quinta-feira, 18 de junho de 2015

Botulismo



             O botulismo foi primeiramente descrito na Alemanha, no século XVIII, após um surto associado à ingestão de salsicha de produção doméstica, de onde se originou o nome (botulus em latim significa salsicha).

          Botulismo é o nome de uma doença causada pela toxina produzida por uma bactéria chamada Clostridium botulinum. A incidência da doença é baixa, com alta letalidade se não tratada adequada e precocemente. Apresenta-se sob três formas: botulismo alimentar, botulismo por ferimentos e botulismo infantil. O local de produção da toxina botulínica é diferente em cada uma dessas formas, porém todas se caracterizam clinicamente por manifestações neurológicas e/ou gastrintestinais, podendo ter evolução grave, com necessidade de hospitalização prolongada.

            Esta bactéria se desenvolve na ausência total de oxigênio e é encontrada na natureza, principalmente no solo. A toxina botulínica é termolábil, sendo inativada pelo calor em uma temperatura de 80°C por, no mínimo, 10 minutos.

Botulismo por ferimento

            Ocasionado pela contaminação de ferimentos com Clostridium botulinum, que em condições de anaerobiose, assume a forma vegetativa e produz toxina in vivo. As principais portas de entrada para os esporos são úlceras crônicas com tecido necrótico, fissuras, esmagamentos e membros, ferimentos em áreas profundas mal vascularizadas, ou ainda, aqueles produzidos por agulhas em usuários de drogas injetáveis e lesões nasais ou sinusais em usuários de drogas inalatórias. É uma das formas mais raras de botulismo.

Botulismo infantil

            Está associado à ingestão de mel contaminado com os esporos da bactéria (sua forma de resistência) por bebês de até um ano, pois o intestino deles ainda é imaturo, sem imunidade suficiente. Neste caso, a bactéria produz sua toxina dentro do intestino da criança. Por esta razão, não se deve dar mel às crianças com menos de um ano de idade.

Botulismo alimentar

            Ocorre por ingestão de toxinas presentes em alimentos previamente contaminados e que foram produzidos ou conservados de maneira inadequada. Muitos são os alimentos descritos como responsáveis pelo botulismo, tais como embutidos de carnes em geral, ou conservas em lata e vidro de doces, hortaliças, legumes (palmitos, aspargos, cogumelos, alcachofras, pimentões, alhos, picles, etc.), peixes, frutos do mar, e outros, especialmente acondicionados em embalagens submetidas à vácuo, sem oxigênio, que favorecem o desenvolvimento do microrganismo.



            A toxina produzida é resistente às enzimas presentes no nosso trato gastrintestinal e afeta o sistema nervoso. Os principais sintomas são: visão embaçada, boca seca, dificuldades para engolir, náuseas, vômitos, fraqueza, fala arrastada e paralisia muscular progressiva. Esses sintomas costumam aparecer entre 12 e 30 horas após a ingestão do alimento contaminado e demoram muito para serem revertidos. Por isso, para que o tratamento funcione, é preciso que ele seja iniciado tão logo a doença se manifeste.

         O tratamento é feito com soro antitoxina, o qual age sobre a toxina na corrente sanguínea, mas não na que já se ligou ao nervo. O curso normal da doença leva a morte por parada respiratória. Porém, mesmo que o tratamento seja feito de modo correto, ele pode não funcionar. Depende do tempo em que a toxina teve para atuar, a quantidade ingerida e se o soro é do tipo certo.

            As medidas necessárias para se prevenir esta intoxicação incluem comprar alimentos de fontes confiáveis, buscar orientações sobre preparação de conservas caseiras (acidificação, salmoura, temperatura etc.) e ferver alimentos fermentados ou em conservas (principalmente caseiras) por mais de 15 minutos, antes de consumir. Este último procedimento destrói a toxina, uma vez que ela é sensível a altas temperaturas (destruída a 120°C). É muito importante que os casos confirmados, ou mesmo os suspeitos, sejam comunicados à Vigilância Epidemiológica da cidade, para que ela possa tomar as medidas necessárias de controle desta intoxicação.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Franco, BDGM; Landgraf, M. Microbiologia dos Alimentos. 1. ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2004.

Manual Integrado de Vigilância Epidemiológica do Botulismo. Ministério da Saúde, 2006.

Travagin, BNFS. Botulismo: o que é e como prevenir. Grupo de Extensão em Segurança dos Alimentos – GESEA. Disponível em: www.esalq.us.br

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