segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Probióticos, Prebióticos e Simbióticos

  Probióticos são definidos como microrganismos vivos que, quando consumidos, agem no trato gastrointestinal do organismo hospedeiro melhorando o balanço microbiano intestinal.

As culturas probióticas são culturas de microrganismos que originalmente foram isolados do trato gastrointestinal da espécie humana ou animal e são empregadas na elaboração de produtos lácteos conhecidos como funcionais, probióticos, ou de “terceira geração”. As culturas probióticas são encontradas na forma simples contendo uma espécie microbiana ou na forma múltipla, combinando mais de uma espécie.

       Os produtos lácteos fermentados são altamente nutritivos devido ao fato de que seus principais constituintes se encontram parcialmente digeridos pelo processo fermentativo. A hidrólise parcial da caseína e a desnaturação das proteínas do soro durante o tratamento térmico do leite parece facilitar a ação das enzimas digestivas.

          As baterias probióticas mais comumente estudadas incluem os gêneros Lactobacillus e Bifidobacterium.

          A dose recomendada para adultos é de 5 bilhões de unidades formadoras de colônias (UFC)/dia/g ou ml de produto (ou seja, 5x109 UFC/dia/g ou ml), durante pelo menos cinco dias, para que o probiótico exerça algum benefício. Embora a dose preconizada seja esta, os efeitos terapêuticos apresentam doses variáveis de 106 a 109 UFC. Em termos práticos a quantidade recomendada corresponde a ingestão diária de dois a três iogurtes com culturas probióticas.

         A indicação de consumo de probióticos para crianças é exatamente no momento da instalação da microbiota intestinal do lactente, ou seja, no período entre 18 e 24 meses, pois nesta fase a microbiota é mais simples, estável e mais fortemente influenciada pela nutrição. Se introduzidos nesta fase, os probióticos passam a fazer parte da microbiota e podem prevenir doenças. Os estudiosos ainda não estabeleceram uma recomendação de ingestão na população pediátrica, mas tem sido promissores os estudos nos casos de gastroenterite aguda, doença inflamatória intestinal e doenças alérgicas.

          Prebióticos são componentes alimentares não digeríveis que afetam beneficamente o hospedeiro, por estimularem seletivamente a proliferação ou atividade de populações de bactérias desejáveis no cólon.

         As substâncias prebióticas podem ser extraídas e incorporadas a diferentes produtos alimentícios. Geralmente, podem ser derivadas da galactose, maltose, xilose e frutose.



           Inulina e oligofrutose, derivadas da frutose, são os prebióticos mais estudados e os que têm oferecido resultados mais consistentes. São constituintes naturais de muitos alimentos comuns, incluindo vegetais, frutas e cereais, como chicória, cebola, aspargos, alho, banana e trigo. Não são hidrolisados por enzimas digestivas, atingindo o intestino grosso (cólon) intactas, onde são fermentados pela flora intestinal, servindo de substrato para bactérias endógenas. Possuem alguns efeitos de fibra alimentar, como o aumento da biomassa colônica e, consequentemente, do peso e frequência das fezes.

          Os prebióticos são seletivamente fermentados pela microflora do cólon humano, particularmente por Bifidobacterium, um reconhecido gênero promotor de saúde, responsável por várias propriedades terapêuticas, tais como inibição dos patógenos, imunomodulação, síntese de vitaminas do complexo B, modulação do colesterol sanguíneo, inibição da tumorogênese e melhora na absorção de cálcio.

            Após a ingestão de uma quantidade pequena de prebióticos, que varia de 4 a 15g/dia, a composição da flora fecal é significativamente modificada; as Bifidobacterium se tornam dominantes e espécies potencialmente prejudiciais, como Clostridia, Fusobacterium e Bacteroides têm seu número reduzido.




Benefícios atribuídos aos pré e probióticos:

● Controle da microbiota intestinal;
● Estabilização da microbiota intestinal após o uso de antibióticos;
● Redução da população de bactérias maléficas ao organismo;
● Melhora da digestão da lactose e redução de sintomas da intolerância à lactose;
● Auxílio no sistema imune;
● Alívio da constipação;
● Tratamento e prevenção da diarreia aguda;
● Aumento da absorção de vitaminas e minerais;
● Redução do risco de osteoporose;
● Redução do risco de câncer colorretal;
● Redução da atividade ulcerativa da H. pylori;
● Prevenção na dermatite atópica;
● Diminuição da distensão abdominal;
● Flatulência na Síndrome do Intestino Irritável.

            Simbióticos são alimentos contendo simultaneamente microrganismos probióticos e ingredientes prebióticos, resultando em produtos com as características funcionais dos dois grupos, que em sinergia vão beneficiar a saúde do consumidor. A colonização de probióticos combinados com os prebióticos pode aumentar a ação dos primeiros no trato intestinal. Sendo assim, tanto um produto com a combinação de oligofrutose e bifidobactérias quanto outro contendo oligofrutose e Lactobacillus casei, por exemplo, encaixam-se na definição de produto simbiótico.

  Possíveis indicações dos simbióticos em situações clínicas, nas quais existem indícios de sua eficácia são: diarréia viral aguda, diarréia dos viajantes, infecções e complicações gástricas pelo Helicobacter pylori, encefalopatia hepática, diarréia em pacientes portadores da síndrome da imunodeficiência adquirida, síndrome do intestino irritável, diarréia em pacientes em nutrição enteral por sonda nasogástrica, radioterapia envolvendo a pelves, doença inflamatória intestinal, carcinogênese, alergia, síndrome da resposta inflamatória sistêmica, constipação, melhoria da saúde urogenital de mulheres, redução do colesterol e triacilglicerol plasmático, efeitos benéficos no metabolismo mineral, particularmente densidade e estabilidade óssea.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

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Machado, DF; Silva, RR; Fanchiotti, FE; Costa, NMB. Probióticos, prebióticos e simbióticos e seus efeitos na biodisponibilidade do cálcio. Rev. Soc. Bras. Alim. Nutr. 2001; v.22: p. 73-83.

Morais, MB; Jacob, CMA. O papel dos probióticos e prebióticos na prática pediátrica. J. Pediatr. (Rio J.).2006; V. 82, n.5: p.189-197.

Probióticos. Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em: 20/12/2013.

Oliveira, MN. Probióticos: Seus Benefícios À Saúde Humana. Rev. Nutrição em Pauta 2007; p.18-22.

Raizel, R; Santini, E; Kopper, AM; Filho, ADR. Efeitos do consumo de probióticos, prebióticos e simbióticos para o organismo humano. Rev. Ciência & Saúde (Porto Alegre) 2011; v.4, n.2: p.66-74.


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