quinta-feira, 11 de julho de 2013

Vitamina A



A vitamina A (retinol) é um nutriente essencial, necessário em pequenas quantidades em humanos para o adequado funcionamento do sistema visual, crescimento e desenvolvimento, expressão gênica, manutenção da integridade celular epitelial, função imune, defesa antioxidante e reprodução.

O termo vitamina A refere-se a um grupo de compostos, que inclui retinol, retinaldeído e ácido retinóico. Do ponto de vista formal, o termo vitamina A inclui ainda os carotenóides, com atividade pró-vitamina A, que atuam como precursores alimentares do retinol.

O corpo não pode fabricar vitamina A, portanto, toda vitamina A que necessitamos deve provir dos alimentos. Ela é fornecida na dieta sob a forma de vitamina A pré-formada (ésteres de retinila) de origem animal ou pró-vitamina A de origem vegetal (carotenóides). O retinol pode ser obtido diretamente dos alimentos ou ser convertido no organismo humano, a partir do betacaroteno. A absorção dos ésteres de retinila é complexa, envolvendo hidrólise e formação de complexos com ácidos biliares na luz intestinal.

Em condições normais, cerca de 70 a 90% do retinol da dieta são absorvidos, e mesmo em altas doses essa absorção ainda se mantém elevada. Entretanto, pelo fato de esta ser uma vitamina lipossolúvel, depende da ingestão concomitante de lipídios para que seja adequadamente absorvida. A vitamina A é armazenada principalmente no fígado na ordem de 50 a 80%. Quando as reservas hepáticas da vitamina são adequadas, o retinol recém-ingerido é armazenado nas células estrelares como ésteres de retinila. Normalmente essa reserva é suficiente para vários meses. Quando as reservas dessa vitamina estão baixas, o fígado acumula a RBP (proteína carreadora de retinol - retinol binding protein). Esse estado carencial de retinol é a base fundamental das provas de resposta relativa a uma dose (RDR – é um método indireto possível de estimar as reservas hepáticas de vitamina A), na qual o retinol pode ser rapidamente liberado para a circulação ligada à RBP e à transtirretina (TTR), formando um complexo capaz de reduzir a perda de retinol no filtrado glomerular.
Estima-se que 250 milhões de crianças no mundo sejam deficientes de vitamina A e que de 250.000 a 500.000 crianças ao ano tornem-se cegas em decorrência da carência. A suplementação de vitamina A é capaz de reduzir o risco de morte de crianças de 6 a 59 meses em 22 a 30%.

A informação sobre deficiência de vitamina A (DVA) no Brasil provém de inquéritos nutricionais em diversas regiões e grupos populacionais. Os dados dos últimos 20 anos indicam que essa deficiência é um problema de magnitude de saúde pública em todo o país. Os inquéritos bioquímicos disponíveis, apesar de não apresentarem abrangência nacional, confirmam que a DVA é problema de saúde pública nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Paraíba, Ceará, Bahia, Amazonas e Rio de Janeiro.


Funções
As funções da vitamina A envolvem a manutenção da visão adequada, integridade celular, regulação da síntese de glicoproteínas, crescimento e diferenciação celular e também sua participação na defesa antioxidante.
Reduz a gravidade das infecções: a vitamina A ajuda a diminuir a gravidade de muitas infecções, tais como diarreia e infecções respiratórias, possibilitando recuperação mais rápida;
Aumenta as chances de sobrevivência: crianças que recebem a vitamina A têm maior probabilidade de sobreviver a uma infecção;
Crescimento: a vitamina A é necessária para o processo de crescimento, especialmente, para as crianças, que crescem rapidamente;
Visão e olhos: a vitamina A é vital para o bom funcionamento dos olhos. A parte transparente do olho, a córnea, através da qual vemos, é protegida pela vitamina A. A falta dessa vitamina pode gerar dificuldades de se enxergar em lugares com luz fraca, causar alterações oculares, levando até mesmo à cegueira total.
Outras funções: a deficiência de vitamina A e de seus retinóides derivados pode influenciar negativamente vários aspectos relacionados à imunidade, como: integridade do epitélio de revestimento dos tratos geniturinário, respiratório e gastrointestinal; resposta da IgA secretora a vários patógenos; expressão da lactoferrina; síntese e expressão de mucina e queratina; hematopoiese; apoptose; crescimento, diferenciação e função de neutrófilos, células natural killer, células de Langerhans, linfócitos T e B; produção de imunoglobulinas; e expressão de citocinas (TGF-beta, TNF-alfa, IFN-gama, IL1, IL2, IL4, IL6, IL10) e moléculas de adesão (ICAM–1). Tais efeitos parecem ser especialmente mediados pelos ácidos derivados (ácido trans retinóico e 9-cis ácido retinóico) capazes de controlar a expressão gênica.

