sexta-feira, 20 de junho de 2014

Gota

    A gota é uma doença reumatológica caracterizada pelo aumento sanguíneo nos níveis de ácido úrico (hiperuricemia). Em geral, quando o organismo decompõe os produtos de excreção das purinas, produz normalmente o ácido úrico, que passa pelo sangue e posteriormente pelo rim para ser eliminado na urina. Em pacientes com gota, não ocorre a excreção do ácido úrico adequadamente, ocorrendo um acúmulo de sua concentração no sangue.

        O ácido úrico é um ácido fraco que existe largamente como urato, a forma ionizada, em pH fisiológico. A quantidade de urato no organismo é o resultado do balanço entre a ingesta dietética, a síntese endógena e a taxa de excreção. A hiperuricemia pode ser o resultado da redução da excreção de ácido úrico (85% a 90%) ou do aumento da produção (10% a 15%). Mesmo em indivíduos cuja excreção diária de ácido úrico esteja acima do normal (hiperprodutores), pode ocorrer redução relativa na eliminação renal do ácido úrico, ou seja, tanto a hiperprodução quanto a hipoexcreção contribuiriam para a hiperuricemia.



                              Fonte: Pinheiro, 2008.

A hiperuricemia é geralmente definida como um nível de ácido úrico no sangue superior a 7,0 mg/dL para homens e superior a 6,0 mg/dL em mulheres. Com o aumento da concentração de ácido úrico no sangue, ocorre a deposição de cristais de ácido úrico nos tecidos, principalmente nas articulações e tecidos circundantes (borda externa da orelha, cotovelo, dedão do pé, dedos das mãos) produzindo o quadro de gota, causando inflamação e consequentemente dor e inchaço.

Esse acúmulo pode causar inflamação nos tecidos articulares e levar a sintomas crônicos da artrite, havendo também a possibilidade de se desenvolverem cálculos renais de ácido úrico e, mais tardiamente, doença renal, devido à sobrecarga da função renal. Porém, a hiperuricemia pode desenvolver-se independentemente à gota.

O nível elevado de ácido úrico tem sido considerado um importante marcador para fatores de risco de doenças cardiovasculares e síndrome metabólica. A hiperuricemia está frequentemente presente nas mesmas condições clínicas que se associam a resistência à insulina. As causas mais comuns de hiperuricemia são os excessos alimentares, ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, sedentarismo, sendo a obesidade um fator fortemente associado.

As estratégias nutricionais para a redução dos níveis de ácido úrico baseiam-se na perda de peso (caso o indivíduo se encontre em sobrepeso/obesidade), redução do consumo de alimentos ricos em purinas, aumento da ingestão hídrica e aumento da ingestão de alguns alimentos que estão associados com a redução dos níveis de ácido úrico.

Orientações:


- A hiperuricemia e a gota, geralmente, estão associadas com obesidade, hipertensão, dislipidemia, aterosclerose e intolerância à glicose (síndrome metabólica). Assim sendo, a orientação deve contemplar mudanças de hábitos de vida e informações precisas sobre dieta e consumo de bebidas alcoólicas;

- Os alimentos ricos em purinas, que devem ser evitados, são carne vermelha, vísceras (fígado, coração, língua e rins), alguns peixes e frutos do mar. Estudos demonstram que a ingestão de vegetais ricos em purinas (ervilhas, feijões, lentilhas, espinafre e couve-flor) não está associada com a hiperuricemia. Além disso, legumes como cenoura e a ingestão de cogumelos estão associados com a diminuição dos níveis de ácido úrico. Zhang e colaboradores observaram que o consumo elevado de alimentos de origem animal, frituras e refrigerantes estão fortemente associados com a hiperuricemia. Outros pesquisadores sugerem que a ingestão de produtos lácteos com baixo teor de gordura, vegetais ricos em purinas, grãos integrais, nozes, legumes, frutas, café e suplementos de vitamina C contribuem para a redução dos níveis de ácido úrico;

