segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Morango

        O morangueiro pertence à família das rosáceas, originário das Américas. O morango é um pseudofruto de coloração vermelho-brilhante, odor envolvente, textura e sabor levemente acidificado. A coloração do morango é devido às antocianinas, e o seu sabor característico é devido aos ácidos cítrico e málico, e aos açúcares.

         Uma quantidade de 100g de morango fornece cerca de 2g de fibras. As fibras contribuem significativamente no controle da absorção de carboidratos pelo organismo, regulando os níveis de açúcares no sangue, e também conferem efeito de saciedade, controlando a ingestão de calorias. Em adição, a mesma quantidade dessa fruta fornece nada mais do que 32 kcal, sendo estes os principais motivos do morango ser aliado em dietas de emagrecimento.

       Dentre as propriedades do morango, destacam-se a sua ação antioxidante, a capacidade de reduzir a suscetibilidade a infecções, o seu efeito diurético e sua atividade anti-inflamatória em reumatismo e gota.

Grande interesse tem-se desenvolvido quanto ao elevado teor de vitamina C do morango (58,8 mg/100g), que faz com que o mesmo seja uma importante fonte dessa vitamina na nutrição humana. Em média a FAO/OMS recomenda que adultos ingiram 45 mg dessa vitamina por dia, e apenas uma porção de 100g de morango, já supre essa necessidade. Além da vitamina C, em comparação com outras frutas, é uma das maiores fontes naturais de ácido fólico, variando de 20 a 25 µg/100g. Em menor extensão, também é considerado boa fonte de outras vitaminas como tiamina (0,024 mg/100g), riboflavina (0,022 mg/100g), niacina (0,386 mg/100g), vitamina B6 (0,047 mg/100g), vitamina K (2,2 µg/100g) e vitamina E (0,29mg/100g).

A fruta também é rica em manganês, e uma porção de morango – oito morangos médios, correspondendo a 144g – fornece mais de 20% da ingestão diária adequada para esse mineral. A mesma porção confere cerca de 5% da ingestão adequada para potássio e tem sido considerada fonte de iodo, magnésio, cobre, ferro e fósforo. Além do seu alto valor nutritivo, o morango contém uma variedade de compostos antioxidantes, com destaque em base quantitativa para os compostos fenólicos antocianinas e elagitaninos. Há evidências de uma série de benefícios devido ao consumo da fruta, incluindo prevenção de inflamações, estresse oxidativo, doenças cardiovasculares, canceres, obesidade e doenças neurodegenerativas. Vale ressaltar que a maioria dos estudos limita-se em ensaios com animais e in vitro, no entanto, resultados provindos de estudos epidemiológicos e intervencionais estão crescendo.

O morango é rico em pectina e outras fibras solúveis que ajudam a baixar o colesterol. Contém bioflavonoides, como a antocianina (de coloração avermelhada) e o ácido elágico, substâncias que podem ajudar a evitar alguns tipos de câncer. Como o ácido elágico não é destruído pelo cozimento, até uma torta e uma geléia de morango são nutritivas.

Morangos Romanof

● 2 xícaras de morangos frescos e limpos;
● 1 xícara de chá de sorvete dietético de baunilha;
● 1 colher de chá de rum;

Para o creme:

● 2 colheres de sopa de água;
● 1 colher de chá de gelatina em pó sem sabor;
● ½ xícara de leite em pó desnatado;
● 1 colher de chá de essência de baunilha;
● 1 xícara de chá de água gelada;
● ½ colher de chá de adoçante líquido de sua preferência.

Modo de Preparo: Divida os morangos em 4 taças em que serão servidos e deixo-os no refrigerador. Aproveite para fazer o creme: em uma panela pequena, dissolva a gelatina com as 2 colheres de água. Espere que esfrie e acrescente o leite em pó. Depois leve ao fogo baixo para que se derreta de vez. Acrescente a essência de baunilha, a água gelada e o adoçante. Misture bem com uma colher ou mesmo com a ajuda da batedeira, até ela ficar leve e macia. Um pouco ante de a sobremesa ir à mesa, misture em uma tigela o sorvete, o rum e o creme. Distribua sobre as porções de morango retiradas do refrigerador e está pronto.

Dicas: Procure não cortar muito o morango, pois quanto mais picado, maior o contato com o oxigênio, maior será a perda dos antioxidantes.

     O morango muitas vezes carrega resíduos de agrotóxico. Na hora da compra, prefira o produto com selo de certificação que garante a origem e os cuidados no cultivo. Quanto mais vermelho, melhor. Isso indica que está maduro e os pesticidas já perderam parte do efeito.

