domingo, 26 de abril de 2015

Alimentos X Medicamentos



A interação droga-nutriente é um assunto relativamente recente e as informações a respeito ainda são um pouco escassas, mas vêm crescendo nos últimos tempos. Vale salientar que outros fatores além da alimentação podem afetar o mecanismo de ação do medicamento, como por exemplo, a idade, o peso e o sexo.

É importante saber que os medicamentos sofrem interação com os nutrientes. Por isso, algumas drogas não devem ser consumidas juntamente com alimentos, pois isto pode diminuir sua absorção e utilização pelo organismo humano. Já outros medicamentos têm indicação para serem administrados junto com a comida, para evitar, por exemplo, a irritação do estômago. Estas informações são importantes para a programação da dietoterapia de um paciente. Dessa maneira, é interessante que o nutricionista saiba onde age cada tipo de droga e como elas podem interagir com a alimentação.

Sempre escutamos falar sobre a interação entre leite, café e álcool com inúmeros medicamentos. Por exemplo, o álcool pode aumentar os efeitos colaterais causados ​​pelos medicamentos, como a sonolência provocada pelos antialérgicos.

No caso de medicamentos para doenças cardiovasculares, os inibidores da enzima conversora de angiotensina podem elevar a quantidade de potássio do corpo. Por isso, ao consumir tais medicamentos evite comer grandes quantidades de alimentos ricos em potássio como banana, laranja e substitutos do sal que contenham potássio.

Em contraposição, um problema relacionado a medicamentos para doenças cardiovasculares é que o consumo de alimentos ricos em fibras como a cenoura, pode atrapalhar a absorção da digoxina.

Semelhante à digoxina, o paracetamol, um anti-inflamatório muito utilizado, não é totalmente absorvido quando ingerido com alimentos ricos em fibras.  

Relação entre Medicamentos e Nutrientes

Antiácidos: neutralizam a acidez estomacal. O uso desta droga por longo período de tempo pode levar a deficiência de alguns nutrientes, pois a acidez do estômago é importante para a digestão e/ou absorção de alguns nutrientes. Os idosos produzem menos ácido estomacal, o que leva a menor absorção de vitamina B12 e o uso regular de antiácidos reduz ainda mais a absorção desta vitamina. A suplementação de vitamina B12 pode ser necessária nesses casos.

Antibióticos: são usados para tratar infecções bacterianas e alguns deles diminuem a síntese de vitamina K pelas bactérias intestinais e prejudicam os mecanismos de coagulação. Os do tipo tetraciclina, se consumidos junto com leite e derivados, se ligam ao cálcio e podem ser menos absorvidos. A penicilina e a eritromicina são mais efetivas quanto ingeridas com o estômago vazio, entretanto, a comida pode diminuir as chances de irritação do estômago. Por isso, o médico sempre deve ser consultado para decidir se o antibiótico será ingerido com ou sem alimentos.

Anticoagulantes: como a varfarina, diminuem o processo de coagulação sanguínea e sofrem interferência com a vitamina K. Portanto, indivíduos que estão sob tratamento com essas drogas devem ficar atentos à quantidade de vitamina K que ingerem através da alimentação. É importante que alimentos ricos em vitamina K, como fígado e vegetais de cor verde-escura (brócolis, espinafre, entre outros) sejam evitados.

Anticonvulsivantes: ajudam a controlar crises de convulsão. As do tipo fenitoína, fenobarbital e primidone podem causar diarreia e diminuição do apetite e, consequentemente, diminuir a disponibilidade de vários nutrientes. Estas drogas também aumentam a utilização da vitamina D pelo organismo humano, o que significa que menos vitamina D fica disponível para as funções orgânicas (como absorção do cálcio) e a suplementação pode ser necessária. Alguns anticonvulsivantes também interagem com a vitamina B e ácido fólico, diminuindo a quantidade circulante destas vitaminas. Mas, como os suplementos de ácido fólico afetam os níveis sanguíneos da droga, a suplementação deve ser supervisionada por um médico.

Anti-histamínicos: são usados para tratar alergias. Muitas destas drogas costumam causar sonolência (principalmente se associadas ao álcool) e aumentar o apetite, o que pode levar ao aumento de peso.