- É importante "negociar" com o paciente que faz uso de bebida alcoólica quanto ao momento de consumi-la, a quantidade e o tipo de bebida. Fazer uso de bebidas alcoólicas durante ou logo após um episódio agudo pode prolongá-lo ou reduzir o intervalo de recidiva. Após o controle adequado de uma crise aguda, a ingestão de uma quantidade moderada (por exemplo, uma taça de vinho ao dia) pode ser permitida. O uso de cerveja, principalmente em grandes quantidades, deve ser formalmente evitado;

- Líquidos como água e sucos devem ser ingeridos à vontade (mais de três litros por dia). Isso facilita a excreção de ácido úrico e minimiza a possível formação de cálculos;

- Quanto à hiperuricemia propriamente dita, é suficiente enfatizar a necessidade de se restringir alimentos ricos em purinas de origem animal. Alimentos ricos em purinas de origem vegetal não precisam nem devem ser evitados e o consumo de laticínios com baixo teor de gordura deve ser estimulado;

- A dieta não pode ser de muito baixa caloria e não deve haver jejum prolongado, pois ambos podem aumentar os níveis de ácido úrico no sangue devido à acidose metabólica e pelo estado de hidratação do compartimento do líquido extracelular, influenciando a reabsorção tubular de íons filtrados e de ácido úrico;

- Medicamentos, quando receitados, devem ser seguidos por todo o tempo recomendado, pois podem ter efeito incompleto se interrompidos;

- Quando presentes, tanto o tabagismo quanto o sedentarismo devem ser evitados. A orientação dietética deve ter como prioridades o controle do peso corporal, da pressão arterial sistêmica e das eventuais alterações metabólicas presentes, como a intolerância à glicose e a dislipidemia.

Alimentos com alto teor de purinas
Alimentos com médio teor de purinas
Alimentos com baixo teor de purinas
Carnes: vitela, bacon, cabrito, carneiro ou ovelha, embutidos.
Carnes: vaca, frango, porco, coelho e presunto.
Leite, chá, café, chocolate, queijos magros, ovos cozidos, manteiga e margarina.
Miúdos: fígado, coração, língua, rim e miolos.
Peixes e frutos do mar: camarão, ostra, lagosta, caranguejo.
Cereais e farináceos: pão, macarrão, sagu, fubá, mandioca, araruta, arroz branco e milho.
Peixes e frutos do mar: sardinha, salmão, truta, bacalhau, arenque, anchova, ovas de peixe, mexilhão, marisco.
Leguminosas: feijão, soja, grão-de-bico, ervilha, lentilha, aspargos, cogumelos, couve-flor e espinafre.
Vegetais: couve, repolho, alface, acelga, agrião, radiche.
Aves: galeto, peru, pombo e ganso.
Cereais integrais: arroz integral, trigo em grão, centeio e aveia.
Doces e frutas de todos os tipos, incluindo todos os sucos.
Bebidas alcoólicas de todos os tipos.
Oleaginosas: nozes, amendoim, castanha, pistache, avelã.

Tomates e extrato de tomate.


Caldos de carnes e molhos prontos.


Fermento de pães.

                      Benvenutri
Fonte: Salgado, JM. 2004.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.
Referências Bibliográficas:

Brocanelli, AM. O que é gota? Disponível em: www.nutrociência.com.br Acessado em: 09/06/2014.

Castro, RCB. Quais são as estratégias nutricionais na hiperuricemia (níveis altos de ácido úrico no sangue)? Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em: 09/06/2014.

Cruz, Boris Afonso. Gota. Rev. Bras. Reumatol., Dez 2006, vol.46, no.6, p.419-422.

Gota. Sociedade Brasileira de Reumatologia. Disponível em: www.reumatologia.com.br Acessado em: 09/06/2014.

Marques, CG. O que é e quais os cuidados nutricionais que devem receber os pacientes com gota? Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em: 09/06/2014.