Deficiência de Vitamina A

            Um dos primeiros sinais da deficiência de vitamina A pode ser observado quando as crianças começam a ficar doente com muita frequência e quando doenças como a diarreias se tornam mais graves, podendo levar a criança à morte.

            Outro indicador é a cegueira noturna, que é percebida quando a criança não enxerga em lugares com pouca luz. Se essa criança não consumir alimentos com vitamina A, seus olhos que eram úmidos, lisos e brilhantes, ficam secos, ásperos e sem brilho (xeroftalmia). A falta de tratamento e se não ingerir alimentos ricos em vitamina A, aparecerão manchas de cor esbranquiçada (manchas de Bitot) nos olhos. A partir daí, se a criança não for encaminhada a um médico para o tratamento com remédios, aparecem nos olhos feridas (úlceras) que escamam e depois formam cicatrizes nos olhos. Essa doença se chama queratomalácia e causará a cegueira irreversível nos olhos da criança.




A DVA influencia o metabolismo do ferro com a diminuição da incorporação desse mineral nas hemácias e redução na mobilização de seus depósitos hepáticos, além de dificultar a diferenciação das hemácias. Assim, a associação de DVA com anemia carencial ferropriva é extremamente grave, visto que a simples administração de ferro medicamentoso poderá não resultar em melhora efetiva da doença. Outro oligoelemento, de extrema importância, que exerce influência no metabolismo da vitamina A é o zinco. A deficiência de zinco pode interferir no transporte da vitamina A, por redução na produção da proteína transportadora, assim como na conversão de retinol em retinal, que requer a ação da retinol-desidrogenase, dependente de zinco. Assim, vale ressaltar que as carências nutricionais podem freqüentemente associar-se, ampliando e potencializando o espectro de efeitos deletérios determinados por uma carência de maneira isolada. Propostas de suplementação combinada de dois ou mais micronutrientes evidenciam maiores benefícios, como, por exemplo, no crescimento pôndero-estatural.
 
Fontes Alimentares

A vitamina A é um micronutriente que pode ser encontrado no leite materno, em alimentos de origem animal (fígado, leite e derivados e ovos), frutas e legumes de cor amarelo-alaranjada (manga, mamão, cenoura abóbora, caqui), verduras verde-escuras (caruru, bertalha, couve, mostarda, agrião, almeirão, acelga, espinafre, escarola, rúcula), além de óleos e frutas oleaginosas (buriti, pupunha, dendê, pequi), que possuem substâncias transformadas em vitamina A no organismo humano.

Recomendações Nutricionais

        As recomendações atuais, que incluem dois valores de referência (RDA e UL), podem ser vistas no quadro abaixo.

Quadro 1. Valores de Referência de Ingestão Dietética – Dietary Reference Intake (DRIs), 2001.




Prevenção
Todas as pessoas necessitam de vitamina A para proteger sua saúde e visão. Porém, alguns grupos populacionais, pelas características da fase da vida em que se encontram, necessitam de atenção especial, porque são mais vulneráveis à deficiência de vitamina A:
● Mulheres que amamentam (puérperas) necessitam de mais vitamina A para manter a sua saúde e também para garantir que o leite materno tenha conteúdo adequado do nutriente para atender às necessidades do bebê;
● Crianças que passam a receber outros alimentos, além do leite materno, a partir do 6° mês, precisam de quantidades adequadas da vitamina, pois ela é essencial para o crescimento e o desenvolvimento saudáveis.
Quadro 2. Megadose administrada profilaticamente a grupo de risco.



