segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Fibras na Prevenção de Doenças

   

               O consumo adequado de fibras na dieta usual parece reduzir o risco de desenvolvimento de algumas doenças crônicas como: doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão arterial, diabetes melito e algumas desordens gastrointestinais. Além disso, o aumento na ingestão de fibras melhora os níveis de lipídios séricos, reduz os níveis de pressão arterial, melhora o controle da glicemia em pacientes com diabetes melito, auxilia na redução do peso corporal e ainda atua na melhora do sistema imunológico.

            As fibras são classificadas como:

fibras solúveis: como goma guar e pectina, contribuem beneficamente para diminuição de fatores de risco cardiovasculares, como a concentração plasmática de colesterol total e sua fração LDL (lipoproteína de baixa densidade). Aproximadamente 3 g de fibras solúveis estão associadas com diminuição de 5 mg/dL nas concentrações de colesterol total e LDL.

fibras insolúveis: encontradas em grão integrais, melhoram a sensibilidade à insulina e direta ou indiretamente diminuem a expressão de marcadores inflamatórios, que aumentam o estresse oxidativo do organismo. Desta maneira, possivelmente por vias diferentes que se complementam, ambas as fibras, solúveis e insolúveis têm sido associadas ao menor risco de doença cardiovascular.

Para adultos, geralmente, recomenda-se a ingestão de 20g a 35g de fibra alimentar por dia ou 10g a 13g de fibra alimentar por 1.000kcal. Essa ingestão deve ser obtida pelo consumo de frutas, vegetais, leguminosas e grãos integrais.

Ainda não foram publicadas recomendações específicas de fibras para idosos, de maneira que o consumo de 10g a 13g de fibra alimentar por 1.000kcal com adequada ingestão hídrica poderia ser recomendado com segurança para este grupo.

Quanto às crianças, não existem recomendações para menores de dois anos de idade, sendo sugerida introdução de frutas, hortaliças e cereais de fácil digestão no período de transição da dieta. Para crianças acima de dois anos, recomenda-se o consumo igual à idade da criança acrescido de 5g, a fim de atingir o consumo de 25g/dia a 35g/dia de fibra alimentar.

Doença Cardiovascular

        Alguns estudos mostraram que o consumo de grãos integrais está associado com menor risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Os autores sugerem que o farelo presente nos grãos integrais pode ser um fator chave nessa relação de redução de risco para doenças cardiovasculares.

          Outros estudos sugerem que a ingestão de frutas e vegetais está associada ao menor risco para AVC isquêmico e a efeitos favoráveis na inibição do processo de progressão da aterosclerose.

Diabetes Melito

            As fibras solúveis são as mais recomendadas aos pacientes com Diabetes Mellitus, pois além de retardar o esvaziamento gástrico, reduzindo a glicemia pós-prandial, as fibras formam géis que retardam a absorção da glicose. Ao reduzir a absorção de carboidratos, as fibras melhoram o controle glicêmico, principalmente no período pós-prandial, reduzindo assim, a necessidade de insulina.

Hipertensão Arterial

          Estudos observacionais sugerem uma relação inversa entre a ingestão de fibras e níveis de pressão arterial. Alguns ensaios clínicos identificaram uma redução nos níveis de pressão arterial decorrente da ingestão de fibras na dieta.

          Recentemente, a Dietary Approaches to Stop Hypertension (conhecida como dieta DASH), que, entre outros alimentos, prioriza o consumo de frutas e vegetais, alimentos ricos em fibras, mostrou-se associada a uma redução dos níveis de pressão arterial em indivíduos com diabetes melito tipo 2, quando comparados a pacientes com diabetes melito tipo 2 sem esse tipo de dieta.

Obesidade
            
       As fibras alimentares têm sido investigadas no tratamento e prevenção da obesidade, por aumentarem a saciedade, reduzirem a sensação de fome e a ingestão energética.

Alimentos ricos em fibras alimentares necessitam de mais tempo de mastigação. Essa mastigação prolongada aumento na produção de suco gástrico que, juntamente com a saliva e o alimento, provocará uma elevação do volume do conteúdo estomacal, aumentando a sensação de saciedade.

Outro possível mecanismo para ação das fibras na saciedade é devido sua propriedade de viscosidade, ou seja, sua capacidade de formação de géis, que forram a parede do estômago, retardando o esvaziamento gástrico, aumentando assim a sensação de saciedade. Com o esvaziamento gástrico mais lento, a digestão se torna mais demorada resultando em menor absorção de nutrientes como gordura e glicose, protelando assim o aparecimento da fome.

Câncer Colorretal

         A fibra alimentar tem efeitos que podem contribuir para uma redução do risco de câncer colorretal. Esses efeitos incluem a diluição e ligação de carcinógenos, mudanças no perfil dos sais biliares no interior do colo e aumento da velocidade do trânsito intestinal. Os ácidos graxos de cadeia curta, produzidos pela fermentação de fibras, podem modular a expressão de proteínas reguladoras do ciclo celular e podem induzir auto-destruição de células do câncer de colo.

Constipação Intestinal

Os hábitos alimentares influenciam na fisiologia do cólon, alterando as características físico-químicas do bolo alimentar. As fibras alimentares insolúveis aumentam o volume fecal retendo água, ao passo que as fibras solúveis aumentam o volume fecal devido ao acúmulo de massa bacteriana durante sua degradação. A matéria fecal obtida estimula o peristaltismo intestinal e aumenta a freqüência de evacuações. Os dois fatores de importância para evitar a constipação intestinal são o aumento do volume fecal e a aceleração do tempo de trânsito intestinal, de modo que, neste caso, uma dieta rica em fibras e com abundante ingestão hídrica é recomendada.

       Uma ingestão de fibras de pelo menos 30g/dia, bem como a variedade de alimentos fontes de fibras (frutas, verduras, grãos integrais e farelos), são fatores relevantes para que os benefícios descritos sejam alcançados.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Referências Bibliográficas:

Bernaud, FSR; Rodrigues, TC. Fibra alimentar – ingestão adequada e efeitos sobre a saúde do metabolismo. Arq Bras Endocrinol Metab 2013; v.57, n.6, p: 397-405.
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Catalani, LA; Kang, EMS; Dias, MCG; Maculevicius, J. Fibras alimentares. Rev Bras Nutr Clin 2003; v.18, n.4: p.178-182.
Cuppari L et al. Guias de medicina ambulatorial e hospitalar UNIFESP/ Escola Paulista de Medicina -nutrição clínica no adulto. 1a ed. São Paulo: Manole. 2002. p. 55-70.
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