quinta-feira, 8 de maio de 2014

Suplementos Dietéticos e Obesidade

     O uso de suplementos alimentares, hipnose, acupuntura e outros é considerado tratamento alternativo, porque são procedimentos cujos objetivos são a redução do peso e/ou da gordura corporal e não preenchem os seguintes critérios convencionais:

● Agente farmacêutico aprovado pelos órgãos de Vigilância Sanitária ou droga em desenvolvimento pela indústria farmacêutica;

● Cirurgia Bariátrica;

● A aplicação de técnicas cognitivo-comportamentais para promover modificações na dieta e na atividade física.

            Suplemento dietético, por sua vez, é definido como um produto ingerido que contém um “ingrediente dietético” com a capacidade de suplementar a dieta. Podem ser plantas, vitaminas, minerais, aminoácidos, enzimas, proteínas, metabólitos etc. Os suplementos dietéticos podem ser também extratos ou concentrados e serem encontrados em cápsulas, pós, líquidos e, mais recentemente, em barras.

Ácido Linoleico Conjugado (CLA)

          O ácido linoleico conjugado é o nome dado a um grupo de ácidos graxos insaturados produzidos no aparelho gastrointestinal dos animais ruminantes, por bactérias que isomerizam o ácido linoleico.

            O CLA é naturalmente encontrado em alimentos como carnes bovinas e de animais ruminantes, como também em aves, ovos e leite e seus derivados. Gorduras vegetais não são fontes significativas de CLA. No entanto, este pode ser produzido a partir do ácido linoleico contido no óleo de girassol.

            Em camundongos e ratos houve reduções da ingestão alimentar e da deposição da gordura corporal, além do aumento do gasto energético. Dentre os mecanismos propostos estão a redução da lipogênese, aumento da lipólise, oxidação dos ácidos graxos e a interferência na diferenciação e proliferação dos pré-adipócitos e indução da apoptose do tecido adiposo.

Cafeína

          A cafeína pertence ao grupo das metilxantinas, encontradas em grãos de café e de cacau, chás, guaraná, chocolate, bebidas à base de colas e sob a forma de comprimidos. A cafeína, sendo estimulante adrenérgico, influencia a termogênese, a lipólise e o apetite. O efeito térmico da substância em indivíduos não tomadores habituais de café é linear e dose dependente (100, 200 e 400mg de cafeína), embora esta resposta seja menor nos obesos que nos magros. O consumo de cafeína (=300mg/d) parece reduzir também a ingestão calórica, embora este efeito se perca ao longo do tempo. Apesar da sua influência tanto no gasto energético como na ingestão alimentar, não se demonstrou diferença na perda de peso de obesos que usaram placebo ou o princípio ativo isolado.

Capsaicina

            A capsaicina é uma substância que está presente nas pimentas e pimentões. Em ratos estimula a termogênese por ação adrenérgica. Estudos experimentais em humanos mostraram aumento do gasto metabólico de repouso e redução da ingestão alimentar (provavelmente relacionada à modificação sensorial oral e à passagem da substância no sistema digestório). Não há relatos de eficácia em relação à perda de peso. Um dos fatores limitantes é a quantidade necessária de capsaicina para a obtenção dos efeitos desejados (0,9g de pimenta vermelha junto às principais refeições): os voluntários não suportam o sabor ácido do suplemento.

Chá Verde

         Os chás são bebidas muito consumidas no mundo. Os mais utilizados são feitos de folhas de Camellia sinensis e são categorizados em 3 tipos, dependendo do grau de fermentação ou oxidação: o chá verde (não fermentado/ não oxidado), oolong (parcialmente fermentado) e o chá preto (fermentado/oxidado). Quanto menor a fermentação, maior a quantidade de catequinas, principalmente de epigalocatechina-galato. Por isto, a maioria dos estudos é feita com os chás verdes e oolong.

In vitro, o chá verde aumenta oxidação lipídica; em animais, modula o apetite, estimula o metabolismo hepático dos lipídeos, inibe a sintetase dos ácidos graxos.

Em seres humanos, extratos de chá verde estimularam o sistema nervoso simpático, aumentaram o gasto energético e a oxidação de gorduras, apesar de pequena ou nenhuma redução do peso. A associação de oolong aos hipoglicemiantes orais parece ter algum efeito no controle do diabetes tipo 2.

