quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Aleitamento Materno

        A Organização Mundial de Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Ministério da Saúde preconizam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e, depois dessa idade, que os lactentes recebam alimentos complementares, mas continuem com o leite materno até os dois anos.

● Aleitamento materno exclusivo: quando a criança recebe somente leite materno, diretamente da mama ou extraído, e nenhum outro líquido ou sólido, com exceção de gotas ou xaropes de vitaminas, minerais e/ou medicamentos;

● Aleitamento materno predominante: quando o lactente recebe, além do leite materno, água ou bebidas à base de água, como sucos de frutas e chás;

● Aleitamento materno: quando a criança recebe leite materno (direto da mama ou ordenhado), independentemente de receber ou não outros alimentos;

● Aleitamento materno complementado: quando a criança recebe, além do leite materno, qualquer alimento sólido ou semi-sólido com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo. Nessa categoria a criança pode receber, além do leite materno, outro tipo de leite, mas este não é considerado alimento complementar;

● Aleitamento materno misto ou parcial: quando a criança recebe leite materno e outros tipos de leite.

            São inúmeras as vantagens da amamentação, especialmente nos primeiros meses de vida. Em primeiro lugar, ela garante, em muitos casos, a sobrevivência das crianças, e, particularmente, daquelas em condições desfavoráveis e/ou que nascem com baixo peso.

Além de diminuir a mortalidade, o leite materno protege contra incidência e gravidade das diarreias, pneumonias, otite média, diversas infecções neonatais e outras infecções (por exemplo, infecção respiratória).

O leite materno é fundamental para a saúde das crianças nos 6 primeiros meses de vida, por ser um alimento completo, fornecendo inclusive água, com fatores de proteção contra infecções comuns da infância, isento de contaminação e perfeitamente adaptado ao metabolismo da criança. Além do mais, o ato de amamentar é importante para as relações afetivas entre mãe e filho.

A amamentação deve ser iniciada tão logo quanto possível, de preferência na primeira hora após o parto. A sucção espontânea do recém-nascido pode não ocorrer antes de 45 minutos a 2 horas após o parto, porém o contato pele-a-pele imediatamente após o parto é muito importante. Contato precoce com a mãe está associado com maior duração da amamentação, melhor interação mãe-bebê, melhor controle da temperatura do recém-nascido, níveis mais altos de glicose e menos choro do recém-nascido. Além disso, sucção precoce da mama pode reduzir o risco de hemorragia pós-parto, ao liberar ocitocina, e de icterícia no recém-nascido, por aumentar a motilidade gastrintestinal.

O aleitamento materno sob livre demanda deve ser encorajado, pois faz parte do comportamento normal do recém-nascido mamar com frequência, sem regularidade quanto a horários. Aleitamento materno sem restrições diminui a perda de peso inicial do recém-nascido, favorece a recuperação mais rápida do peso de nascimento, promove uma “descida do leite” mais rápida, aumenta a duração do aleitamento materno, estabiliza os níveis de glicose do recém-nascido, diminui a incidência de hiperbilirrubinemia e previne ingurgitamento mamário.

O tempo de permanência na mama em cada mamada também não deve ser estabelecido, uma vez que a habilidade do bebê em esvaziar a mama varia entre as crianças e, numa mesma criança, pode variar ao longo do dia dependendo das circunstâncias. É importante que a criança esvazie a mama, pois o leite do final da mamada, leite posterior, contém mais calorias e sacia a criança.

Os suplementos (água, chás, outros leites) devem ser evitados, pois há evidências de que o seu uso está associado com desmame precoce. É claro que o uso de suplementos muitas vezes se faz necessário por indicação médica. Sempre que possível e disponível, na ausência de leite materno, deve-se utilizar leite humano pasteurizado, de banco de leite humano. O uso de copinho para oferecer suplementos à criança pequena, inclusive para recém-nascidos pré-termo, tem sido preconizado pela OMS. A mamadeira, além de ser uma importante fonte de contaminação da criança, pode ter um efeito negativo sobre o aleitamento materno. Tem sido observado que algumas crianças desenvolvem preferência por bicos de mamadeira, apresentando uma maior dificuldade para amamentar ao seio. Alguns autores acreditam que a diferença entre as técnicas de sucção da mama e dos bicos artificiais possa levar à “confusão de sucção”.

