quarta-feira, 20 de abril de 2016

Nutrição X Tabagismo



O fumo é fator de risco para as quatro principais causas de morte em todo o mundo: doença cardíaca e pulmonar obstrutiva crônica, câncer e acidente vascular cerebral (AVC).

O cigarro é composto por aproximadamente nove a 17mg de nicotina de 800mg de tabaco por cigarro, além de outros 3.000 ingredientes. Sua fumaça produz gases como nitrogênio, dióxido de carbono, metano, entre outros. Além de produzir um composto de substâncias químicas como o alcatrão, que é carcinogênica, numa proporção de 17 a 40mg por unidade. Estudos ainda encontraram 20,9mg de mercúrio por cigarro, substância altamente tóxica.

Portanto, você tem todos os motivos para acabar com o hábito de fumar! Porém, o fato de a nicotina causar dependência química no organismo torna a cessação do tabagismo uma tarefa difícil.

Vejamos primeiro qual é o mecanismo de atuação de dependência da nicotina no corpo:

A nicotina atua principalmente no sistema nervoso central. No cérebro ela age nos receptores nicotínicos da acetilcolina e promove excitação neuronal e maior liberação de neurotransmissores. Na medula, inibe os reflexos espinhais e causa relaxamento do músculo esquelético.

Os efeitos neuroquímicos da nicotina incluem a liberação de dopamina, noradrenalina e serotonina, semelhantes aos efeitos de alguns antidepressivos e por isso alguns fumantes revelam que fumar ajuda a aliviar o estresse e a depressão.

Neste sentido a nutrição pode auxiliar na cessação do tabagismo no sentido de modulação do estresse, ansiedade e depressão reduzindo os efeitos negativos da abstinência.

Com relação à serotonina, hormônio “da felicidade”, sabe-se que o aminoácido triptofano é precursor deste hormônio, sendo um componente importante desta molécula. Estudos mostram que o consumo aumentado estimula a produção da serotonina, assim, é importante incluir na dieta banana, feijão e oleaginosas como castanhas, nozes e amendoins e a aveia.

Na produção deste hormônio as vitaminas do complexo B são essenciais e podem ser encontradas com o consumo de vegetais verde-escuros, ovos, castanhas, cereais integrais (aveia, trigo integral, quinoa) e leguminosas (feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico). O consumo de frutas como banana, abacate, uva, ameixa e pêssegos e carnes deve ser diário.

É interessante também modular o cortisol, hormônio marcador do estresse, com o consumo de ômega 3. Estudo demonstrou que a suplementação de 2,5 g de ômega 3 reduziu 20% da ocorrência de ansiedade nos participantes. As fontes alimentares de ômega 3 são peixes como o salmão, a sardinha, o atum e a truta e as fontes vegetais (em forma de ALA) são a chia, a linhaça e vegetais como brócolis e couve.

Outros nutrientes que auxiliam substituindo a função da nicotina são o zinco, com efeito antidepressivo e o magnésio com efeito relaxante da musculatura. Presentes em frutos do mar, carnes, gérmen de trigo, grãos integrais, legumes e hortaliças, frutas, entre outros. A vitamina D também é um importante modulador do humor, a maior fonte são os raios solares sem uso de filtro, suplementos, óleo de fígado de bacalhau, óleo de salmão e peixes.

Alguns fitoterápicos possuem efeitos na modulação do humor, podemos utilizar de exemplo a Griffonia simplicifolia, que contém mais de 90% de 5-hidroxitriptofano; a L-theanina que atua equilibrando o metabolismo da dopamina e serotonina; a Melissa oficinalis que é calmante e ajuda a relaxar; a Passiflora incarnata (maracujá) que controla a ansiedade; a Rhodiola rosae auxilia na tolerância ao estresse e equilibra o metabolismo de dopamina e serotonina; entre outros. Estes devem ser prescritos por profissionais habilitados, como nutricionistas especializados em fitoterapia ou médicos.

Saiba que os vilões do humor são a cafeína e o açúcar, principalmente refinado, portanto fique o mais longe possível destes. E não adianta querer substituir o cigarro por doces, pois além de facilitar o ganho de peso prejudica o metabolismo da serotonina e tem o mesmo poder viciante.

Quer parar de fumar? Procure a ajuda de profissionais habilitados que possam auxiliar neste processo!



As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Referências Bibliográficas:

A nutrição como aliada no combate ao tabagismo. Instituto Ana Paula Pujol. Disponível em: www.institutoanapaulapujol.com.br Acessado em: 04/04/2016.

