quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Câncer do Colo do Útero

         No Brasil, estima-se que o câncer de colo de útero seja a terceira neoplasia maligna mais comum nas mulheres, sendo superado pelos cânceres de pele e de mama, e que seja a quarta causa de morte por câncer em mulheres.

    Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer do colo de útero são: início precoce das atividades sexuais, multiparidade, tabagismo, multiplicidade de parceiros sexuais, parceiros sexuais masculinos com múltiplas parceiras, lesão genital provocada por infecção pelo vírus papilomavírus humano (HPV) do tipo oncogênico, baixas condições socioeconômicas, infecções genitais de repetição, alimentação pobre em alguns micronutrientes, principalmente vitamina C, betacaroteno e folato, e o uso prolongado de anticoncepcionais.

            O HPV é o principal fator etiológico do câncer do colo uterino, porém estudos afirmam que a infecção por esse vírus é apenas uma etapa inicial, ele por si só pode ser insuficiente para causar o câncer. Pesquisas indicam que alguns nutrientes antioxidantes, como as vitaminas A, E e C, podem inibir a formação de radicais livres e a evolução de lesões malignas no epitélio do colo uterino, atuando como moduladores da resposta imune frente à presença e/ou à persistência da infecção por HPV, impedindo a progressão da NIC (neoplasia intraepitelial cervical) e consequentemente o desenvolvimento do câncer cervical.

Diagnóstico

Lesões pré-cancerosas (ou mesmo o câncer de colo de útero em seus estágios iniciais) geralmente não apresentam sintomas. Estes só aparecem nos casos mais avançados. E o aparecimento de qualquer dos sintomas a seguir deve ser comunicado ao médico:
  • Aparecimento de secreção, corrimento ou sangramento vaginal incomum;
  • Sangramento leve, fora do período menstrual;
  • Sangramento ou dor após a relação sexual, ducha íntima ou exame ginecológico.
Esses sintomas não significam que a mulher tem câncer. Podem indicar vários outros problemas, mas revelam que é preciso consultar um médico.

Se suspeitar de lesão pré-cancerosa ou de câncer, o médico poderá pedir novos exames, entre eles:
 

Colposcopia

Esse exame permite examinar o colo do útero através de um aparelho chamado colposcópio, que se assemelha a um par de binóculos. Ele produz uma imagem ampliada entre 10 a 40 vezes, permitindo que o médico identifique lesões imperceptíveis a olho nu.
 

Biópsia

Remoção de uma amostra de tecido, que será analisada ao microscópio para ver se há células cancerosas.
 

Exame de Papanicolaou

 

Ele pode detectar as lesões pré-cancerosas causadas pelo HPV que, tratadas, detêm o problema antes que ela assuma a forma invasiva. Geralmente este exame é feito durante o exame ginecológico e consiste na análise microscópica de células do colo de útero obtidas através de uma leve raspagem.
  • Todas as mulheres devem fazer o Papanicolaou anual a partir dos 21 anos ou a partir do terceiro ano após o início de sua vida sexual;
  • A partir dos 30 anos, mulheres que tiveram três Papanicolaous normais seguidos podem fazer o teste a cada 2 ou 3 anos ou fazer o Papanicolaou a cada 3 anos junto com o teste de DNA de HPV se negativo;
  • Mulheres expostas a certos fatores de risco (portadoras do HIV ou com problemas de sistema imunológico) devem fazer o exame anualmente;
  • Mulheres com 70 anos ou mais que tiveram 3 ou mais testes normais em seqüência (e nenhum resultado anormal em 10 anos) podem parar de fazer exames;
  • Mulheres submetidas a histerectomia total (retirada do útero e colo do útero) por motivo outro que não o câncer ou lesão pré-cancerosa também podem parar de fazer o exame;
  • As submetidas à histerectomia parcial devem continuar com os exames de rotina.
 
Vitaminas Antioxidantes


         Estudos epidemiológicos encontraram associação entre as ações de nutrientes e o risco para câncer cervical, com base na ingestão de vitaminas antioxidantes e no pool circulante desses nutrientes, que refletem padrões dietéticos. Estudos de revisão com carotenoides (betacaroteno encontrado na cenoura, folhas verde escuras, vegetais de cor amarela e laranja; e o licopeno encontrado no tomate, melancia, mamão e goiaba), vitamina C (encontrada nas frutas cítricas principalmente) e a vitamina E (tocoferois encontrados nos óleos vegetais) demonstraram que esses podem ser agentes de proteção principalmente nos estágios iniciais da carcinogênese cervical, protegendo contra a persistência e a progressão subsequente de infecções por HPV, porém alguns achados em outros estudos foram imprecisos.