O uso de chupeta também tem sido desaconselhado pela possibilidade de interferir com o aleitamento materno. Crianças que chupam chupetas em geral são amamentadas menos frequentemente, o que pode prejudicar a produção de leite.



As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Giugliani, ERJ. O aleitamento materno na prática clínica. J Pediatr 2000; v.76, Supl.3: p. S238-S252.

Guia Alimentar Para Crianças Menores de 2 anos. Ministério da Saúde. Disponível em: www.saude.gov.br Acessado em: 21/09/2014.


Silva, AP; Souza, N. Prevalência do Aleitamento Materno. Rev Nutr 2005; v.18, n.2: p. 301-310.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Cores dos Alimentos

O segredo para uma alimentação saudável está na regularidade das refeições, comer de 3 em 3 horas, consumir dois litros de água por dia, e compor o prato de alimentos variados e coloridos. Pesquisas comprovam que quanto mais colorida a refeição mais nutrientes. As cores que os alimentos naturais ou in natura contém são pigmentos e não podem ser confundidas com corantes presentes em alimentos artificiais.

Alimentos Brancos

Regula o intestino: Batata com casca, couve-flor, cogumelo, banana e feijão branco contém mais fibras que outros alimentos. Em função disso, evitam a prisão de ventre e fortalecem o intestino. O alho e a cebola melhoram a resistência imunológica e são antioxidantes.


Os alimentos de coloração branca são ricos em um grupo específico de compostos fenólicos denominados flavonoides. Um destaque entre eles é a maçã. O aspecto mais positivo da maçã é o de ser um alimento que oferece poucas calorias, muitas fibras e substâncias antioxidantes, que atuam beneficamente reduzindo o risco de doenças. Mas é importante dizer que os benefícios multiplicam-se quando a casca da fruta é ingerida, pois é nela que se concentram em maior quantidade as substâncias ativas.

Alimentos Vermelhos

O licopeno é uma substância que age como antioxidante e é responsável pela cor vermelha do morango, tomate, melancia, caqui, goiaba vermelha, framboesa, cereja. A principal atividade funcional do licopeno é a prevenção do câncer de próstata. E interessantemente, com o aquecimento o licopeno se torna mais biodisponível para o organismo humano. Vale a pena investir nos molhos concentrados de tomate.

Alimentos Verdes

Os alimentos de cor verde como os vegetais folhosos, o pimentão, o salsão e as ervas contêm: cálcio, clorofila, vitamina C e vitamina A, substâncias com os seguintes efeitos:

●Desintoxicam as células;
● Inibem radicais livres (que danificam as células e causam doenças);
● Tem efeito anticancerígeno e ajudam a proteger o coração;
● Protegem o cabelo e a pele;
● Melhoram o sistema imunológico;
● Importante para os ossos e contração muscular.

Alimentos Arroxeados

As frutas e vegetais de cor roxa, preta e azul contêm os pigmentos chamados antocianinas. As antocianinas são antioxidantes capazes de retardar os sinais de envelhecimento e atuar na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis como o câncer. Além disso, auxiliam a função cognitiva, sendo interessante para a prevenção de doenças neurodegenerativas como Alzheimer. Neste grupo temos o mirtilo, açaí, jabuticaba, ameixas, entre outros.

Alimentos Amarelo-Alaranjados

As xantofilas, luteína e zeaxantina, são responsáveis pela cor amarela da mácula da retina humana. Deste modo, a principal atividade deste composto é sua ação contra a degeneração macular. Fontes desses carotenoides que possuem esse efeito protetor são agrião, milho, espinafre e ovo.


