domingo, 19 de abril de 2015

Ômega-3




        As gorduras presentes nos alimentos não são exclusivamente antagonistas a saúde humana, o tipo consumido e a quantidade é que podem interferir positivamente ou negativamente no bem-estar.

Uma das classificações dos ácidos graxos deve-se quanto à presença ou não de duplas ligações, denominando o grau de saturação, sendo aqueles que não apresentam dupla ligação denominados saturados e os ácidos graxos insaturados aqueles que apresentam 1 dupla ligação, monoinsaturados conhecidos como MUFA’s ou mais ligações duplas em sua cadeia, os poliinsaturados ou PUFA’s.

Os ácidos graxos insaturados são conhecidos como “gorduras boas’’, pois são essenciais para todas as células do nosso corpo e exercem uma função importante na produção de energia, crescimento das células, funções nervosas e regulação hormonal. São considerados essenciais pois nosso corpo não consegue produzi-los, sendo assim, precisam estar presentes em nossa alimentação.  Essas gorduras podem ser classificadas em monoinsaturadas e poli-insaturadas.

As monoinsaturadas estão presentes no azeite de oliva, óleo de canola, óleo de gergelim, abacate e amendoim. Elas auxiliam na redução dos níveis de colesterol ruim (LDL), porém não se recomenda o uso de nenhuma gordura em  excesso. As gorduras poliinsaturadas são, principalmente o ômega-3 e ômega-6. O ômega-3, já possui a alegação de propriedade funcional aprovada pela ANVISA, pois seu consumo ajuda a manter níveis saudáveis de triglicerídeos, porém isso só é possível  se estiver associado a uma alimentação e hábitos de vida saudáveis. No entanto, esta alegação deve ser utilizada somente para os ácidos graxos ômega-3 de cadeia longa, que são provenientes de óleos de peixe. O ômega-3 possui uma grande concentração de ácido linoleico que é convertido em EPA (ácido eicosapentaenoico) e DHA (ácido docosahexanóico).

A ingestão de ácidos graxos ômega-3 provoca alterações estruturais e funcionais na membrana celular fosfolipídica. Ocorre aumento de sua fluidez, permitindo maior mobilidade das proteínas de membranas, e favorece maior troca de sinais de transdução, interação hormônio-receptor e transporte de substratos. A partir daí, relaciona-se a aplicação do ômega-3 em:

Modulação da Resposta Inflamatória: através da competição com o ácido araquidônico como substrato para a síntese de endoperóxidos: prostaglandinas (PG), leucotrienos (LT), tromboxanos (TX). O ácido araquidônico origina PG da série 2 e LT e TX da série 4, enquanto os ácidos ômega-3 originam PG da série 3 e LT e TX da série 5. As série 3 e 5 são mediadores inflamatórios menos potentes, podendo contribuir para o controle de uma resposta inflamatória aumentada por doença.

Modulação da Resposta Imune: ocorre alteração da composição de ácidos graxos da membrana celular dos macrófagos, com inibição da produção de prostaglandinas da série 2. Os estudos relacionam a suplementação com ômega-3 com o aumento da proliferação linfocitária e o favorecimento da fagocitose.

Fontes Alimentares

            As fontes alimentares de ômega-3 são peixes (sardinha, salmão, atum, arenque, cavala, truta), óleo de peixe, óleo de canola e óleo de linhaça. 



Indicação

            A alimentação na atualidade, apresenta a relação de ômega 6:ômega-3 de 10 a 16:1, isto é:

● Ômega-6: 10 a 16 (ácido linoleico, presente nos óleos vegetais em geral);

● Ômega-3: (ácido linolênico, presentes nas fontes já citadas).

            Para efeitos imunomoduladores, através do aumento da oferta de ômega-3, a relação deve ser de pelo menos 4:1, ou seja, ômega 6:4 e ômega 3:1.

            Este efeito imunomodulador é indicado para:

● Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS);
● Câncer;
● Artrite Reumatoide;
● Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS);
● Doença de Crohn.

Recomendação de Ingestão de Lipídios

Quadro 1. Recomendações diárias de lipídios, conforme a idade, de acordo com a literatura internacional e as Dietary Reference Intakes.

Faixa etária
Lipídios
Ômega-6
Ômega-3
Bebê
0-6 meses
7-12 meses

31g
30g

4,4g
4,6g

0,5g
0,5g
Prematuro
Nascimento-7°dia
7°dia-saída da UTI
Até 1 ano após saída da UTI

0,5-3,6g/kg de peso corpóreo
4,5-6,8g/kg de peso corpóreo
4,4-7,3g/kg de peso corpóreo


Criança
1-3 anos
4-10 anos
4-8 anos

30-40% do VCT*
25-35% do VCT*

7,0g

10g

0,7g

0,9g
Grávidas
Até 50 anos


13g

1,4g
Lactantes
Até 50 anos


13g

1,3g
Adulto
19-50 anos (Homem/Mulher)
˃ 50 anos (Homem/Mulher)








17/12g

14/11g


1,6/1,1g

1,6/1,1g
Idoso
˃ 65 anos (Homem/Mulher)

20-35% do VCT

14/11g

1,6/1,1g
* Considera-se o VCT (valor calórico total) pela fórmula de Harris e Benedict; para idosos, considerar uma redução das necessidades energéticas (2 a 4% por década) em função do declínio da atividade física e da massa corporal metabolicamente ativa.
Fonte: Waitzberg,DL.

Deficiência de Ômega-3

            A deficiência de ácidos graxos essenciais causa disfunção imunológica, dermatite, alopecia, trombocitopenia e má cicatrização. Na gravidez, a deficiência de DHA pode estar associada com prejuízo cognitivo e do desenvolvimento visual do feto. Os principais sinais e sintomas de deficiência do ácido graxo essencial ômega-3 são: sintomas neurológicos, redução da acuidade visual, lesões de pele, retardo do crescimento, diminuição da capacidade de aprendizado, eletroretinograma anormal. Em crianças, retardo do crescimento e diarreia.


As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Barankevicz, GB. Gorduras: Nem sempre são as vilãs. Grupo de Estudos em Alimentos Funcionais – GEAF. Disponível em: www.grupoalimentosfuncionais.blogspot.com.br

Caruso, L; Simony, RF; Silva, ALND. Dietas hospitalares: uma abordagem na prática clínica. 1. ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2004.

Santana, ATMC. Aliando os ácidos graxos a saúde. Grupo de Estudos em Alimentos Funcionais – GEAF. Disponível em: www.grupoalimentosfuncionais.blogspot.com.br

Waitzberg, DL. Ômega-3: o que existe de concreto? Disponível em: www.nutritotal.com.br


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