     Lave bem os morangos, principalmente o cabinho cheio de folhas, pois é ali que podem se esconder micróbios capazes de causar desarranjos. Esse cuidado também deve ser tido com os orgânicos, que merecem igualmente uma boa lavada. Afinal, não têm pesticidas, mas podem conter restos de adubo.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Giampieri, F.; Tulipani, S.; Alvarez-Suarez, J.M.; Quiles, J.L.; Mezzetti, B.; Battino, M. The strawberry: Composition, nutritional quality, and impact on human health. Nutrition, vol.28, p. 9-19, 2012.

Guia Completo de Nutrição. 2 ed. São Paulo: Editora Abril, 2005.

Mello, NA. Época de morango: Aproveite os seus benefícios. Disponível em: www.grupoalimentosfuncionais.blogspot.com Acessado em: 14/09/2014.

Philippi, ST. Nutrição e Técnica Dietética. 1 ed. São Paulo: Manole, 2003; p. 75-93.

Quinato, EE; Degáspari, CH; Vilela, RM. Aspectos nutricionais e funcionais do morango. Rev Visão Acadêmica 2007; v.8, n.1: p. 11-17.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Envelhecimento

        Para que se possa compreender o que ocorre com os idosos, é necessário saber que, com o passar do tempo, o organismo apresenta uma série de modificações anatômicas e funcionais, relevantes aos aspectos nutricionais.

       Uma das maiores alterações relacionadas ao envelhecimento é a mudança na composição corporal. O tecido adiposo aumenta, depositando-se principalmente no tronco, há uma diminuição da massa magra, que se exacerba após os 60 anos e ocorre em todos os órgãos, sendo mais acentuada nos rins e no fígado, porém, proporcionalmente, muito mais intensa na massa muscular, influenciando negativamente a força e a mobilidade e favorecendo a suscetibilidade para quedas.

            As funções orgânicas decaem como um todo, variando em intensidade segundo o órgão ou sistema em questão. A habilidade para responder aos hormônios está reduzida, assim como a capacidade para sintetizar ou degradar proteínas. O colágeno se torna mais fibroso e menos elástico. O coração apresenta uma progressiva queda do débito cardíaco e da capacidade aeróbica o que compromete sua reserva funcional. Quanto ao sistema renal, o fluxo plasmático renal está reduzido à metade sendo que, aos 70 anos, os rins possuem 50% da sua reserva funcional prévia. O olfato, o paladar e a visão diminuem influenciando negativamente a ingestão de alimentos, assim como a coordenação motora fina está comprometida e tende a piorar com as doenças neurológicas, o que pode levar o idoso a evitar alimentos que possam causar dificuldades de manipulação durante a refeição e assim contribuir para a inadequação alimentar.

Estudos têm demonstrado que o declínio cognitivo em idosos pode estar relacionado com deficiências nutricionais graves, principalmente pela deficiência das vitaminas B1 (tiamina), B3 (niacina), B12 (cobalamina) e ácido fólico. Da mesma maneira, pesquisas também demonstram que a desnutrição energético-proteica em idosos está associada com o declínio cognitivo.

Os ácidos graxos ômega-3 possuem efeitos benéficos na proteção ao declínio cognitivo, por ser um dos principais componentes das membranas neuronais e tem um papel biologicamente ativo na manutenção da estrutura e fluidez da membrana celular. A vitamina D também tem sido associada com os efeitos neuroprotetores e antiinflamatórios.

Os idosos sofrem com mais frequência que os jovens efeitos adversos dos medicamentos. Isto é consequência da queda de suas funções vitais, da múltipla e simultânea medicação e de seu estado nutricional, muitas vezes deficiente nesta fase da vida. Os efeitos metabólicos e digestivos adversos, que alguns medicamentos de uso habitual em geriatria produzem, devem ser considerados na análise da ingestão de alimentos. Os mais frequentes são:

- Tranquilizantes e psicofármacos: favorecem o relaxamento e diminuem a absorção intestinal;

- Diuréticos e laxantes: ocasionam desidratação e depleção de eletrólitos como magnésio, potássio e zinco;

- Antibióticos: alteram a absorção intestinal por destruição da flora. Provocam má absorção de carboidratos, vitamina B12, cálcio, ferro, magnésio e cobre e inibem a síntese proteica;

- Glicocorticóides: predispõem à gastrite, osteoporose (interferem na absorção do cálcio) e hiperglicemia,

- Analgésicos: favorecem as gastrites e úlceras.

A terceira idade, em geral, apresenta multiplicidade de doenças, e portanto, consome maior número de medicamentos. O uso de diferentes medicamentos, nesta época da vida, tem deixado de ser esporádico para converter em habitual. A polifarmácia em idosos aumenta a incidência de efeitos colaterais e interações medicamentosas e o seu uso inadequado, freqüentemente, provoca complicações graves. Nesse sentido, a utilização, a longo prazo, de drogas terapêuticas que interferem na digestão, na absorção e no metabolismo de nutrientes pode, também, ocasionar desnutrição nos idosos, além de desenvolver anorexia.


