quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Síndrome Metabólica


A Síndrome Metabólica (SM) é um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular usualmente relacionados à deposição central de gordura e a resistência à insulina. É importante destacar a associação da SM com a doença cardiovascular, aumentando a mortalidade geral em cerca de 1,5 vezes e a cardiovascular em cerca de 2,5 vezes.

A Síndrome Metabólica caracteriza-se pela associação, num mesmo indivíduo, de dislipidemia, diabetes melito tipo 2, ou intolerância à glicose, hipertensão arterial e excesso de peso ou obesidade. Interligando estas alterações metabólicas está a resistência à insulina (hiperinsulinemia), daí também ser conhecida como síndrome de resistência à insulina.

Segundo National Cholesterol Education Program (NCEP)-ATP III, a SM representa a combinação de pelo menos três componentes dos apresentados no quadro 1.

Quadro 1. Componentes da síndrome metabólica segundo o NCEP-ATP III.
Componentes                                                                                            Níveis
Obesidade abdominal por meio de circunferência abdominal
Homens                                                                                                      > 102cm
Mulheres                                                                                                     >  88cm
Triglicerídeos                                                                                             ≥ 150mg/dL
HDL-colesterol
Homens                                                                                                       < 40mg/dL
Mulheres                                                                                                      < 50mg/dL
Pressão arterial                                                                  ≥ 130mmHg ou ≥ 85mmHg
Glicemia de jejum                                                                                      ≥ 110mg/dL

A presença de Diabetes Mellitus não exclui o diagnóstico de SM.
Fonte: I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica (I-DBSM).

            Apesar de não fazerem parte dos critérios diagnósticos da síndrome metabólica, várias condições clínicas e fisiopatológicas estão frequentemente a ela associadas, tais como: síndrome de ovários policísticos, acanthosis nigricans (condição dermatológica caracterizada por espessamento, hiperpigmentação e acentuação das linhas da pele, gerando aspecto grosseiro e aveludado no local afetado), doença hepática gordurosa não alcoólica (vide post sobre esteatose hepática), microalbuminúria (um aumento da excreção urinária de albumina acima de 20 µg/min e menor do que 200 µg/min), estados pró-trombóticos, estados pró-inflamatórios e de disfunção endotelial e hiperuricemia (excesso de ácido úrico no sangue).

            Evidências indicam que, na maioria dos países, entre 20 e 30%, a população adulta apresenta a SM. Nos Estados Unidos, a prevalência de SM, em crianças e adolescentes com sobrepeso, é de 6,8%; e, com obesidade, é de 28,7%. Não foram encontrados estudos sobre a prevalência da síndrome metabólica com dados representativos da população brasileira. No entanto, estudos em diferentes populações, como a mexicana, a norte-americana e a asiática, revelam prevalências elevadas da SM, dependendo do critério utilizado e das características da população estudada, variando as taxas de 12,4% a 28,5% em homens e de 10,7% a 40,5% em mulheres.

              Os idosos são o grupo da população com maior prevalência de eventos cardiovasculares, logo, identificar a prevalência de SM entre eles adquire grande importância para medidas de controle de risco. Além disso, existe um maior risco para déficits cognitivos entre os portadores da síndrome, em especial quando a glicemia é um dos componentes da SM. Também ocorre um risco duas vezes maior para a depressão entre mulheres com SM, conforme o critério do NCEP revisado. Há escassez de dados relativos à nossa população quanto à prevalência da SM, em especial entre os idosos.

Prevenção Primária

            De acordo com a Organização Mundial de Saúde, os fatores de risco mais importantes para a morbimortalidade relacionada às doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT) são: hipertensão arterial sistêmica, hipercolesterolemia (aumento do colesterol total circulante no sangue), ingestão insuficiente de frutas, hortaliças e leguminosas, sobrepeso ou obesidade, inatividade física e tabagismo.

            A predisposição genética, a alimentação inadequada e a inatividade física estão entre os principais fatores que contribuem para o surgimento da SM, cuja prevenção primária é um desafio mundial contemporâneo, com importante repercussão para a saúde. Destaca-se o aumento da prevalência da obesidade em todo o Brasil e uma tendência especialmente preocupante do problema em crianças em idade escolar, em adolescentes e nos estratos de mais baixa renda. A adoção precoce por toda a população de estilos de vida relacionados à manutenção da saúde, como alimentação adequada e prática regular de atividade física, preferencialmente desde a infância, é componente básico da prevenção da SM.

            A alimentação adequada deve:

● permitir a manutenção do balanço energético e do peso saudável;
● reduzir a ingestão de calorias sob a forma de gorduras, mudar o consumo de gorduras saturadas para gorduras insaturadas (vide post lipídios), reduzir o consumo de gorduras trans (hidrogenada);
● aumentar a ingestão de frutas, hortaliças, leguminosas e cereais integrais;
● reduzir a ingestão de açúcar; reduzir a ingestão de sal (sódio) sob todas as formas.

            A atividade física é determinante do gasto de calorias e fundamental para o balanço energético e controle do peso. A atividade física regular ou exercício físico diminuem o risco relacionado a cada componente da SM e trazem benefícios substanciais também para outras doenças (câncer de cólon e câncer de mama).

            Baixo condicionamento cardiorrespiratório, pouca força muscular e sedentarismo aumentam a prevalência da SM em três a quatro vezes. O exercício físico reduz a pressão arterial, eleva o HDL-colesterol (bom colesterol) e melhora o controle glicêmico. Com duração mínima de 30 minutos, preferencialmente diário, incluindo exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular, o exercício físico previne a SM em uma relação dose-efeito apropriada para o grupo etário.

            O tabagismo deve ser agressivamente combatido e eliminado, pois eleva o risco cardiovascular.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Referências Bibliográficas:

I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica. Arq Bras Cardiol, 2005, v.84, Suplemento I: p. 1-28.

Gross, JL. Microalbuminúria e a síndrome metabólica. Arq Bras Endocrinol Metab, 2003,v. 47, n. 2:p.109-110.

Matos, AFG; Moreira, RO; Guedes, EP. Aspectos neuroendócrinos da síndrome metabólica. Arq Bras Endocrinol Metab, 2003, v.47, n.4: p.410-421.

Penalva, DQF. Síndrome metabólica: diagnóstico e tratamento. Rev Med: São Paulo, 2008, v.87, n.4: p. 245-250.

Rigo, JC; Vieira, JL; Dalacorte, RR; Reichert, CL. Prevalência da síndrome metabólica em idosos de uma comunidade: comparação entre três métodos diagnóstico. Arq. Bras Cardiol, 2009, v.93, n.2: p. 85-91.

Santos, CRB; Portella, ES; Avila, SS; Soares, EA. Fatores dietéticos na prevenção e tratamento de comorbidades associadas à síndrome metabólica. Rev Nutr, 2006, v.19, n.3: p.389-401.

Silva, CB da. Prevalência e tratamento dos fatores de risco da obesidade e síndrome metabólica. [Dissertação de Metrado] Presidente Prudente, 2010. Universidade Estadual Paulista – UNESP.

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