quinta-feira, 16 de março de 2017

Gastrite



A gastrite é uma inflamação na mucosa gástrica (parede do estômago) que pode ser classificada de dois tipos, crônica e a aguda. Esta inflamação esta cada vez mais prevalente, independente do sexo e idades, podendo algumas vezes ser diagnosticada ou não. 

A mucosa do estômago contém células especiais que produzem o ácido e enzimas, que ajudam a quebrar o alimento para a digestão, e muco, que protege o revestimento do estômago de ácido. Quando o estômago está inflamado, produz menos ácido, enzimas e muco.
A forma aguda aparece repentinamente, causando o aparecimento de sintomas como dor no estômago, queimação, náuseas e vômitos, permanecendo por cerca de dois ou três dias, podendo ser desencadeada principalmente  por anti-inflamatórios, remédios à base de ácido acetilsalicílico, estresse, maus hábitos alimentares, jejum prolongado e  ingestão de álcool.
A gastrite crônica não erosiva é causada em 95% dos casos por infecção pelo Helicobacter pylori (H. pylori) O H. pylori é uma bactéria que infecta a parede do estômago, é transmitido principalmente de pessoa para pessoa. Em áreas com falta de saneamento, também pode ser transmitido através de água ou alimentos contaminados. A gastrite crônica é considerada a segunda mais prevalente do homem e a única maneira para identificar é através do exame feito por endoscopia ou biópsia.
A gastrite erosiva é um tipo de gastrite que muitas vezes não causa inflamação significativa, mas faz uma lesão superficial do revestimento do estômago. A gastrite erosiva pode causar sangramento, erosões ou úlceras. Ela pode ser aguda ou crônica. Estes sintomas são também chamados de dispepsia. A gastrite erosiva pode causar úlceras ou erosões no revestimento do estômago que podem sangrar. Os sinais de sangramento no estômago são: sangue no vômito, fezes pretas ou como alcatrão (piche), sangue nas fezes. 



Além da gastrite diagnosticada, existe a Subclínica, que está presente no dia a dia do indivíduo, que vai “levando” este incômodo estomacal a base de remédios popularmente conhecidos. Contudo, não é certo ingerir qualquer tipo de medicamento sem conhecimento médico. O uso contínuo de antiácidos mascara os sintomas da gastrite e desconfortos gástricos, lesionando aos poucos a mucosa estomacal, podendo ocasionar efeitos colaterais mais severo de médio a longo prazo. Além de que, a absorção de alguns nutrientes é prejudicada.                                                     
Gastrite nervosa é quando a pessoa sente dores e depois de feitos todos os exames não é encontrado nada e está relacionada com a dispepsia funcional (distúrbio no aparelho digestivo, dificultando a digestão dos alimentos) e o refluxo (retorno do ácido gástrico do estômago para o esôfago), ocorrendo defeito na válvula que tem a função de controlar a passagem dos alimentos de um órgão para o outro, causando assim muita azia e queimação no estômago que, em ambos os casos, podem surgir por diversas situações estressantes do nosso dia a dia.
O que causa gastrite?
A causa mais comum de gastrite erosiva, aguda e crônica, é o uso prolongado de anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) como aspirina e ibuprofeno. Outros agentes que podem causar gastrite erosiva são o álcool, cocaína e radiação. Lesões traumáticas, queimaduras graves, doença crítica e cirurgia também podem causar gastrite erosiva aguda. Este tipo de gastrite é chamado gastrite de estresse.                                              
As causas menos comuns de gastrite erosiva e não erosiva são: doenças autoimunes, em que o sistema imunológico ataca as células saudáveis no revestimento do estômago, algumas doenças e desordens do aparelho digestivo como doença de Crohn e anemia perniciosa, viroses, parasitas, fungos e bactérias diferentes do H. pylori.                              
Crises ocorrem muito frequentemente após ingestão de alimentos específicos para os quais o indivíduo já tem sensibilidade aumentada, comer muito rapidamente, além do excesso de consumo de álcool e tabaco.
Complicações da gastrite
A maioria das formas de gastrite crônica inespecífica não causam sintomas. No entanto, a gastrite crônica é um fator de risco para úlcera péptica, pólipos gástricos e tumores gástricos benignos e malignos. Algumas pessoas com gastrite crônica pelo H. pylori ou gastrite autoimune desenvolvem gastrite atrófica. A gastrite atrófica destrói as células do revestimento do estômago que produzem ácidos digestivos e enzimas. A gastrite atrófica pode levar a dois tipos de câncer: o câncer gástrico e o linfoma do tecido linfoide associado à mucosa gástrica (linfoma MALT).
Diagnóstico da gastrite
O exame mais importante para o diagnóstico de gastrite é a endoscopia com uma biópsia do estômago.
Outros exames utilizados para identificar a causa da gastrite ou complicações são os seguintes:
● Seriografia contrastada de esôfago, estômago e duodeno: O paciente engole bário, um material de contraste líquido que faz com que o sistema digestivo seja visível aos raios-x. Imagens de raios x podem mostrar alterações no revestimento do estômago, tais como erosões ou úlceras. Raramente utilizado na atualidade.
● Exame de sangue: O médico pode verificar se há anemia, uma condição na qual a substância do sangue rico em ferro, a hemoglobina, está diminuída. A anemia pode ser um sinal de hemorragia crônica no estômago.
● Exame de fezes: Este teste verifica a presença de sangue nas fezes, outro sinal de sangramento no estômago.
● Exames para infecção pelo H. pylori: O médico pode solicitar teste respiratório, no sangue ou fezes para detectar sinais de infecção. A infecção pelo H. pylori também pode ser confirmada com biópsias do estômago durante a endoscopia.
Tratamento
O tratamento medicamentoso consiste em fármacos que reduzem a quantidade de ácido no estômago com a finalidade de aliviar os sintomas que porventura acompanhem a gastrite e promova a cura do revestimento do estômago. Estes medicamentos são geralmente: antiácidos, bloqueadores H2 da histamina e inibidores da bomba de prótons (IBPs). Cuidado com o uso prolongado desses remédios que podem ser prejudiciais ao estômago, dificultando a absorção de nutrientes como B12, ferro, ácido fólico e zinco, além de estar relacionado com câncer de estômago.

