quinta-feira, 11 de abril de 2013

Dia Mundial do Parkinson



A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa, crônica e progressiva, que caracteriza-se por uma tríade de sintomas. A prevalência da doença de Parkinson tem sido estimada entre 80 e 160 casos por 100 mil habitantes, aproximadamente, onde cerca de 1% dos indivíduos apresentam idade maior que 65 anos.

É uma doença que incide especialmente nas células da substância negra do encéfalo. Os neurônios produzem substâncias químicas chamadas neurotransmissores, como a dopamina, que possibilitam a comunicação entre os neurônios, já que agem nas sinapses nervosas. Portanto, a falta ou a diminuição das reservas de dopamina com consequente despigmentação dos neurônios, afeta os movimentos do indivíduo, provocando sintomas como: tremor, rigidez muscular, bradicinesia que é a tríade característica da doença de Parkinson.

        A doença de Parkinson pode afetar qualquer indivíduo, independentemente da faixa etária, sexo ou etnia. Esta patologia é mais comum em pessoas idosas. Na maioria dos indivíduos, os primeiros sintomas iniciam-se geralmente a partir dos 50 anos de idade. Pode também ocorrer nas pessoas mais jovens, embora os casos sejam mais raros.

Sintomas

           Um dos primeiros sintomas que ocorre na doença de Parkinson é o tremor, aparecendo com maior frequência quando a pessoa se encontra em repouso ou sob estresse emocional. Além disso, ocorre a rigidez muscular que é definida como uma resistência aumentada ao movimento passivo, afetando toda a musculatura estriada. Essa rigidez muscular é que confere a postura característica da enfermidade. A bradicinesia, outro sintoma comum, é caracterizada pelo prejuízo na iniciação dos movimentos, além da lentidão e dificuldade na realização dos mesmos, especialmente os voluntários e repetidos.

Etiologia

            A etiologia da doença de Parkinson não é bem compreendida. Estudos sugerem que o aparecimento dessa enfermidade possa ser devido à ocorrência de múltiplos fatores que parecem estar associados a causas ambientais (exposição a substâncias tóxicas) e genéticas, como também ao aumento da longevidade. Nesse sentido, tem sido demonstrado que a ação de neurotoxinas ambientais, produção aumentada de radicais livres, anormalidades mitocondriais, predisposição genética e envelhecimento cerebral são alguns dos vários mecanismos implicados na degeneração celular da doença de Parkinson.

Tratamento

      Não existe cura para a doença. Porém, ela pode e deve ser tratada, não apenas combatendo os sintomas, como também retardando o seu progresso. A grande barreira para se curar a doença está na própria genética humana. No cérebro, ao contrário do restante do organismo, as células não se renovam. Por isso, nada há a fazer diante da morte das células produtoras da dopamina na substância negra. A grande arma da medicina para combater o Parkinson são os remédios e cirurgias, além da fisioterapia e a terapia ocupacional. Todas elas combatem apenas os sintomas. A fonoaudiologia também é muito importante para os que têm problemas com a fala e a voz.

Levodopa ou L-Dopa: ainda é o medicamento mais importante para amenizar os sintomas da doença. A levodopa se transforma em dopamina no cérebro e supre parcialmente a falta daquele neurotransmissor. Infelizmente, o uso prolongado de muitos anos pode causar reações secundárias bastante severas, como os movimentos involuntários anormais. Além da levodopa, existem diversos outros que complementam o arsenal de medicamentos para combater os sintomas da doença.

Cirurgias: as cirurgias consistem em lesões no núcleo pálido interno (Palidotomia) ou do tálamo ventro-lateral (Talamotomia), que estão envolvidos no mecanismo da rigidez e tremor. Porém, a lentidão de movimentos responde melhor aos medicamentos. Essas lesões podem diminuir a rigidez e abolir o tremor. Todavia, nenhuma delas representa a cura da doença. O médico dirá se o paciente pode ou não se beneficiar do tratamento.

Estado nutricional

            A perda de peso é um achado comum na doença de Parkinson. Fatores como tremor, rigidez e demência, presentes nessa doença, além de dificultar a ingestão de alimentos dos indivíduos portadores, são fatores que necessitam do aumento no consumo de energia. A falta de apetite também está associada a quadros depressivos, muito comum nessas pessoas, e ainda o efeito da L-Dopa também contribui para a baixa ingestão alimentar.

