segunda-feira, 6 de maio de 2013

Metabolismo dos Macronutrientes nos Idosos



         No Brasil existiam 15 milhões de pessoas no ano de 2000 (8,6% da população) com idade acima de 60 anos e a estimativa para 2025 é que este número alcance 32 milhões (13% da população). Este envelhecimento populacional acelerado também terá reflexos no aumento do número de idosos institucionalizados, os quais, por alterações metabólicas, fisiológicas, anatômicas e psicossociais inerentes à idade, são considerados vulneráveis do ponto de vista nutricional.  

       O desequilíbrio nutricional no idoso está reconhecidamente relacionado ao aumento da mortalidade, à susceptibilidade a infecções e à redução da qualidade de vida. Na senescência é comum a coexistência de doenças crônicas não transmissíveis, como as cardiovasculares, pulmonares, o diabetes melito, além do uso prolongado de medicamentos que interferem no apetite, no consumo e na absorção de nutrientes.

        Os idosos têm elevada prevalência de riscos nutricionais, que incluem baixa renda, isolamento social, deficiência visual, ausência de dentição, depressão, demência, luto, alcoolismo, dificuldades de mobilidade, necessidade de assistência para a compra de alimentos, para o preparo dos alimentos e para se alimentar.

        A promoção de um estado nutricional adequado na população idosa é questão central para a abordagem dos problemas levantados anteriormente. O estado nutricional também é relacionado com o melhor desempenho em atividades instrumentais da vida diária, que é um importante determinante da qualidade de vida do idoso.

Metabolismo energético

        A taxa metabólica dos indivíduos idosos é reduzida em relação aos adultos jovens e de meia-idade. Essa redução na taxa metabólica de aproximadamente 10% por década é um fator a ser considerado na determinação do gasto energético.
                     
          O metabolismo é diminuído pelo decréscimo do consumo de oxigênio, decorrente da perda da atividade metabólica dos tecidos. A menor atividade física acarreta declínio da massa magra e decréscimo das necessidades calóricas diárias, a que se deve ficar atento para não criar um desbalanço entre consumo e gasto de energia, ocasionando obesidade.

          Pelas RDA (ingestão diária recomendada), o valor de energia recomendado para homens de mais de 51 anos é 2.300kcal e, para mulheres, 1900kcal. Não foram estabelecidas recomendações de energia para diferentes faixas acima dos 51 anos. É importante que os idosos passem por uma avaliação nutricional para que se possam estabelecer, adequadamente, as suas necessidades energéticas.

A maioria dos estudos mostra uma redução da taxa metabólica basal (TMB) com o envelhecimento, pelo menos parcialmente relacionada à alteração da composição corporal (redução da massa magra e aumento do tecido adiposo).

Metabolismo dos carboidratos

          A capacidade para a metabolização da glicose deteriora-se com a idade. Nos adultos jovens, uma tolerância à glicose anormal associa-se ao desenvolvimento e manifestação do diabetes melito. Já nos adultos com idade avançada, é mais difícil diferenciar as alterações no metabolismo da glicose relacionadas à idade da seqüela patológica da enfermidade.

            Os carboidratos dietéticos devem corresponder aproximadamente 55 a 60% do valor energético total ingerido pelo idoso. Devem-se priorizar os carboidratos complexos (arroz, pães, macarrão e cereais integrais, leguminosas, batata), como forma de minimizar os picos hiperglicêmicos observados no quadro de intolerância à glicose, presente com a evolução da idade. Os carboidratos complexos são veículos de importantes vitaminas e fibras dietéticas. Estas últimas beneficiam o trânsito intestinal, amenizando o quadro de constipação apresentado por um número relativamente grande de indivíduos nesta faixa etária.

            Uma alimentação com baixo teor de carboidratos pode desencadear perda de peso corporal, ao mesmo tempo em que facilita o desvio da fração protéica orgânica. Esta alteração funcional prejudica a manutenção do balanço nitrogenado e compromete a integridade da massa muscular, a concentração das proteínas plasmáticas e a função imunológica.

Metabolismo protéico

         A diminuição da massa muscular com a idade contribui grandemente para a debilidade dos idosos causada pela perda de força e declínio da reserva funcional, os quais frequentemente levam à redução da mobilidade, instabilidade postural e quedas.

         A redução da massa protéica com o avançar da idade pode ser resultado de inúmeros fatores, como:
- redução da taxa de síntese protéica,
- aumento da degradação de proteínas,
- diminuição da ingestão de proteínas e/ou energia,
- redução das atividades contráteis voluntárias

O idoso possui diminuição importante no fluxo sanguíneo renal, da liberação de creatinina e da taxa de filtração glomerular, porém não é necessária a restrição de proteínas, exceto em casos de deficiência da função renal. Nestes casos, a dieta prescrita deve ser apropriada para a doença, seguindo as mesmas diretrizes referentes ao adulto, com dieta hipoprotéica de até 0,6g de proteína por quilo de peso.

            São recomendados 0,8 a 1,0g de proteína por quilo de peso em idosos saudáveis sem doenças renais. A RDA de proteína é de 56g para homens e 46g para mulheres. Fontes de proteína de alto valor biológico:


Metabolismo lipídico

         A digestão de gorduras no idoso é equivalente a de adultos normais quando consumidas em quantidades moderadas. No entanto, a restrição de lipídios na dieta é relacionada com a redução na ingestão calórica total.

          Os lipídios devem contribuir com cerca de 25 a 30% do VET (valor energético total), gorduras poli e monoinsaturadas devem ser priorizadas, uma vez que é considerável a relação idade, consumo dietético de gorduras e doenças cardiovasculares.

         Alimentos ricos em ácidos graxos mono e poliinsaturados podem ser prescritos na dieta, como peixes, óleos e castanhas. Em geral, esses são alimentos caros, com exceção da sardinha e do atum. A gordura poliinsaturada ômega-3, quando ingerida em grande quantidade, pode ser benéfica na redução da produção de citocinas pró-inflamatórias como a interleucina IL-1 e o fator de necrose tumoral, bem como na produção de eicosanóides (mediadores inflamatórios, que modulam a resposta inflamatória) e prostaglandinas (substâncias pertencentes à família dos eicosanóides).
 
       Os monoinsaturados têm papel protetor, diminuindo a sensibilidade das membranas à peroxidação lipídica, que é um processo de dano celular mutagênico e carcinogênico. Esse tipo de gordura está associado, em alguns estudos limitados, à proteção da cognição, principalmente na doença de Alzheimer, e as gorduras saturadas e trans podem aumentar o risco. 




As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

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Felix, LN; Souza, EMT. Avaliação nutricional de idosos em uma instituição por diferentes instrumentos. Rev Nutr 2009, v.22, n.4, p. 571-580.

Ferriolli, E; Moriguti, JC; Paiva, CE; Miranda, SC; Tannus, AFS; Rigo, R; Marchini, JS. Aspectos do metabolismo energético e protéico em idosos. Rev. Soc Bras Alim Nutr 2000; v.19/20: p.19-30.

Frank, AA; Soares, EA. Nutrição no envelhecer. 1 ed. São Paulo: Atheneu, 2004; p. 45-98.

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