segunda-feira, 23 de junho de 2014

Microbiota intestinal – quais fatores podem interferir na sua colonização?

A composição da microbiota intestinal depende de diversos fatores ainda pouco conhecidos. Sabe-se que alterações significativas na microbiota intestinal humana estão associadas com o aumento da obesidade e desenvolvimento de diabetes na vida adulta, além da relação com diversos sinais e sintomas. Portanto, é fundamental saber quais os gatilhos que influenciam no desenvolvimento da microbiota intestinal.


A Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização de Agricultura e Alimentos (OAA) definem probióticos como: “microrganismos vivos, que quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro” (JOINT FAO/WHO, 2002).

A colonização bacteriana do intestino começa imediatamente após o parto, essas bactérias são provenientes principalmente da flora vaginal e fecal da mãe no parto normal, já os recém-nascidos por cesárea são colonizados pelas bactérias presentes no ambiente (MORAIS; JACOB, 2006).

Diversos estudos relatam a importância de uma microbiota intestinal saudável para prevenção e tratamento de doenças e que o desequilíbrio na microbiota está relacionado com o desenvolvimento de doenças (CLEMENTE, 2012). Round & Mazmanian (2009) colocam que o sistema imunológico é influenciado pela colonização bacteriana do intestino e influenciam também no desenvolvimento de doença inflamatória do intestino. Ley (2010) Pflughoeft e Versalovic (2012) relatam que alterações significativas na microbiota intestinal estão associadas com o aumento da obesidade e desenvolvimento de diabetes.

A influência da microbiota intestinal na saúde humana é contínua desde o nascimento até a velhice. A microbiota materna pode influenciar tanto o ambiente intrauterino e pós-natal na saúde do feto. Fatores nutricionais e ambientais têm sido estudados perante a relação com o desenvolvimento de um intestino saudável. A microbiota intestinal é importante para manter os processos fisiológicos normais ao longo da vida.

Fatores ambientais extrínsecos (como o uso de antibióticos, dieta, estresse, doenças e ferimentos) e o genoma do hospedeiro podem influenciar diretamente na composição da microbiota intestinal, com implicações para a saúde humana. O desequilíbrio da microbiota intestinal, mais conhecido como disbiose, pode levar a ao desenvolvimento de diversas doenças (Figura 1), incluindo (A) doença inflamatória do intestino, o câncer do cólon, e síndrome do intestino irritável; (B) úlceras gástricas, doença hepática gordurosa não alcoólica e obesidade e síndromes metabólicas; (C) a asma, atopia, e hipertensão; e (D) o humor e o comportamento por meio de sinalização hormonal, por exemplo, o GLP-1 (NICHOLSON et al, 2012).

Figura 1 – Fatores que podem influenciar na microbiota intestinal humana (NICHOLSON et al, 2012).

Como modular a microbiota?

         A utilização de suplementos com cepas de pré e probióticos já é muito utilizada por nutricionistas funcional e estudos demonstram excelentes resultados na nossa saúde.

           Uma alimentação equilibrada, rica em fibras (FOS), pobre em produtos industrializados e açúcares é fundamental para melhorar a sua saúde intestinal. Diversos alimentos tem ação na modulação da microbiotaintestinal como a batata yacon e biomassa de banana verde.

         Outros fatores devem ser considerados como estresse, poluição, hereditariedade e estilo de vida para a modulação da microbiota intestinal.

Texto elaborado por: Nutricionista Fernanda Piazera

Formada em Nutrição pela Universidade Regional de Blumenau – FURB e Pós-graduanda em Nutrição Clínica Funcional pela VP Consultoria (UNICSUL/SP).
Atualmente atua na área de Nutrição Clínica com ênfase em Nutrição Funcional.


As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizadas única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências:

CLEMENTE, J. C., URSELL, L. K., PARFREY, L. W., KNIGHT, R. The impact of the gut microbiota on human health: an integrative view. Cell, v. 148, n. 6, p. 1258-1270, 2012.

JOINT FAO/WHO Food and Agricultural Organization/World Health Organization Guidelines for the Evaluation of Probiotics in Food. London, Ontario, Canada. 11 p. April 30 and May 1, 2002.

LEY, R. E. Obesity and the human microbiome. Current opinion in gastroenterology, v. 26, n. 1, p. 5-11, 2010.

MORAIS, M. B.; JACOB, C. M. A.; O papel dos probióticos e prebióticos na prática pediátrica. J. Pediatr. (Rio J.),  Porto Alegre ,  v. 82, n. 5, supl. Nov.  2006.

NICHOLSON, Jeremy K. et al. Microbiota Host-gut interações metabólicas.Ciência , v 336, n. 6086, p. 1262-1267, 2012.

PFLUGHOEFT, K.; VERSALOVIC, J. Human microbiome in health and disease. Annu Rev Pathol 7: 99–122. 2012.


ROUND, J. L.; MAZMANIAN, S. K. The gut microbiota shapes intestinal immune responses during health and disease. Nature Reviews Immunology, v. 9, n. 5, p. 313-323, 2009.
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