quinta-feira, 25 de abril de 2013

Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)



A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é um problema grave de saúde pública no Brasil e no mundo, sendo uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA). Associa-se frequentemente a alterações funcionais e/ou estruturais de órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e as alterações metabólicas, com conseqüente aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não-fatais.

      No Brasil são cerca de 17 milhões de portadores de hipertensão arterial, 35% da população de 40 anos e mais. Seu aparecimento está cada vez mais precoce e estima-se que cerca de 4% das crianças e adolescentes também sejam portadoras.

      Por ser uma doença assintomática, seu diagnóstico e tratamento é frequentemente negligenciado, somando-se a isso a baixa adesão, por parte do paciente, ao tratamento prescrito.

      Modificações de estilo de vida são de fundamental importância no processo terapêutico e na prevenção da hipertensão. Alimentação adequada, sobretudo quanto ao consumo de sal, controle do peso, prática de atividade física, tabagismo e uso excessivo de álcool são fatores de risco que devem ser adequadamente abordados e controlados, sem o que, mesmo doses progressivas de medicamentos não alcançarão os níveis recomendados de pressão arterial.


Fatores de risco para HAS

Idade: existe relação direta e linear da PA com a idade, sendo a prevalência de HAS superior a 60% na faixa etária acima de 65 anos.

Gênero e etnia: a prevalência global de HAS entre homens e mulheres é semelhante, embora seja mais elevada nos homens até os 50 anos, invertendo-se a partir da 5ª década. Em relação à cor, a HAS é duas vezes mais prevalente em indivíduos afrodescendentes.

Excesso de peso e obesidade: o excesso de peso se associa com maior prevalência de HAS desde idades jovens. Na vida adulta, mesmo entre indivíduos fisicamente ativos, aumento de 2,4kg/m² no índice de massa corporal (IMC) acarreta maior risco de desenvolver hipertensão. A obesidade central também se associa com PA.

Ingestão de sal: ingestão excessiva de sódio tem sido correlacionada com elevação da PA. A população brasileira apresenta um padrão alimentar rico em sal açúcar e gorduras. Em contrapartida, em populações com dieta pobre em sal, não foram encontrados casos de HAS.

Ingestão de álcool: a ingestão de álcool por períodos prolongados de tempo pode aumentar a PA e a mortalidade cardiovascular em geral.

Sedentarismo: atividade física reduz a incidência de HAS, mesmo em indivíduos pré-hipertensos, bem como a mortalidade e o risco de DCV.

Fatores socioeconômicos: a influência do nível socioeconômico na ocorrência da HAS é complexa e difícil de ser estabelecida. No Brasil a HAS foi mais prevalente entre indivíduos com menor escolaridade.

Genética: a contribuição de fatores genéticos para a gênese da HAS está bem estabelecida na população. Porém, não existem, até o momento, variantes genéticas, que possam ser utilizadas para predizer o risco individual de se desenvolver HAS.

Outros fatores de risco cardiovascular: os fatores de risco cardiovascular frequentemente se apresentam de forma agregada, a predisposição genética e os fatores ambientais tendem a contribuir para essa combinação em famílias com estilo de vida pouco saudável.



Diagnóstico e Classificação

            Hipertensão arterial é definida como pressão arterial sistólica maior ou igual a 140mmHg e uma pressão arterial diastólica maior ou igual a 90mmHg, em indivíduos que não estão fazendo uso de medicação anti-hipertensiva.


Quadro 1. Classificação da pressão arterial (> 18 anos).

Classificação
Pressão sistólica (mmHg)
Pressão diastólica (mmHg)
Ótima
< 120
< 80
Normal
< 130
< 85
Limítrofe*
130-139
85-89
Hipertensão estágio 1
140-159
90-99
Hipertensão estágio 2
160-179
100-109
Hipertensão estágio 3
≥ 180
≥ 110
Hipertensão sistólica isolada**
≥ 140
< 90
Quando a pressão sistólica e diastólica situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para classificação da pressão arterial.
* Pressão normal-alta ou pré-hipertensão são termos que se equivalem na literatura.
** Hipertensão sistólica isolada é definida como comportamento anormal da PA sistólica com PA diastólica normal. A hipertensão sistólica isolada e a pressão de pulso são fatores de risco importantes para doença cardiovascular em pacientes de meia-idade e idosos.
Fonte: VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, 2010.

