terça-feira, 5 de abril de 2016

Mitos Sobre Intolerância à Lactose



          A lactose, encontrada no leite e seus derivados é um carboidrato, e é conhecida popularmente como açúcar do leite. Para fazer a digestão desse açúcar o organismo necessita de uma enzima produzida no intestino, chamada lactase.

        Quando não há a produção dessa enzima, ou há em quantidades menores, não é possível fazer a digestão adequada desse açúcar, e essa condição é denominada intolerância à lactose.

             A intolerância pode ser classificada em três grupos:

● Genética: manifesta-se em recém-nascidos e é uma condição permanente, ou seja, para toda a vida;

● Adquirida: manifesta-se após uma inflamação ou alguma lesão permanente no intestino;

● Transitória: condição causada por alguma lesão temporária no intestino.

          Os principais sintomas são: flatulência, diarreia, desconforto e inchaço abdominal e cólica abdominal.

Desvendando Mitos

            A intolerância à lactose é um tema muito abordado atualmente e a mídia vem impondo alguns mitos sobre o assunto. A retirada do leite e derivados da dieta tem sido adotada por muitas pessoas sem necessidade, o que pode levar a prejuízos nutricionais, principalmente na ingestão reduzida de cálcio, o que em longo prazo pode evoluir para osteopenia e osteoporose.

1)    Todas as pessoas precisam excluir a lactose da alimentação.

As pessoas que realizam a digestão normalmente da lactose, não apresentando nenhum dos sintomas, não necessitam da exclusão ou diminuição do consumo de alimentos que possuem lactose.

2)    Os intolerantes à lactose devem retirar todos os lácteos da alimentação.

A quantidade de lactose necessária para provocar alguma reação no organismo varia de pessoa para pessoa, e depende da quantidade ingerida, da divisão dessa quantidade ao longo do dia e do grau de deficiência da enzima lactase, que participa da digestão.

Alguns produtos lácteos, como o iogurte, são submetidos ao processo de fermentação, que diminui a quantidade de lactose presente neles. Os queijos também apresentam menor quantidade de lactose devido à retirada do soro no processo de fabricação. Por esse motivo, a aceitação dos derivados do leite pelos intolerantes é maior.

Além disso, estudos apontam que a maioria das pessoas intolerantes à lactose pode ingerir até 12g por dia de lactose, o que equivale, em média, a um copo de leite ou dois potes e meio de iogurte, sem apresentar sintomas.

Para aqueles com diagnóstico de intolerância à lactose, existem no mercado produtos com teor reduzido de lactose. Dessa forma, os intolerantes conseguem manter os lácteos na sua alimentação garantindo todos os benefícios provenientes desses alimentos.

3)    Intolerância à lactose é um tipo de alergia alimentar.

A alergia é uma resposta do sistema imunológico, que reage a alguma proteína alimentar. A intolerância é uma incapacidade de digerir algum componente alimentar, no caso um carboidrato, gerando reações adversas.

4)    Com a retirada dos lácteos da dieta, não é necessário ter uma preocupação com o cálcio, pois outros alimentos possuem a mesma quantidade desse mineral.

O cálcio é o mineral que está presente em maior quantidade no organismo e participa de diversas funções importantes, tais como: estrutura de ossos e dentes, reações da coagulação sanguínea e contração muscular.

Quadro 1. Quantidade de cálcio de alimentos-fontes e equivalência de porções.

Alimento
Porção (g)
Medida Caseira
Cálcio por porção (mg)
Queijo branco
50
1 ½ fatia
500
Iogurte
200
1 pote
250
Leite
200
1 copo
250
Tofu
50
1 ½ fatia
102,5
Couve
70
2 colheres de sopa
50,4
Espinafre
67
2 ½ colheres de sopa
90,5

5)    O iogurte possui a mesma quantidade de lactose que o leite.

O iogurte é um alimento derivado do leite que passa pelo processo de fermentação, no qual são adicionadas duas espécies de bactérias lácticas. Essas bactérias utilizam a lactose como alimento, fazendo com que a quantidade de lactose seja reduzida.

Estudos indicam que a utilização da lactose pelas bactérias pode reduzir em aproximadamente 25-50% a quantidade de lactose no iogurte, quando comparado ao leite utilizado em sua fabricação. 



6)    É possível retirar os lácteos da alimentação sem nenhum problema.