O tratamento nutricional é basicamente igual independente do tipo de gastrite. Devem ser evitados alimentos irritantes e estimulantes de secreção gástrica, recuperação da mucosa gástrica, evitar o avanço das lesões e proteger a mucosa gástrica.
● A alimentação deve ser feita em ambientes calmos e a mastigação lenta, para facilitar a digestão;
● Fracionamento de cinco a seis refeições diárias, não ficar mais de 3 horas em jejum;
● Os alimentos devem ser mais abrandados, ou seja, bem cozidos e ingeridos em temperatura morna para que proporcionem uma digestão mais facilitada e recuperação da mucosa gástrica.
● Água e chás e água de coco natural é essencial. Usar os chás de espinheira santa, camomila, erva doce, gengibre ajudam o tratamento e aliviam os sintomas;
● Frutas ou sucos de frutas, só devem evitar as frutas ácidas, aqueles que têm sensibilidade, não é regra;
● Bebidas vegetais: arroz, aveia, castanhas, coco, amêndoas, inhame;
● Consumir uma alimentação mais alcalina, rica em verduras, legumes, sucos verdes (couve, espinafre, limão, gengibre), cereais integrais, tubérculos (batata doce, mandioca, inhame, batata, beterraba, cenoura, abóbora); 

● Consumir gorduras boas - com ação anti-inflamatória: provenientes de peixes, sementes, azeite de oliva e óleo de coco;
● Carnes magras desfiadas, picadas, moídas, ensopadas, cozidas, assadas, grelhadas e de preferência brancas;
● Promoção de uma microbiota saudável.
Alimentos a serem evitados
Todos os alimentos que possam causar desconforto gástrico e assim retirá-los da alimentação, entre eles destacam-se:
● Condimentos (pimenta-do-reino e a vermelha);
● Álcool, refrigerantes e doces carboidratos refinados (farinha de trigo, açúcares);
● Alimentos estimulantes, como café, chá mate, chá preto, chocolate;
● Temperos industrializados, como caldo de carne, maionese, molho tártaro, extrato ou molho de tomate, molho de soja (shoyo), molho inglês, molho de salada;
● Linguiça, salsicha, patês, salame, mortadela, presunto, bacon, carne de porco, carnes gordas, alimentos enlatados e em conserva;
● Alimentos gordurosos e frituras em geral;
● Doces concentrados (goiabada, marmelada, doce de leite, cocada, pé de moleque, geleia, compotas);
● Leite e derivados;
● Goma de mascar;
● Devem ser excluídos os alimentos alergênicos ou intolerantes, de acordo com a avaliação individual.

Texto elaborado por: Dra. Roseli Lomele Rossi - CRN 2084
Nutricionista formada pelas Faculdades Integradas São Camilo (CRN 2084 /1983), com título de Especialista em Nutrição Clínica concedido pela ASBRAN - Associação Brasileira de Nutrição. Pós Graduada nos cursos de especialização de Planejamento, Organização e Administração de Serviços de Alimentação; Fitoterapia Aplicada à Nutrição Funcional e Nutrição Ortomolecular com Extensão em Nutrigenômica. 
É Diretora da Clínica Equilíbrio Nutricional e autora dos Livros: "Saúde & Sabor com Equilíbrio" - Receitas Infantis, “Saúde & Sabor com Equilíbrio” – Receitas Diet e Light Volumes I e II, Colaboradora do livro Nutrição Esportiva – Aspectos relacionados à suplementação nutricional e autora do Livro “As Melhores Receitas Light da Clínica Personal Diet”.
As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.
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