► Vitamina A

         Vitamina A é um termo genérico utilizado para descrever qualquer composto que possua atividade biológica de retinol: retinol (álcool), retinol (ácido) e os carotenoides. O termo pró-vitamina A é também genérico, e utilizado para descrever os carotenoides que exercem função de vitamina A, os mais comuns e presentes na dieta são alfacaroteno, betacaroteno, licopeno, luteína, zeaxantina e betacriptoxantina.
 
O betacaroteno é o carotenoide encontrado na natureza com maior poder de formação de vitamina A e é capaz de conferir proteção contra diversos tipos de tumores em animais. Os retinoides estão envolvidos em numerosos processos fisiológicos, incluindo a diferenciação celular e a apoptose, que é a morte celular programada. Eles inibem o crescimento de células malignas no epitélio escamoso, atuando no crescimento e no controle da diferenciação celular.

O ácido retinoico é o mais fisiologicamente ativo. O retinol circula em um complexo com proteína plasmática ligadora de retinol e pré-albumina, essa proteína entrega o retinol aos sítios intracelulares, onde são convertidos a ácido retinoico. A ação de prevenção do câncer cervical se daria pelo poder que o ácido retinoico tem de alterar a expressão genética especificamente em tecidos-alvo como o do colo do útero, a maior limitação é decifrar como o ácido retinóico cumpre essa tarefa. Além disso, os ácidos retinoicos são moduladores potentes do crescimento e da diferenciação epitelial, o que inibe desenvolvimento do HPV, evitando assim o câncer cervical. Entre as funções dos carotenoides, está a capacidade de inibir a oxidação de compostos pelos peróxidos, sendo também moduladores potentes do crescimento e da diferenciação celular. Eles inibem o crescimento de células malignas no epitélio escamoso do colo uterino e induzem a inibição do desenvolvimento do HPV e conseqüentemente a evolução das lesões displásicas.

► Vitamina C


     O ácido ascórbico é uma vitamina hidrossolúvel e antioxidante que reage diretamente com o oxigênio simples, radical hidroxila e radical superóxido, além de regenerar a vitamina E. Além disso, essa vitamina poupa a glutationa peroxidase, que é um importante antioxidante intracelular e cofator enzimático. A vitamina C tem papel importante na manutenção do tecido normal epitelial e na regeneração da epiderme, além de ter a função de evitar a formação de carcinógenos a partir de compostos precursores, podendo inibir a carcinogênese pelos seguintes mecanismos: alteração da estrutura do carcinógeno, inibição competitiva, prevenção de acesso do carcinógeno ao tecido-alvo por estabilidade crescente da membrana.

Análises laboratoriais indicam que níveis mais baixos de vitamina C do soro eram mais comuns em pacientes com câncer cervical que os controles. Verificou através de pesquisa observacional que a progressão do HPV à NIC está associada à baixa ingestão de vitamina C; porém outro estudo observacional obteve resultado inconsistente quanto à prevenção do câncer do colo uterino com vitamina C.

► Vitamina E
       
     A família de vitaminas lipossolúveis E é composta pelos tocoferóis (alfa, beta, gama, os deltatocoferois) e os tocotrienois, todos com provável atividade antioxidante. Essa função exercida por meio da inibição da peroxidação lipídica protege a integridade das membranas biológicas.

    A vitamina E é outro antioxidante dietético de grande importância, e sua forma mais ativa biologicamente é o alfatocoferol. Sua função como antioxidante é proteger os tecidos adiposos do ataque de radicais livres, como por exemplo, a formação de radicais peróxidos a partir de ácidos graxos poliinsaturados nas membranas fosfolipídicas. A vitamina E é capaz de inibir o crescimento das células malignas. Ela impede que as células tumorais continuem o ciclo celular, interrompendo-o na fase G1 e conduzindo à apoptose. Em estados de deficiência dessa vitamina, os danos celulares causados pela produção de radicais livres pelo tumor causam peroxidação lipídica e destruição celular.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Referências Bibliográficas:

Colo do Útero. A.C. Camargo Cancer Center. Disponível em: www.accarmargo.org Acessado em: 03/01/2014.

Falando sobre Câncer do Colo do Útero. Ministério da Saúde. Disponível em: www.bvsms.saude.gov.br Acessado em: 03/01/2014.


Sampaio, LC; Almeida, CF. Vitaminas antioxidantes na prevenção do câncer do colo uterino. Rev Bras Cancerologia 2009; v.55, n.3: p. 289-296.
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