Araujo, A.J. et al . Diretrizes para Cessação do Tabagismo. J. bras. pneumol.,  São Paulo,  v. 30, supl. 2, p. S1-S76, Aug.  2004.

Cunha, G.H. et al. Nicotina e tabagismo. REPM. v.1, n.4, p.1-10, 2007.

Pujol, A.P. Manual de nutricosméticos: receitas e formulações para a beleza. Camboriú, SC: IEPN, 2014.

Cozzolino, S.M.F. Biodisponibilidade de nutrientes. 3 ed. Barueri, SP: Manole, 2009.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Efeito Sanfona




O número de pessoas que seguem regimes de emagrecimento vem aumentando segundo estatísticas internacionais, assim como as informações sobre a alimentação saudável e prática de exercícios físicos, e, por incrível que pareça, o número de indivíduos que sofrem de obesidade ou sobrepeso segue a mesma evolução.

Quando se afirma que um regime não funciona, isso não significa que ele não faz emagrecer, mas sim que ele não permite a manutenção do peso obtido. Geralmente, 6 meses após uma dieta hipocalórica, grande parte das pessoas perde peso, mas muitos voltam a engordar progressivamente depois de 1 ou 2 anos. A maioria dos autores concorda que cerca de 90% das pessoas que perdem peso o recuperam entre 2 e 5 anos, e os mais otimistas falam de “somente” 75 a 80% de recaídas...  Mas por que isso acontece?????

Vamos retornar aos conceitos básicos sobre comportamento alimentar:

Por exemplo, um indivíduo cujo organismo gasta diariamente em média 2500 calorias e que a cada dia consumisse 25 calorias a mais, cometendo um “erro” de 1% na sua balança energética, veria seu peso aumentar 13 quilos depois de 10 anos. Podemos então concluir que as pessoas cujo peso é estável por longos períodos de tempo são capazes de ajustar seu consumo de alimentos, sem cometer um mísero engano de 1%.

Para demonstrar a insignificância desse pequeno “deslize”, consideremos que 25 calorias representam uma colher de chá de açúcar no cafezinho da manhã, ou 1 bolachinha doce sem recheio, ou ainda 1/3 de uma banana! E todos nós conhecemos várias pessoas que não engordaram 13 quilos em 10 anos, não é mesmo? Se durante todos esses anos, uma boa parte da população consegue manter o peso, podemos deduzir que essas pessoas não cometeram o minúsculo erro de adicionar 1 colher de açúcar ou equivalente em sua necessidade alimentar diária. Como é que eles conseguem? Como eles podem ser capazes de regular sua alimentação de forma tão minuciosa, sem variar nem 1% do valor calórico consumido em relação à energia gasta? Será que todas essas pessoas são “experts” em nutrição e metabolismo? Será que eles conhecem detalhadamente seus níveis de gasto e consumo energético? Seguramente não, pois não existe uma forma simples de medir esses mecanismos. Como eles fazem, então?

Eles simplesmente se deixam guiar por suas sensações alimentares. As únicas informações que essas pessoas têm são sua fome e saciedade. “Escutando” seu organismo, elas sabem sempre quando a comida é necessária e em que quantidade. Comer bem e normalmente não é questão de força de vontade, mas sim uma resposta ao nosso organismo, que sabe muito bem do que precisa, em que momento e em que quantidade.

As sensações alimentares resultam de diferentes sistemas de regulação do organismo. Eles envolvem a interação de sinais gastrintestinais, metabólicos e hormonais, que são interpretados no cérebro e causam a liberação de neuropeptídeos, que por sua vez inibem ou estimulam o consumo de alimentos. Esse sistema permite ao cérebro identificar a cada instante de quais nutrientes o organismo necessita e em que quantidade.

E por que, apesar de todo esse sistema, muitas pessoas que não apresentam alterações metabólicas ou na transmissão das sensações alimentares acabam engordando ou emagrecendo demais?

Bem, muitas vezes não são os sinais orgânicos que nos levam a agir, mas sim nossa percepção desses sinais. Existe uma série de fenômenos que podemos interpretar como sinais de fome. Podemos, por exemplo, confundi-la com uma vontade especifica, com a fadiga, a ansiedade, a cólera ou com qualquer outra emoção. O mesmo se aplica à saciedade. Uma vez que os sinais que percebemos não correspondem aos sinais que foram realmente emitidos pelo nosso organismo, a adequação entre consumo e gasto energético deixa de existir e a estabilidade ponderal não é mais garantida. O indivíduo pode então engordar.