A retirada total e definitiva dos lácteos da alimentação não é recomendada, já que são fontes de diversos nutrientes como fósforo, potássio, magnésio, vitaminas A, B1 B2, B5 e B12 e, principalmente o cálcio.

7)    O consumo diário de lácteos deve ser evitado devido a presença da lactose.

Segundo a Pirâmide Alimentar adaptada para a população brasileira a recomendação do consumo de leite e derivados é de 3 porções diárias. Seu consumo deve ser diário já que o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação equilibrada e contribuem para a manutenção da saúde e crescimento saudável.

8)    O consumo de lácteos promove aumento de peso devido à presença da lactose.

Não há pesquisas que mostram a diminuição do peso corporal apenas com a exclusão da lactose. A dieta livre de lactose, assim como a maioria das dietas da moda que têm apenas apelo estético, normalmente apresenta um valor calórico reduzido, podendo resultar em perda de peso devido ao déficit calórico e, não pela exclusão da lactose ou qualquer outro nutriente. Além disso, atualmente, há diversos estudos que comprovam a importância do consumo de leite e seus derivados para manutenção do peso associada a hábitos saudáveis, dieta equilibrada e atividade física.

Ainda, os lácteos contribuem para a formação de massa muscular, por se tratar de alimentos com alto teor de proteínas, que também podem contribuir para promover a sensação de saciedade.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referência Bibliográfica:

Desvendando 8 Mitos Sobre a Intolerância à Lactose. Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição. Disponível em: www.sban.org.br Acessado em: 01/04/2016.




domingo, 3 de abril de 2016

Hiperglicemia



A hiperglicemia é a elevação da glicose no sangue, em condições normais, a glicemia é mantida em teores apropriados por meio da vários mecanismos regulatórios, os valores normais de glicemia em jejum variam entre 70 e 99 mg/dL. A elevação da taxa de glicose no sangue acontece quando fica superior a 126 mg/dL em jejum e/ou superior a 200 mg/dL em qualquer ocasião.

Normalmente, a hiperglicemia acontece quando o nível de insulina produzido é inadequado, ou o que é produzido não trabalha corretamente. A insulina é indispensável ao metabolismo dos macronutrientes, impede a penetração da glicose nas células, o que por sua vez eleva os valores de glicemia.

Seus sintomas que se manifesta como a poliúria (urinar muitas vezes), polidipsia (aumento da ingestão de água), perda de peso, polifagia (fome excessiva) e visão turva ou por complicações agudas que podem levar a risco de vida: a cetoacidose diabética e a síndrome hiperosmolar hiperglicêmica não cetótica.

A poliúria é provocada pela eliminação do excedente de glicose através da urina, pois os rins deixam de conseguir reter a glicose que filtram do sangue, como ocorre com níveis normais de glicemia, o que proporciona a eliminação de uma certa parte da glicose com a urina, arrastando consigo uma maior quantidade de líquido. A sensação de sede que, chega a ser quase constante é originada por uma perda de líquidos provocada pelas frequentes e abundantes emissões de urina. O apetite exagerado é originado pela falta de energia que afeta os tecidos, já que estes não conseguem obter as quantidades de glicose de que necessitam. A falta de glicose no interior das células faz com que estas obtenham a energia através da combustão de lipídeos e proteínas, uma circunstância que a médio prazo provoca a perda de peso corporal, uma diminuição da massa muscular e uma sensação de cansaço que pode ser significativa.



Quando há um acúmulo de glicose no sangue a longo prazo, podem ocorrer várias complicações, como disfunção e falência de vários órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos.

Indivíduos com hiperglicemia apresentam alto risco para o desenvolvimento futuro de diabetes. São também fatores de risco para doenças cardiovasculares, fazendo parte da assim chamada síndrome metabólica. 

Uma das formas de baixar a glicose no sangue é fazer exercícios físicos, e também é importante avaliar se a dieta está adequada, cortando principalmente alimentos ricos em açúcares e amidos, que irá prevenir níveis mais elevados de glicose no sangue. Se os ajustes na alimentação e no programa de exercícios não forem suficientes, é possível o uso de dose dos medicamentos e da insulina. 

