quinta-feira, 17 de julho de 2014

Alimentação e Sistema Imunológico

      O sistema imune de mamíferos inclui um complexo conjunto de células e de moléculas que interagem para fornecer a proteção contra micróbios patogênicos (bactérias, vírus e parasitas). Esse sistema compreende dois componentes principais: o sistema imune inato e o adquirido.

     A defesa inata está presente desde o nascimento, não é específica e pode responder aos diferentes agentes da mesma forma sem produzir células de memória. Compreende barreiras estruturais (pele e membranas mucosas) e fisiológicas (pH e níveis de oxigênio). Em adição, células fagocitárias e as células natural killer (NK), estão envolvidas diretamente na fagocitose, morte celular e resposta inflamatória. Tais processos não são in­fluenciados pelo contato prévio com o agente infeccioso e formam a primeira linha de defesa do organismo, eliminando células infectadas por vírus e células tumorais, retardando o estabelecimento da infecção.

           As células de maior destaque na resposta imune inata são os neutrófilos e macrófagos. Os macrófagos produzem, proteínas sinalizadoras que recrutam outras células inflamatórias, como os neutrófilos, durante o desencadeamento da resposta imune. Interferons, interleucinas e o fator de necrose tumoral (TNF-α e TNF-β) são as principais citocinas envolvidas na resposta imune.

A resposta imune adquirida atua por maior período do que a inata e apresenta especificidade e memória. Essa defesa fornece uma proteção mais efetiva contra patógenos por sua habilidade de memorizar e reconhecer expressivo número de antígenos. É composta por células de memória B e T. As células B contribuem para a resposta imune por meio da secreção de anticorpos ou imunoglobulinas que são subdividas em cinco classes: IgA, IgD, IgE, IgG, IgM (imunidade humoral) e as células T, na imunidade mediada por células. As células T apresentam-se em populações fun­cionais distintas: células T helper (CD4) e células T citotóxicas (CD8 – divididas em citotóxicas e supressoras).

           Para que as reações do sistema imunológico funcionem e combatam as infecções precisamos de energia e dos nutrientes fornecidos por uma boa alimentação: aminoácidos essenciais, ômega-3, vitamina A, ácido fólico, vitamina B12, Vitamina C, E, zinco, cobre, ferro e selênio, probióticos para a formação de células entre outras substâncias envolvidas na defesa do nosso organismo.

       Os probióticos são componentes funcionais que têm bom impacto na função imunológica; são alimentos que contêm microrganismos – como lactobacillus e bifidobacterias que, quando ingeridos, exercem efeitos benéficos para a saúde. Esses organismos são adicionados aos alimentos, como os leites fermentados, por exemplo.

As vitaminas A, C e E são importantes antioxidantes necessários para o organismo dos seres humanos, pois protegem as células, inclusive do sistema imune, dos danos causados pelos radicais livres. Além disso, a oferta dessas vitaminas pode ser benéfica para o sistema imune por aumentar:

a) a produção de anticorpos,
b) a proliferação de linfócitos,
c) a atividade de células exterminadoras naturais (NK) e a atividade fagocítica de macrófagos,
d) a produção de citocinas pró-inflamatórias.

O zinco é um mineral que, em baixas concentrações, pode provocar prejuízos para o sistema imune por provocar a diminuição: a) da atividade de células imunes, b) da produção de citocinas, como interleucina-2 (IL-2), interferon-gama, fator de necrose tumoral-alfa, c) da capacidade proliferativa de linfócitos, dentre outras. Todos esses prejuízos provocados pela deficiência de zinco podem ser revertidos pela ingestão adequada desse micronutriente. A recomendação desse micronutriente para um adulto, homens e mulheres, é de 8 a 11 mg/dia, de acordo com a DRI (Dietary Reference Intakes).

O selênio é essencial para o organismo humano, sendo importante para ajudar a proteína exercer sua função, além de exercer papel como antioxidante. A deficiência deste micronutriente pode prejudicar a proliferação de linfócitos, produção de mediadores inflamatórios e reduzir a produção de imunoglobulinas. Por outro lado, esse micronutriente pode apresentar efeito tóxico para as células do sistema imune quando ingerido em grande quantidade. Sua recomendação para adultos, de acordo com a DRI, é de 55 microgramas diárias e sua ingestão máxima é de 400 microgramas/dia.

O ferro é importante para as funções de células imunes. Sua deficiência, como ocorre na anemia, pode causar redução na atividade fagocítica de células apresentadoras de antígenos, redução dos níveis de imunoglobulinas, dificultar a ativação de linfócitos T e reduzir a produção de IL-2.

As fontes alimentares dos nutrientes que colaboram para o fortalecimento do nosso sistema imunológico são:
Vitamina E: fontes oleaginosas como: nozes, castanhas, amêndoas, macadâmias, azeite de oliva.
Vitamina A: manga, mamão, cenoura, abóbora, couve, espinafre.
Zinco: legumes, feijão, lentilha, ervilha, soja e grãos, carne vermelha.
Vitamina C: laranja, kiwi, acerola, goiaba, morango, limão, tangerina, couve, tomate.
Selênio: nozes, castanha do pará.
Cobre: castanha de caju, semente de girassol, lentilhas, cogumelos, chocolate amargo.
Probióticos: batata yacon, raiz da chicória, leites fermentados.
As informações contidas neste blog, não devem ser substituídas por atendimento presencial aos profissionais da área de saúde, como médicos, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e etc. e sim, utilizada única e exclusivamente, para seu conhecimento.

Referências Bibliográficas:

Arthur JR, McKenzie RC, Beckett GJ. Selenium in the immune system. J Nutr. 2003; v.133(5 Suppl 1): p. 1457S-1459S.

Calder PC, Kew S. The immune system: a target for functional foods? Br J Nutr. 2002; v. 88 Suppl 2: S.165-177.

Carvalho, F. Alimentos que ajudam a melhorar o sistema imunológico. Disponível em: www.einstein.br Acessado em: 05/07/2014.

Cunningham-Rundles S, McNeeley DF, Moon A. Mechanisms of nutrient modulation of the immune response. J Allergy Clin Immunol. 2005; v.115, n.6: p.1119-1128.

Dodig S, Cepelak I. The facts and controversies about selenium. Acta Pharm. 2004; v.54, n.4: p. 261-276.

Macedo, EMC; Amorim, MAF; Silva, ACS; Castro, CMMB. Efeitos da deficiência de cobre, zinco e magnésio sobre o sistema imune de crianças com desnutrição grave. Rev Paul Pediatr 2010; v.28, n.3: p. 329-336.


Marques, CG. Influência dos micronutrientes na resposta imune. Disponível em: www.nutritotal.com.br Acessado em: 05/07/2014.
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