quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Colesterol

O colesterol, quimicamente um álcool, é encontrado somente nas gorduras de origem animal, quase totalmente na forma livre (não esterificado). A homeostase do colesterol depende do balanço entre ingestão, absorção/excreção e síntese.

O colesterol é produzido no fígado e é um componente fundamental para a integridade das células e para a produção de hormônios. Seu excesso na circulação, entretanto, é danoso ao organismo. Dietas ricas em colesterol e gorduras saturadas podem aumentar os níveis circulantes de colesterol. O tratamento do colesterol alto consiste em dieta, perda de peso, exercícios e, nos casos indicados, medicação.

Os seguintes fatores aumentam o risco de doença coronariana:

► Obesidade;
► Diabetes;
► Pressão alta;
► Colesterol alto;
► História de doença coronariana nos familiares próximos;
► Fumo;
► Idade: homem acima de 45 anos e mulheres acima de 55 anos;

            Recomenda-se dosar o colesterol no sangue a cada 5 anos a partir dos 20 anos de idade. A chance de desenvolver doença do coração aumenta proporcionalmente ao aumento do colesterol. Os níveis ideais situam-se abaixo de 200 mg/dl. Indivíduos acima de 35 anos e com colesterol em níveis ideais não precisam de tratamento. Quem tiver colesterol total elevado e LDL acima de 130, necessita dieta, perda de peso e exercícios. Recomenda-se o uso de medicação para aqueles com LDL alto, acima de 190 apesar da dieta. Para quem tiver mais de dois fatores de risco, a recomendação de remédios é feita em níveis mais baixos de LDL, por volta de 160.

            Volta e meia escutamos um paciente reclamando pelo fato de não ser gordo, não comer “gordura” e mesmo assim ter colesterol alto. Não obstante o aumento de peso e a ingestão de gordura animal possam aumentar o colesterol, o componente hereditário é decisivo. Aquele indivíduo tem colesterol alto constitutivamente, porque os instrumentos de que o organismo, mais especificamente o fígado, lança mão para remover o excesso de colesterol circulante, não existem em quantidade suficiente ou não funcionam em sua plena capacidade. Um a cada 500 adultos têm uma anormalidade genética que impede o organismo de processar adequadamente o LDL colesterol. Tais indivíduos terão o colesterol alto mesmo ingerindo-o em quantidades pequenas.

As chamadas dietas ricas em gorduras saturadas, ao contrário das insaturadas, têm a propriedade de aumentar o colesterol. Esse tipo de gordura é principalmente encontrada nos alimentos de origem animal, principalmente carne, queijos, leite integral, manteiga, cremes… A maioria dos óleos vegetais, exceção feita à gordura de coco e óleo de cacau, é rica em gorduras insaturadas e não elevam o colesterol. Os óleos de oliva e canola são ricos em gorduras monoinsaturadas e podem até mesmo ter um efeito protetor contra a aterosclerose coronariana. Infelizmente alguns óleos vegetais podem ser convertidos em gorduras saturadas por processos industriais de hidrogenação: são justamente aqueles responsáveis pelas margarinas “cremosas”.

Para começar, dieta, exercícios físicos e perda de peso constituem o tripé insubstituível mesmo para quem precisa de remédios para baixar o colesterol. A redução da ingestão de colesterol e gorduras saturadas e o aumento no consumo de fibras podem reduzir em 10 a 15% os níveis sanguíneos de colesterol e em 15 a 20% os de triglicerídeos. Caso os níveis elevados persistam com a dieta, indica-se medicamento.

Um dos possíveis mecanismos de ação do consumo das fibras alimentares no controle do colesterol tipo LDL (colesterol ruim) sérico é a ligação das fibras aos ácidos biliares, diminuindo o poder de reabsorção desse colesterol. Assim, as fibras são excretadas nas fezes, diminuindo a quantidade de ácidos biliares no ciclo intestino-fígado.

Outro possível mecanismo são os ácidos graxos de cadeia curta produzidos pela degradação das fibras na flora bacteriana no intestino, as quais incrementariam a degradação do LDL-colesterol sérico.

Alimentos Permitidos:

Alimentos Proibidos:
● Leite desnatado, ricota, queijo fresco;
● Leite integral, tipo A ou B, queijos gordurosos (amarelos e requeijão);
● Iogurte ou coalhada desnatados;
● Manteiga, margarina, creme de leite;
● Carnes magras, peito de frango, filé de peixe;
● Carnes gordas;
● Óleo de girassol ou canola;
● Frutos do mar (camarão, ostra, marisco, polvo, lagosta);
● Cereais (arroz, trigo, centeio, cevada), macarrão de preferência integrais;
● Frios (presuntos, mortadela, etc.);
● Feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha seca;
● Miúdos (fígado, coração, rim);
● Frutas, verduras e legumes;
● Enlatados;
● Margarina light;
● Açúcar, chocolate, coco;
● Requeijão light.
● Óleo de amendoim;

● Bacon, toucinho, banha;

● Biscoitos amanteigados, cremosos e recheados;

● Bebidas alcoólicas;

● Frituras, gratinados e preparações sauté;

● Torta, pastéis, pizzas, doces;

● Maionese, chantilly;

● Gema de ovo;

● Molhos prontos, caldo de carne.

Recomendações:

● Utilizar adoçante artificial em substituição ao açúcar;
● Aumentar a ingestão de verduras cruas, legumes e frutas com bagaço, grão integrais, farelos, aveia;
● Ingerir de 2 a 3 litros de água por dia.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:
Brown L, Rosner B, Willett WW, Sacks FM. Cholesterol-lowering effects of dietary fiber: a meta-analysis. Am J Clin Nutr. 1999; v. 69, n.1: p. 30-42.
Butt MS, Shahzadi N, Sharif MK, Nasir M. Guar gum: a miracle therapy for hypercholesterolemia, hyperglycemia and obesity. Critical Reviews in Food Science and Nutrition. 2007; v.47, n.4: p. 389-396.
Colesterol. Hospital das Clínicas. Disponível em: www.hc.fmb.unesp.br Acessado em: 03/01/2014.

Lottenberg, AMP. Importância da gordura alimentar na prevenção e no controle de distúrbios metabólicos e da doença cardiovascular. Arq Bras Endocrinol Metab 2009; v.53, n.5: p.595-607.
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