A forma de apresentação oral das megadoses de vitamina A é líquida, diluída em óleo de soja e acrescida de vitamina E, na dosagem de 100.000 UI ou 200.000 UI. A megadose é acondicionada em frascos, contendo cada um 100 cápsulas gelatinosas moles. As cápsulas apresentam cores diferentes, de acordo com a concentração de vitamina A.

A DVA pode elevar a morbimortalidade por doenças infecciosas como o sarampo. Entretanto, o papel benéfico da suplementação de vitamina A em outras doenças infecciosas (pneumonia, vírus sincicial respiratório e diarreia infecciosa) ainda não é claro.

A OMS preconiza também a administração de megadose de vitamina A para crianças gravemente desnutridas no primeiro dia de internação, mesmo na ausência de sinais clínicos de DVA, a menos que haja evidência segura de que uma dose de vitamina A foi dada no mês anterior. A dose é como segue: 50.000 UI oral para crianças menores de 6 meses, 100.000 UI para crianças de 6 a 12 meses e 200.000 UI para crianças acima de 12 meses. Se há sinais clínicos de DVA, além da dose inicial a administração deve ser repetida 2 vezes, na mesma quantidade anteriormente citada, no segundo dia e 2 semanas após.

Toxicidade

O retinol é tóxico na forma aguda e crônica. Na forma aguda (ocorre em curto espaço de tempo; uso de uma ou mais doses 100 vezes maior que a recomendada (para adulto) ou 20 vezes maior (para crianças)), altas doses de retinol (mais de 300mg em uma única dose para adultos) causam náuseas, vômitos, vertigem, visão turva, falta de coordenação motora, sonolência, mal estar geral, coma, convulsão e dor de cabeça, com aumento da pressão no fluido cerebrospinal; sinais que desaparecem dentro de poucos dias. Doses extremamente altas podem ser fatais. Doses únicas de 60mg de retinol são oferecidas às crianças de países em desenvolvimento como medida profilática contra deficiência em vitamina A, quantidade adequada para atender às necessidades das crianças por 4 a 6 meses.

A toxicidade crônica de vitamina A (mais freqüente que a aguda; ingestão repetida de doses excessiva 10 vezes acima da dose recomendada) é a causa mais geral de preocupação; ingestões habituais e prolongadas superiores a 7,5 a 9mg/dia para adultos causam sinais de toxicidade afetando o sistema nervoso central (dor de cabeça, náuseas, anorexia, todas associadas com o aumento da pressão do fluido cerebrospinal), o fígado (hepatomegalia, hiperlipidemia e mudanças histológicas, incluindo aumento da formação de colágeno), os ossos (dores nas articulações, espessamento dos ossos longos, hipercalcemia e calcificação dos tecidos moles) e a pele (secura excessiva, escamação e rachaduras da pele, descamação e alopecia (redução total ou parcial de cabelo e/ou pêlos em determinada região do corpo)).

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Conde, WL. Vitamina A e Retinóides. Disponíveis em: www.fsp.usp.br Acessado em: 26/06/2013.

Cozzolino, SMF; Alencar, FH; Marinho, HA; Yuyama, LKO. Vitamina A (Retinol) e Carotenóides. Biodisponibilidade de Nutrientes. 1 ed. São Paulo: Manole, 2005, p. 217-257.

Deficiência de vitamina A. Sociedade Brasileira de Pediatria. Disponível em: www.sbp.com.br Acessado em: 26/06/2013.

Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A. Ministério da Saúde. Disponível em: www.saude.gov.br Acessado em: 26/06/2013.

Vitamina A Mais: Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A – Condutas Gerais. Ministério da Saúde, 2004. Disponível em: www.saude.gov.br Acessado em: 26/06/2013.
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