No grupo dos carotenos, temos o beta caroteno. O beta caroteno é responsável pela cor alaranjada dos alimentos e tem recebido atenção especial na luta contra o câncer. O consumo de frutas alaranjadas e amarelo-escuras é um aliado na prevenção do câncer de colo uterino, segunda maior causa de morte por câncer entre as mulheres. Outra atividade importante do beta Caroteno é sua atividade como provitamina A. Os carotenoides provitamina A são: beta caroteno, alfa caroteno e beta criptoxantina.

Alimentos Marrons

As fibras e vitaminas do complexo B e E são, principalmente, encontradas nas nozes, aveia, castanhas e cereais integrais como arroz, trigo e centeio. Consuma alimentos integrais, que tem uma cor marrom (pães, biscoitos, macarrão, etc.).

● Melhoram o funcionamento do intestino;
● Combatem a ansiedade e a depressão;
● Previnem o câncer e as doenças cardiovasculares.

É importante que todos saibam que esses alimentos somente funcionam quando fazem parte de uma alimentação equilibrada, balanceada.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:
Alimentos Funcionais. Ministério da Saúde. Disponível em: www.bvsms.saude.gov.brAcessado em: 16/08/2013.
Alimentos Funcionais. Universidade Federal de Santa Catarina. Jornal Eletrônico 2008; n.5. Disponível em: www.nutrijr.ufsc.br Acessado em: 16/08/2013.
Alimentos Funcionais. Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Disponível em: www.esalq.usp.brAcessado em: 17/08/2013.
Arabbi, PR. Alimentos Funcionais – Aspectos Gerais. Rev Soc Bras Alim Nutr 2001; v.21: p.87-102.
Gonsalvez, CR. Nutrição e Hipertensão. Disponível em: www.socesp.org.br Acessado em: 16/09/2014.
Morzelle, MC. De olho nas Cores. Disponível em: www.grupoalimentosfuncionais.blogspot.com Acessado em: 16/09/2014.

Saúde à mesa: Conheça os benefícios dos alimentos funcionais. Rev Hospital Sírio Libanês, 2012: p.16-18. 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Alimentos Termogênicos na Obesidade


 
A obesidade é caracterizada como um distúrbio do equilíbrio energético que resulta do desequilíbrio entre a ingestão e o gasto energético e influenciado por fatores biológicos e ambientais.

Devido aos problemas que ela traz à saúde, a perda de peso é necessária. Essa terapia envolve diversos fatores tais como: aumento de atividade física e diminuição da ingestão energética através de plano e reeducação alimentar, assim, ocorre um balanço energético negativo; intervenção psicológica (quando necessário), cirurgia (em casos graves).

Entretanto, há agentes que ajudam a estimular o gasto energético e estes são os alimentos termogênicos. São compostos à base de plantas, tais como chás. Esses ingredientes não possuem calorias, o que têm atraído interesse da população.

Os alimentos termogênicos possuem um certo nível de dificuldade em serem digeridos, fazendo com que o organismo consuma mais energia para realizar a digestão e, também, aumentam a temperatura corporal, assim, facilitando a queima de gordura. Entretanto, não devem ser consumidos em excesso. Recomenda-se aliar uma alimentação adequada e exercícios físicos.

A termogênese leva ao aumento no gasto energético relacionado à digestão, absorção e metabolismo do alimento. É responsável por cerca de 10% do gasto energético total (GET) e pode ser classificada por dois subcomponentes: termogênese obrigatória, é o que fornece energia para digerir, absorver e metabolizar nutrientes; e termogênese facultativa, que corresponde ao gasto energético em excesso, e pode ocorrer devido à falha metabólica do sistema nervoso simpático.

Esses ingredientes funcionais possuem o potencial de produzir efeitos eficazes para o metabolismo, saciedade, termogênese e oxidação de gorduras. Embora esses alimentos possuam efeitos positivos, devemos considerar que devem ser consumidos moderadamente, já que possuem efeito estimulante.

Há diversos exemplos desses alimentos, porém os mais citados são: pimenta-vermelha, pimenta-preta; em relação às ervas são: chá verde, chá preto.

Chá verde (Camelia sinensis): O chá verde é derivado de folhas da Camellia sinensis e, por não ser fermentado durante seu processamento, mantém a cor original de suas folhas. Possui componentes polifenólicos, tais como flavanois, flavandiois, flavonoides e ácidos fenólicos, mas a maioria de seus polifenois é composta de flavonois, que possui as catequinas como componente predominante.