Pinheiro, GRC. Revendo a orientação dietética na gota. Rev Bras Reumatol 2008; v. 48, n.3: p. 157-161.

Salgado, JM. Pharmacia de Alimentos. 1. ed. São Paulo: Madras, 2004.


Zhang M, Chang H, Gao Y, Wang X, Xu W, Liu D, et al. Major dietary patterns and risk of asymptomatic hyperuricemia in Chinese adults. J Nutr Sci Vitaminol (Tokyo). 2012; v.58, n.5: p. 339-45.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Chá Verde

O chá é uma bebida amplamente utilizada, apresentando um consumo mundial per capita de, aproximadamente, 120mL/dia, perdendo apenas para a água como a bebida mais consumida no mundo. Dependendo do nível de fermentação ou oxidação, o chá proveniente das folhas da Camellia sinensis pode ser categorizado em três tipos: chá verde, o qual não sofre fermentação durante o processamento e deste modo retém a cor original de suas folhas, sendo amplamente consumido em países da Ásia; o chá oolong o qual é parcialmente fermentado, resultando em um chá verde-preto, tendo sua produção e o consumo acentuados na China; e o chá preto, cujo processo de fermentação é maior do que o do chá oolong, contribuindo assim para uma coloração escurecida, além de lhe conferir sabor característico.

            O chá verde contém componentes polifenólicos, que incluem flavonóis, flavonoides e ácidos fenólicos, que totalizam cerca de 30% do peso seco das folhas. A maioria dos polifenóis do chá verde se apresentam como flavonóis, e dentre estes, predominam as catequinas. As principais catequinas do chá verde são: epicatequina (EC), 3-galato de epicatequina (GEC), epigalocatequina (EGC) e 3-galato de epigalocatequina (GEGC).


                                Fonte: Lamarão & Fialho, 2009.

Uma típica bebida de chá verde, preparada em uma proporção de 1 grama de folhas para 100mL de água por 3 minutos de fervura, geralmente, contém cerca de 35-45 mg/100mL de catequinas e 6 mg/100mL de cafeína, dentre outros constituintes. Estimou-se que uma xícara de 240mL de chá verde contém cerca de 200mg de GEGC, o maior constituinte polifenólico do chá verde.

As catequinas são flavonóides que auxiliam contra diversos tipos de câncer, pois agem varrendo os radicais livres que oxidam as células no nosso organismo. Estas substâncias favorecem ainda a remineralização óssea, sendo ótima para evitar osteoporose; outros benefícios são atividade antibacteriana (atua contra diversas bactérias), antivirótica (age contra diversos tipos de vírus), antifibrótica (age contra o endurecimento das artérias e de outras fibras ligadas a diversos órgãos, auxiliando também como anti-inflamatório) e neuroprotetora (protege os neurônios contra o envelhecimento precoce e contra sua perda), além de ser excelente fonte de antioxidantes no combate ao envelhecimento precoce de maneira geral.

Câncer

      O consumo de chá tem-se mostrado prática protetora contra agentes químicos indutoras de carcinoma (câncer) no estômago, pulmão, esôfago, duodeno, pâncreas, fígado, mama, cólon. Vários derivados de epicatequina presentes nos chás verdes têm mostrado atividade em reduzir e impedir a formação de tumores cancerígenos. O mais ativo deles é a epicatequina-3-galato (EGCG). Embora os mecanismos dos efeitos quimiopreventivos do chá não estejam completamente esclarecidos, várias teorias têm sido propostas. Essas propriedades dos polifenois dos chás exibem efeito quimiopreventivo contra agentes de iniciação, promoção e progressão no desenvolvimento dos cânceres.

        Parece que as substâncias presentes no chá verde, principalmente a EGCG, evitam o sangramento de tumores de pele, impedem o aparecimento de lesões cancerosas no estômago, ajudam no tratamento do câncer de intestino e desestimulam a proliferação das células cancerígenas do pulmão.