Crômio

        O picolinato de crômio é utilizado em muitas fórmulas para emagrecimento. Teoricamente o composto poderia ajudar a redução do peso, aumentando a saciedade através da ativação serotoninérgica e ainda estimulando a síntese protéica e o gasto energético. Os trabalhos mostraram discreta redução de peso (~1kg), porém sem significado clínico. Lesões renais e rabdomiólise têm sido relatadas com o uso de grandes quantidades de suplementos com crômio.

Ephedra sinica

 A ephedra sinica (ou ma-huang) é uma planta nativa da Ásia Central cujo principal componente é a efedrina. Apesar de relatos da eficácia da combinação de efedrina (30-150mg) com cafeína (150-600mg) na perda de peso, o uso isolado da efedrina mostrou efeito apenas modesto (~0,9kg) na redução do peso quando comparado ao placebo, com aumento importante no risco de efeitos adversos psiquiátricos, gastrointestinais e cardíacos.

A frequência e a magnitude dos efeitos colaterais várias vezes relatados foram suficientes para que, em abril de 2004, o FDA proibisse a venda de suplementos dietéticos contendo alcaloides de efedrina.

No entanto, muitos fabricantes começaram a substituir estes alcaloides por derivados da erva citrus aurantium, cujo princípio ativo é a fenilefrina. Sem efeitos na redução do peso, seu consumo pode acarretar alterações na pressão arterial e na frequência cardíaca e trazer maior risco de eventos cardiovasculares, semelhantes aos encontrados com o consumo da efedrina

Fibras dietéticas

Os polissacarídeos galactomanan (Goma guar) e glucomanan, e outras fibras dietéticas tais como o Psyllium (derivado do Plantago psyllium), são reconhecidos por modular a saciedade, a absorção de gorduras e as funções intestinais.

Apesar da discreta redução da ingestão alimentar, os estudos até agora realizados não demonstraram diferença na perda de peso de indivíduos obesos usando 15 a 30g/d de fibras em cápsulas ou em pó, quando comparados ao placebo. Foram freqüentes náuseas, flatulência e diarreia. É importante lembrar que o uso destes suplementos pode interferir na absorção de medicamentos como antibióticos e digitálicos e potencializar a ação de drogas anticoagulantes.

Mesmo sem bases científicas, existem vários produtos à base de fibras no mercado que prometem perda de peso sustentada.

Garcínia Cambogia

Esta substância, extraída da casca de uma fruta cítrica exótica (brindleberry), contém ácido hidroxicítrico ao qual se tem atribuído papel importante no metabolismo dos ácidos graxos, carboidratos e inibição do apetite. Não houve diferença na redução de peso entre os indivíduos que usaram ácido hidroxicítrico isoladamente e aqueles que usaram placebo, bem como não comprovaram um aumento na oxidação de gordura ou alteração do apetite. Além disto, é comum a associação de outros produtos na mesma cápsula, colocando em dúvida a eficácia da própria substância.

Hoodia gordonii

O uso da Hoodia é conhecido pelas populações indígenas da África do Sul há muito tempo.

Frequentemente usam a planta para o tratamento de indigestão e pequenas infecções. Em 1977 foi isolado o princípio ativo, um glicosídeo (P57), que supostamente reduziria o apetite. Uma única publicação científica sobre seus efeitos em animais foi encontrada: o extrato da planta injetado no cérebro de ratos provocou redução da ingestão alimentar nos roedores. Em seres humanos, nenhum estudo foi feito para investigar os efeitos do uso da planta e seus derivados na perda de peso. A cobertura da mídia e a propaganda maciça das companhias de suplementos alimentares criaram tamanha demanda pela Hoodia, que vários países africanos conferiram a ela um status de protegida. A planta só pode ser colhida de seu ambiente original por nativos e pelas poucas companhias que detêm os direitos de exploração.

A escassez da substância acarretou outro problema: vários produtos que dizem conter Hoodia, na verdade não contêm o ingrediente ativo que supostamente modera o apetite.

Quitosana

A quitosana é um polissacarídeo, componente do exoesqueleto dos crustáceos. Com base em estudos pré-clínicos, tem sido sugerido que esta substância reduziria a absorção intestinal das gorduras. Observou-se que, na ausência de dieta hipocalórica, não há efeito da quitosana na perda de peso. Além disto, não foi demonstrada a presença de gordura nas fezes dos indivíduos testados. Flatulência e obstipação foram os efeitos adversos mais frequentes.

As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.
Referências Bibliográficas:
Mourão, DM. et al. Ácido linoléico conjugado e perda de peso. Rev Nutr. 2005; v.18, n.3: p. 391-399.

Radominski, R. O uso dos suplementos dietéticos no tratamento da obesidade. Rev Abeso, 2007; n.29.
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