segunda-feira, 5 de maio de 2014

Atleta Vegetariano

      Há diferentes definições e fundamentações das práticas vegetarianas, como, por exemplo:
 
- dieta vegan, que não contém nenhum produto de origem animal;
- lactoovovegetariana (LOV), que inclui produtos lácteos e ovos;
- semivegetariana, que ainda inclui pequenas quantidades ou consumo esporádico de determinados tipos de carne, como peixes e aves.

As dietas não-vegetarianas, nas quais o consumo de carne é frequente, são denominadas dietas onívoras.

         De acordo com a American Dietetic Association, dietas vegetarianas oferecem determinados benefícios nutricionais, como a baixa ingestão de gordura saturada e colesterol, alta ingestão de carboidratos (muito importante para a prática esportiva) fibras dietéticas, magnésio, potássio, folatos, antioxidantes (como as vitaminas C e E) e fitoquímicos.

           Pesquisas experimentais em humanos indicam que vegetarianos e não-vegetarianos apresentam capacidade aeróbica semelhante. Em relação ao desempenho em atividades de força e potência muscular, as pesquisas são escassas, mas as existentes não apontam diferenças significativas.

            Alguns estudos sugerem que uma proporção significativa de atletas amenorreicas são vegetarianas. No entanto, existe evidência crescente de que a baixa ingestão energética, e não a qualidade da dieta, é a principal causa de oligomenorreia em atletas e que, o equilíbrio positivo, normaliza o perfil hormonal e a menstruação.

  O esforço para manter ciclos menstruais normais deve incluir ingestão maior de alimentos energéticos e gorduras, redução de fibras e do treinamento extenuante.

  Uma dieta vegetariana variada e balanceada parece compatível com o desempenho atlético vencedor em modalidades esportivas com predominância no sistema oxidativo. Com relação à força muscular são necessários maiores estudos, dada pouca produção científica que investigou essa questão.

Necessidades Nutricionais

A dieta vegetariana desbalanceada ou restritiva, particularmente em situações de altas demandas metabólicas, como durante o exercício, pode levar a deficiências nutricionais. A dieta vegan pode apresentar-se deficiente em aminoácidos e ácidos graxos essenciais, além de cálcio, zinco, ferro e vitamina B12. A baixa ingestão de ferro, por exemplo, pode levar ao quadro de anemia, interferindo de forma negativa no desempenho esportivo, à medida que limita o transporte de oxigênio para os músculos em atividade.

Energia

De acordo com o posicionamento do American College of Sports Medicine (ACSM), a baixa ingestão energética pode resultar em perda de massa muscular, distúrbios no ciclo menstrual das atletas, perda de massa óssea e aumento do risco de desenvolverem fadiga e lesões. Ainda segundo o ACSM, a ingestão energética de atletas de endurance deve ser de 3.000 a 5.000kcal/dia. Atletas de força usualmente necessitam, minimamente, de 50kcal/kg/dia, que representa 3.500kcal/dia para um indivíduo de 70kg. A deficiência energética não representa grande preocupação para os vegetarianos, mas é necessária atenção especial para que se alcance uma ingestão adequada de energia, caso contrário o desempenho pode ser prejudicado.

Atletas lactoovovegetarianos e não-vegetarianos, consumindo uma dieta de 4.500kcal (60% advindas de carboidratos, 30% de proteínas e 10% de gorduras), não mostraram diferenças na performance em uma maratona. Isso confirma que, desde que as necessidades energéticas sejam alcançadas, independentemente do tipo de dieta, o rendimento não é afetado.

Proteínas

           Geralmente as dietas vegetarianas fornecem uma menor quantidade de proteína que as dietas não-vegetarianas. Embora a qualidade da proteína de dietas vegetarianas seja adequada para os adultos, as proteínas vegetais não são tão bem absorvidas como as proteínas animais. Assim, essa regulação pode ser feita aumentando-se em 10% a quantidade proteica consumida. Portanto, a recomendação de ingestão para atletas vegetarianos é cerca de 1,3 a 1,8g/ Kg de peso corporal.