       As catequinas e outros bioflavoides exibem atividade antioxidante semelhante à das vitaminas C e E, que também demonstram reduzir o risco de certos tipos de câncer, quando administradas como suplementos ou constituem naturalmente parte importante da alimentação.

Obesidade


Entre uma variedade de efeitos benéficos do chá verde, grande atenção tem sido dada à redução da gordura corporal. Evidências sugerem que o extrato do chá verde contendo 25% de epigalocatequina (GEGC) possa reduzir o apetite e aumentar o catabolismo de gorduras. As doses de chá verde que surtem tais efeitos variam largamente, mas tipicamente ficam em torno de 3 copos por dia, equivalente a, aproximadamente, 240 a 320mg de polifenois.

Alguns autores estudaram o efeito do chá verde no conteúdo de gordura e de proteína corporal, na ingestão alimentar, na digestibilidade e na energia despendida em ratos que foram alimentados com uma dieta hiperlipídica (30% de gordura). Os autores também avaliaram se os efeitos do chá estavam associados à ativação do β-adrenoreceptor e da termogênese no tecido adiposo marrom. Um dos grupos experimentais que recebeu alta concentração de gordura na sua dieta associada ao extrato aquoso de chá verde (ECV) na concentração de 20g/kg de dieta preveniu o incremento no ganho da gordura corporal sem afetar a ingestão energética e o peso corporal, quando comparado com o grupo controle, que recebeu dieta normolipídica. A administração simultânea de propranolol, um antagonista de β-adrenoreceptor, na concentração de 500mg/kg de dieta, inibiu o efeito supressor do chá verde em relação à gordura corporal e ao conteúdo protéico no tecido adiposo marrom. O autor concluiu que o efeito inibidor promovido pelo chá verde no ganho de gordura corporal em ratos com dieta contendo alto teor de gordura foi resultante, em parte, da redução na digestibilidade e do incremento da termogênese e do conteúdo proteico no tecido adiposo marrom pela ativação do β-adrenoreceptor.

Em estudo semelhante, investigou o efeito das catequinas do chá verde no metabolismo lipídico, no status antioxidante e no excesso de massa corporal em ratos durante a administração de uma dieta hiperenergética por 7 semanas. Um dos grupos experimentais recebeu as catequinas na quarta semana de experimento e ao final do tratamento esse grupo apresentou diminuição na concentração de colesterol total, triglicerídeos, LDL (lipoproteína de baixa densidade) e de gordura visceral.

Estilo de vida saudável, associado a uma dieta adequada, prática de exercícios físicos, abstinência de bebidas alcoólicas e do tabaco, podem combater a doença além de contribuírem para a melhora da qualidade de vida. Além disso, o consumo de certos alimentos funcionais, que produzem efeitos metabólicos, fisiológicos e benéficos à saúde parece ser muito útil no controle do peso. Enquanto alguns desses alimentos são capazes de promover saciedade, caso das fibras, outros possuem ação termogênica e aumentam a oxidação de gorduras, como é o caso do chá verde.

Doenças Cardiovasculares

            A presença dos antioxidantes naturais parece conferir o segundo principal benefício do chá verde, que é a probabilidade de redução do desenvolvimento da doença arterial coronária. A oxidação das lipoproteínas de baixa densidade (LDL) é uma das causas importantes no desenvolvimento da doença coronária.

            Alguns estudos realizados em animais, sobre a oxidação lipídica, revelaram que certas catequinas são cerca de 10 vezes mais eficazes, como antioxidantes, do que a vitamina E. Os flavoides existentes no chá verde também demonstraram, em experiências laboratoriais, limitar a peroxidação potencialmente prejudicial das LDL. Também existem provas de que as catequinas existentes no chá verde poderão reduzir o aumento da taxa de colesterol e, em particular, do colesterol LDL, quando é administrada aos animais experimentais dieta rica em gorduras.

