quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Nutrição e Doença de Alzheimer

A Doença de Alzheimer é uma enfermidade incurável que se agrava ao longo do tempo, mas pode e deve ser tratada. Quase todas as suas vítimas são pessoas idosas. A doença se apresenta como demência, ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente e à família.
Não se sabe por que a Doença de Alzheimer ocorre, mas são conhecidas algumas lesões cerebrais características dessa doença. As duas principais alterações que se apresentam, são as placas senis decorrentes do depósito de proteína beta-amiloide, anormalmente produzida, e os emaranhados neurofibrilares, frutos da hiperfosforilação da proteína tau. Outra alteração observada é a redução do número das células nervosas (neurônios) e das ligações entre elas (sinapses), com redução progressiva do volume cerebral.
Estudos recentes demonstram que essas alterações cerebrais já estariam instaladas antes do aparecimento de sintomas demenciais. Por isso, quando aparecem as manifestações clínicas que permitem o estabelecimento do diagnóstico, diz-se que teve início a fase demencial da doença.
As perdas neuronais não acontecem de maneira homogênea. As áreas comumente mais atingidas são as de células nervosas (neurônios) responsáveis pela memória e pelas funções executivas que envolvem planejamento e execução de funções complexas. Outras áreas tendem a ser atingidas, posteriormente, ampliando as perdas.
Estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas com a Doença de Alzheimer. No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.
O crescente número de casos, se deve ao fato mais marcante para as sociedades atuais, que é o processo de envelhecimento populacional, observado em todos os continentes. O aumento do número de idosos, tanto proporcional quanto absoluto, está impondo mudanças profundas nos modos de pensar e viver a velhice, na sociedade.
De acordo com o Ministério da Saúde, Envelhecimento populacional é definido como a mudança na estrutura etária da população, o que produz um aumento do peso relativo das pessoas acima de determinada idade, considerada como definidora do início da velhice. No Brasil, é definida como idosa a pessoa que tem 60 anos ou mais de idade, enquanto que nos países desenvolvidos idoso é aquele que tem 65 anos ou mais (OMS).
O efeito combinado da redução dos níveis da fecundidade e da mortalidade no Brasil, tem produzido transformações no padrão etário da população, sobretudo a partir de meados dos anos de 1980. O formato tipicamente triangular da pirâmide populacional, com uma base alargada, está cedendo lugar a uma pirâmide populacional com base mais estreita e vértice mais largo característico de uma sociedade em acelerado processo de envelhecimento.
Segundo o IBGE, a população com essa faixa etária deve passar de 14,9 milhões (7,4% do total), em 2013, para 58,4 milhões (26,7% do total), em 2060. No período, a expectativa média de vida do brasileiro deve aumentar dos atuais 75 anos para 81 anos. As mulheres continuarão vivendo mais do que os homens. Em 2060, a expectativa de vida delas será de 84,4 anos, contra 78,03 dos homens. Hoje, elas vivem, em média, até os 78,5 anos, enquanto eles, até os 71,5 anos.
A idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento de demência da Doença de Alzheimer (DA). Após os 65 anos, o risco de desenvolver a doença dobra a cada cinco anos.
As mulheres parecem ter risco maior para o desenvolvimento da doença, mas talvez isso aconteça pelo fato de elas viverem mais do que os homens.
Embora a doença não seja considerada hereditária, há casos, principalmente quando a doença tem início antes dos 65 anos, em que a herança genética é importante. Esses casos correspondem a 10% dos pacientes com Doença de Alzheimer.
Pessoas com histórico de complexa atividade intelectual e alta escolaridade tendem a desenvolver os sintomas da doença em um estágio mais avançado da atrofia cerebral, pois é necessária uma maior perda de neurônios para que os sintomas de demência comecem a aparecer. Por isso, uma maneira de retardar o processo da doença é a estimulação cognitiva constante e diversificada ao longo da vida.
Outros fatores importantes referem-se ao estilo de vida. São considerados fatores de risco: hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo. Esses fatores relacionados aos hábitos são considerados modificáveis. Alguns estudos apontam que se eles forem controlados podem retardar o aparecimento da doença.

O Brasil não é exceção à tendência observada na maioria dos países. Desde a década de 60, observam-se os processos de transição demográfica, epidemiológica e nutricional no país, que resultam em alterações nos padrões de ocorrência das enfermidades. A transição epidemiológica caracteriza-se pela mudança do perfil de morbidade e de mortalidade de uma população, com diminuição progressiva das mortes por doenças infecto-contagiosas e elevação das mortes por doenças crônicas.

Por isso, o tema Geriatria, é sempre delicado, porque ao falar de envelhecimento, nos deparamos com nossa própria idade e independente de qual quer que seja ela, contabilizamos tempo, débitos e créditos de nossos desejos, realizações, sucessos e insucessos. Nos deparamos com mudanças em nosso corpo, aparência e funcionalidade, das quais não escolhemos e nem mesmo desejamos ou aceitamos, porque o envelhecimento não é a mera passagem do tempo, mas sim, a manifestação de eventos biológicos, que ocorrem ao longo de um período.

