quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Nutrição na Psoríase


 A psoríase é uma doença multifatorial, que afeta pessoas com predisposição genética, podendo também estar associada a fatores imunológicos e ambientais, como queimaduras graves, traumatismo físico, estresse emocional, infecções ou ainda uso contínuo de alguns fármacos (lítio, β-bloqueadores e alguns anti-inflamatórios não esteroidais). Isso se explica pelo fato de que uma lesão ou agressão ocasionada na pele poderia desencadear uma liberação anormal de proteínas envolvidas no processo inflamatório, conhecidas como citocinas. Estas citocinas, por sua vez, ativariam as células de defesa, os linfócitos T (CD4), o que provocariam liberação de outras citocinas pró-inflamatórias, aumentado as lesões e ainda gerando um estado inflamatório crônico.

      A psoríase se caracteriza pelo crescimento acelerado de células localizadas na epiderme, chamadas de queratinócitos, sendo seu ciclo natural de duração de 28 dias encurtado para 4 dias (considerando-se desde a fase de maturação até a divisão celular). Esta hiperproliferação ocasiona acúmulo celular sob a superfície da derme, formando placas esbranquiçadas e lesão cutânea.

         Estudos epidemiológicos demonstram que a psoríase acomete 2% a 3% da população mundial. Esta patologia pode se iniciar em qualquer idade, porém estudos indicam que sua maior prevalência ocorre entre 20-30, e entre 50-60 anos.

Tratamento Nutricional


         A alimentação pode influenciar a psoríase de duas maneiras – como causa das desordens metabólicas ou como tratamento e prevenção. Deste modo, o cuidado nutricional, juntamente com o controle das variáveis bioquímicas e antropométricas garantem maior estabilidade clínica a esses indivíduos, prevenindo as doenças crônicas não transmissíveis comumente associadas à doença e proporcionando maior longevidade com qualidade.

            Não há nenhuma diretriz nacional ou internacional que estabeleça uma alimentação adequada a estes pacientes. Alguns autores sugerem que diversos compostos ativos da nossa alimentação desempenham papéis importantes na fisiopatogenia da psoríase com a mesma magnitude que o controle do aporte energético da dieta e o consumo de gorduras totais e saturadas contribuem para o controle das DCNT. Dentre esses nutrientes, citam-se algumas vitaminas e minerais (vitamina A, E, C e D, ácido fólico), ácidos graxos poliinsaturados (ômega-3), além de dietas com baixa densidade calórica, além da vegetariana.

            Dietas de baixa densidade calórica, portanto, são consideradas como importante fator no auxílio na prevenção e manutenção de peso. Consequentemente, a redução do peso corporal diminui os marcadores pró-inflamatórios como as citocinas, melhorando o perfil lipídico, a resistência e a sensibilidade à insulina e o risco de doenças associadas.

             Sabe-se que os ácidos graxos poliinsaturados atuam beneficamente em diferentes doenças como hipertensão arterial, diabetes mellitus, doenças inflamatórias e autoimunes. Dessa forma, estimula-se o consume de peixes ricos em ômega-3 (salmão, tainha, sardinha), na tentativa de se atenuar o efeito inflamatório causado pela própria doença. Porém, o efeito da suplementação de ácido graxo poliinsaturado aplicada à psoríase ainda é questionável.

     Estudos com pacientes com artrite reumatoide, psoríase e lúpus eritematoso sistêmico demonstraram que esses indivíduos têm uma forte tendência a desenvolver deficiência de vitamina B12, ácido fólico, vitamina B6 e ferro, possivelmente, como consequência de deficiências nutricionais e má absorção ocasionada pelos mecanismos autoimunes da própria doença e da presença de marcadores inflamatórios. Além disso, indivíduos com psoríase poderiam apresentar um desequilíbrio nas concentrações de selênio, magnésio, potássio, betacaroteno e alfatocoferol.

Quadro 1. Sugestão de Terapia Nutricional.

Orientações nutricionais
Sugestões/Observações
1- Realizar dieta hipocalórica
Dieta de 800-1200kcal/dia
2- Ajustar a proporção entre os macronutrientes (carboidrato, proteína e lipídios)
60-70% de carboidrato
20-35% de lipídios
10-15% de proteína
3- Controlar consumo de carboidrato de alto índice glicêmico
Controlar consumo de alimentos como açúcar e farinha refinados.
4- Dar preferência ao consumo de carboidrato de baixo índice glicêmico
Aumentar consumo de alimentos integrais como pão integral, massa integral ou à base de ovo, arroz integral ou parboilizado, milho, aveia e cereais integrais.
5- Controlar consumo excessivo de colesterol e gordura saturada
Evitar alimentos gordurosos, fritura, carnes gordurosas e embutidos.
6- Aumentar consumo de ácidos graxos poliinsaturados
Aumentar o consumo de peixes (atum, salmão, sardinha), azeite extra-virgem, óleo de canola e soja. Dependendo do caso, a suplementação de ômega-3 também poderá ser empregada.
7- Aumentar ingestão de fibras alimentares
Aumentar consumo de frutas, verduras e hortaliças.
8- Aumentar ingestão de vitaminas (vitamina A, C, E, do complexo B, flavonoides e ácido fólico)
Aumentar consumo de alimentos fonte:

● Vitamina A – Bife de fígado cozido, cenoura, batata-doce assada, espinafre, couve cozida, atum;
● Vitamina C – Acerola, kiwi, goiabada, brócolis, espinafre;
● Vitamina E – Óleo de gérmen de trigo, óleo de girassol, molho de tomate, manga, mamão papaia;
● Vitaminas do complexo B – salmão cozido, frango cozido, banana, castanhas, abacate;
● Flavonoides – Uva, amora, framboesa, frutas cítricas, brócolis;
● Ácido fólico – Bife de fígado, lentilha, feijão-preto cozido, beterraba cozida, brócolis cozido.
9- Aumentar a ingestão de minerais (selênio, potássio, magnésio)
Aumentar consumo de alimentos fonte:

● Selênio – Peixe, carne bovina, frango, leite e queijos, castanha-do-Brasil, cogumelo;
● Potássio – Feijão preto, lentilha, leite em pó, paio, lagosta crua;
● Magnésio – Abacate, banana, folha de beterraba, aveia, semente de abóbora.
10- Evitar consumo de bebidas alcoólicas
Substituir cerveja com álcool por cerveja sem álcool. E substituir vinho por suco de uva.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:


Solis, MY; Sabbag, CY; Frangella, VS. Evidências do impacto da nutrição na psoríase.  Rev Assoc Bras Nutr 2013; v.5,   n.1: p. 41-51.
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