Dica:

► Calcule uma colher rasa do chá verde para cada xícara de água fervendo. Deixe-o em infusão por 4 a 8 minutos, tempo necessário para os princípios ativos passarem para a água.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Referências Bibliográficas:

Cardoso, GA. Chá verde: uma planta milenar a favor da saúde. Disponível em: www.alimentofuncional.webnode.com Acessado em: 02/06/2014.

Cardoso, GA. Efeito do consumo de chá verde aliado ou não ao treinamento de força sobre a composição corporal e a taxa metabólica de repouso em mulheres com sobrepeso ou obesas. [Dissertação de Mestrado] Universidade de São Paulo – USP, 2011.

Chá verde é aliado na perda de peso e gordura corporal. Disponível em: www.usp.br Acessado em: 04/06/2014.

Grenteski, J. Chá verde na prevenção do câncer. Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em: 02/06/2014.

Lamarão, RC; Fialho, E. Aspectos funcionais das catequinas do chá verde no metabolismo celular e sua relação com a redução da gordura corporal. Rev Nutr 2009; v.22, n.2: p. 257-269.

Resende, FCP; Cordeiro, R; Navarro, F. O Papel do chá verde na alteração da composição corporal de indivíduos obesos sedentários. Rev Bras Nutr Esportiva 2009; v.3, n. 18: p. 529-536.


Salgado, JM. Faça do alimento o seu medicamento. 7. ed. São Paulo: Madras, 2004. p.51-53.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Futebol

            O futebol é hoje um dos esportes mais popular em todas as nações, sem exceção. É uma modalidade esportiva que consiste em exercícios intermitentes de intensidade variável. Aproximadamente 88% de uma partida de futebol envolve atividades aeróbias, e os 12% restantes, atividades anaeróbias de alta intensidade.

            As necessidades energéticas de um jogo de futebol dependem da posição que o jogador desempenha, da distância percorrida e do estilo de jogo.

           Os jogadores de futebol devem seguir uma dieta que contenha uma quantidade de calorias adequada e permita tanto a manutenção do peso corporal, quanto o fornecimento de calorias suficientes, para atender a demanda de treinos e jogos. Este gasto diário médio está entre 3.150 e 4.300kcal.

        A quantidade e a qualidade do treinamento são fatores que influenciam o gasto energético do jogador. Um jogador de 75kg gasta, durante o treinamento, 1.360kcal e tem uma captação máxima de oxigênio de 60 a 67mL/kg de peso/minuto, valor este 10mL/kg de peso/minuto superior ao valor encontrado em indivíduos sedentários e 10mL/kg de peso/minuto menor daqueles encontrados nos atletas de resistência.

            O consumo apropriado de carboidrato é fundamental para a otimização dos estoques iniciais de glicogênio muscular, a manutenção das concentrações da glicose sanguínea durante o exercício e a adequada reposição das reservas de glicogênio na fase de recuperação. O reparo e o crescimento muscular e a relativa contribuição no metabolismo energético são exemplos que confirmam a relevância do adequado consumo proteico para indivíduos envolvidos em treinamento físico diário. Os lipídios participam de diversos processos celulares de especial importância para atletas, como o fornecimento de energia para os músculos em exercício, a síntese de hormônios esteroides e a modulação da resposta inflamatória.

Carboidratos

        Através da dieta, os carboidratos tornam-se disponíveis para o nosso organismo. Após o processo de digestão são armazenados em forma de glicogênio muscular e hepático e sua falta leva a fadiga. O glicogênio muscular e o hepático exercem papel fundamental na produção de energia durante o exercício intermitente, e a fadiga (incapacidade de manutenção em uma determinada potência, causando uma redução no desempenho) está frequentemente associada à depleção de seus estoques, sendo a exaustão evitada na presença de concentrações adequadas do mesmo.

A ingestão diária de carboidrato é importante pelo fato de os estoques de carboidrato no organismo serem limitados e, além disso a sua disponibilidade como substrato energético durante o exercício é fator que pode limitar o desempenho.