Há diversos efeitos benéficos do chá verde, mas o que tem mais destaque é o efeito na redução da gordura corporal. As doses indicadas para reduzir o apetite e aumentar o catabolismo de gorduras não são precisas, mas usualmente ficam em torno de 3 copos por dia, que corresponde, aproximadamente, 240 a 320mg de polifenóis.

Segundo a American Dietetic Association (ADA Reports, 2004) o consumo de chá verde ao dia é de 4 a 6 xícaras, para haver os efeitos benéficos do chá verde à saúde. Sua forma de preparo é algo relevante para redução de sua oxidação, esquentar a água até pouco antes de ferver e despejá-la nas folhas de chá bem devagar e do alto. Deve ficar infusão durante 2 a 3 minutos. Armazená-lo por um longo período não é recomendado, o que faz com que haja perda dos compostos fenólicos. A recomendação para preparação é a seguinte: para cada litro de água, quatro colheres de sopa de erva fresca ou duas colheres de sopa de erva seca. E deve ser consumido entre as principais refeições a fim de não interferir na biodisponibilidade de nutrientes provenientes das grandes refeições.


Capsaicina: A capsaicina é o princípio ativo picante das pimentas, suas espécies contendo capsaicina são utilizadas em diversos produtos alimentícios e também em especiarias. O consumo desse aditivo das pimentas leva a um aumento da salivação, estimulação da secreção gástrica e também da mobilidade gastrintestinal. Nos últimos dez anos, a capsaicina é estudada por seus efeitos termogênico e saciante.

       Esta substância tem sido descrita no aumento da termogênese por ter um efeito potencializador na secreção de catecolaminas da medula adrenal nos ratos, isso, principalmente, devido à ativação do sistema nervoso central.

      A pimenta vermelha levou a uma redução na vontade excessiva de ingestão de alimentos e a um aumento da oxidação de lipídeos em estudos com seres humanos.

A capsaicina é apresentada como sendo eficaz, mas quando é clinicamente utilizada exige uma forte observação para uma determinada dosagem, e isso não foi mostrado ser possível ainda.

Texto elaborado por: Dra. Juliana Gonçalves


Nutricionista. Mestre e Doutora em Ciências da Saúde pelo Instituto de Cardiologia, RS.
 Especialista em Nutrição Clínica pela ASBRAN.
Especialização em Fitoterapia pela Universidade de Léon (Espanha).
Especialização em Nutrição Clínica pela Faculdade CBES.
Autora do Manual de Atendimento em Nutrição Estética, 2ª edição, editora IPGS (2011).
Coautora do livro Atendimento Nutricional em Cirurgia Plástica - Uma Abordagem Multidisciplinar, editora Rúbio (2013).

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas

Cheng T.O. All teas are not created equal. The Chinese green tea and cardiovascular health. Int J Cardiol., v.108, n.3, p.301-308, 2006.

Hursel R., Westerterp-Plantenga M.S. Thermogenic ingredients and body weight regulation. International Journal of Obesity, v.34, p.659-669, 2010.

Kleiser C. et al. Potential determinants of obesity among children and adolescents in Germany: results from the cross-sectional KiGGS study. BMC Public Health, v.9, p.46, 2009.

Lamarão R.C., Fialho E. Aspectos funcionais das catequinas do chá verde no metabolismo celular e sua relação com a redução da gordura corporal. Rev. Nutr., v.22, n.2, p.257-269, 2009.

Melo C.M., Tirapegui J., Ribeiro S.M.L. Gasto energético corporal: conceitos, formas de avaliação e sua relação com a obesidade. Arq Bras Endrocrinol Metab, v.52, n.3, p.452-464, 2008.


Vera-Cruz M. et al. Efeito do chá verde (Camelia sinensis) em ratos com obesidade induzida por dieta hipercalórica. J Bras Patol Med Lab, v.46, n.5, p.407-413, 2010.