Creatina

A creatina é um composto que contém carbono, hidrogênio e nitrogênio, sintetizada nos rins, pâncreas e fígado (este último principalmente) a partir de três aminoácidos: glicina, arginina e metionina. Apresentando-se na forma fosforilada (CP), atua na refosforilação de ADP (adenosina difosfato), mediante a enzima creatina quinase, mantendo a concentração de ATP (adenosina trifosfato) mais ou menos constante durante esforços de curtíssima duração e alta intensidade. Os estoques intracelulares de creatina total giram em torno de 120-125mmol/kg de peso seco, resultando em cerca de 120g para um indivíduo de 70kg, sendo que 95% desse valor é encontrado nos músculos. Aproximadamente 2g (em torno de 1,6% do total) por dia de creatina é catabolizado em creatinina e excretado pelos rins. A necessidade de creatina é suprida tanto pela ingestão alimentar, quanto pela síntese endógena. Em torno de 1g é obtido, normalmente, em dietas não-vegetarianas, enquanto que o restante é sintetizado endogenamente.

A suplementação com creatina foi sugerida como recurso ergogênico para atletas que realizam sessões repetidas de exercícios de alta intensidade e curta duração. Indivíduos vegetarianos, quando comparados aos não-vegetarianos, apresentam menores níveis plasmáticos de creatina, porém, isso não reflete diminuição de seu conteúdo muscular.

Vitaminas e Minerais

         A absorção de alguns nutrientes pode ser potencialmente inibida em dietas vegetarianas pela presença de dois antinutrientes: fitato (grãos), tanino (chás) e fibra alimentar (principalmente as insolúveis). Mas os alimentos vegetais também contêm substâncias que aumentam a absorção dietética do ferro, como a vitamina C e o ácido cítrico que são encontrados em frutas e vegetais.

Atletas vegetarianos podem desenvolver deficiências pela baixa ingestão de vitaminas B12 e D, riboflavina, ferro, cálcio e zinco, já que boas fontes destes nutrientes são encontrados em alimentos de origem animal. A deficiência da vitamina B12 nos vegetarianos foi acompanhado pelo aumento da suscetibilidade de algumas infecções.

Como a necessidade de vitamina B12 é pequena e ela é tanto armazenada quanto reciclada no corpo, os sintomas da deficiência podem demorar anos para aparecer. A absorção de vitamina B12 torna-se menos eficiente conforme o corpo envelhece, e assim, os suplementos podem ser aconselhados para todos os vegetarianos mais velhos.

O ferro não-heme, proveniente de fontes vegetais e de parte do conteúdo total das carnes, é menos biodisponível que o ferro-heme, encontrado em fontes animais. A eliminação de carnes e o aumento de legumes e grãos integrais na dieta podem resultar na menor ingestão deste mineral, assim como de zinco. Inúmeros efeitos adversos à saúde, vinculados à menor biodisponibilidade de ferro e zinco, têm sido demonstrados pela adoção de dietas vegetarianas. Sabe-se que essa prática alimentar pode, até mesmo, conter mais ferro do que em dietas não-vegetarianas, mas o mineral encontra-se menos disponível para absorção, dados as diferenças na forma química e os fatores inibidores presentes. Apesar dos alimentos vegetais possuírem substâncias que aumentam a captação de ferro, a adoção de dietas vegetarianas precisa ser bem planejada para evitar a deficiência deste mineral. Assim, a recomendação para ingestão de ferro por parte dos vegetarianos é aumentada em 80% além da RDA. A baixa ingestão de ferro pode levar ao quadro de anemia, interferindo de forma negativa no desempenho, à medida que limita o transporte de oxigênio para os músculos em atividade.

São menos frequentes as baixas ingestões de cálcio, zinco, cobalamina e vitamina D entre os lactoovovegetarianos, por consumirem leite e derivados na dieta, fontes significativas desses minerais. Vegans necessitam maior atenção para que não desenvolvam deficiências nutricionais, o que resultaria em efeitos negativos para a saúde e, consequentemente, para o desempenho atlético.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.


Referências Bibliográficas:

Di Ciero, P. O Atleta Vegetariano. Disponível em: www.nutrociencia.com.br Acessado em: 26/04/2014.

Ferreira, LG; Burini, RC; Maia, AF. Dietas vegetarianas e desempenho esportivo. Rev Nutri, 2006; v.19, n.4: p.469-477.

Lia, VE. Dieta vegetariana para atletas. Disponível em: www.einstein.br Acessado em: 26/04/2014.


Position of The American Dietetic Association: Vegetarian Diets. J Am Diet Assoc. 1997, v.97: p. 1317-1321.
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