Múltiplos compostos
bioativos, como flavonoides e catequinas, estão presentes no quiabo e são
associados às inúmeras propriedades biológicas observadas em estudos, com
diversos efeitos na saúde: antidiabético, anticancerígeno, anti-hipertensivo,
antimicrobiano, dentre outros. Por ser muito mucilaginoso e rico em fibras, ele
alivia e previne a prisão de ventre, lubrificando o intestino grosso e
garantindo um movimento intestinal sem esforço devido à sua propriedade laxante
natural. Recentemente, o quiabo tem sido usado não apenas por seus valores
nutricionais, mas também por suas propriedades nutracêuticas e terapêuticas,
devido à presença dos compostos bioativos (polifenois).
Propriedades medicinais
Confundido com
um legume, o quiabo é na verdade um fruto. Cem gramas de quiabo
fornecem 30 calorias, 3,2 g de fibras, 2 g de proteínas, e doses consideráveis
de vitamina K, folato, vitamina C, potássio, magnésio e outros minerais. Diferentes
partes do fruto (mucilagem, semente e vagem) contêm componentes bioativos
importantes, que conferem suas propriedades medicinais. Os fitoquímicos do
quiabo têm sido estudados por suas atividades terapêuticas potenciais em
diversas doenças crônicas, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e
digestivas, bem como o efeito antifadiga, na desintoxicação hepática, por sua
ação antibacteriana e na prevenção de câncer. Além disso, a mucilagem do quiabo
tem sido amplamente utilizada em aplicações medicinais, como um substituto de
plasma ou como expansor de volume sanguíneo.
Prisão de ventre e inflamação intestinal
O quiabo ajuda a
reabsorver a água presente na luz intestinal e se liga ao excesso de
colesterol, toxinas metabólicas e bile excedente, favorecendo a sua eliminação.
A gosma do quiabo (mucilagem) é um polissacarídeo altamente viscoso, composto
principalmente por monossacarídeos (galactose, ramnose e ácido galacturônico),
bem como proteínas, minerais e polifenois. Essa composição contribui para
acalmar o trato gastrointestinal, desinflamar o intestino irritado e até
cicatrizar ulcerações, além de atuar como um lubrificante intestinal
facilitando a evacuação. O quiabo também funciona como um prebiótico,
alimentando e facilitando a propagação de boas bactérias que atuam na
biossíntese de vitaminas do complexo B e compostos anti-inflamatórios (ácidos
graxos de cadeia curta). Se você tem problemas com a preciosa gosma do quiabo,
é só cozinhá-lo inteiro, sem fatiar.
Diabetes
A incidência de
distúrbios metabólicos, particularmente diabetes, aumentou tremendamente em
todo o mundo. Embora o diabetes seja causado por vários fatores, o estresse
oxidativo e as respostas inflamatórias são identificados como os precursores
mais comuns. O diabetes tipo 2 costuma estar associado à obesidade e alterações
no lipidograma, com elevação do colesterol e triglicerídeos.
Pesquisas
Muitos estudos mostram
que o consumo regular de quiabo ajuda a reduzir os níveis altos de açúcar no
sangue. Um aspecto interessante é que todas as partes do quiabo produzem uma
redução significativa no nível de glicemia, hemoglobina glicada e melhora no
perfil lipídico em comparação com o controle diabético não tratado. Outros
trabalhos mostram que o quiabo tem a capacidade de estimular a síntese de
glicogênio no fígado e retardar a absorção intestinal de glicose. Além disso, o
exame histológico do tecido do pâncreas após o uso de quiabo revelou evidências
de regeneração das células das ilhotas pancreáticas, responsáveis pela produção
de insulina. É importante evitar o cozimento excessivo do vegetal para não
destruir os seus fitoquímicos.
Imunomodulação
O sistema imunológico
age como um escudo protetor contra agentes nocivos externos ou internos. Ele
desempenha um papel fundamental na proteção do corpo humano contra doenças
infecciosas. Seus dois principais componentes incluem as respostas de imunidade
inata e imunidade adquirida. Através de seus compostos bioativos, o quiabo
equilibra o sistema imunológico, permitindo uma ação antimicrobiana e ação na
prevenção da formação de células cancerígenas, além de contribuir para a
anti-inflamação.
Alimento funcional
Aposto que você não
sabia, mas o extrato das vagens do quiabo serve como um agente espessante em
inúmeras receitas de sopas e molhos, aumentando a sua viscosidade. Outra
aplicação é o seu amplo uso na indústria de picles. Os polissacarídeos
presentes na mucilagem são utilizados em alimentos congelados, como sorvetes,
bem como em produtos de panificação, devido aos benefícios para a saúde e vida
útil mais longa. A adição da mucilagem ao sorvete substitui uma parte do
conteúdo de gorduras e permite reduzir o valor calórico, transformando a
sobremesa em um alimento cremoso e saudável.
Nutracêutico
Hoje em dia, devido aos
seus benefícios nutricionais e para a saúde, há uma demanda crescente pela
produção de quiabo, e diferentes produtos do fruto estão disponíveis em
mercados internacionais. Em breve teremos pílulas de componentes (nutracêuticos)
do quiabo, voltados para necessidades específicas: gastroprotetor, laxante
natural, antidiabético, antilipêmico (colesterol e triglicerídeos), anticâncer,
imunomodulador, antioxidante, anti-inflamatório, antibacteriano, e também como
um agente neurofarmacológico. Enquanto as pílulas não chegam, procure comer
quiabo com frequência, de uma a duas vezes por semana. Sua saúde agradece.
Texto elaborado por: Dra. Tamara
Mazaracki.
Título de Especialista em Nutrologia –
Associação Brasileira de Nutrologia;
Membro Titular da ABRAN – Associação Brasileira de
Nutrologia;
Pós-graduação em Medicina Ortomolecular, Nutrição
Celular e Longevidade – FACIS-IBEHE – Faculdade de Ciências da Saúde de São
Paulo e Centro de Ensino Superior de Homeopatia;
Pós-graduação em Medicina Estética – Instituto
Brasileiro de Pesquisa e Ensino – IBRAPE.
As informações contidas neste blog,
não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área
de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e
sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.
Referências Bibliográficas:
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sustainable health applications.
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*Plants
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