quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Doença de Crohn




       A Doença de Crohn é uma doença inflamatória de caráter granulomatoso, que pode afetar qualquer parte do trato alimentar, desde a boca até o ânus, mas envolve predominantemente o íleo terminal e o cólon.


         Em geral, distribui-se de forma semelhante entre ambos os sexos, apresentando, quanto à idade, maior frequência na faixa etária dos 15 aos 35 anos, e com segundo pico a partir dos 55 anos. A raça branca é mais acometida que descendentes africanos ou orientais, com maior presença naqueles de origem judaica.

     Sua etiologia é desconhecida. Várias hipóteses procuram estabelecer relações do seu aparecimento com fatores ambientais, alimentares, imunogenéticos, infecciosos, entre outros, sem, entretanto, explicar integralmente todas as particularidades reveladas nesse processo inflamatório crônico, o que dificulta, muitas vezes, seu diagnóstico nas etapas iniciais de sua manifestação clínica.

       Os principais sintomas são perda de peso; deficiência de crescimento principalmente em crianças, devido à baixa absorção dos nutrientes; dor ou cólicas abdominais; diarreia; febre; sangramento retal com presença de melena (fezes pastosas de cor escura) e intolerâncias alimentares.

      Dessa forma, na avaliação nutricional é importante verificar a ocorrência de perda de peso (que pode estar mascarada pelo uso de corticosteróides, que levam à retenção hídrica), hipoalbuminemia, anemia, falta de vitaminas e minerais (ferro, ácido fólico, vitamina B12, cálcio) e deficiência no crescimento em crianças.


Conduta Nutricional

Energia: Hipercalórica, para garantir a recuperação do estado nutricional, e devido ao hipermetabolismo das doenças inflamatórias intestinais.

Proteínas: Hiperproteica (1,0-1,5g/kg de peso ideal/dia. Podemos chegar até 2,0g para desnutridos), com 70% de proteína de alto valor biológico, para garantir síntese proteica, melhora do sistema imune e recuperação da massa magra.

Carboidratos:

Fase Aguda: Isenta de lactose (evitar leite e derivados) A lactase é uma enzima de frágil inserção na mucosa intestinal e seus níveis podem estar diminuídos na diarreia, havendo intolerância. Controle de mono e dissacarídeos para evitar soluções hiperosmolares que possam aumentar o quadro diarreico. Rica em fibras solúveis e pobre em fibras insolúveis.

Fase de Remissão: Evoluir progressivamente o teor de fibras insolúveis.

Antifermentativa: Evitar alimentos relacionados com a formação de gases (brócolis, couve-flor, cebola crua, rabanete, batata-doce, feijão, lentilha, melão, abacate, melancia, doces concentrados como goiabada, cocada e etc...).

Lipídios: Hipolipídica (inferior a 20% das calorias totais), uma vez que os lipídios podem piorar a diarreia (devido à deficiência de sais biliares). Oferecer ácidos graxos ômega-3 (3-5g/dia) para diminuir a resposta inflamatória.

Nutrientes Específicos (Imunomoduladores): Glutamina, Arginina, Ácidos Graxos Ômega-3

Nutrição enteral elementar ou semi-elementar

            Requer mínima ação enzimática para hidrólise dos nutrientes e absorção (pode ser absorvida nos 100cm iniciais).

Vantagens:

● Exclui fatores dietéticos com possível ação antigênica;

● A presença de nutrientes estimula a secreção de hormônios (CCK, glucagon, hormônios intestinais) que têm efeito trófico na mucosa; mantém a integridade da mucosa e previne a translocação bacteriana (sepse);

● Evita a atrofia da mucosa;

● Remissão da Doença de Crohn, evitando uso de drogas e promovendo o crescimento em crianças;

● Pode ser usada em nível domiciliar (não requer internação);

● Paciente pode desenvolver suas atividades normais.

Desvantagens:

● Palatabilidade baixa, necessitando às vezes do uso de sondas para infusão a qual pode resultar em lesão esfíncter esofagiano inferior (lesão de aba de nariz);

● Complicações como diarreia, sangramento, refluxo gastroesofágico e aspiração;

● Recomendada não mais que poucos meses por ano (quando adotada como terapia primaria).

Nutrição Parenteral Total (NPT)

Vantagens:

● Repouso intestinal com diminuição da ação motora e de transporte na mucosa comprometida;

● Redução do estímulo antigênico (alimentos): a mucosa está com aumento da permeabilidade e redução da função imune (linfócitos), contribuindo para diminuir a inflamação;

● Oferta de aminoácidos para renovação celular da mucosa;

● Redução do processo inflamatório local e fornece substrato para a regeneração.

Desvantagens:

● Recidiva quando o paciente retorna à dieta normal (quando usada como terapia primária);

● Complicações mecânicas, metabólicas e infecciosas.


As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Caruso, L. Distúrbios do Trato Digestório. In: Cuppari, L. Guias de medicina ambulatorial e hospitalar UNIFESP/ Escola Paulista de Medicina - Nutrição. 1 ed. Baureri: Manole. 2002. p.201-222.

Lopes, MSMS; Aquino, LA; Silva, TA; Vogel, CE. Doenças Inflamatórias Intestinais. In: Pereira, AF; Bento, CT.  Dietoterapia: uma abordagem prática. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

Martins, BT; Basílio, MC; Silva, MA. Nutrição Aplicada e Alimentação Saudável. 1. ed. São Paulo: Editora Senac, 2014.

Miszputen, SJ. Doenças Inflamatórias Intestinais. Guias de medicina ambulatorial e hospitalar UNIFESP/ Escola Paulista de Medicina - Gastroenterologia. 2 ed. Baureri: Manole. 2007. p.333-346.



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