Anti-inflamatórios: são prescritos a pacientes com dores crônicas nas juntas, dores de cabeça, artrites, entre outros. O uso em longo prazo pode causar irritação estomacal e úlceras, por isso esta medicação deve ser ingerida com a comida. Uma atenção especial também deve ser dada ao Ácido acetilsalicílico que tem sua absorção reduzida quando consumido em conjunto com suco de maracujá (vitamina C) ou alface (Vitamina K) e pode alterar o transporte de folato.

Anti-hiperlipidêmicos: as substâncias utilizadas para reduzir o colesterol atuam reduzindo a absorção de gordura, o que pode ter como efeito colateral a redução da absorção de vitamina A, D, E, K e carotenoides. Foi demonstrado também que as absorções de vitamina B12, folato e cálcio podem ser afetadas. Se utilizadas por longos períodos, a suplementação com cálcio e multivitamínicos pode ser necessária.

Anti-hipertensivos: podem alterar os níveis de alguns minerais, como potássio, cálcio e zinco. Captopril, uma substância hipotensiva e inibidora da enzima conversora de angiotensina, pode se ligar ao ferro no intestino se for administrado juntamente com suplemento de ferro. A alimentação também interfere na absorção dessa substância, já que a alimentação retarda o esvaziamento gástrico e eleva o pH. Pacientes diabéticos que estão sob tratamento com anti-hipertensivos podem ter maior dificuldade para controlar a glicemia.

Antineoplásicos: são utilizadas para tratar diferentes tipos de câncer. Por irritarem a mucosa da boca, do estômago e do intestino, estas drogas frequentemente causam náuseas, vômitos e/ou diarreia, sintomas que afetam o estado nutricional. O mais conhecido é o metotrexato, o qual prejudica o metabolismo do folato. Para minimizar esse efeito colateral, recomenda-se o aumento da ingestão desse nutriente.

Antitubecular (Tuberculose): O medicamento isoniazida se liga à piridoxina e aumenta o risco de deficiência de vitamina B6. Parece inibir também o metabolismo hepático da vitamina D. A pelagra está associada ao uso prolongado de isoniazida, devido a sua interferência no metabolismo de niacina.

Antifúngicos: como o itraconazol, devemos tomá-lo durante ou logo após uma refeição completa para obtermos maior eficiência.

Diuréticos: fazem com que o organismo humano aumente a excreção de urina, por isso são frequentemente utilizados para tratar pessoas com hipertensão e retenção hídrica. Porém, alguns diuréticos aumentam a perda de potássio, magnésio e cálcio pela urina, outros limitam a perda de minerais. Neste último caso, a suplementação mineral deve ser evitada. A furosemida tem sido associada à deficiência de vitamina B1 em idosos.

Laxantes: aumentam a velocidade da digestão e reduzem o tempo de absorção de nutrientes. O uso excessivo de laxantes pode causar a depleção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), minerais (sódio e potássio) e aumentar as perdas hídricas, podendo levar à desidratação.

No tratamento da osteoporose, os medicamentos são melhores absorvidos quando consumidos com o estômago vazio.

Algumas das drogas para saúde mental (que tratam depressão, ansiedade, entre outros) podem causar aumento ou diminuição do apetite, tendo impacto no estado nutricional do paciente. O álcool deve ser evitado junto com este tratamento medicamentoso, pois pode intensificar a sonolência causada pela droga. Algumas dessas drogas são inibidoras da MAO (enzima monoamina oxidase) e diminuem a utilização de compostos chamados monoaminas pelo corpo humano. Os inibidores da MAO também podem reagir com a tiramina (uma monoamina) encontrada em certos alimentos (principalmente alimentos “envelhecidos” e fermentados, como alguns queijos, extrato de malte, arenque em conserva, favas e alguns vinhos). Esta reação pode causar um aumento importante na pressão sanguínea e, se não for tratado, pode levar o indivíduo a óbito.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Pfrimer, K; Ferriolli, E. Avaliação Nutricional do Idoso. In: Vitolo, MR. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. 1. ed. Rio de Janeiro: Ed. Rubio, 2008.

Lewinski, IW. O que devo saber sobre o medicamento do meu paciente. Disponível em: www.nutritotal.com.br

Morzelle, MC.  Alimento e Medicamento: Amigos ou Inimigos? Grupo de Estudo em Alimentos Funcionais. Disponível em? www.alimentofuncional.webnode.com.ve

University of Florida. Food/Drug and Drug/Nutrient Interactions: what you should know about your medications. Disponível em: http://edis.ifas.ufl.edu/pdffiles/HE/HE77600.pdf.
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