Além disso, os fatores cognitivos, como a educação, a tradição, a religião e as crenças alimentares que adquirimos e aprendemos durante a nossa vida podem se sobrepor ao controle fisiológico da alimentação. Sabemos que os seres humanos são perfeitamente capazes de comer quando não estão com fome, motivados por ocasiões sociais, horários pré-estabelecidos, eventos gastronômicos, ou pela simples vergonha de recusar um alimento oferecido por um amigo. Somos também capazes de restringir o consumo alimentar, como nos casos dos regimes de emagrecimento. É isso mesmo, os regimes alimentares podem desregular nosso equilíbrio e o comportamento alimentar! Obedecendo a regras externas de consumo alimentar, deixaremos de dar importância às sensações orgânicas de fome e saciedade.

O fato de alternar fases de extremo controle da alimentação, baseadas em dietas restritivas, vai causar uma perda de peso rápida, mas temporária. O mais comum é que o indivíduo recupera o peso perdido meses ou anos depois. Os estudos falam de até 95% de recaídas 2 anos após o regime. Não há mudança de comportamento, apenas uma restrição alimentar temporária, que resulta simplesmente no efeito sanfona.

A perda de peso, quando é rápida, gera uma perda de massa magra (músculos e água), muitas vezes maior do que a perda de gordura corporal. Na recuperação do peso perdido, quando o indivíduo “larga” a dieta restritiva e passa a se alimentar como antes ou até mais, há o ganho de peso, em sua maioria na forma de gordura. Com o tempo de efeito sanfona, a composição corporal do indivíduo muda, diminuindo as taxas de massa magra e aumentando as taxas de gordura. Como consequências a essa mudança na forma corporal, há uma diminuição do gasto energético do organismo (porque o músculo gasta mais energia que a gordura), e esse acúmulo de gordura corporal pode ainda deixar o indivíduo mais propenso a desenvolver doenças crônicas, como problemas cardiovasculares, diabetes e hipertensão, sobretudo se o acúmulo maior de gordura for maior na região abdominal. Isso sem contar que o fato de emagrecer e engordar pode afetar o funcionamento do coração: imagine um coração que bombeia sangue para um corpo de 60 kg, que 2 meses depois passa a bombear sangue para o mesmo corpo, agora com 50 kg. Se mais 2 meses após esse coração tiver que bombear o sangue para o mesmo corpo, mas agora com 70 kg, o trabalho cardiovascular será bem diferente! São 20 quilos de diferença.

Pior ainda, o efeito sanfona interfere negativamente na autoestima do indivíduo, causando desgosto, em função das tentativas sem sucesso de manter uma forma corporal muitas vezes inatingível. Quando ocorre a perda temporária de peso, o mérito normalmente é do método, do inventor ou prescritor da dieta. E quando a pessoa não consegue perde, ou ainda quando recupera o peso perdido, o fracasso é pessoal. E cada vez mais a pessoa se afunda na frustração.

Vale lembrar, que quanto mais tempo passa, mais peso o indivíduo pode ganhar com as sucessivas perdas e recuperações de peso, levando-o, muitas vezes, a um quadro de obesidade. Veja abaixo como aumenta a probabilidade de se desenvolver uma doença com o aumento de peso:

Hipertensão:            X 4 em obesidade
                                   X 1,5 em sobrepeso
Diabetes tipo 2:        X 9 em obesidade
                                   X 1,5 em sobrepeso
Dislipidemias:          X 3 em obesidade
                                   X 1,5 em sobrepeso

Dicas práticas para evitar o efeito sanfona:

● Evitar restrições alimentares severas;

● Não deixar de ingerir nenhum grupo específico de alimentos (comer alimentos ricos em carboidratos, proteínas, além de vegetais e frutas);

● Praticar atividades físicas (de preferência aeróbicas), por 50 a 60min, pelo menos 3 vezes por semana;

● Evitar períodos maiores do que 4 horas em jejum (o que pode diminuir o gasto energético corporal e ainda aumentar a secreção do cortisol, hormônio do estresse que também facilita acúmulo de gordura na região abdominal;

● Se possível, manter um registro de todas as refeições (estudos mostram que as pessoas que mantêm um diário alimentar têm mais sucesso no controle e na manutenção do peso);

● Em períodos de instabilidade emocional, realizar constantemente atividades de lazer de sua preferência (como por exemplo: dançar, cantar, brincar com cachorro, jogar, ler, ou qualquer atividade que lhe dê prazer), para evitar que o alimento sirva como conforto.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Texto elaborado por: Lara Natacci

