sábado, 24 de janeiro de 2015

Hanseníase



A hanseníase é uma doença infecciosa e contagiosa causada por um bacilo denominado Mycobacterium leprae. Não é hereditária e sua evolução depende de características do sistema imunológico da pessoa que foi infectada. 



Sinais e sintomas

- Sensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades;
- Manchas brancas ou avermelhadas, geralmente com perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e tato;
- Áreas da pele aparentemente normais que têm alteração da sensibilidade e da secreção de suor;
- Caroços e placas em qualquer local do corpo;
- Diminuição da força muscular (dificuldade para segurar objetos).

Transmissão

Os pacientes sem tratamento eliminam os bacilos através do aparelho respiratório superior (secreções nasais, gotículas da fala, tosse, espirro). O paciente em tratamento regular ou que já recebeu alta não transmite. A maioria das pessoas que entram em contato com estes bacilos não desenvolve a doença. Somente um pequeno percentual, em torno de 5% de pessoas, adoece. Fatores ligados à genética humana são responsáveis pela resistência (não adoecem) ou suscetibilidade (adoecem). O período de incubação da doença é bastante longo, variando de três a cinco anos.


Aspectos Nutricionais

A relação entre alimentação, estado nutricio­nal e doença é importante, mesmo que os sintomas de doença possam não aparecer precocemente, pois pode proporcionar melhora da qualidade de vida. O estado nutricional é um dos principais moduladores da resposta imune, sendo, por um lado, importante determinante do risco e do prognóstico de doenças infecciosas e, por outro, diretamente influenciado pela infecção. Além disso, a adequação do estado nutricional tem uma relação direta com o sistema imune. A deficiência de nutrientes afeta a resposta imune inata e adaptativa, comprometendo as defesas do organismo a agentes infecciosos.


As drogas utilizadas no tratamento da hanseníase podem levar a outras complicações como anemia, au­mento da glicose sanguínea e elevação da pressão ar­terial. Podem ainda inviabilizar a absorção adequada de alguns nutrientes como ferro, cálcio e zinco, devi­do à interação droga-nutriente.

Apesar de não haver uma alimentação específica para quem tem hanseníase, a alimentação e a nutri­ção constituem princípios básicos para a promoção e a proteção da saúde, possibilitando uma melhora do estado nutricional, da imunidade e da qualidade de vida desses indivíduos.

A alimentação da população brasileira, como em outros países, baseia-se na ingestão excessiva de ali­mentos de alto valor calórico, ricos em açúcares sim­ples, gordura saturada, sódio e conservantes e, por outro lado, pobre em fibras e deficientes em vitaminas e minerais. Alimentação saudável, por outro lado, é aquela planejada com alimentos de todos os tipos, de origem conhecida, natural e preparada de maneira a preservar o valor nutritivo e as aparências sensoriais. Os alimentos devem ser quali e quantitativamente apropriados aos hábitos alimentares, consumidos em refeições, em ambientes calmos, visando agradar as necessidades nutricionais, emocionais e sociais.


A alimentação saudável para portadores de hanse­níase deve fornecer carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas, minerais e fibras. Afinal a boa nutrição faz com que o funcionamento do sistema imunológico fique adequado.

O carboidrato é uma das fontes de energia mais econômicas. Os alimentos que o contem são os cere­ais (arroz, milho, trigo, aveia); farinhas, massas, pães, tubérculos (batata, batata-doce, cará, mandioca, inha­me). As gorduras são fontes alternativas de energia e transportam vitaminas lipossolúveis. A gordura é uti­lizada no preparo das refeições na forma de azeite, óleos e banha de porco; nos lanches como a da mar­garina, manteiga, creme de leite e maionese também fazem parte das gorduras. As proteínas podem ser encontradas no leite, queijos, iogurtes, carnes (aves, peixes, suína, bovina), frutos do mar, ovos, legumino­sas (feijões, soja, grão de bico, ervilha, lentilha).

O carboidrato total deve fornecer de 55% a 65% do Valor Energético Total da alimentação diária, sen­do 45% a 55% complexos e 10% açúcares simples. En­tre 25% e 30% devem provir de lipídios ou gorduras. Para completar uma alimentação saudável, o aporte proteico deve ser de 10% a 15% do valor energético da alimentação. 


As vitaminas e minerais são também muito impor­tantes para o aumento da imunidade no organismo humano. As vitaminas, quanto a sua solubilidade, classificam-se em hidrossolúveis, que são as vitami­nas do complexo B (B1, B2, B6, B12), ácido fólico e vitamina C e lipossolúveis, que são vitaminas A, D, E e K, coadjuvantes nas respostas imunológicas, dando proteção ao organismo e podem ser encontradas nas verduras, legumes e frutas. Os minerais também têm como fontes principais esses alimentos acima citados e são compostos químicos inorgânicos, necessários para as funções vitais do ser humano. Os pacientes com hanseníase apresentam deficiência de minerais como o ferro, selênio, cobre, magnésio, zinco entre outros.

As fibras alimentares devem estar presentes na ali­mentação do hanseniano, auxiliando nas funções do sistema digestório, impedindo o acúmulo de toxinas e proliferação de bactérias patogênicas, nutrindo o intestino desses pacientes e consequentemente me­lhorando sua imunidade intestinal.



As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas: 

Hanseníase. Ministério da Saúde, 2007.   

Silva, CPG; Miyazaki, MCOS. Hanseníase e a Nutrição: Uma Revisão da Literatura. Hansen Int. 2012; v.37, n.2: p.69-74. 
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