segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Cálcio

 

O cálcio é o mineral mais abundante no corpo humano. Cerca de 99% deste nutriente


está 
localizado nos ossos e dentes. Além de formar e manter o esqueleto humano, também participa do processo de coagulação sanguínea, contração muscular, secreção de hormônios, regulação de reações enzimáticas, sendo fundamental para a comunicação entre as células.


A ingestão inadequada de cálcio é um problema mundial, sobretudo entre as populações idosas, e está associada com várias desordens médicas, como a osteoporose, cânceres de cólon e de mama e cálculos renais. Portanto, recomenda-se à população em geral, aumento na ingestão de cálcio com o objetivo de diminuir os riscos dessas doenças crônicas.

A regulação dos níveis plasmáticos é alcançado por meio de uma interação de hormônios calcicotrópicos como paratormônio (PTH) e dihidrocolecalciferol (vitamina D3) e calcitonina, que atuam em receptores específicos nos rins, ossos e intestino e mantém o equilíbrio entre as três formas de cálcio (ligado à proteínas, complexado com citrato, fosfato ou bicarbonato e íons livres). A secreção destes hormônios é controlada pelas concentrações plasmáticas de cálcio ionizado, em um sistema de “feedback” negativo. Quando existe uma diminuição da concentração, ocorre a secreção de paratormônio, que mobiliza o cálcio dos ossos e aumenta a sua reabsorção renal, além de promover a ativação de vitamina D em calcitriol que por sua vez atua não apenas na reabsorção renal e retirada de cálcio dos ossos, mas também aumenta a absorção intestinal. Um aumento da concentração plasmática de íons de cálcio estimula a secreção de calcitonina, que favorece o depósito de cálcio nos ossos e aumenta a excreção renal.

Do total de cálcio ingerido na dieta, somente uma fração é absorvida (25 a 35%). Os alimentos mais ricos em cálcio e que possuem maior absorção pelo organismo, são o leite e seus derivados, pois contém vitamina D e lactose (açúcar do leite). Porém, o cálcio também pode ser encontrado nas folhas verdes escuras (espinafre, couve-manteiga, brócolis), na sardinha, mariscos, amêndoa, etc.

O excesso de cálcio também pode ocorrer e está associado a ingestão acima de 2g/dia do mineral, hiperabsorção no intestino, tratamento de úlceras pépticas com leite e antiácidos álcalis.

O cálcio pode ser perdido nas fezes, por meio de descamação endotelial, secreções pancreáticas e biliares, pela urina e, em pequena escala, pela pele e pelo suor. Os rins reabsorvem de 98 a 99% do cálcio filtrado. Variações nas quantidades excretadas devem-se à idade (diminui em pessoas idosas) e sexo (maior excreção em homens e em mulheres em menopausa). A excreção também aumenta com altos consumos de sódio e proteína.

As necessidades diárias de ingestão variam conforme a faixa etária, sendo maior nos adolescentes. A recomendação diária para adultos (homens e mulheres) é de 1.000 mg/dia, já para os adolescentes é de 1.300 mg/dia.  Assim, crianças e adolescentes devem ingerir alimentos ricos em cálcio, pelo menos 2-3 vezes ao dia, que ajudará na prevenção da osteoporose e outras doenças.

Para atingir a recomendação adequada a cada faixa etária, é necessária a ingestão de pelo menos três porções diárias de: 1 copo de 200 ml de leite integral, que contém 240 mg de cálcio; 1 fatia média de queijo minas, que contêm 310 mg ou 1 unidade de 200 ml de iogurte natural, que contém 300 mg de cálcio, entre outras.

Os baixos níveis de cálcio podem ser reflexos de dietas com deficiência de cálcio, excesso de fibras, deficiência de vitamina D e de boro, excesso de fósforo ou má absorção intestinal.

Raquitismo
O cálcio não pode ser absorvido sem a vitamina D, que é produzida pela pele em resposta a exposição à luz solar ou pode ser proveniente da dieta. Se a criança apresentar a carência de vitamina D, pode estabelecer uma patologia conhecida por raquitismo.  Esta é caracterizada por uma mineralização defeituosa com redução do conteúdo mineral do osso, ou seja, com os ossos moles, as pernas podem ficar arqueadas e desenvolverem más formações na cabeça e no tórax.

Os primeiros sinais da deficiência de cálcio na infância manifestam-se no sistema nervoso: a criança fica irritada, agitada, com sono escasso e sudorese abundante. Além disso, pode apresentar retardamento no crescimento, palidez e emagrecimento. A criança pode deparar com um atraso no desenvolvimento motor, diminuição da força muscular, debilidade dos músculos abdominais podendo apresentar hérnia umbilical, constipação intestinal ou cáries dentárias.

Nesta fase pediátrica, os ossos estão em intenso processo de remodelação e as necessidades de cálcio são aumentadas devido ao processo de crescimento. Assim, uma alimentação equilibrada, contendo quantidade suficiente de cálcio, em associação com outras medidas de prevenção é essencial. Os benefícios potenciais da dieta rica em cálcio e dos exercícios físicos efetuados durante a infância e adolescência, são comportamentos que formam a base de um estilo de vida saudável relacionado à massa óssea.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Esteves, EA; Rodrigues, CAA; Paulino, EJ. Ingestão dietética de cálcio e adiposidade em mulheres adultas. Rev Nutr. 2010; v.23, n.4: p. 543-552.

Tórmena, TF. Cálcio: ingestão, recomendação e deficiências. Disponível em: www.nutrociencia.com.br Acessado em: 10/02/2014.


Ybarra, LM; Costa, NMB; Ferreira, CLLF. Interação cálcio e ferro: uma revisão. Rev Soc Bras Alim Nutr 2001; v.22, p. 85-107.
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