segunda-feira, 1 de abril de 2013

Adoçantes




  Apesar de os adoçantes e os produtos dietéticos terem sido elaborados para atender a grupos específicos, como pessoas portadoras de diabetes mellitus ou obesas, atualmente, o perfil dos consumidores é diversificado e pode ser dividido em dois tipos básicos: os jovens que consomem por razões estéticas e as pessoas em idade adulta que buscam maior qualidade de vida.

De acordo com a atual legislação brasileira, adoçantes dietéticos são "produtos formulados para utilização em dietas com restrição de sacarose, frutose e glicose, para atender às necessidades de pessoas sujeitas à restrição desses carboidratos". De forma geral, os adoçantes fazem parte de um grupo alimentar específico, denominado pelo Ministério da Saúde como "alimentos para fins especiais", os quais são destinados a atender às necessidades de pessoas em condições metabólicas e fisiológicas específicas. No entanto, os adoçantes dietéticos são produtos que estão atualmente disponíveis para os consumidores que desejam desfrutar do sabor doce sem aumentar seu consumo energético, pois, além de serem úteis para o controle glicêmico em pacientes diabéticos, podem ser uma ferramenta auxiliar na dietoterapia de outras morbidades, como a obesidade.

Os adoçantes dietéticos são constituídos de edulcorantes não calóricos (naturais ou artificiais), que conferem o sabor doce sem a adição de calorias. Nas últimas décadas, o consumo desse tipo de edulcorante tem aumentado em vários países, e produtos dietéticos (especialmente refrigerantes diet e adoçantes dietéticos) têm sido as principais fontes de ingestão de edulcorantes não calóricos. O aumento global das doenças crônicas não transmissíveis, especialmente obesidade e diabetes mellitus, pode ser uma das justificativas para o consumo cada vez maior desse tipo de produto. 

Edulcorantes são substâncias diferentes dos açúcares e com poder adoçante muito superior ao da sacarose (açúcar comum). Eles são classificados em naturais e artificiais ou sintéticos. Os naturais são obtidos sem reações químicas, a partir de plantas ou de alimentos de origem animal. Os artificiais ou sintéticos são obtidos de produtos naturais ou não, através de reações químicas apropriadas. Adoçante artificial é uma mistura de um ou mais edulcorantes capaz de conferir sabor doce aos alimentos. Existe um grande número de compostos capazes de produzir o sabor doce, entretanto só alguns (naturais ou artificiais) são permitidos pela legislação para serem adicionados aos alimentos.


Edulcorantes Artificiais
Edulcorantes Sintéticos ou Artificiais
Dextrose e Maltodextrina: São extraídas do milho e tem ampla utilização na indústria alimentícia. Poder adoçante – 50 a 70% maior que o da sacarose. Valor energético - 4 Kcal/g. Muito utilizado como diluente nos adoçantes artificiais.
Acesulfame-K: Desenvolvido em 1960, é um sal de potássio sintético produzido a partir de um ácido da família do ácido acético. Foi aprovado pelo FDA em 1988. Poder adoçante – 180 a 200 vezes maior que o do açúcar. Não possui calorias, não tem sabor residual, não é metabolizado pelo organismo (é eliminado tal como ingerido). É estável em altas temperaturas, o que facilita a sua utilização em preparações de forno e fogão. Tem apresentações em pó ou líquido, geralmente associado a outros edulcorantes. É bastante utilizado pela indústria, principalmente em bebidas, chocolates, geleias, produtos lácteos, goma de mascar e na panificação.

Frutose: Encontrado nas frutas e no mel. Valor energético - 4 Kcal/g, mas por seu poder adoçante ser 170 vezes maior que o açúcar acaba sendo pouco calórico. Sabor semelhante ao do açúcar. Uso industrial: gelatinas, pudins, geleias. Estudos recentes revelaram que a frutose ingerida juntamente com as refeições não altera a glicemia e, portanto, pode ser consumida com moderação por diabéticos.


Aspartame: É um Éster Metílico do L-Aspartil--L-fenilalanina, metabolizado no trato gastrointestinal em 2 aminoácidos: ácido aspártico (40%) e fenilalanina (50%) e em metanol (10%). Poder adoçante – 200 vezes maior que o do açúcar. Valor energético – 4 Kcal/g. Perde o sabor em temperaturas > 100ºC. Comercializado em mais de 100 países, é consumido por mais de 250 milhões de pessoas, em mais de 6.000 produtos. Contra-indicado para portadores de fenilcetonúria (doença autossômica recessiva que acomete 1 em cada 10.000 indivíduos. Devido à ausência da enzima fenilalanina hidroxilase, que transforma a fenilalanina em tirosina, há um acúmulo de fenilalanina no organismo, que ocasiona retardo mental).

Lactose e Tagatose: A lactose é extraída do leite, sendo muito utilizada em adoçantes de mesa. Poder adoçante – 15% maior que o da sacarose. Valor energético - 4 Kcal/g. A Tagatose é produzida a partir da lactose e fornece 1,5Kcal/g. Costuma ser misturada a outros edulcorantes e está sendo utilizada em alguns refrigerantes dietéticos nos Estados Unidos.
Ciclamato (ciclohexilsulfamato): Descoberto em 1939, é comercializado desde a década de 50. Devido a uma possível associação com câncer de bexiga em ratos, foi retirada do mercado nos Estados Unidos (1969), Inglaterra (1970), França, Japão. Apesar do FDA ter concluído em 1984 que o ciclamato não é carcinogênico, ele não é comercializado nos EUA. O ciclamato está liberado pelo Parlamento Europeu, sendo utilizado nesta comunidade. Valor energético – 0 kcal/g. Poder adoçante – 40 vezes maior que o do açúcar. Apresenta sabor semelhante ao do açúcar, mas tem um leve gosto residual. Não perde a doçura quando submetido a altas ou baixas temperaturas e meios ácidos, sendo largamente utilizado no setor alimentício.