            É comum o surgimento de disfunções gastrintestinais, principalmente com o avanço da doença. A gastroparesia (diminuição da força contrátil da musculatura do estômago) compromete a absorção das drogas utilizadas na terapêutica medicamentosa. As disfunções intestinais causam redução dos movimentos peristálticos com consequente dificuldade no ato de defecar. A constipação intestinal é motivo de grande desconforto entre os parkinsonianos e tem-se encontrado uma relação entre a presença e grau de constipação com a duração e gravidade da doença.

Nutrição

         A nutrição na doença de Parkinson irá depender da fase em que o indivíduo se encontra, da dose do medicamento ou da etapa do tratamento, podem ser observados alguns sintomas que dificultam uma alimentação adequada. Alterações nutricionais, interações dos medicamentos com os nutrientes, problemas com o apetite, deglutição, entre outros, podem ocorrer e podemos melhorar estas condições.

         Alguns fatores, geralmente presentes em pacientes com doença de Parkinson, podem apresentar-se como risco para falta de apetite, perda de peso e consequentemente má nutrição. Entre eles se destacam:

- Alterações na dentição e dificuldades de mastigação e deglutição;

- Ausência ou dificuldade de realizar atividade física, dificuldade de locomoção;

- Medicamentos usados na fase inicial da doença, interferem na absorção intestinal, dificultando seu funcionamento, provocando náuseas, vômitos, constipação, boca seca (dificultando a formação normal do “bolo alimentar”), redução da sensibilidade do paladar e olfato;

- Aumento do metabolismo e consequentemente das necessidades energéticas, facilitando a perda de peso;

- Falta de equilíbrio para preparar a própria alimentação ou inexistência de outra pessoa que possa fazê-lo;

- Alterações posturais, dificultando a possibilidade do indivíduo ficar ereto à mesa;

- Dificuldades motoras para manusear os talheres, devido tremores e/ou rigidez de membros superiores;

- Dificuldade de realizar movimentos do esôfago que auxiliam na deglutição, podendo provocar engasgos e aspiração de alimentos.

            Algumas orientações para se obter uma alimentação adequada são:

► Procure variar ao máximo a sua alimentação, para receber todos os nutrientes e evitar possíveis carências;

► Coma diariamente frutas (pelo menos 3 unidades); verduras cruas (2 porções); verduras cozidas (2 porções), pães, bolachas e cereais (4 porções à sua escolha); feijão, lentilha, grão de bico, ervilha (1 a 2 porções à sua escolha); carnes (1 a 2 porções); leite, queijo, iogurte (3 a 6 porções);

► Faça de 5 a 6 pequenas refeições ao dia, evitando comer grandes quantidades de alimento de uma só vez;

► Não deixe de fazer nenhuma refeição durante o dia;

► Não use laxante sem a prescrição médica;
► Cozinhe com óleos vegetais de qualquer tipo (soja, milho, canola, girassol), pois, não possuem colesterol;

► Evite o uso de doces, açúcar, frituras e gorduras em excesso;

► Não exagere no sal na hora de cozinhar e evite ingerir com frequência salgadinhos, salames, embutidos, enlatados, carnes salgadas e outros alimentos salgados. Use mais temperos à base de ervas aromáticas (salsa, cebolinha, hortelã, manjericão e outros);

► Após o almoço e o jantar (ou refeição com algum tipo de carne) coma alguma fruta rica em vitamina C (laranja, mexerica, acerola, morango, goiaba, abacaxi) para facilitar a absorção de ferro;

► Procure fazer alguma atividade física que lhe agrade;

► Se estiver perdendo peso, procure o nutricionista e avise ao seu médico.

       A orientação dietética do paciente com Parkinson deve ser baseada nas recomendações nutricionais específicas para sua faixa etária, bem como minimizar as alterações no trato gastrintestinal, prevenir alterações hepáticas, renais e/ou cardiovasculares, devido aos medicamentos utilizados, e, principalmente, manter equilibrado seu estado nutricional.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.



Referências Bibliográficas:

Associação Brasil Parkinson. Disponível em: www.parkinson.org.br. Acessado em: 21/03/2013.

Cukier, C; Magnoni, D; Alvarez, T. Nutrição baseada na fisiologia dos órgãos e sistemas. 1 ed. Sarvier: São Paulo 2005, p.270-284.

D’Olveira, FA; Frank, AA; Soares, EA. A influência dos minerais na doença de Parkinson. Rev. Soc. Bras. Alim. Nutr. 2007, v.32, n.1, p.77-88.
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