sexta-feira, 31 de maio de 2013

Nutrição e Saúde Bucal



Os dentes estão presentes na cavidade oral desde o processo embrionário e começam sua formação em torno da sexta semana de gestação, quando células da cavidade oral diferenciam-se para formar a lâmina dental, que é o local onde irão brotar os dentes.

Este processo continua até sua formação completa na adolescência, entretanto os dentes só irrompem o epitélio oral por volta do sétimo mês de vida humana.

       A nutrição relaciona-se com os dentes de modo sistêmico, isto é, agindo na sua formação e crescimento e determinando, posteriormente, que tipo de resposta eles terão, se mais ou menos resistentes, à ação da placa bacteriana.

      Por outro lado, o alimento relaciona-se com os dentes de modo tópico, isto é, pelo seu contato com os dentes, influenciando, de acordo com a sua composição química e característica física, a formação e o metabolismo da placa bacteriana. Neste caso, para se conservar uma arcada dentária em posição perfeita é preciso garantir uma higiene bucal adequada, cuidados periódicos nos dentes que apresentem alguma alteração clínica e avaliações preventivas. Estas precauções associadas à formação e crescimento adequados, é que garantem a fisiologia dos dentes, permitindo o bom desempenho de todas as funções estéticas, fonéticas, preventivas e de mastigação, esta última exercendo um papel importante no processo digestivo.

Mastigação

     A mastigação é uma das relevantes funções desempenhadas pelos dentes e possui grande importância com os alimentos em seu processo digestivo.

    Atualmente a sociedade civilizada cada dia necessita menos do aparelho mastigatório para moer os alimentos, pois desde o nascimento ingerem mamadeiras e papinhas e mais tarde purê e hambúrguer, todos alimentos praticamente triturados que facilitam a deglutição sem necessidade de mastigação. Com isso, não se exercita a função, tornando-se a mastigação apenas movimentos de abertura e fechamento da boca.

    Mesmo que atualmente existam alimentos que necessitem pouca ou nenhuma exigência mastigatória, evidências mostram os efeitos benéficos de uma mastigação vigorosa sobre o crescimento e manutenção dos tecidos bucais.

   Na mastigação ocorre a quebra e a trituração, em pedaços menores dos alimentos ingeridos. As enzimas digestivas (presentes na saliva) ajudam produzir moléculas cada vez menores, que serão, por sua vez, mas facilmente aproveitadas pelo organismo. Qualquer que seja o alimento, a mastigação sempre auxilia no processo digestivo, evitando transtornos tão frequentes, como azia, má digestão etc. Portanto, é fundamental cuidarmos da função da mastigação.

      Se você é dos que come rapidamente, uma dica é triturar os alimentos muito bem antes de engoli-los e isso só se consegue reservando um tempo mínimo para as refeições. Conquiste uma rotina de horário regular para suas refeições. No começo pode ser difícil, mas com o tempo você vai se acostumar.

Nutrição e os Dentes

   Os nutrientes alimentares tem influência no desenvolvimento e manutenção dos tecidos moles e no osso que sustenta os dentes.

    A saúde periodontal, assim como toda a saúde do corpo depende do sistema imunológico, que se relaciona com uma boa nutrição.

   No caso de doença periodontal (doença da gengiva), deficiências nutricionais podem comprometer a resistência imunológica do hospedeiro, assim como ocorre em outras patologias.

     Do mesmo modo que a nutrição, alguns fatores dietéticos contribuem para o crescimento de bactérias e formação da placa bacteriana, como os açúcares simples que fermentam, alimentos de consistência muito macia além de inadequada higiene bucal. Uma dieta rica em fibras e alimentos consistentes tem influência benéfica no periodonto (tudo que fica ao redor do dente). Uma mastigação vigorosa, além do estímulo da salivação aumenta a circulação no periodonto, fortalece os ligamentos periodontais e pode aumentar a densidade do alvéolo ósseo.

    Uma boa alimentação dá aos tecidos da gengiva e aos dentes os nutrientes e minerais de que necessitam para permanecerem fortes e resistirem às infecções que podem levar à gengivite, entre uma série de outros benefícios.

     Cada alimento contribui para a saúde bucal: os fibrosos (como as verduras e frutas) ajudam a limpar os dentes e os tecidos gengivais; o leite e o queijo elevam o pH na boca, reduzindo a exposição dos dentes ao ácido, e, como são ricos também em cálcio e fosfato, ajudam na remineralização; o arroz e o feijão, após o cozimento, retém uma boa quantidade de flúor na saliva, protegendo os dentes contra cárie; e os alimentos mais duros, como maçã e cenoura, promovem a limpeza dos dentes durante a mastigação. Vitaminas, sais minerais, cálcio, fósforo e níveis adequados de flúor também são importantes aliados para uma boca saudável.

    Alguns estudos procuram mostrar a ação detergente de certos alimentos na remoção da placa, como a maçã, cenoura e aipo através da fricção destes alimentos no tecido oral. Os resultados obtidos até o momento não evidenciam esta ação descrita ser tão eficaz como se pensa, mas acredita-se que mesmo não havendo a remoção da placa, estes alimentos fibrosos servem como “limite” na prevenção de seu acúmulo.

    Alimentos como o queijo, amendoim, castanha de caju, coco, nozes apresentam outra função que é ajudar na prevenção de cáries e doença periodontal, ou ambas, pois estimulam a secreção salivar uma vez que necessitam de uma maior mastigação, contribuindo para troca de íons com o esmalte do dente, promovendo a remineralização e proteção dos dentes com seu efeito tampão.

   Mas há também alimentos cuja ingestão indiscriminada pode ser prejudicial para a saúde bucal. A sacarose (açúcar de mesa) está associada ao surgimento da cárie, embora glicose e maltose pareçam ser igualmente nocivas, e merece atenção especial.

    A quantidade de açúcar consumida é menos importante que a frequência – então, todo o cuidado é necessário com alimentos ricos em sacarose. O melhor sempre é limitar sua ingestão. Essa é uma forma de reduzir a incidência de cárie.

     Os açúcares e amidos, que fazem parte de vários tipos de lanches – como bolachas, biscoitos, doces, frutas secas, refrigerantes e batata frita –, combinam-se com a placa bacteriana, produzindo substâncias ácidas que atacam o esmalte do dente e podem levar à cárie.



     Ao consumir alimentos e bebidas que contém açúcar e amido, as bactérias da placa produzem ácidos que atacam os dentes durante 20 minutos ou mais. O mais aconselhável é consumir alimentos nutritivos como queijo, verduras cruas, iogurte natural e frutas.

    Qualquer modificação que ocorra na cavidade oral associa-se com mudanças nos hábitos alimentares e em geral alterações na ingestão de nutrientes, pois ocorre uma mudança na eficiência mastigatória.

      É importante, portanto, o cuidado da saúde oral e da alimentação para que um fator não interfira no outro, prevenindo o aparecimento de doenças.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Referências Bibliográficas:
A sua boca é o que você come. Associação Brasileira de Odontologia. Disponível em: www.abo.org.br Acessado em: 13/05/2013.
Castro, AGP; Amancio, OMS. Nutrição e fisiologia dos dentes. Rev Soc Bras Alim Nutr 2000; v.19/20: p.87-104.
Tosatti, AM. Mastigar bem os alimentos ajuda na digestão e previne doenças. Disponível em: www.nutrociencia.com.br Acessado em: 13/05/2013.
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