Manitol, Xilitol e Sorbitol: São obtidos a partir da redução da glicose (sorbitol) e da frutose (manitol) e pela hidrogenação da xilose (xilitol). Poder adoçante – 50 a 70% maior que o da sacarose. Valor energético - 4 Kcal/g. Tem sabor semelhante à sacarose. Não alteram a glicemia. São amplamente utilizados na produção de gomas de mascar e balas, pois não causam cáries.
Neohesperidina Dihidrocalcona: Edulcorante que se obtêm pela modificação química de uma substância presente na laranja amarga (citrus aurantium). É um flavonóide (grupo de substâncias naturais com estrutura fenólica.) que é degradado pela flora intestinal. Poder adoçante – 400 a 600 vezes maior que o do açúcar. É estável ao calor. Pode ser utilizado por diabéticos e geralmente é usado em combinação com outros edulcorantes.

Steviosídeos e Truvia: Extraída da Stévia Rebaudiana, planta originária da serra do Amambaí, na fronteira do Brasil com o Paraguai. Descoberta em 1905 e industrializada a partir de 1970. Bastante utilizada no Japão, foi liberada pelo FDA (Food and Drug Administration) em dezembro de 2008. Poder adoçante – 300 vezes maior que a sacarose. Não é calórico, tóxico e nem é metabolizado pelo organismo. Seu uso não é maior devido a sabor residual amargo. Truvia é feita utilizando-se a parte mais doce da folha da Stévia. Está sendo utilizada pela Coca-Cola americana em vários de seus produtos dietéticos.
Sacarina (ácido sulfanoilbenzóico): É um derivado do petróleo descoberto em 1879 por Ira Remsen e Constantine Fahlberg, da Universidade Johns Hopkins. Não é metabolizado pelo organismo, sendo excretado sem alterações. Valor energético – 0 Kcal/g. Poder adoçante – 300 vezes maior que o do açúcar. É estável em altas temperaturas. Tem gosto residual amargo e metálico e, por isto, geralmente é associado a outro edulcorante, principalmente o ciclamato.


Sucralose: É o único adoçante artificial derivado do açúcar, sendo obtido a partir da cloração da sacarose. Foi desenvolvido em 1976 e aprovado pelo FDA e ANVISA em 1998. Valor energético – 0 kcal/g. Poder adoçante – 600 vezes maior que o do açúcar. Resiste a altas temperaturas, não possui sabor residual amargo, não é metabolizado pelo organismo. É o único que pode ser utilizado sem restrições por fenilcetonúricos, gestantes, crianças e diabéticos. Mais de 100 estudos (toxicologia, oncologia, teratologia, neurologia, pediatria e nutrição) comprovam a sua segurança.




Não há evidência científica que demonstre que os adoçantes engordam. As teorias levantadas até o momento não foram comprovadas, pois os estudos disponíveis não são conclusivos. As causas da obesidade envolvem vários fatores, como ambientais, estilos de vida e genéticos, numa complexa interação de variáveis, não existindo uma teoria geral que se aplique a todos os indivíduos. Portanto, não é correto afirmar/concluir que os adoçantes seriam os responsáveis pelo aumento de peso em uma população. Para o controle de peso vale a recomendação usual de uma alimentação nutricionalmente equilibrada associada à prática de atividade física.

O órgão que regulamenta a alimentação e os medicamentos nos Estados Unidos, o Food and Drug Administration (FDA) recomenda que o consumo diário de adoçantes dietéticos seja de quatro a seis pacotinhos de um grama quando em pó, e de 9 a 10 gotas para os líquidos. 

Para o consumo superior a essas doses não se encontra, na literatura científica, nada que possa sugerir alguma anomalia metabólica ou orgânica, mas nas indicações do FDA o excesso não deve ser estimulado.

E além de considerar o adoçante utilizado no suco ou cafezinho, vale lembrar que ainda se consome a substância em alimentos diet industrializados. Portanto, é preciso ficar atento ao exagero. É sempre bom verificar os produtos para avaliar a quantidade de adoçante e manter o equilíbrio.
 
Não há vantagem de se utilizar adoçante quando não se tem problemas com o peso, pois uma colher de chá de açúcar tem cerca de oito gramas, o que corresponde a 32 calorias e isso não causará nenhum impacto no seu dia entre ganhar ou perder peso. A preocupação deve estar em diminuir a carga calórica em excesso, como doces, balas e refrigerantes. 

Para as crianças, não há contra-indicação de consumo nessa faixa etária, mas o adoçante deve ser usado apenas por crianças com necessidades de restrições específicas, como as que possuem diabetes.

O consumo de edulcorantes durante a gestação deve ser feito com base na prescrição do profissional e não de forma indiscriminada. A indicação mais apropriada para o uso de edulcorantes é para gestantes diabéticas, para as quais o uso de sacarose, principalmente para adoçar líquidos, pode comprometer o controle glicêmico.

As gestantes deveriam restringir o uso de sacarina, pois ele demonstrou ser permeável à placenta, podendo permanecer nos tecidos fetais devido menor capacidade do feto de excretá-lo.


Os adoçantes não trazem riscos à saúde desde que sejam consumidos de forma moderada.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

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Esclareça algumas dúvidas sobre adoçantes. Disponível em: www.adj.org.br Acessado em: 14/03/2013.

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Vitolo, MR. Nutrição: Da Gestação à Adolescência. 1 ed. Reichmann & Affonso Editores: Rio de Janeiro, 2003, p. 46.

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