Exercícios intermitentes de alta intensidade podem reduzir o conteúdo de glicogênio muscular em 72% em menos de 10 minutos.

O consumo de carboidratos antes do exercício exerce papel fundamental nos estoques de glicogênio. O aumento da ingestão para aproximadamente 10 g por kg de massa corporal nos dias que antecedem uma competição promove aumento dos estoques de glicogênio muscular e está associado com aumento da performance em eventos com duração > 90 minutos. O aumento da concentração de glicogênio muscular pré-exercício é uma das explicações para o aumento do desempenho.

A ingestão de carboidratos durante o exercício, visando aumento da performance, deve ocorrer preferencialmente em exercícios com duração > 90 minutos e intensidade > 70% VO2 máx. Uma suplementação com carboidratos que forneça de 40 a 65 g de carboidratos por hora mantém a concentração sanguínea de glicose e, positivamente, influencia sobre o desempenho. A ingestão de glicose, sacarose e maltodextrina durante o exercício apresentam efeitos positivos sobre o desempenho. As taxas de oxidação de carboidratos exógenos (como maltose, sacarose e maltodextrina) são comparáveis às da glicose. A taxa máxima de oxidação desse carboidrato em particular é de cerca de 1,0 a 1,2 g/min. Isto significa que atletas devem ingerir aproximadamente 60 a 70 g de carboidratos por hora para um ótimo aproveitamento desse nutriente.

O consumo de carboidratos pós exercício tem sido associada à reposição dos estoques de glicogênio. Resultados a partir de estudos que tem monitorado o estoque de glicogênio muscular após 24 horas de recuperação, a partir de uma sessão de exercícios capaz de depletar os estoques de glicogênio, demonstram que há uma relação direta e positiva entre a quantidade de carboidrato da dieta e o estoque de glicogênio pós exercício, ao menos até que a capacidade máxima de estoque muscular tenha sido alcançada. A mais alta taxa de síntese de glicogênio muscular tem sido reportada quando grandes quantidades de carboidrato (1,0 a 1,85 g/kg/h) são consumidas imediatamente após o exercício, em intervalos de 15 a 60 minutos, e por até cinco horas pós-exercício. O retardo da ingestão de carboidrato por diversas horas pós exercício pode acarretar em diminuição de cerca de 50% na taxa de síntese de glicogênio muscular.

A ingestão de carboidratos pode ser dividida com base na intensidade do treino e individualizar por gramas/kg de peso/dia. Aqueles atletas que treinam de cinco a seis horas por dia numa intensidade moderada a intensa devem consumir de 10 a 12 g de carboidrato/kg/dia; dentro do mesmo intervalo de intensidade, porém com duração entre uma hora e meia e cinco horas, a ingestão deve ser entre 7 a 10g/kg/dia; e uma a quatro horas de treino leve a moderado exigem 5 a 7 g/kg/dia. Esses valores absolutos acabam totalizando 500 a 600 g de carboidratos por dia e ocupando 60 a 70% do valor energético total (VCT) da dieta dos atletas.

Proteínas

       As necessidades proteicas de um atleta são maiores do que as de um indivíduo sedentário por causa do reparo de lesões induzidas pelo exercício nas fibras musculares, do uso de pequena quantidade de proteína como fonte de energia durante a atividade e, do ganho de massa magra.

Sabe-se que a recomendação proteica aumenta em até 100% para pessoas fisicamente ativas e, esta recomendação é influenciada por fatores como ingestão energética, disponibilidade de carboidrato, intensidade, duração e tipo de exercício realizado, qualidade da proteína ingerida, sexo e idade.

