quinta-feira, 18 de abril de 2013

Doenças Cardiovasculares



           Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Doença Cardiovascular (DCV) é a principal causa de morte no mundo, perfazendo 30% das mortes globais, taxa praticamente idêntica à encontrada no Brasil. Mais de 80% das mortes por DCV no mundo ocorrem em países de média e baixa renda.

      Os fatores de risco que estão associados às doenças cardiovasculares são: sexo, hipertensão arterial sistêmica (HAS), obesidade, dislipidemia, diabetes melito, elevado consumo de sódio, inatividade física, tabagismo, antecedentes familiares, estresse e o uso de anticoncepcionais orais.

              Os hábitos alimentares apresentam-se como marcadores de risco para doenças cardiovasculares, na medida em que o consumo elevado de colesterol, lipídios e ácidos graxos saturados somados ao baixo consumo de fibras, participam na etiologia das dislipidemias, obesidade, diabetes e hipertensão.

        Os componentes nutricionais com maior influência no perfil lipídico de indivíduos saudáveis são: a ingestão de gordura total, a composição de ácidos graxos da dieta, o colesterol, a fonte de proteínas animal/vegetal, fibras e compostos fitoquímicos.

       Modificações na composição lipídica da dieta podem promover alterações nos níveis séricos de colesterol, evidenciando o efeito da dieta nos níveis de colesterol plasmático, que pode ser significativamente modificado pela quantidade e qualidade dos ácidos graxos ingeridos.

      As dislipidemias podem ser classificadas, do ponto de vista laboratorial, em:

  • hipercolesterolemia isolada (aumento do colesterol total e/ou da fração LDL-colesterol),
  • hipertrigliceridemia isolada (aumento dos triacilgliceróis), 
  • hiperlipidemia mista (aumento do colesterol total e dos triacilgliceróis)
  • Diminuição isolada do HDL-colesterol ou associada ao aumento dos triacilgliceróis ou LDL-colesterol. 

      Os valores de referência para o diagnóstico de dislipidemias em adultos são: colesterol total >240mg/dL (alto), 200-239mg/dL (limítrofe); LDL-colesterol >190mg/dL (muito alto); 160-189mg/dL (alto); 130-159mg/dL (limítrofe); HDL-colesterol <40mg/dL (baixo); triacilgliceróis >500mg/dL (muito alto), 200-499mg/dL (alto) e 150-200mg/dL (limítrofe).

      Entre as estratégias de prevenção primária das doenças cardiovasculares destacam-se as mudanças no estilo de vida, entre elas, a redução na ingestão de gordura saturada, controle do peso corporal e prática de atividade física.

           O Comitê sobre Dieta e Saúde do Conselho de Pesquisa Nacional dos Estados Unidos propõem, entre outras, as seguintes recomendações:

● Redução do consumo total de gordura para 30% ou menos do total de calorias;

● Redução do consumo de ácidos graxos saturados para menos de 10% das calorias e o consumo de colesterol para menos do que 300mg/dia;

● Consumo de gordura e colesterol pode ser reduzido pela substituição das carnes gordas e dos produtos lácteos (derivados do leite integral) por carnes e leites com menor teor de gordura, e pela limitação na utilização de óleos, gorduras e alimentos fritos e outros muito gordurosos, escolhendo uma maior quantidade de hortaliças, frutas e cereais integrais;

● Consumir todos os dias cinco ou mais porções de uma combinação de hortaliças, frutas e cereais integrais, especialmente vegetais verdes e amarelos e frutas cítricas;

● Aumentar o consumo de amidos e outros carboidratos complexos, consumindo seis ou mais porções diárias de uma combinação de pães, cereais, e manter o consumo de proteínas em níveis moderados;

● Limitar o consumo diário de sal total (cloreto de sódio) a 5g ou menos.

            O Comitê também recomenda equilibrar o consumo de alimentos com a atividade física, de forma a manter o peso corpóreo adequado e o não consumo de álcool.

            A recomendação atual, além de que a gordura total seja de 25 a 35% das calorias totais, é de que o consumo de ácidos graxos seja menor que 7% para saturados e até 10% para poliinsaturados e até 20% para os monoinsaturados. Além do efeito “hipocolesterolêmico” dos ácidos graxos poliinsaturados w-3 (ácido linolênico) e w-6 (ácido linoléico) em relação aos ácidos graxos saturados, outros fatores “positivos” com respeito a cardiopatias isquêmicas atribuídos especificamente aos ácidos graxos w-3, como a diminuição dos níveis sanguíneos de triglicérides, da agregação plaquetária e da pressão arterial. Os ácidos graxos monoinsaturados (ácido oléico) modificam o perfil lipídico, reduzindo o LDL-colesterol (mau colesterol).

            A recomendação de ingestão de fibra alimentar total para adultos é de 20 a 30g/dia, sendo em torno de 25% (6g) de fibra solúvel. Representadas pela pectina (frutas), pelas gomas (aveia, cevada) e leguminosas (feijão, grão-de-bico, lentilha e ervilha), as solúveis reduzem o tempo e trânsito gastrintestinal e ajudam na eliminação do colesterol.
 
            A prática regular de atividade física leve ou moderada numa freqüência de 30 minutos por dia, de forma contínua ou acumulada, por, pelo menos 4 dias durante a semana, reduzem as taxas sanguíneas de triglicérides e aumentam os níveis de HDL-colesterol (bom colesterol).


As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Castro, LCV; Franceschini, SCC; Priore, SE; Pelúzio, MCG. Nutrição e doenças cardiovasculares: os marcadores de risco em adultos. Rev. Nutr. 2004, v.17, n.3: p.369-377.

Cuppari, L. Nutrição Clínica no Adulto. Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar –Unifesp. 1 ed. Barueri, SP: Manole, 2002: p. 263-275.

Neumann, AICP; Philippi, ST; Cruz, ATR; Marimoto, JM; Fisberg, RM. Pirâmide para orientação de doenças cardiovasculares. Rev. Soc. Bras. Alim. Nutr. 2000, v.19, n.20: p.7-17.

Santos, RD; Gagliardi, ACM; Xavier, HT; Magnoni, CD; Cassani, R; Lottenberg, AM. et al. Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz sobre o consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular. Arq Bras Cardiol. 2013; 100(1Supl.3): 1-40.
Postar um comentário