Quadro 1. Medicamentos e seus efeitos no estado nutricional ou absorção de nutrientes.
Classe
Medicamento
Deficiência de
Agentes antibacterianos
Ácido bórico
Trimetoprim
Isoniazida
Riboflavina
Folatos
Vitamina B6, niacina, vitamina D
Agentes anti-hipertensivos
Hidralazina
Vitamina B6
Agentes antiinflamatórios
Sulfasalazina
Colchicina
Folatos
Gordura, vitamina B12
Agentes redutores de colesterol
Colestiramina
Colestipol
Gorduras
Vitamina K, vitamina A, folatos, vitamina B12
Antagonistas H2
Cimetidina
Ranitidina
Vitamina B12
Antiácidos
Bicarbonato de sódio, hidróxido de alumínio
Folato, fosfato, cálcio, cobre
Antibióticos
Tetraciclina
Gentamicina
Neomicina
Cálcio
Potássio, magnésio
Gordura, nitrogênio
Anticoagulantes
Warfarin
Vitamina K
Anticoncepcionais orais
Estrogênios, progestínicos
Vitamina B6, folatos, vitamina C
Anticonvulsivantes
Fenitoína, fenobarbital, primidona
Ácido valpróico
Vitaminas D e K
Carnitina
Antimaláricos
Pirimetamina
Folatos
Diuréticos
Tiazidas
Furosemide
Triamtereno
Potássio, magnésio
Potássio, cálcio, magnésio
Folatos
Drogas anticâncer
Metotrexate
Cisplatina
Folatos, cálcio
Magnésio
Laxativos
Óleo mineral
Fenolftaleína
Sene
Caroteno, retinol, vitamina D e K
Potássio, gordura, cálcio
Tranqüilizantes
Clorpromazina
Riboflavina
Fonte: Nutritotal.                                                                                                        
As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:


Campos, MTFS; Monteiro, JBR; Ornelas, APRC. Fatores que afetam o consumo alimentar do idoso. Rev Nutr 2000; v.13, n.3: p. 157-165.

Castro, RCB. Deficiências nutricionais relacionadas com o declínio cognitivo em idosos. Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em: 06/09/2014.

Logullo, P. Quais medicamentos podem causar depleção ou deficiência nutricional em idosos? Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em: 06/09/2014.

Oliveira, JED; Marchini, JS. Ciências Nutricionais. 1 ed. São Paulo: Sarvier, 2003.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Atendimento Nutricional Ambulatorial em Pediatria


      A Resolução 8.234 do Conselho Federal de Nutricionista (CFN) garante ao nutricionista a atribuição privativa da prescrição dietoterápica e de suplementos e complementos nutricionais e a solicitação de exames necessários ao diagnóstico nutricional.

       Procedimentos básicos em uma consulta de nutrição:

● Leitura do prontuário a fim de conhecer a razão do encaminhamento da criança ao setor de nutrição, a história social e a história pregressa da criança;

● Avaliação antropométrica da criança: deve-se proceder ao preenchimento dos gráficos de crescimento presentes no prontuário, bem como à realização de cálculos antropométricos pertinentes à situação;

● Conhecimento de intercorrências no momento da consulta e evolução da criança desde a última consulta no serviço;

● Anamnese alimentar: deve-se detalhar horário, refeição, alimentos, forma de preparo, quantidade e frequência da utilização dos alimentos. Conhecer tipo de água consumida, bem como presença de filtro e geladeira no domicílio. Este momento destina-se a ouvir o relato da mãe, devendo qualquer orientação ser feita no final da consulta;

● Verificação da utilização de suplementos vitamínico-minerais (tipo e dosagem);

● Preenchimento do Cartão da Criança (gráfico de crescimento segundo o índice peso/idade) e explicação de sua interpretação ao responsável pela criança;

● Avaliação do calendário de vacinação no Cartão da Criança, registrando se o mesmo encontra-se atualizado ou não;

● Função intestinal (frequência das evacuações e consistência das fezes);

● Verificação dos resultados de exames e dados complementares;

● Impressão diagnóstica: descrever avaliação antropométrica, avaliação da ingestão alimentar e presença de intercorrências ou situações relevantes;

● Conduta: descrever a orientação alimentar realizada, fornecendo detalhes relevantes para modificações dietéticas futuras, e descrever a prescrição de suplementos nutricionais quando for o caso. A conduta deverá ser explicada à mãe e sua compreensão deverá ser avaliada através de perguntas;

● Registro de atendimento: a criação e manutenção de uma rotina de registro de atendimentos realizados permite, minimamente, conhecimento da demanda do setor; a partir do qual podem-se definir estratégias de atendimento, rotinas de condutas e delineamento de pesquisas.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:


Lacerda, EMA; Accioly, E; Faria, IG; Costa, VM. Práticas de Nutrição Pediátrica. 1. ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2002.