Texto elaborado por: Dra. Caroline de Salve – CRN3. 28964

·         Nutricionista formada pelo Centro Universitário São Camilo
·         Especialista em Nutrição Humana pelo Instituto Metabolismo e Nutrição (IMEN) 
·         Especialista em Nutrição e Pediatria pelo HCMUSP
·         Nutricionista Responsável pelo Colégio Piaget
·         Nutricionista Responsável por unidade Salutem Nutrição e Bem Estar em São Caetano do Sul e atendimentos na Unidade Salutem de São Caetano do Sul.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Diabetes Melito: Diagnóstico, Classificação e Avaliação do Controle Glicêmico. Arq Bras Endocrinol Metab [online]. 2002, vol.46, n.1, pp.16-26.  <http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302002000100004>

GROSS, Jorge L. et al. Diabetes Melito: Diagnóstico, Classificação e Avaliação do Controle Glicêmico. Arq Bras Endocrinol Metab [online].  vol.46, n.1, pp.16-26, 2002.  <http://dx.doi.org/10.1590/S0004-27302002000100004>

Sociedade brasileira de diabetes <http://www.diabetes.org.br>

Ministério da Saúde, DIABETES MELLITUS, Cadernos de Atenção Básica - n.º 16, Brasília – DF, 2006 http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diabetes_mellitus.PDF

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Autismo x Probióticos



O Transtorno do Espectro do Autismo é uma deficiência crônica, incapacitante que compromete o desenvolvimento normal da criança e se manifesta em geral antes dos 3 anos de idade, principalmente em meninos. O autismo apresenta diferentes graus segundo o comprometimento psiconeurológico, social e linguístico, características estas que prejudicam a interação social, a comunicação (linguagem é atrasada ou não se manifesta) e podem induzir a reações não usuais a sensações com ouvir, ver, tocar, sentir, equilibrar e deglutir. Uma criança autista tem dificuldade de interagir com os outros, demonstra pouco interesse em se relacionar e não possui consciência social.

O autismo tem causa multifatorial, dentre eles podemos citar, interações genéticas, deficiências ou excessos nutricionais, exposição pré e pós-natal a substâncias químicas ou a vírus, falhas durante o processo de fechamento do tubo neural embrionário, disfunção do sistema imune e alergias.

E aí você deve estar se perguntando, o que os probióticos têm a ver com o autismo? Se você pensava que os probióticos auxiliavam apenas no bom funcionamento do seu intestino você está parcialmente correto!

Além de apresentarem sintomas psicológicos e neurológicos, os autistas, também apresentam sintomas como dor abdominal, constipação, diarreia e distensão abdominal devido, dentre outros fatores, a baixa qualidade da flora microbiana presente no intestino.

Em consequência disto é normal que as crianças apresentem deficiência nutricional, desconfortos abdominais e irritabilidade. Inclusive, é uma possível explicação para o repudio a algumas classes de alimentos como o leite e seus derivados, ou até mesmo a problemas como falta de concentração e capacidade de executar ordens.

Probióticos são microrganismos vivos que quando ingeridos melhoram o equilíbrio do trato gastrointestinal, ao estimularem a proliferação de bactérias benéficas em detrimento das bactérias patológicas (causadoras de doença). Além disso, são capazes de aumentar a absorção de nutrientes, característica esta extremamente interessante aos autistas.

A partir desta ideia, e visando a melhora da qualidade de vida dos portadores de autismo, foi realizada uma pesquisa com o intuito de avaliar o potencial dos probióticos na redução dos sintomas gastrointestinais. Assim, 22 crianças diagnosticadas com autismo, receberam iogurtes enriquecidos com probiótico (Lactobacillus acidophilus) duas vezes por semana durante 2 meses. Os resultados indicaram que ao fim do tratamento houve uma melhora significativa no comportamento das crianças avaliadas, tanto quanto a capacidade de concentração e execução de ordens.

Estudos pioneiros como este são importantes e devem ser estimulados, pois abrem portas para a melhor compreensão deste transtorno tão complexo e multifatorial, e, principalmente por serem uma via de melhorarmos a qualidade de vida destas crianças, que um dia, assim como você serão adultos e idosos.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referência Bibliográfica:

Bachiega, P. Autismo x Probióticos. Grupo de Estudos em Alimentos Funcionais – GEAF, ESALQ/USP. Disponível em: www.grupoalimentosfuncionais.blogspot.com.br

Kaluzna-Czaplinska, J.; Blaszczyk, S. The level of arabinitol in autistic children after probiotic therapy. Nutrition 2012; v. 28, p. 124–126.