sexta-feira, 1 de abril de 2016

Autismo x Probióticos



O Transtorno do Espectro do Autismo é uma deficiência crônica, incapacitante que compromete o desenvolvimento normal da criança e se manifesta em geral antes dos 3 anos de idade, principalmente em meninos. O autismo apresenta diferentes graus segundo o comprometimento psiconeurológico, social e linguístico, características estas que prejudicam a interação social, a comunicação (linguagem é atrasada ou não se manifesta) e podem induzir a reações não usuais a sensações com ouvir, ver, tocar, sentir, equilibrar e deglutir. Uma criança autista tem dificuldade de interagir com os outros, demonstra pouco interesse em se relacionar e não possui consciência social.

O autismo tem causa multifatorial, dentre eles podemos citar, interações genéticas, deficiências ou excessos nutricionais, exposição pré e pós-natal a substâncias químicas ou a vírus, falhas durante o processo de fechamento do tubo neural embrionário, disfunção do sistema imune e alergias.

E aí você deve estar se perguntando, o que os probióticos têm a ver com o autismo? Se você pensava que os probióticos auxiliavam apenas no bom funcionamento do seu intestino você está parcialmente correto!

Além de apresentarem sintomas psicológicos e neurológicos, os autistas, também apresentam sintomas como dor abdominal, constipação, diarreia e distensão abdominal devido, dentre outros fatores, a baixa qualidade da flora microbiana presente no intestino.

Em consequência disto é normal que as crianças apresentem deficiência nutricional, desconfortos abdominais e irritabilidade. Inclusive, é uma possível explicação para o repudio a algumas classes de alimentos como o leite e seus derivados, ou até mesmo a problemas como falta de concentração e capacidade de executar ordens.

Probióticos são microrganismos vivos que quando ingeridos melhoram o equilíbrio do trato gastrointestinal, ao estimularem a proliferação de bactérias benéficas em detrimento das bactérias patológicas (causadoras de doença). Além disso, são capazes de aumentar a absorção de nutrientes, característica esta extremamente interessante aos autistas.

A partir desta ideia, e visando a melhora da qualidade de vida dos portadores de autismo, foi realizada uma pesquisa com o intuito de avaliar o potencial dos probióticos na redução dos sintomas gastrointestinais. Assim, 22 crianças diagnosticadas com autismo, receberam iogurtes enriquecidos com probiótico (Lactobacillus acidophilus) duas vezes por semana durante 2 meses. Os resultados indicaram que ao fim do tratamento houve uma melhora significativa no comportamento das crianças avaliadas, tanto quanto a capacidade de concentração e execução de ordens.

Estudos pioneiros como este são importantes e devem ser estimulados, pois abrem portas para a melhor compreensão deste transtorno tão complexo e multifatorial, e, principalmente por serem uma via de melhorarmos a qualidade de vida destas crianças, que um dia, assim como você serão adultos e idosos.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referência Bibliográfica:

Bachiega, P. Autismo x Probióticos. Grupo de Estudos em Alimentos Funcionais – GEAF, ESALQ/USP. Disponível em: www.grupoalimentosfuncionais.blogspot.com.br

Kaluzna-Czaplinska, J.; Blaszczyk, S. The level of arabinitol in autistic children after probiotic therapy. Nutrition 2012; v. 28, p. 124–126.



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