Nutricionista CRN 5738
Diretora da Dietnet Assessoria Nutricional

Formação Acadêmica/Titulação

2014 – atual Doutorado em Educação em Saúde na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

2011 – 2013 Formação em Coach de Bem Estar, pela Carevolution 

2006 - 2009  Mestrado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – Obtenção do título de Mestre em Ciências em 07 de outubro de 2009

2005 – 2007             Especialização em Nutrição Clínica Funcional – CVPE Universidade Ibirapuera 

2003 -  2004 Especialização em Distúrbios do Comportamento Alimentar. Université de Paris 5 René Descartes – Paris, França

1996 - 1996 Especialização em Bases Fisiológicas da Nutrição no Esporte. Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP, São Paulo, Brasil

1989 - 1993 Graduação em nutrição – Obtenção do título de nutricionista em 20 de dezembro de 1993 - Centro Universitário São Camilo, São Paulo, Brasil

Autora dos livros:

1.    Anorexia, Bulimia e Compulsão Alimentar. São Paulo: Editora Atheneu, 2008

2.    Dietbook Terceira Idade – Tudo o que você deve saber sobre alimentação e saúde depois dos 60 anos. São Paulo: Editora Mandarim - Grupo Siciliano, 2001.

3.    Dietbook Gestante – Tudo o que você deve saber sobre alimentação na gestação e introdução de alimentos para recém-nascidos. São Paulo: Editora Mandarim - Grupo Siciliano, 2000.

4.    Dietbook Júnior – Tudo o que você deve saber sobre Alimentação e Saúde de Crianças e Adolescentes. São Paulo : Editora Mandarim - Grupo Siciliano, 2000.

5.    Dietbook – Respostas às Dúvidas mais Comuns sobre Alimentação e Saúde. São Paulo : Editora Mandarim - Grupo Siciliano, 1999.

Idealizadora e mantenedora do site http://www.dietnet.com.br , na internet desde 1997


quinta-feira, 14 de abril de 2016

Hipertensão Arterial na Gestação



            A hipertensão arterial acomete cerca de 10% das gestantes, sendo incluída entre as principais causas de internação, morbimortalidade materna e perinatal, inclusive no Brasil. Em geral, 5 a 10% da população obstétrica evoluem para pré-eclâmpsia e eclâmpsia, sendo nas primíparas a prevalência em torno de 20%.

            A pré-eclâmpsia é caracterizada pela presença da hipertensão arterial associada a uma perda de proteínas pela urina e a um edema generalizado. Esta doença manifesta-se normalmente no terceiro trimestre de gestação. Esta patologia pode levar a falência de diversos órgãos maternos, pois a alteração na pressão gera efeitos principalmente sobre os sistemas vascular, hepático, renal e cerebral. A eclâmpsia é uma extensão mais severa da pré-eclâmpsia ocorrendo próximo ao momento do parto.

            A hipertensão específica da gestação é diagnosticada quando a gestante apresenta os três sinais e sintomas a seguir: pressão arterial > 140/90mmHg; edema e proteinúria (> 0,3g/24h). O último é o diagnóstico diferencial da hipertensão crônica. É importante lembrar que o edema, neste caso, é considerado patológico, pois aparece ou agrava-se de repente, diferentemente do fisiológico, que é gradual. Por esse motivo, a vigilância quanto ao ganho de peso, associada a cuidadosa anamnese dietética, além da monitoração clínica do grau de edema, são elementos importantes para a identificação precoce dos riscos de pré-eclâmpsia.

           Essa patologia está associada a tonturas, cefaleias, distúrbios visuais, dores no abdome superior, vômitos, edema da face e das mãos.

            O distúrbio hipertensivo específico da gestação (DHEG) ocorre mais frequentemente em mulheres primigestas (85%), com mais de 30 anos, na presença de sobrepeso ou obesidade ou com ganho excessivo de peso durante a gestação, hipertensas e com antecedentes familiares de hipertensão crônica ou DHEG.

            A síndrome HELLP é a complicação mais grave das mulheres que desenvolvem a hipertensão específica da gestação, e resulta num sério comprometimento hepático. O quadro clínico revela trombose, hemólise, enzimas hepáticas como TGO e TGP elevadas, baixo número de plaquetas (< 100.000/m³) e alterações neurológicas.