Não existe uma definição perfeita para o envelhecimento mas, como ocorre com o amor e a beleza, grande parte de nós o reconhece quando o sente ou vê. É um processo dinâmico e progressivo, no qual há alterações morfológicas, funcionais e bioquímicas, que vão alterando progressivamente o organismo, tornando-o mais suscetível às agressões intrínsecas e extrínsecas que terminam por levá-lo á morte.
 
É muito comum que os sintomas iniciais da Doença de Alzheimer (DA) sejam confundidos com o processo de envelhecimento normal. Essa confusão tende a adiar a busca por orientação profissional e, não tão raro, a doença é diagnosticada tardiamente. Recomenda-se que, diante dos primeiros sinais, as famílias procurem profissionais e/ou serviços de saúde especializados para diagnóstico precoce no estágio inicial da doença, o que favorecerá a evolução e o prognóstico do quadro.
Nos quadros de demência da Doença de Alzheimer, normalmente observa-se um início lento dos sintomas (meses ou anos) e uma piora progressiva das funções cerebrais.

O envelhecimento comum, está sujeito a fatores intrínsecos e aos extrínsecos, como alimentação, meio ambiente, composição corpórea, aspectos psicossociais, etc, que intensificam os efeitos do processo de envelhecimento.

Hoje, o enfoque está no envelhecimento bem sucedido. Nesse caso, os fatores extrínsecos não estão presentes ou, quando presentes, seriam de pequena importância. E assim, trocamos a senilidade (envelhecimento patológico), pela senescência (envelhecimento fisiológico).

O bem-estar subjetivo é um critério essencial para a velhice bem-sucedida. A principal característica do envelhecer saudável, é a capacidade de aceitação das mudanças fisiológicas, decorrentes da idade. Quem envelhece de forma bem sucedida, tem satisfação com a vida, longevidade (quanto viveremos com qualidade de vida), ausência de incapacidade, domínio/crescimento, participação social ativa, alta capacidade funcional/ independência.

É reconhecida uma fase da Doença de Alzheimer anterior ao quadro de demência. Essa fase é chamada de comprometimento cognitivo leve devido à Doença de Alzheimer. Essa hipótese é feita quando ocorre alteração cognitiva relatada pelo paciente ou por um informante próximo, com evidência de comprometimento, mas ainda há a preservação da independência nas atividades do dia a dia.
Pode haver problemas leves para executar tarefas complexas anteriormente habituais, tais como pagar contas, preparar uma refeição ou fazer compras. O paciente pode demorar mais para executar atividades ou ser menos eficiente e cometer mais erros. No entanto, ainda é capaz de manter sua independência com mínima assistência. Não é possível saber se pacientes que apresentam esse quadro evoluirão para a demência.

A alimentação e nutrição é um dos itens, bastante importantes, dentre os domínios do envelhecimento bem sucedido, que é a saúde física. E, além disso, a alimentação, também faz parte de um segundo domínio, muito importante no envelhecimento bem sucedido, que é a integração social.

Até o momento, não existe cura para a Doença de Alzheimer. Os avanços da medicina têm permitido que os pacientes tenham uma sobrevida maior e uma qualidade de vida melhor, mesmo na fase grave da doença.
As pesquisas têm progredido na compreensão dos mecanismos que causam a doença e no desenvolvimento das drogas para o tratamento. Os objetivos dos tratamentos são aliviar os sintomas existentes, estabilizando-os ou, ao menos, permitindo que boa parte dos pacientes tenha uma progressão mais lenta da doença, conseguindo manter-se independentes nas atividades da vida diária por mais tempo. Os tratamentos indicados podem ser divididos em farmacológico e não farmacológico.

Não são incomuns prescrições de outras substâncias e medicações para o tratamento da demência da Doença de Alzheimer. As evidências, até o momento, são de ineficácia do tratamento com ginkgo biloba, selegilina, vitamina E, Ômega 3, redutores da homocisteína, estrogênio, anti-inflamatórios e estatina. Sendo assim, o uso dessas substâncias e medicações, com fim específico de tratamento para a demência, não é recomendado.
Existem muitas teorias clínicas, que explicam o processo do envelhecimento e, que podem ser explicadas, também através da sua relação, com a alimentação ao longo da vida:

     Deterioração imunológica:

     Taxa de reparação do DNA reduzida e Danos causados por Radicais livres: O  elevado consumo dos elementos químicos na alimentação diária moderna (xenobióticos), que levam à alteração da microbiota intestinal, que acontece naturalmente no envelhecimento, e que piora com o elevado consumo de medicamentos, alterações no hábito intestinal diário e baixo consumo de fibras probióticas, levam à absorção de toxinas, fungos, bactérias, vírus presentes naturalmente na luz intestinal, que provocam alteração imunológica e a formação de radicais livres e alteração do DNA das células, gerando doenças bastante comuns no processo de envelhecimento, como Alzheimer. Os danos causados pelos radicais livre, podem levar às disfunções cognitivas e outras, próprias e características do idoso.

