segunda-feira, 26 de maio de 2014

Ferro

O ferro desempenha muitas funções no organismo humano. As principais funções do ferro na hemoglobina são: atuar como vetor de oxigênio, formando com o oxigênio uma combinação facilmente dissociável, permitindo que o oxigênio transportado seja cedido aos tecidos na medida das suas necessidades; servir de catalisador da oxidação nas células e nas moléculas livres de hemina e atuar como constituinte das diástases oxidantes (catalase, peroxidase, citocromos), intervindo em numerosas reações de oxidação, por meio das quais se libera energia dos constituintes alimentares. A atividade de muitas enzimas envolvidas nestas reações bioquímicas é diminuída se houver a deficiência de ferro nos tecidos.

Em humanos, o ferro é encontrado em inúmeras proteínas como as flavoproteínas, hemeproteínas, participando como componente essencial destas ou como co-fator, principalmente em enzimas como os citocromos, que atuam na cadeia respiratória. As hemeproteínas mais importantes são: hemoglobina, mioglobina, citocromos, peroxidases e catalases. A maior parte do ferro, cerca de 65%, é integrante da hemoglobina, transportadora de oxigênio nos glóbulos vermelhos. Do restante, 4% estão na mioglobina, 1% sob a forma de diversos compostos hêmicos que promovem a oxidação celular, 0,1% combinado à proteína transferrina no plasma sanguíneo e, 15% a 30% armazenados, principalmente, no fígado, medula óssea, e baço, sob a forma de ferritina ou hemossiderina.

Outro tipo importante de proteína que contém ferro é a lactoferrina, uma glicoproteína que está presente em altas concentrações no leite materno e é a principal fonte de ferro para lactentes, auxiliando na prevenção da anemia no período de amamentação.

Ferro heme e Ferro não-heme

      O ferro proveniente da dieta de seres humanos é absorvido através das células intestinais, principalmente no duodeno, e é transportado na corrente sanguínea e fluido extracelular ligado a uma proteína plasmática chamada transferrina. Dois tipos de ferro são fornecidos pela dieta: o ferro heme e o ferro não-heme.

-  Ferro heme está presente em alimentos de origem animal, como carne bovina, frango e peixe
-   Ferro não-heme é encontrado nos cereais e outros vegetais.

De acordo com a sua forma, o ferro pode ser absorvido de diferentes maneiras na mucosa intestinal. O ferro heme é solúvel nas condições do intestino delgado, sendo facilmente absorvido pela mucosa intestinal sem a interferência de fatores químicos e/ou alimentares. Por esta razão, é altamente absorvido: cerca de 15% do ferro heme ingerido pelo indivíduo normal e 35% naquele com baixa reserva de ferro.
 
Em contraste, a absorção do ferro não-heme é bem menor, de cerca de 1 a 5%, e varia em função da presença de fatores químicos e alimentares, como é o caso das vitaminas C e A, que facilitam sua absorção. Por outro lado, os fitatos (encontrados em cereais e grãos), as fibras, os taninos (encontrado em chás e no café) e o cálcio dificultam sua absorção.

Recomendações Nutricionais

            A necessidade durante a infância é a maior, em relação à ingestão alimentar. A fase de crescimento rápido durante a adolescência, representa outro período de necessidades aumentadas, maiores no homem que na mulher; entretanto, com o início das menstruações, as necessidades da mulher excedem às do homem.

Problemas no ciclo menstrual podem indicar baixos níveis de ferro no organismo, geralmente decorrentes da deficiência no consumo ou na absorção do mineral. A ingestão adequada de ferro (DRI) para mulheres entre 19 e 50 anos é de 18 mg/dia.

As boas fontes de ferro da alimentação incluem as carnes vermelhas, frango, peru, porco, peixes, feijão, lentilha, vegetais de cor verde escura, como couve ou espinafre, e alimentos fortificados. A absorção do ferro dos alimentos de origem vegetal é aumentada quando ingeridos junto à uma fonte de vitamina C, como morango, limão, laranja, entre outros.

Na gravidez, há um aumento das necessidades deste mineral para suprir a expansão da massa eritrocitária da própria gestante, a formação do sangue da placenta e do feto e, ainda, para compensar as perdas durante o parto.

A dieta normal nem sempre é suficiente para suprir as necessidades de ferro na gestação. Por isso, tem sido proposta a suplementação de 27 mg/dia de ferro elementar ou sulfato ferroso a partir do segundo trimestre de gestação, e de 9 mg/dia para lactantes (ou 10 mg/dia para lactantes com idade inferior a 18 anos).

Deficiência de Ferro

A deficiência nutricional de ferro ocorre quando a quantidade absorvida da dieta é insuficiente para alcançar as necessidades normais. Elas abrangem as perdas obrigatórias do organismo e os requerimentos nutricionais para o crescimento. Se essa deficiência persiste, os estoques orgânicos de ferro são exauridos e a anemia ferropriva se instala, afetando os níveis de hemoglobina sanguínea. A deficiência pode ser causada por ingestão inadequada, absorção deficiente, metabolização imperfeita, perda sanguínea crônica ou aumento das necessidades como na infância, adolescência e gravidez.

