quinta-feira, 2 de abril de 2015

Autismo e sua Relação com a Nutrição



Autismo é um dos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID), classificado como um distúrbio que se caracteriza por alterações presentes precocemente, tipicamente antes dos três anos de idade, com impacto múltiplo e variável do desenvolvimento humano como as áreas de comunicação, interação social, aprendizado e capacidade de adaptação. É marcado pelo atraso e desvio das habilidades sociais, ocorrendo uma interrupção dos processos normais.

Esta síndrome é responsável por um padrão comportamental restritivo e repetitivo, podendo, gerar perfis cognitivos que variam entre o atraso mental e níveis de inteligência acima da média. Esta psicopatologia traduz-se por uma diversidade de sintomas nestas três áreas de incidência, como, por exemplo, os movimentos corporais repetitivos, a ausência de contacto visual, a necessidade de estereotipias, o comportamento de autopreservação, entre outros.

As intervenções dietéticas vem a partir da restrição no consumo de alimentos que contem glúten e caseína que são causadores de alergias e transtornos gastrointestinais, que desencadeiam crises comportamentais, o que se propõe é a remoção desses alérgenos da dieta. Além de substituir alguns alimentos, como o açúcar, alimentos industrializados, ricos em fenois e salicilatos.

Autismo & Nutrição: A alimentação do autista deve seguir um modelo alimentar para o autista, ou seja, uma dieta individualizada, conforme adaptações de planos alimentares, envolvendo familiares, pessoas do convívio, para que o paciente consiga seguir melhor as condições propostas. O cuidado especial, a educação nutricional com os autistas e seus cuidadores, com orientação adequada poderá ajudar nas atividades rotineiras. Os autistas são muito seletivos e resistentes a novas experiências alimentares, por isso, deve-se tomar cuidado de não deixá-los ingerir alimentos que não sejam considerados saudáveis. Comportamento repetitivo e interesse restrito podem ter papel importante na seletividade dietética.

Alergias alimentares: A permeabilidade intestinal e alergia alimentar em portadores do espectro autista são questões avaliadas devido à presença constante de sintomas gastrointestinais como: diarreia, constipação, distensão e dor abdominal.

As crianças autistas com evidência de alergia alimentar mediada ou não por imunoglobulina E (IgE) quando submetidas a uma dieta restrita em alérgenos (caseína e glúten) tem efeitos positivos nos desconfortos gastrointestinais refletindo também em alterações comportamentais.

Devido à alta prevalência dos sintomas gastrointestinais e a melhora de sintomas com a intervenção dietética, um elo entre as anormalidades gastrointestinais e as alterações de comportamento nos pacientes com transtorno autístico tem sido investigado. Com a melhora clínica dos sintomas gastrointestinais e comportamentais a hipótese sobre a alergia alimentar tem sido estudada13.

A dieta sem glúten (trigo e outros cereais) e sem caseína (leite e derivados) (SGSC) é baseada na “Teoria do Excesso de Opioides” que sugere o desencadeamento da ação opioide no SNC, ocasionada pela presença de peptídeos, por meio de uma permeabilidade intestinal existente e possível infiltração pela barreira hematoencefálica, como resultados observam-se comportamentos ou atividades anormais.

Alguns autores afirmam que o glúten e a caseína causam sensação de prazer, além de hiperatividade, falta de concentração, irritabilidade, dificuldade na interação da comunicação e sociabilidade. Estudos relatam que indivíduos autistas, os quais aderiram a uma dieta isenta de caseína e glúten, apresentaram melhora dos sintomas.

Após analise de muitos estudos, na década de 70, estudando o autismo na área da nutrição, avaliou-se uma possível relação entre os seus comportamentos alimentares e a presença de glúten e caseína no respectivo regime dietético. Na sequência desta hipótese, têm sido desenvolvidos vários estudos nutricionais que visam informar a existência em relação à forma como o glúten e a caseína influenciam o comportamento das pessoas com autismo. Portanto, muitos estudos formulados em torno das intervenções dietéticas de exclusão de glúten e caseína não foram cientificamente confirmados, desta forma torna-se indispensável à realização de investigação complementar.

Alguns pacientes com autismo necessitam de dietas especiais, cujas intervenções nutricionais se baseiam em certas carências, como a ocorrência de alergias alimentares ou a carência de importantes vitaminas e minerais que poderiam causar os sintomas essenciais do autismo. É oferecida para autistas uma dieta sem glúten e caseína, entretanto, alguns pesquisadores aconselham o suplemento da dieta com vitamina piridoxina (B6) e magnésio.

Perspectivas na Nutrição: Ultimamente, as comunidades científicas estão se esforçando e investindo na procura de soluções terapêuticas que possibilitem a atenuação dos traços autistas em pessoas portadoras da doença, permitindo-lhes uma vida o mais normal possível. Nutricionistas, psicólogos, médicos, professores e até pais continuam a manifestar uma atitude em relação que ao retirar alimentos como o pão e/ou o leite da alimentação dos autistas, se possa atenuar os seus comportamentos compulsivos.

Grande parte dos estudos desenvolvidos até então centra-se nos hábitos alimentares dos pacientes, visto que as dietas sem glúten e sem caseína (SGSC) têm demonstrado resultados muito favoráveis nas tentativas de diminuição das características autistas nas pessoas portadoras da doença. Na sua quase totalidade, baseiam-se em intervenções comportamentais e nutricionais, acompanhadas do registro de dados caracterizadores da doença, permitindo, assim, detectar alterações comportamentais nos pacientes.

Concretiza-se, assim, uma relação entre a possível amenização ou atenuação dos sintomas do autismo e o benefício nutricional dos vários alimentos. Sob esta perspectiva, os princípios da nutrição voltada em um tratamento particular ao autista podendo orientar no tratamento dessa doença com auxilio terapêutico mais complexo20.

Texto elaborado por: Dra Juliana Gonçalves
 
Nutricionista. Mestre e Doutora em Ciências da Saúde pelo Instituto de Cardiologia, RS.
Especialista em Nutrição Clínica pela ASBRAN.
Especialização em Fitoterapia pela Universidade de Léon (Espanha).
Especialização em Nutrição Clínica pela Faculdade CBES.

Autora do Manual de Atendimento em Nutrição Estética, 2ª edição, editora IPGS (2011). Coautora do livro Atendimento Nutricional em Cirurgia Plástica - Uma Abordagem Multidisciplinar, editora Rúbio (2013).

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

GONÇALVES, J.S ; ASCHIDAMINI, F. Autismo e sua Relação com a Nutrição. Nutrição em Pauta, v. 22, p. 42-46,2014.
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