A ingestão de 1,4 a 1,7 g/kg de peso corporal ou 12 a 15% é considerada adequada para jogadores de futebol. Quantidades maiores geram elevação na oxidação ou estocagem do esqueleto carbônico dos aminoácidos na forma de gordura, em ambos os casos aumentando a formação de ureia. A oxidação de aminoácidos aumenta o risco de desidratação devido a necessidade da diluição dos seus metabólitos excretados pela urina. Sabe-se que cada grama de ureia excretada leva consigo cerca de 100 ml de água.

Lipídios

          Os lipídeos são considerados importantes fontes de energia para a realização da atividade física. Durante o exercício, a gordura é a principal fonte de energia juntamente com o carboidrato. Para os atletas, a presença da gordura na dieta é importante para atingir o total energético necessário e poupar o glicogênio muscular.

Os ácidos graxos provenientes da dieta podem seguir imediatamente três caminhos após a ingestão: serem diretamente metabolizados para gerarem energia, armazenados para posterior utilização ou incorporados nas estruturas das células. Além de apresentarem a maior reserva e o mais eficiente substrato em termos de fornecimento absoluto de energia, os lipídios juntamente com os carboidratos estabelecem uma relação conhecida como ciclo glicose-ácidos graxos, ou seja, uma interação entre os carboidratos e lipídios.

Segunda a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, 2003, as necessidades lipídicas de um atleta são semelhantes às de um adulto normal, ou seja, cerca de 1 g de gordura por kg/peso corporal, o que significa 30% do valor calórico total (VCT) da dieta. O consumo inferior a 20% do valor calórico total não favorece o desempenho do atleta. A parcela de ácidos graxos essenciais deve ser de 8 a 10 g/dia sendo, 10% de saturados, 10% de polinsaturados e 10% de monoinsaturados.

Vitaminas e Minerais


            A atividade física aumenta a necessidade no consumo de alguns destes nutrientes, o que pode ser facilmente atingido através de uma dieta adequada. Portanto, a deficiência de um ou mais micronutrientes pode prejudicar tanto o desempenho aeróbio quanto o anaeróbio.

Os atletas podem atender às suas necessidades vitamínicas e de minerais através do consumo de uma dieta adequada. Mudanças na distribuição dos macronutrientes da dieta podem resultar em um aumento da ingestão de micronutrientes.

A suplementação com vitaminas e minerais é uma prática bastante comum entre os atletas visando melhorar seus desempenhos, porém esta suplementação não é maior do que em indivíduos sedentários.

Não há evidências científicas de que a suplementação tenha efeito ergogênico. No entanto, a suplementação pode ser útil quando houver necessidade de compensar dietas deficitárias devido ao estilo de vida, assegurar as demandas de certos nutrientes devido ao treinamento intenso, corrigir alguma suposta inadequação nutricional, e, atender às recomendações Geralmente, a utilização de suplementos nutricionais é usada para compensar uma dieta inadequada e atender às recomendações induzidas pelo treinamento intenso.

O uso de suplementação indiscriminadamente pode ser prejudicial e resultar em desequilíbrios nutricionais. A suplementação não melhora o desempenho em indivíduos com níveis bioquímicos normais de vitaminas e minerais, e/ou, em indivíduos que consomem dieta adequada.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Barreto, FS; Bassani, L; Liberali, R; Navarro, F. Futebol e Macronutrientes. Rev Bras Nutri Esportiva 2009; v.3, n.15: p. 241-248.

Guerra, I. Futebol. In: p.49-86. Biesek S, Alves LA, Guerra I. Estratégias de nutrição e suplementação no esporte. Barueri,SP: Manole, 2005. p.366-384.

Guerra, IPLR; Neto, TB; Tirapegui, J. Necessidade dietéticas de jogadores de futebol: uma revisão. Rev Soc Bras Alim Nutr 2004; v. 28, p: 79-90.


Guerra, I; Tirapegui, J. Nutrição no Futebol: Aspectos Nutricionais e Fisiológicos. Nutrição, Metabolismo e Suplementação na Atividade Física. 1 ed. Editora Atheneu, 2005; p. 269-277.