quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Mirtilo (Blueberry)



O mirtilo ou blueberry, seu nome em inglês (cereja azul) é uma espécie frutífera originária de algumas regiões da Europa e América do Norte, onde é muito apreciado por seu sabor exótico e por suas propriedades medicinais. No Brasil sua cultura ainda é recente e pouco conhecida. Sua inserção no país deu-se em 1983, por uma coleção de plantas trazidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa/ CPACT, Pelotas/RS), sendo comercializada no país a partir de 1990.

      O mirtilo é membro da família Ericaceae, subfamília Vaccinoideae, gênero Vaccinium e subgênero Cyanococcus. Os gêneros são muito diversos, contendo de 150 a 450 espécies, a maioria são arbustos de tamanhos e formas variados encontrados em locais de elevada altitude podendo também ser cultivados em regiões boreais e de clima temperado.

      Por serem ricos em antocianinas (pigmento vermelho, mas que de tão intenso torna-se violeta dando a coloração roxo-azulada e que concentra as propriedades medicinais da fruta), os frutos vermelhos são muito apreciados pelos seus sabores exóticos, valores comerciais e suas alegações terapêuticas, sendo considerados como a “fonte da longevidade”. Pode ser comercializado in natura, em sucos ou processado como polpa para iogurtes, doces, sorvetes e geleias ou apenas ser congelado e comercializado nesta forma.

     A composição nutricional do mirtilo pode variar, em função do cultivar, das práticas culturais, da fertilidade do solo, da época do ano, do grau de maturação e de outros fatores. Apresentam em sua composição uma variedade de vitaminas (A, B, C, K, ácido fólico), minerais (potássio, magnésio, cálcio, fósforo, ferro, manganês), açúcares, pectina e taninos.

Quadro 1. Composição nutricional do mirtilo em 100g de fruto.

Nutrientes em 100g de fruto
Umidade                                  83-87g
Valor energético                    51-62 kcal
Proteínas                                0,4-0,7g
Lipídios                                      0,5g
Glicose                                      5-7g
Frutose                                      5-7g
Sacarose                                    nd
Fibra                                         1-1,5g
Cinzas                                  0,19-0,25g
Sais Minerais
Cálcio                                 11,4-12,2mg
Ferro                                        0,6mg
Magnésio                               5,8-8,4mg
Fósforo                                   14-47mg
Potássio                                48-112mg
Sódio                                     3,4-4,3mg
Zinco                                         0,1mg
Cobre                                        0,1mg
Manganês                              0,4-1,2mg
Vitaminas e outros componentes
Vitamina C                              22-62mg
Taninos                                270-550mg
Pectinas                               300-600mg
Antocianinas                        300-725mg
                                   Fonte: Kechinski, 2011.

        Dietas suplementadas com antociânicos são capazes de aumentar a plasticidade hipocampal, podendo prevenir problemas relacionados a doenças degenerativas que incluem o Mal de Alzheimer, o Mal de Parkinson (vide post sobre Parkinson) e esclerose lateral. Acredita-se ainda que sua ingestão frequente possa atuar como adjuvante em patologias relacionadas a doenças oriundas do desequilíbrio da produção endógena de radicais livres como doenças cardiovasculares, distúrbios neurológicos e, até, o envelhecimento.

         A alta capacidade antioxidante encontrada nesta fruta atua na neutralização dos radicais livres, moléculas instáveis que estão ligadas ao aparecimento de um grande número de doenças crônicas não transmissíveis, como as doenças cardiovasculares e o câncer. Vários estudos têm sido conduzidos em diversos países evidenciando que o consumo de mirtilo pode prevenir: a ocorrência de doenças neurodegenerativas e o declínio cognitivo durante o envelhecimento; doenças relacionadas à visão, como catarata e glaucoma, melhorando a capacidade de leitura e o foco da visão; perda óssea, pelo aumento da densidade mineral óssea; e determina mudanças favoráveis nos biomarcadores do metabolismo ósseo. Está envolvido na redução da ingestão alimentar, acoplado com a diminuição no ganho de massa corporal e da oxidação da lipoproteína de baixa densidade (LDL, colesterol “ruim”); proporciona relaxamento das artérias, regulando a pressão do sangue e auxiliando na redução de doenças cardiovasculares; pode, também, auxiliar no controle do diabetes mellitus (tem baixo índice glicêmico) e inibe tumores cancerígenos (em ratos) devido à presença, principalmente, do ácido gálico e das antocianinas.

         Não há recomendação da quantidade que deve ser consumida de mirtilo por dia. Consuma com moderação.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Fachinello, JC. Mirtilo. Rev Bras Frutic 2008; v.30, n.2.

Kechinski, CP. Estudo de diferentes formas de processamento do mirtilo visando à preservação dos compostos antociânicos. [Tese de Doutorado] Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, 2011.

Pertuzatti, PB. Compostos bioativos em diferentes cultivares de mirtilo (Vaccinium ashei Reade). [Dissertação de Mestrado] Universidade Federal de Pelotas – UFPEL, 2009.

Pesquisadora obtém mirtilo em pó e passa. Jornal da Unicamp, 2009. Disponível em: www.unicamp.br Acessado em: 08/09/2013.

Spagolla, LC; Santos, MM; Passos, LML; Aguiar, CL. Extração alcoólica de fenólicos e flavonóides totais de mirtilo “Rabbiteye” (Vaccinium ashei) e sua atividade antioxidante. Rev Ciênc Farm Básica Apl 2009; v.30, n.2: p. 187-191.
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