Quando o estoque de ferro do organismo é depletado, o corpo sofre consequências funcionais, tais como a ineficiência do transporte de oxigênio e prejuízos no metabolismo oxidativo, no metabolismo nuclear e na transcrição gênica. As sequelas clínicas incluem a anemia em si, a redução da atividade física, do rendimento do aprendizado e da diminuição da performance no trabalho e a diminuição de eficiência da função. A imunocompetência reduzida é um possível sinal de deficiência precoce de ferro, notada particularmente por defeitos na imunidade mediada por células e na atividade fagocítica dos neutrófilos, que podem levar a uma propensão aumentada para infecção.

Geralmente a deficiência de ferro é caracterizada por 3 estágios, a saber:

(a) depleção de ferro: o armazenamento de ferro é baixo (baixos níveis de ferritina e hemossiderina), pequeno aumento da transferrina livre e valores normais de hemoglobina;

(b) eritropoese deficiente: o nível de saturação da transferrina cai e torna-se insuficiente para a manutenção de uma taxa ótima de eritropoiese; a concentração de protoporfirina dos eritrócitos torna-se elevada, indicando um desequilíbrio entre a produção de protoporfirina e o suprimento intracelular de ferro. Contudo, o suprimento de ferro ainda é suficiente para manter 95% do nível normal de hemoglobina;

(c) anemia ferropriva: o terceiro estágio é caracterizado pelo esgotamento total das reservas de ferro, levando a uma produção insuficiente de hemoglobina, com o desenvolvimento de anemia microcítica e hipocrômica.


A maioria dos sintomas, comuns em anemias, são: cansaço, fadiga, palidez, diminuição da capacidade de trabalho físico, alteração da termorregulação e menor capacidade de concentração. O tempo de restabelecimento das funções cardiorrespiratórias normais em indivíduos anêmicos, após esforço, é prolongado. Sintomas gastrointestinais como falta de apetite, flatulência, incômodo epigástrico, náuseas, vômitos, constipação ou diarreia são comuns. 

Quando a anemia por deficiência de ferro se torna mais severa, os defeitos se desenvolvem na estrutura e função dos tecidos epiteliais, especialmente da língua, unhas, boca e estômago. As mudanças bucais incluem atrofia das papilas linguais, queimadura, vermelhidão e, em casos severos, glossite. A gastrite ocorre frequentemente e pode resultar em acloridria (ausência de ácido clorídrico no suco gástrico). A anemia não tratada pode resultar em alterações cardiovasculares e respiratórias que podem eventualmente provocar uma insuficiência cardíaca.

Interações Dietéticas

Quadro 1.  Interações dietéticas que alteram a biodisponibilidade do ferro.

Proteínas
Aumentam a absorção do ferro não-heme
Aminoácidos
Mistura de aminoácidos favorecem a absorção do ferro, sendo
a cisteína um dos aminoácidos mais ativos.
Ácidos orgânicos
Dietas com alto conteúdo de ácido lático, facilitam a absorção.
Fosfatos de cálcio
Diminuem a absorção.
Zinco
A administração de suplementos de zinco inibem a absorção do ferro. Se o suplemento contiver os 2 elementos, a biodisponibilidade de ferro é menor quanto maior a proporção Zn:Fe.
Vitamina C
Favorece a absorção do ferro não heme ao mantê-lo solúvel no pH intestinal. Facilita a mobilização de ferro ao inibir a degradação de ferritina por enzimas lisossômicas. Sua deficiência causa acumulação de Fe-hemossiderina.
Vitamina A
Sua deficiência inibe a utilização do ferro e acelera o aparecimento de anemia. A deficiência de ferro se associa epidemiologicamente com a deficiência de vitamina A.
Chá, café
Ao se tomar chá, simultaneamente, com fonte de ferro, a absorção cai de 10,4 para 3,3 %, devido à formação de complexos com taninos na luz intestinal. O café também inibe a absorção de ferro.
Polifenóis
Ligam e insolubilizam o ferro.                          Benvenutri
Fonte: Germano e Canniatti-Brazaca, 2002.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.
Referências Bibliográficas:

Cunha DF, Cunha SFC. Microminerais. In: Dutra-de-Oliveira JE, Marchini JS, eds. Ciências Nutricionais. São Paulo: Sarvier; 1998.

Germano, RMA; Canniatti-Brazaca, SG. Importância do ferro em nutrição humana. Rev. Soc. Bras. Alim. Nutr., 2002; v.24, p. 85-104.

Guerra EM, Barretto OCO, Pinto AV, Castellão KG. Prevalência de deficiência de ferro em gestantes de primeira consulta em centros de saúde de área metropolitana, Brasil. Etiologia da anemia. Rev Saúde Pública. 1992; v. 26, n.2. p:88-95.

Lombard M, Chua E, O'Toole P. Regulation of intestinal non-haem iron absorption. Gut. 1997;40(4):435-9.

Martini FCC. Comparação entre a disponibilidade de ferro na presença de vitamina A e beta-caroteno em alimentos e medicamentos. [dissertação]. Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz; 2002.


The Role of Iron. British Nutrition Foundation; 1998. Disponível em: http://www.nutrition.org.uk/information/dietandhealth/iron.html. Acessado em: 18/05/2014.
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