos da alimentação, que podem alterar sua biodisponibilidade. Aspecto fisiológico relevante durante o envelhecimento é a modificação dos níveis normais de metalotioneína, que está associada ao controle endógeno do zinco corpóreo, e que pode, portanto, influenciar negativamente o metabolismo do zinco.

            Devido à importância funcional do zinco durante o envelhecimento, os programas de atenção ao idoso devem incluir orientação nutricional para alcançar níveis desejados de energia e equilíbrio entre os macronutrientes, com participação de melhores fontes de zinco na alimentação, ou ainda, recomendação do uso de suplementos a fim de alcançar níveis adequados do micronutriente no sangue.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.
 
Referências Bibliográficas:

Cesar, TB; Wada, SR; Borges, RG. Zinco plasmático e estado nutricional em idosos. Rev Nutr 2005; v.18, n.3, p: 357-365.

Fisberg, RM. et al. Ingestão inadequada de nutrientes na população de idosos do Brasil: Inquérito Nacional de Alimentação 2008-2009. Rev Nutr 2013; v.47, suppl.1, p: 222-230.

Gonsales, SCR; et al. Recomendações e Necessidades Diárias. In: Magnoni, D; Cukier, C; Oliveira, PA. Nutrição na Terceira Idade. Magnoni, D; Cukier, C; Oliveira, PA. 1. ed. São Paulo: Savier, 2005.

Mafra, D; Cozzolino, SMF. Importância do zinco na nutrição humana. Rev Nutr 2004; v.17,n.1: p.79-87.

Pfrimer, K; Ferriolli, E. Recomendações Nutricionais Para Idosos. In: Vitolo, MR. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. 1. ed. Rio de Janeiro: Ed. Rubio, 2008.

Yuyama, LKO; Yonekura, L; Aguiar, JPL; Rodrigues, MLCFR; Cozzolino, SMF. Zinco. Biodisponibilidade de Nutrientes. 1 ed. São Paulo: Manole, 2005, p. 513-538.
 
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