Tratamento


            O tratamento da hipertensão arterial compreende dois tipos de abordagem: o farmacológico, com uso de drogas anti-hipertensivas; e o não farmacológico, que se fundamenta em mudanças de estilo de vida que favoreçam a redução da pressão arterial.


Quadro 2. Medidas não farmacológicas para controle da hipertensão e dos fatores de risco cardiovascular.

Medidas com maior eficácia Anti-hipertensiva
Medidas sem Avaliação Definitiva
Medidas Associadas
Redução do peso corporal
Suplementação de cálcio e magnésio
Abandono do tabagismo
Redução do consumo de sódio
Dietas ricas em fibras
Controle das dislipidemias
Maior ingestão de alimentos ricos em potássio
Medida anti-estresse
Controle do diabetes melito
Redução do consumo de bebidas alcoólicas

Evitar drogas que potencialmente elevem a pressão.
Exercícios físicos regulares


Fonte: Cuppari, 2002.

Uma alimentação com conteúdo reduzido de teores de sódio (< 2,4g/dia, equivalente a 6 gramas de cloreto de sódio), baseada em frutas, verduras e legumes, cereais integrais, leguminosas, leite e derivados desnatados, quantidade reduzida de gorduras saturadas, trans e colesterol mostrou ser capaz de reduzir a pressão arterial em indivíduos hipertensos.

A utilização de sais dietéticos, usados como substitutos do sal de cozinha, deve ser feita com cuidado, uma vez que estes sais são definidos como produto elaborado a partir da mistura de cloreto de sódio com outros sais, de modo que a mistura final mantenha poder salgante semelhante ao do sal de mesa, fornecendo, no máximo, 50% do teor de sódio contido na mesma quantidade de cloreto de sódio.

            Como coadjuvantes do tratamento dietético temos outras medidas fundamentais como a redução do consumo de bebidas alcoólicas, o abandono ao tabagismo, a redução de peso corporal e a atividade física.

Dicas Gerais:

* Manter o peso corporal adequado;
 
* Reduzir a quantidade de sal no preparo dos alimentos e retirar o saleiro da mesa;
 
* Restringir as fontes industrializadas de sal: temperos prontos, sopas, embutidos como salsicha, lingüiça, salame e mortadela, conservas, enlatados, defumados e salgados de pacote, fast-food;
 
* Limitar ou abolir o uso de bebidas alcoólicas;
 
* Dar preferência a temperos naturais como limão, ervas, alho, cebola, salsa e cebolinha, ao invés de similares industrializados;
 
* Substituir bolos, biscoitos doces e recheados, sobremesas doces e outras guloseimas por frutas in natura;
 
* Incluir, pelo menos, seis porções de frutas, legumes e verduras no plano alimentar diário, procurando variar os tipos e cores consumidos durante a semana;
 
* Optar por alimentos com reduzido teor de gordura e, preferencialmente, do tipo mono e poliinsaturada, presentes nas fontes de origem vegetal, exceto dendê e coco;
 
* Manter ingestão adequada de cálcio pelo uso de vegetais de folhas verde-escuras e produtos lácteos, de preferência, desnatados;
 
* Identificar formas saudáveis e prazerosas de preparo dos alimentos: assados, grelhados, etc;

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Cuppari, L. Nutrição Clínica no Adulto. Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar –Unifesp. 1 ed. Barueri, SP: Manole, 2002: p. 275-276.

Isosaki, M; Cardoso, E. Manual de Dietoterapia e Avaliação Nutricional do serviço de nutrição e dietética do Instituto do Coração – HCFMUSP. 1 ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2004: p.19-23.

Ministério da Saúde. Hipertensão Arterial Sistêmica. Cadernos de Atenção Básica 2006; 15: p.25.

Sociedade Brasileira de Cardiologia/ Sociedade Brasileira de Hipertensão/ Sociedade Brasileira de Nefrologia. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Arq Bras Cardiol 2010; 95 (1 supl.1.): 1-51.
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