Orientação Dietética

            Considerando que a pré-eclâmpsia apresenta fatores de risco bem conhecidos e que seu aparecimento é súbito, a prevenção dessa patologia é da responsabilidade do profissional de saúde. As gestantes que apresentam um ou mais dos aspectos apresentados como característicos de grupo devem ser sensibilizadas quanto à redução da velocidade do ganho de peso e à melhora na qualidade de sua dieta.

● Energia: O excesso de peso aumenta a inflamação do organismo, facilitando a hipertensão, e pode aumentar entre três e sete vezes o risco de pré-eclâmpsia. Apesar disso, o ganho de peso gestacional deve permanecer de forma saudável, pois emagrecer não é recomendado. Ganho superior a 3kg/mês após a 20ª semana pode relacionar-se a edema e deve ser acompanhado.

● Proteínas: A albumina é a proteína mais abundante no sangue e uma de suas funções é equilibrar a quantidade de líquidos dentro e fora dos tecidos. No distúrbio hipertensivo específico da gestação, a sua perda por meio da urina faz com que a albumina diminua ainda mais do que o normal na gestação saudável, levando ao desequilíbrio entre os líquidos e ao edema. Não há comprovação científica do benefício de dieta hiperproteica, porém a ingestão adequada de proteínas é imprescindível. Para isso, vale incluir fontes proteicas (carnes magras, ovos, leguminosas, leite e derivados) em todas as refeições. A recomendação diária para gestantes equivale a aproximadamente 1 bife médio (120g) + 1 concha de feijão + 1 filé de pescada (100g) + 1 copo (200ml) de leite + 1 fatia grossa de queijo branco.

● Gorduras: O ômega 3 auxilia na redução dos tromboxanos, que aumentam a pressão nos vasos capilares, a formação de trombos e reduzem o fluxo sanguíneo na placenta. Procure utilizar óleos vegetais de canola ou girassol nas preparações, azeite nos temperos, consumir, 2 a 3 porções de peixes/semana e reduza as gorduras animais, industrializadas e frituras.

● Fibras: As dietas ricas em fibras ajudam a reduzir a pressão arterial, entre outros benefícios. Estudos mostram que gestantes com maior ingestão de fibras apresentaram menor risco de desenvolver DHEG. Por isso, consuma frutas, verduras e legumes crus e cereais integrais o máximo possível!

● Cálcio: A baixa ingestão de cálcio pode desencadear alterações hormonais que aumentam a pressão nos vasos sanguíneos, e o consumo adequado reduz o risco de complicações do DHEG. Casos especiais podem requerer suplementação, porém procure garantir o consumo diário equivalente a 2 copos (200ml) de leite + 1 copo (180g) de iogurte + 1 fatia grossa de queijo branco.

● Sódio: Restringir o sal durante a gestação com DHEG não traz benefícios porque o edema se dá pela redução proteica sérica, e não pelo excesso de sódio. Em casos de gestantes com hipertensão prévia à gestação, recomenda-se dieta hipossódica. Nos demais casos, a dica é apenas para alimentação saudável, com menor consumo de alimentos embutidos, processados e industrializados, sem sal em excesso.

● Antioxidantes: No DHEG ocorre redução dos agentes antioxidantes do organismo, favorecendo ainda mais a hipertensão, e existe forte relação entre o aumento no consumo de alimentos ricos em carotenoides/vitamina A, vitamina E e C e menor risco de DHEG. Em algumas pesquisas, gestantes com baixos níveis destes antioxidantes tinham risco até 9,8 vezes maior de DHEG. Procure incluir na dieta os vegetais verde-escuros, alimentos avermelhados e alaranjados, frutas cítricas, oleaginosas (castanhas e amêndoas) e óleos vegetais (azeite, linhaça, macadâmia, etc), além de ovos e carnes magras, leite e derivados.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.
                                                                                                                  
Referências Bibliográficas:

Bertolucci, P. Pré-eclâmpsia. Disponível em: www.patriciabertolucci.com.br Acessado em: 13/04/2016.

Machado, RHV. Síndrome Hipertensiva da Gestação. Hospital Israelita Albert Einstein. Disponível em: www.einstein.br Acessado em: 07/04/2016.

Saiba como evitar hipertensão arterial durante a gestação. Ministério da Saúde. Disponível em: www.blog.saude.gov.br Acessado em: 07/04/2016.

Sanders, C. Síndromes Hipertensivas da Gravidez –SHG. In: Accioly, E; Saunders, C; Lacerda, EMA. Nutrição em Obstetrícia e Pediatria. 1 ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica 2004; p. 189-208.

Vitolo, MR. Nutrição: da Gestação à Adolescência. 1 ed. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso Editores, 2003; p.60-62.