     Existem marcadores bioquímicos do dano oxidativo e, por outro lado, existem alimentos/nutrientes, que podem reduzir a formação desses marcadores, como a couve de Bruxelas, chá Verde, tomate (licopeno), espinafre, azeite de oliva, soja e a vitamina C.

Os xenobióticos, são contaminantes e substâncias tóxicas, de origem sintética, acumulativas no organismo, presentes na água e nos alimentos em geral, que se ligam a sítios celulares hormonais e tem efeitos imunotóxicos; neurotóxicos; e causam inclusive, efeitos comportamentais negativos.

O consumo de alguns fitoquímicos na alimentação do dia a dia, influenciam a atividade do sistema de metabolização e destoxificação do nosso organismo, como as isoflavonas da soja, os flavonoides do chá e dos cítrico, alho e cebola e as Brássicas/ Crucíferas (cebola, repolho, brócolis, couve-flor, couve de bruxelas, etc).

Devido a essas explicações fisiopatológicas, durante o processo do envelhecimento, experimentamos alterações celulares, teciduais e orgânicas (como alterações de composição corporal, peso, altura, adiposidade, hormonal, intestinal, oral etc), que comprometem o estado nutricional saudável. Algumas mudanças fisiológicas ocorridas no processo de envelhecimento, predispõem ao aparecimento de doenças e condições clínicas adversas.

As causas da doença ainda não estão totalmente esclarecidas, mas já se sabe que ela pode ter relação com: fatores genéticos, deficiências nutricionais, aumento de homocisteína sérica, intoxicação por metais pesados ou alterações hormonais. Estudos recentes mostram que a alimentação tem um papel importante, tanto no tratamento quanto na prevenção do Mal de Alzheimer.


Alguns nutrientes, podem ser importantes:

Fontes de ômega 3: Presente na linhaça e em alguns peixes, esse ácido graxo é um anti-inflamatório que ajuda a preservar o sistema nervoso, por isso, é importante tanto no tratamento como na prevenção da doença.
Cúrcuma: Além de ter propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que ajudam a preservar o sistema nervoso, ela ajuda a reduzir a produção do peptídeo beta-amiloide (que tem efeito tóxico no sistema nervoso no paciente com Mal de Alzheimer).
Frutas, verduras e legume: O Mal de Alzheimer causa produção excessiva de radicais livres no sistema nervoso. Para tratar esse problema, é importante que o paciente mantenha uma dieta rica em alimentos fontes de antioxidantes, como as frutas, verduras e legumes frescos (de preferência, orgânicos).
Fontes de vitamina E: Muitos experimentos mostram que a vitamina E em especial tem efeito antioxidante importante na diminuição dos radicais livres no tratamento do paciente. Apesar da maioria dos experimentos administrar esta vitamina em forma de suplemento, é importante saber que ela é naturalmente encontrada no gérmen de trigo, em nozes e sementes como a de girassol.
O excesso de gorduras saturadas e trans, presentes nas carnes gordurosas, no leite integral e seus derivados, e em produtos industrializados como sorvetes, bolachas recheadas e outros (respectivamente) podem ser considerados fatores de risco;
A deficiência de vitaminas do complexo B, especialmente a B1, B6, B9, encontradas nos grãos integrais e nas folhas verde-escuras, além da B12 encontrada nos ovos e outros alimentos de origem animal, também parece estar relacionada à doença;
É por isso que, consultar um Nutricionista na busca do envelhecimento bem sucedido, na juventude ou a partir de qual idade for, é a melhor forma de adaptar mudanças no decorrer da vida às necessidades nutricionais, em busca da autonomia, independência e qualidade de vida.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Texto elaborado por: Dra. Evie Mandelbaum

Nutricionista Graduada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo – FSP/USP há 20 anos;

Especializada em Nutrição Hospitalar em Cardiologia pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - InCor-HC-FMUSP;

Gerontóloga pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SBGG;

Especialização em Saúde da Mulher no Climatério pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo – FSPUSP;

Autora dos livros: "Atendimento Sistematizado em Nutrição", Ed. Atheneu – 2002 e "Cuidado, olha o crachá no prato !", Ed. Alegro/ Campus, 2004;

Diretora da Clínica de Nutrição Especializada Evie Mandelbaum.


Bibliografia consultada:

http://www.sdh.gov.br/assuntos/pessoa-idosa/dados-estatisticos/DadossobreoenvelhecimentonoBrasil.pdf

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_pessoa_idosa_envelhecimento_v12.pdf

http://www.saudegeriatrica.com.br/medicina/saude/geriatria/gerontologia/idoso/glossago01.html


Abraz - http://abraz.org.br/sobre-alzheimer/diagnostico
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